Delegacia de SP que apreendia carros ilegalmente também comercializava caça-níqueis apreendidos
Plantão | Publicada em 04/04/2009 às 12h18m
SPTV, Jornal NacionalSÃO PAULO – Uma nova denúncia contra policiais do distrito de Vila Rica, na zona leste de São Paulo, chegou ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Civil. Além de apreensões irregulares de carros no pátio da delegacia, que depois sumiam, os policiais também são acusados de vender os caça-níqueis apreendidos para os antigos donos.
Os policiais tiravam das máquinas o circuito eletrônico e comercializavam apenas a carcaça, para não levantar suspeitas. O MP agora quer saber quantas máquinas caça-níqueis foram comercializadas.
Nesta sexta-feira, a entrada do pátio da delegacia foi bloqueada para apurar a denúncia de que os policiais estavam fazendo apreensão clandestina de carros.
Durante o bloqueio, um ex-escrivão, que havia sido demitido, tentou escapar pelos fundos da delegacia, mas acabou detido. Uma revista revelou que ele andava com equipamentos da polícia e quase R$ 30 mil. Os promotores ainda encontraram um carro que não poderia rodar no pátio do distrito policial. O veículo deve quase R$ 20 mil de multas e não foi licenciado.
Durante 15 dias, a equipe do Jornal Nacional monitorou o pátio da delegacia e descobriu que carros com documentação irregular são comuns por ali, apesar de que deveriam estar formalmente apreendidos. Alguns dos veículos sumiram depois de passar dias no pátio, sem que nenhum tipo de registro oficial tenha sido feito.
Segundo o MP, 21 carros que deveriam estar apreendidos sumiram do pátio. Dois foram encontrados nos arredores da delegacia. Um deles, abandonado com munição dentro. O outro estava sendo usado por um policial.
Os chefes dos investigadores, os escrivães e o delegado titular não resistiram à auditoria e foram afastados nesta sexta-feira.