Ernest Hemingway
João Alkimin
João Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/
João Alkimin
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Vila São Jorge
Um policial militar à paisana foi baleado na manhã desta terça-feira, dentro de casa, em Santos. De acordo com a Polícia Militar, três criminosos participaram da ação.
Os bandidos abordaram o oficial quando ele chegava em casa, na Rua Francisco Costa Pires, na Vila São Jorge, por volta das 7 horas. Em seguida, o trio anunciou o assalto e levou a vítima para dentro da residência onde estavam a esposa e o filho. De acordo com testemunhas, os marginais balearam o PM após encontrar seu colete à prova de balas. Os criminosos fugiram logo em seguida.
Baleado, o policial militar foi encaminhado para o Hospital Municipal (antigo Crei), onde passou por cirurgia para remover os projéteis que atingiram seu abdômen e seu tórax. De acordo com a prefeitura, o PM está sedado, o estado de saúde dele é considerado grave e ele ainda pode passar por outras cirurgias.
A polícia acredita que o crime não tem características de execução. Porém, só será possível afirmar se a intenção dos bandidos era matar o policial após o resultado da perícia. Até o momento, ninguém foi preso.
Marlene Bergamo/Folhapress
Protesto “São Paulo Quer Paz” reúne manifestantes no Pátio do Colégio, em protesto contra a violência que atinge São Paulo nos últimos meses Autoridades de São Paulo estão falhando em garantir a segurança pública e punir abusos a direitos humanos cometidos por agentes do Estado, afirmou a Anistia Internacional em entrevista exclusiva à BBC Brasil.
A afirmação ocorre em meio a uma onda de violência que já resultou nas mortes de mais de 90 policiais desde o início do ano e levou o número de vítimas de assassinatos no Estado para 571 só em outubro.
A Anistia Internacional citou suspeitas de envolvimento de policiais em homicídios motivados por vingança e disse que tais casos não foram investigados adequadamente “durante muitos anos”.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que vem cumprindo as leis de forma rigorosa, prendendo e expulsando maus policiais em todos os casos de violações.
“O Estado não compactua com policiais criminosos”, disse a pasta em nota.
“Condenamos a negligência do Estado em duas questões: garantir segurança pública ampla e respeitosa e assegurar justiça para as vítimas de violações cometidas por agentes do Estado”, afirmou Tim Cahill, pesquisador da Anistia Internacional, especialista em assuntos brasileiros.
A Anistia Internacional também condenou os ataques contra policiais, mas afirmou que é necessária a criação de um órgão federal independente, com poderes suficientes para investigar violações de direitos humanos no país.
Ciclo de violência
Desde o início deste ano vem se intensificando em São Paulo um conflito entre policiais e a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo analistas e promotores ouvidos pela BBC, ações mais agressivas adotadas pela polícia para enfrentar o PCC provocaram uma forte retaliação do crime organizado, que deixou dezenas de policiais mortos – a maioria atacada no período de folga.
Em um ciclo ascendente de violência, grupos de atiradores não identificados deram início a uma onda de ataques a vítimas em bairros e cidades periféricos de São Paulo.
Imediatamente surgiram suspeitas de que tais esquadrões da morte eram formados por policiais e ex-policiais que decidiram agir por conta própria.
O ex-delegado geral de São Paulo chegou a afirmar na semana passada que registros criminais de parte das vítimas dos atentados foi checada em computadores da polícia momentos antes dos assassinatos. Horas depois, ele mudou sua declaração afirmado que tal prática foi um problema “no passado”.
“A Anistia Internacional tem seguido a questão da violência em São Paulo por décadas”. disse Cahill à BBC Brasil.
“Há muitos anos houve um alto número de mortes cometidas pela polícia que não estão sendo investigadas. Nós acreditamos que isso contribui não só para a corrupção da polícia mas para o próprio envolvimento da polícia em atos criminosos”
Em maio de 2006, o PCC praticamente parou a cidade de São Paulo com uma série de ataques contra forças de segurança pública. A violência na ocasião deixou quase 50 políciais e agentes penitenciários mortos e resultou nos assassinatos de aproximadamente 400 pessoas.
