Ex-Secretários e Ex-governador Promotor ladrão, sempre roubaram o meu pão…Agora um Procurador que “não consegue pagar as contas” …( Será as do Cassino ou do Puteiro ? ) 6

O procurador que “não consegue pagar as contas” e o pão que o Ministério Público sempre tomou da mesa da polícia

“Meu nome vai parar no SPC”, lamenta o procurador de Justiça Luiz Roberto Cicogna Faggioni, depois de receber R$ 147 mil líquidos em abril.

O mesmo país em que delegado de polícia, investigador e escrivão contavam centavos para fechar o mês, décadas a fio, vê agora um membro do topo da cadeia remuneratória do Estado posar de vítima de injustiça porque o STF ousou limitar penduricalhos a 35% do teto constitucional.

Se isso não é a síntese do Brasil escravocrata , não sei o que é.

Não é de hoje que o Ministério Público faz de tudo para se colocar alguns degraus acima – salarialmente, simbolicamente e politicamente – de quem trabalha na ponta da linha da persecução penal.

O histórico de resistência à isonomia com delegados é conhecido: toda vez que se fala em alinhar carreiras jurídicas, o MP reage como se o simples fato de reconhecer dignidade remuneratória à polícia fosse uma ameaça existencial à sua “autonomia”.

Quando é para puxar o teto para cima, o MP estende a mão; quando é para dividir o pão com quem está no chão da delegacia, a conversa muda.

Por isso a cena atual tem um sabor amargo para quem foi delegado: por décadas, o “promotor de justiça” lutou para garantir o seu teto exclusivo, seus penduricalhos próprios, sua blindagem institucional, enquanto a polícia civil era mantida a pão e água, sem estrutura, sem isonomia, sem reconhecimento efetivo de carreira jurídica.

Foi uma escolha política: o MP se afirmou como casta distinta, não como parceiro de sistema de justiça. Agora, quando o Supremo traça um limite – tímido, transitório – nos extras, essa mesma casta grita “roubaram meu pão.

A ironia é inevitável: para quem viveu na pele a defasagem salarial, o sucateamento de delegacias, o desprezo velado à função policial, soa escandaloso ouvir um procurador com anos de contracheques turbinados afirmar que está “há três meses sem salário” só porque não recebe mais o que vinha recebendo há vinte anos.

O pão que ele diz ter sido “roubado” nunca chegou à mesa de quem chefiava  plantão noturno, equipe reduzida, viatura quebrada e inquérito amontoado.

Quando Faggioni escreve “ministro ladrão, roubou meu pão”,  covardemente , sem citar nomes, ele revela mais sobre si e sobre o ambiente em que se formou do que sobre o STF.

É o grito de quem sempre viu o orçamento público como extensão do próprio padrão de vida.

A escolha da palavra “ladrão” é sintomática: para uma camada da elite estatal, qualquer limitação a privilégios é percebida como roubo.

Enquanto isso, o verdadeiro furto histórico foi o boicote sistemático à isonomia, à valorização das carreiras policiais e ao reconhecimento de que a segurança pública também é função jurídica essencial, ainda que o Supremo, recentemente, insista em dizer o contrário.

Durante anos, delegados ouviram que não podiam ser equiparados à magistratura ou ao Ministério Público porque “a Constituição não permite”, “a natureza do cargo é outra”, “não há espaço para subteto próprio”.

Hoje, um procurador paulista, que surfou como poucos na onda de vantagens e adicionais, sente-se lesado porque terá de viver com “apenas” aquilo que o texto constitucional e a própria realidade social deveriam impor desde sempre.

O pão que faltou nas mesas da polícia, da saúde, da educação, virou farinha fina no pacote dos penduricalhos.

Agora que a padaria fechou um pouco mais cedo, a choradeira é geral.

É aqui que entra o ponto pessoal, que só quem veio da delegacia entende: enquanto promotor reclamava da iluminação do gabinete, da falta de maquina xerox , delegado fazia audiência de custódia informal no balcão da delegacia, sem estrutura, sem segurança e sem salário minimamente compatível com a responsabilidade de decidir, na prática, a liberdade de pessoas.

