DQuarta-feira, 5 de maio de 2010 – 06h38
Papo com Editores
Região apresenta índices de violência elevados e supera os números da capital paulista
Da Redação

Nos três primeiros meses do ano, Cubatão, Praia Grande e São Vicente registraram índices de violência maiores que o da Capital Paulista. Os três municípios (com mais de 100 mil habitantes) somaram 37 homicídios ante 376 crimes em São Paulo (números absolutos). No entanto, quando considerada a taxa de delito por 100 mil habitantes, os índices ultrapassam a maior cidade do País.
Enquanto em São Paulo houve 3,40 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes, em Cubatão o número é mais que o dobro da capital: 7,14 crimes. Já em Praia Grande, o índice foi de 6,26 e em São Vicente de 3,58.
A taxa por 100 mil habitantes permite comparar os crimes em regiões com populações de tamanhos diferentes.
Quando a comparação é feita com o total de crimes registrados no Estado, cinco cidades da Baixada Santista têm índices maiores de violência: Cubatão, Praia Grande,São Vicente,Guarujá e Santos.
Entre janeiro e março deste ano, as noves cidades da Baixada Santista somaram 77 homicídios, conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública divulgadas no último final de semana. O número é 40% maior que o registrado no mesmo período do ano passado: 55.
Em números absolutos, a cidade que teve mais crimes no primeiro trimestre foi Praia Grande, com 16 casos. Depois dela aparece Santos, com 13 homicídios, São Vicente, com 12 e Guarujá, com 10.
Quando considerados os três primeiros meses do ano desde 2008, apenas Itanhaém conseguiu registrar queda no índice de homicídios. Já Guarujá vem mantendo a quantidade de assassinatos nestes períodos.
Para o subcomandante interino do Comando de Policiamento do Interior (CPI-6), coronel Edinaldo Cirino dos Santos, diagnosticar os índices elevados no período é tarefa difícil. “Apenas quando a Polícia consegue identificar os autores e mapear os crimes é possível falar com propriedade”.
No entanto, Cirino admite que a elevação nos crimes registrada no primeiro trimestre pode ter relação com o tráfico de drogas. “O maior fator é entorpecente”. Conforme o subcomandante, há indícios de que houve muitos casos de cobrança de dívidas entre fornecedores e comerciantes de drogas.
A Tribuna tentou por dois dias falar com o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-6), Waldomiro Bueno Filho, para que ele comentasse a elevação no número de homicídios, mas não conseguiu.
Considerando toda a região do Deinter-6/CPI-6, que integra além das cidades da Baixada Santista outros 14 municípios do Vale do Ribeira, o crescimento da taxa de homicídios no primeiro trimestre deste ano em comparação com 2009 foi de 27%.
Quando apenas o número absoluto de crimes (85 no total) é comparado com os dados das demais áreas do Interior (divididas em outras oito regiões), o Deinter-6/CPI-6 é a segunda área mais violenta do Estado. Perde apenas para o Deinter-1/CPI1 (São José dos Campos), com 92 assassinatos. Esta éa primeira vez que isso acontece desde 2005. Nos anos anteriores, a região ocupou no máximo a quarta colocação.
Tropa de Choque
Se os números do começo do ano já foram elevados, a tendência é que no segundo trimestre os índices se mantenham alto. Isso porque é no próximo relatório da Secretaria de Segurança Pública que as execuções de abril registradas em várias cidades da Baixada estarão computadas.
Por causa da onda de mortes na região, o policiamento foi reforçado pela Tropa de Choque. Desde a semana passada, o efetivo policial tem o apoio de cerca de 200 homens. Segundo o coronel Cirino, por enquanto não há uma data definida para que esse reforço seja extinto. Ele explicou que os policiais militares estão vindo de São Paulo diariamente para atuar em áreas definidas pelo comando da Polícia e que, como a onda de crimes já acalmou, pode ser que o reforço seja diminuído aos poucos.
Alerta do consulado é mantido
A sequência de mortes registrada no mês passado na região fez com que o consulado dos Estados Unidos em São Paulo divulgasseum alerta para que os cidadãos norte-americanos evitassem viagens para Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá. O comunicado com data de 23 de abril foi disparado por e-mail.
Ontem, a assessoria de imprensa do órgão confirmou que o consulado mantém o alerta.