Cahill afirmou que tanto em 2006 como agora há fortes indícios de envolvimento de policiais nas mortes de civis, embora a Anistia não tenha “evidências concretas”.
“Como em 2006, recentemente há uma grande suspeita de que o aumento notável de homicídios no Estado de São Paulo inclua um envolvimento forte de policiais”, afirmou.
Órgão independente
Ele afirmou ainda que é necessário conduzir um processo de investigação independente sobre os casos e criar no país o que chamou de “um instituto nacional de direitos humanos”, que seja independente do Estado e tenha o poder de investigar as ações da polícia.
Cahill disse que um projeto de lei relacionado a esse assunto tramita no Congresso, mas ele não atenderia totalmente a padrões internacionais de independência.
Afirmou ainda que o país deve abolir a prática de registrar assassinatos cometidos por policiais sob a classificação de “resistência seguida de morte”. Esse recurso, afirmou, serviria apenas para evitar investigações imediatas e ajudaria a acobertar ações de maus policiais.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que embora a Anistia Internacional seja uma organização respeitável, suas declarações à BBC estão “equivocadas”.
A pasta afirmou que o novo Secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, determinou “reforço e atenção prioritária às investigações (dos assassinatos recentes), considerando-se todas as hipóteses nas apurações”.
Ele anunciou uma integração maior entre os diversos setores da polícia e reforços nas forças de seguranças “para garantir a obtenção de resultados satisfatórios à população”.
Vinte anos de pura negligência!!!
Casa Civil GABINETE DO SECRETÁRIO
Resolução CC-145, de 26-11-2012
Institui Grupo Técnico com o objetivo de viabilizar a transferência da folha de pagamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para a Secretaria da Fazenda
O Secretário-Chefe da Casa Civil, na qualidade de Presidente do Comitê de Qualidade da Gestão Pública e em cumprimento às determinações do Excelentíssimo Senhor Governador, resolve:
Artigo 1º – Fica instituído, junto ao Comitê de Qualidade da Gestão Pública, Grupo Técnico com o objetivo de viabilizar a transferência da folha de pagamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para a Secretaria da Fazenda.
Artigo 2º – O Grupo Técnico será composto por representantes:
I – da Secretaria da Fazenda, um dos quais coordenará os trabalhos;
II – da Secretaria da Segurança Pública, por intermédio da Polícia Militar do Estado de São Paulo;
III – da Secretaria da Gestão Pública;
IV – da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo – Prodesp.
§ 1º – O Secretário-Chefe da Casa Civil designará os membros do Grupo Técnico, mediante indicação dos Titulares das Pastas referidas nos incs. I a III e do dirigente da entidade de que trata o inc. IV.
§ 2º – Para a consecução de suas finalidades, o Grupo Técnico poderá convocar servidores estaduais que, por seus conhecimentos e experiência, possam contribuir com os estudos a serem realizados.
Artigo 3º – Para fins do disposto nesta resolução caberá a Polícia Militar do Estado de São Paulo fornecer os dados e prestar as informações necessárias à migração do processamento de sua folha de pagamento para o Departamento de Despesa de Pessoal do Estado – DDPE, da Coordenação da Administração Financeira – CAF, da Secretaria da Fazenda, e à Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo – Prodesp.
Artigo 4º – O Grupo de Técnico deverá apresentar ao Comitê de Qualidade da Gestão Pública o Plano de Trabalho e Cronograma das Atividades de Implantação, bem como relatório semanal do andamento do processo de migração da folha de pagamento para a Secretaria da Fazenda. Parágrafo único – Nas atividades do Grupo Técnico inclui-se a definição da matriz de responsabilidades, a fim de identificar os impactos e adaptações necessários no Sistema de Recursos Humanos e nos Sistemas Operacionais da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Artigo 5º – Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Thiago Herdy e Sérgio Roxo
Os detalhes da criação de um “banco de apoio dos irmão (sic)”, com direito a “auxílio bélico” e ajuda financeira para “necessidades emergenciais” a ex-detentos da maior facção criminosa brasileira, nascida nos presídios paulistas, constam de arquivos da organização apreendidos pela Polícia Civil durante a crise de segurança em São Paulo. Em sete páginas, o comando descreve o papel do banco e como integrantes do grupo que estivessem nas ruas até seis meses depois de sair de prisão poderiam obter armas e um crédito de até R$ 5 mil.