E ainda suportando as cusparadas de oficias da PM e de deslumbrados do MP!

O “pão” da família de muitos delegados foi minguado em nome de uma suposta hierarquia entre carreiras, que sempre colocou o MP num pedestal.

Ver hoje esse pedestal espernear por causa de corte em penduricalhos é mais do que revoltante : é pedagógico.

Não é preciso chamar ninguém de ladrão para perceber que, durante muito tempo, o jogo foi jogado de forma a garantir que o pão ficasse sempre na mesma mesa.

A verdadeira apropriação indevida foi simbólica e política: a apropriação da condição de “única carreira vocacionada” para defender a sociedade, enquanto se mantinham, por omissão ou ação, as demais carreiras do sistema de justiça em posição subalterna e mal paga.

O resultado está aí: um procurador que nunca sentiu a angústia real de quem vive com salário de delegado – aqui digo por mim – defasado acredita, sinceramente, que está em situação de penúria.

Se há alguma justiça poética nessa história, ela está na palavra que tanto incomoda Faggioni: limite.

( Falta de … )

O mesmo sistema que sempre esbarrou em limites para reconhecer isonomia aos delegados, agora impõe limite aos penduricalhos que alimentavam a sensação de intocabilidade do Ministério Público.

O pão que nunca chegou à polícia e à base do serviço público talvez, pela primeira vez, deixe de ser totalmente devorado antes de sair do forno.

Dizer que não consegue pagar as contas com o que recebe é, no mínimo, um deboche cruel com quem sobrevive de salário mínimo.

Quando alguém com esse nível de renda se declara em “penúria”, o mínimo que se pode dizer é que foi perverso com o Brasil real ao transformar privilégio em vitimização oficial.

Faça-se, porém, a distinção necessária: o Flit Paralisante guarda grande respeito pela imensa maioria dos promotores de piso, aqueles do velho parquet , do chão de taco do fórum, que não compartilham desse tipo de pensamento e sabem o que é trabalhar pesado sem penduricalho de cúpula.

Numa sociedade como a nossa, a imaginação popular, inevitavelmente maliciosa, corre para hipóteses de vícios caros, mesa de jogo, luxos inconfessáveis.

Eu não preciso afirmar em que exatamente ele torra o dinheiro; basta registrar que, se o problema não é o valor da remuneração, só pode ser a forma como ela é queimada.

Cada leitor que decida, em silêncio, se as contas que ele diz não conseguir pagar são as da casa… ou as de algum cassino ou puteiro bem frequentado.

E, já que o procurador gosta de distribuir o adjetivo “ladrão” para ministro do STF em abstrato, talvez fosse mais honesto mirar sua indignação na promiscuidade entre bancos sob investigação e contratos milionários com escritórios de familiares de egressos do Ministério Público paulista.

Não faltam notícias, documentos e delações envolvendo Banqueiro Vorcaro, Banco Master e acordos de honorários de dezenas de milhões com o escritório da esposa de um certo ministro ; mas, curiosamente, esse tipo de “pão” nunca desperta a fúria moral de Faggioni.

Benefício retroativo a procuradores de até R$ 1 milhão – em vez de apuração por pretenso peculato e eventual improbidade – gera investigação contra críticas no MPF 1

Após pedido da ANPR, sindicância apura mensagens sobre pagamento retroativo de licença compensatória; caso expõe tensão entre membros e servidores no MPF diante de desvios orçamentários para benefício da classe dirigente.

Falta a interpretação do Flit para complementar e “enriquecer” o debate : Ah, sim, enriquecemos ali, na função judicial da magistratura, o debate que precede a solução dos conflitos; sobretudo quando o conflito é entre o bolso dos nossos membros e o orçamento público.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaurou uma investigação interna para apurar a conduta de servidores que criticaram publicamente o pagamento de um penduricalho milionário a procuradores da República.