Para a polícia, o documento é uma das evidências da complexidade e do grau de organização da facção que já se expandiu para 21 estados, além do Distrito Federal, conforme relatório reservado da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, revelado ontem por O GLOBO.
Os documentos trazem detalhes da contabilidade de setores do grupo que estão fora dos presídios. Há registro em planilhas de despesas como chips de telefonia móvel, aluguel de ônibus e vans para a vista de parentes de detentos às unidades prisionais, gasolina, venda de cocaína, maconha, crack e até equipamentos como computadores e celulares.
“O crime fortalece o crime, é dando que se recebe”, diz o documento que detalha o funcionamento do “banco de apoio”, citando como objetivo da iniciativa “fortalecer aqueles irmãos que estão totalmente descabelados saindo da prisão”.
Para obter auxílio financeiro ou armas, o integrante deve buscar a “Sintonia da Rua” de sua região. Sintonia é como a facção se refere aos setores de divisão de atribuições da organização. Em São Paulo, há uma para cada uma das cinco regiões (Leste, Oeste, Sul, Norte e Centro), além do ABC, Baixada e interior. Cada regional de fora de do estado conta com um responsável pelas atividades na rua.
Na proposta da organização, para emprestar uma “ferramenta” (arma) é analisado até o objetivo declarado. Quem pega até R$ 5 mil emprestados tem 90 dias para pagar, sem precisar pagar juros. O prazo para devolução da arma é de 30 dias. Empréstimos de valores maiores são negociados caso a caso, por isso não constam da proposta do “banco”. Pelo menos R$ 500 mil foram provisionados pela facção para colocar a iniciativa em prática.
A facção alerta não admitir a prorrogação da devolução das armas. A proposta explica que o “auxílio bélico” inclui “todo tipo de material: fuzil, metralhadora, pistolas, granadas e revólver”. É necessário devolver os itens em boas condições. “No caso de infelicidade de perca (sic), a compreensão vai até o limite da responsabilidade do irmão beneficiado”. Isso significa que a “Sintonia” avaliará se a arma foi usada na situação informada e se a perda ocorreu durante a ação. Nesses casos, o prazo para reposição é de um ano. Mesmo tempo para o caso de ser preso e estar devendo dinheiro à facção. “O único retorno que a família irá exigir será um maior comprometimento dentro das responsabilidades já existentes na organização”, explica a proposta.
Segundo o relatório da Senasp, a facção movimenta pelo menos R$ 72 milhões anuais com o comércio de drogas e mensalidades pagas por 13 mil integrantes, dos quais 6 mil estão presos em São Paulo, 2 mil nas ruas e 5 mil em outros estados.
Enviado em 26/11/2012 as 18:34 –
Informação Privilegiada!
Atenção, cuidado redobrado nas abordagens e incursões em locais confinados! Se a polícia saía no lucro por ter mais técnica, melhor instrução, embora encontrar-se dotada de pior aparato bélico, agora, a lemda urbana peniana, PCC, está contratando oficiais argelinos, nigerianos, haitianos… para dar instrução de guerrilha e de operacionalização de aparato bélico! Ou seja, a vagabundagem está sendo muito bem instruída por polpudos soldos, enquanto foder-nos-ei! Não bastassem alguns coxas com botulismo debandarem pra fraternidade criminosa, fornecendo dados privilegiados e correndo paripassu, agora fodeu de vez, virou questão de insegurança pública e de segurança nacional!
Enviado em 26/11/2012 as 3:52 – MASTUR
Renato Ferreira Camargo (1939 – 2012) – Investigador de polícia, historiador e jornalista
Postado por Folha.com.br em 26 novembro, as 0:25 Em Brasil/Mundo 26/11/2012- 00h10
ESTÊVÃO BERTONI DE SÃO PAULO
Renato Ferreira de Camargo dizia que aprendeu a pesquisar história e a se aprofundar no tema para fazer seus livros por causa do trabalho que exerceu durante 30 anos: o de investigador de polícia. Filho de um ferroviário e de uma confeiteira, nasceu em Tatuí (SP) e se mudou para São Paulo com o desejo de entrar para a Guarda Civil Metropolitana, o que conseguiu. Trabalhava na capital e morava em Santo André, onde a mulher, Eunice, foi professora. Admitido na Polícia Civil, atuou no Dops (Departamento de Ordem Política e Social), como conta o filho Christian. Em 1974, voltou para Tatuí. Gostava de ser policial, apesar dos perigos -já ficou um tempo internado depois de ser baleado na perna e no tórax. Em 1980, pensando em, posteriormente, fazer concurso para delegado, formou-se em direito. Mas acabou, após a aposentadoria, enveredando pela história. Em 2001, aos 63 anos, graduou-se em jornalismo. Ao todo, lançou 11 trabalhos, entre os quais “Memórias de Tatuí”, “Achegas para a História Tatuiense” e “Tatuí, Capital da Música”. Produziu ainda o CD “Alma Cabocla”, com poemas de Paulo Setúbal. Foi sócio dos institutos históricos e geográficos de Sorocaba e Itapetininga e colunista de “O Progresso de Tatuí”. Orgulhava-se de ter fundado, nos anos 70, os Alcoólicos Anônimos da cidade. Não bebia desde aquela época. Era de ficar na praça de Tatuí, conversando com os amigos. Tinha uma coleção de 5.000 CDs e 10 mil fotos, que a família quer digitalizar. Viúvo há oito anos, morreu na terça (20), aos 73, de câncer. Teve dois filhos e neto.
Fonte: Boainformacao.com.br http://www.boainformacao.com.br/2012/11/renato-ferreira-camargo-1939-2012-investigador-de-policia-historiador-e-jornalista/
O governo tem consciência do desafio que enfrenta. Ele tenta explicar aos PMs que a procuradoria era obrigada por lei a recorrer da decisão que dava ganho de causa aos policiais – os vencimentos com o valor recalculado eram pagos desde 2011. A ação no STF feita pelo procurador-geral do Estado, Elival dos Santos Ramos, é anterior ao início da matança de policiais em junho.
Ação no STF provocou redução de até 20% nos vencimentos; caso provocou revolta e governo promete conversar com associações
26 de novembro de 2012 | 2h 05
Marcelo Godoy – O Estado de S.Paulo
O governo de São Paulo anuncia hoje o coronel Benedito Roberto Meira como comandante-geral da PM e o delegado Luiz Maurício Souza Blazeck como o delegado-geral da Polícia Civil. Na tarde de ontem o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi ao gabinete do novo secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, acertar novas ações da pasta e detalhes do anúncio que ocorre hoje, em meio a uma onda de violência que não dá trégua e a sinais de perda de controle da disciplina na Polícia Militar.
O problema não é apenas o fato de os PMs terem se tornado alvo de ações do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a possível reação de policiais que estariam por trás de ações de extermínio na periferia. O imbróglio envolve também uma ação da Procuradoria do Estado no Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma decisão da Justiça de São Paulo que beneficiava os PMs, mudando a forma de cálculo de seus vencimentos.
A procuradoria obteve no STF uma liminar que fez com que cerca de 70 mil PMs tivessem seus rendimentos cortados em 5% a 20% no último mês. “Houve quem falasse em greve no meu batalhão. Como explicar esse corte de salário para uma tropa que teve policial assassinado pelos criminosos?”, disse um dos coronéis ouvidos pelo Estado.
O governo tem consciência do desafio que enfrenta. Ele tenta explicar aos PMs que a procuradoria era obrigada por lei a recorrer da decisão que dava ganho de causa aos policiais – os vencimentos com o valor recalculado eram pagos desde 2011. A ação no STF feita pelo procurador-geral do Estado, Elival dos Santos Ramos, é anterior ao início da matança de policiais em junho.
A Associação de Cabos e Soldados da PM, a maior e mais importante entidade de classe da corporação, refutou os apelos de greve feitos por policiais. “Devemos mostrar que nossos princípios estão muito acima de nossos líderes”, afirmou em nota o presidente da associação, cabo Wilson de Morais. Seu documento termina com uma advertência: “A insensibilidade dos fortes provocará a revolta dos fracos”.