Contexto da investigação

A apuração começou após um pedido formal da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) , que considerou  “ofensivas e falsas” as mensagens divulgadas por servidores em grupos internos, onde se dizia que cada membro do Ministério Público Federal (MPF) teria recebido valores retroativos de até R$ 1 milhão como “licença compensatória” — um benefício autorizado pelo vice-procurador-geral Hindenburg Chateaubriand Filho .

A ANPR argumentou que as mensagens “atingem a honra dos procuradores” e poderiam prejudicar a imagem institucional do MPF .

A PGR acolheu o pedido e determinou a abertura de uma investigação preliminar sobre a autoria e a motivação das críticas.

O benefício questionado

A “licença compensatória” é uma indenização paga por dias de folga não usufruídos devido ao acúmulo de trabalho. O pagamento, com valores retroativos até 2015, foi supostamente autorizado no mesmo dia em que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu, ao Judiciário, a concessão desse tipo de vantagem de forma administrativa.

Estima-se que o montante total desembolsado ultrapasse R$ 1 milhão por procurador , dependendo do tempo de serviço e do volume do acervo processual.

Reação dos servidores

Servidores concursados ​​do Ministério Público Federal -assim como os dos Estados- vêm há anos denunciando uma disparidade remuneratória entre membros e servidores.

Eles classificaram a distribuição de benefícios exclusivos aos procuradores como uma forma de “sequestro orçamentário”, alegando que as cúpulas do MP destinam as verbas para si próprios sob o pretexto de compensar o excesso de trabalho.

A Fraude da Métrica: Acervo Inflado vs. Trabalho Real

O pretexto para o benefício é a compensação por excesso de trabalho.

No entanto, essa alegação repousa sobre uma métrica falaciosa ou inexistente.

A contagem pura de ‘processos’ no acervo — que equipara um mero ofício a uma ação criminal complexa — é deliberadamente desprovida de qualquer auditoria que meça o tempo real de dedicação e a complexidade intelectual efetivamente despendida.

O sistema, assim, opera uma fraude contábil: paga por produtividade fictícia, transformando números inflados de acervo em moeda de troca para penduricalhos milionários.

A pergunta que se impõe é: um acervo grande obriga alguém a trabalhar além das 40 horas semanais, aos sábados, domingos e feriados? 

Que se prove individualmente! 

A tecnologia não mente; vale o que está registrado. O excesso de trabalho, se existe, deve ser auditado e provado com base nas horas extraordinárias reais, e não na quantidade espúria de “pretensos processos”.

Em resposta aos questionamentos , representantes das associações do MP sustentam que o benefício é legal e devido, e acusam os críticos de transmitirem desinformação que comprometem a reputação da instituição.

Perseguição criminal

Até o momento, a PGR não divulgou oficialmente quem são os servidores investigados nem o alcance disciplinar da apuração.

O caso se insere em um contexto mais amplo de tensão entre membros e servidores de órgãos do Ministério Público em todo o país, em razão da continuidade dos chamados penduricalhosmilionários – inventados e reconhecidos administrativamente, sem lei específica ou sentença judicial.  

A menção ao benefício retroativo de até R$ 1 milhão é factual, com diversas fontes confirmando que os pagamentos podem exceder valor, dependendo do tempo de serviço e do acúmulo de acervo artificialmente inflado.

A autorização da “indenização “compensatória – livre de tributos – foi dada pelo vice-procurador-geral Hindenburg Chateaubriand Filho, horas após o CNJ proibir vantagens semelhantes no Judiciário, o que reforça a percepção de desvio de poder com flagrante oportunismo institucional com o fim de obtenção de vantagens pessoais.

Paralelo com a Polícia Civil

O  Flit Paralisante estabelece um paralelo entre membros do Ministério Público e delegados de polícia , destacando que, embora haja diferença salarial significativa entre as carreiras, a cultura institucional — marcada por autoritarismo, pensamento retrógrado e perseguição a crítica — é isonômica .

Em ambas as instituições, a posição é usada para silenciar vozes dissidentes, sob a alegação de preservação da hierarquia da imagem institucional e da “honra” da casta dirigente.