O governo alega que não podia pagar agora o que mandava a Justiça paulista sem que houvesse uma decisão definitiva. Isso colocaria em risco o Erário. O novo secretário da Segurança está ciente do problema e decidiu ontem que vai conversar com as entidades de classe da PM a fim de tentar encontrar uma saída.
Apoio.
Grella conta ainda com o novo comandante-geral para pacificar os coronéis – muitos dos quais estavam em colisão com o ex-comandante Roberval França. Meira hoje é o secretário-chefe da Casa Militar. Fez carreira em Bauru e tem perfil conciliador. Ele terá ainda que esclarecer as mortes de policiais, conter os homicídios e recuperar estruturas da PM afetadas nos últimos três comandos, como a 2.ª Seção da PM (Informações). Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,novo-chefe-da-pm-enfrenta-polemica-de-corte-de-salario-,965177,0.htm
De estilo mais técnico, Blazeck chefiará Civil
26 de novembro de 2012 | 2h 06
O Estado de S.Paulo
Em meio à pressão causada pelo domingo violento e pela diminuição da aprovação de seu governo na cidade de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o seu novo secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, definiram que a Polícia Civil será chefiada por Luiz Maurício Souza Blazeck. Com um perfil mais técnico, ele deve substituir Marcos Carneiro de Lima, que era conhecido como um delegado marcadamente operacional.
Blazeck esteve na sexta-feira à tarde no gabinete do secretário. Conversaram por 40 minutos. Durante o fim de semana, ele procurou amigos e começou a fazer contatos. Blazeck fez carreira em Sorocaba, onde foi delegado-seccional e diretor da polícia na região. É conhecido pela capacidade administrativa – foi diretor do Departamento de Administração e Planejamento (DAP) da Polícia Civil e estava na Academia da Polícia. Era o candidato preferido pelo grupo do ex-secretário da Segurança Pública e atual dos Transportes, Saulo Abreu.
Na Polícia Civil, o maior desafio da nova gestão será manter o estilo de trabalho de departamentos que têm, segundo o governo, boas estatísticas e prisões importantes realizadas, como o Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro) e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e corrigir aqueles com resultados mais fracos.
A decisão de retirar Carneiro da Delegacia-Geral havia sido tomada pelo governo antes de se pensar em mudar a direção da secretaria. Carneiro irritava o Palácio dos Bandeirantes com suas declarações à imprensa, que para muitos só colocavam mais lenha na fogueira. Reconhecido pelos méritos operacionais, Carneiro caiu por sua inabilidade política. / M.G.
25/11/2012-07h00
MAURO PAULINO DIRETOR GERAL DO DATAFOLHA ALESSANDRO JANONI DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA
A pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha reflete o peso da violência urbana no imaginário do paulistano e também a distância existente entre o universo da gestão pública, da cobertura feita pela mídia e a realidade das ruas.
São raros os assuntos que em pesquisas de opinião alcançam quase a totalidade de conhecimento.
Apesar dos esforços de setores da imprensa para não propagarem a sigla, 98% dos moradores da capital já ouviram falar no PCC.
Mesmo com a relutância do governo em admitir uma guerra velada, 96% tomaram conhecimento da onda de homicídios dos últimos dias.
| Eduardo Anizelli-02.nov.2012/Folhapress | ||
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| Familiares de homem que foi morto a tiros no início deste mês observam local do crime no Jd. Arpoador, em SP |
Se há algo democrático hoje em São Paulo é o medo. Quase todos os entrevistados revelam algum grau de temor de serem pessoalmente atingidos pela onda de violência. Essa tendência beira o pânico na periferia, regiões da cidade onde as chacinas são mais frequentes.
Para se ter ideia dos efeitos imediatos dessas mortes na rotina da população, a taxa dos que se sentem muito inseguros ao andarem à noite pelas ruas de seus bairros disparou 35 pontos percentuais se comparada à do DNA Paulistano realizado até o último mês de agosto.
Talvez porque boa parte dos moradores identifique naqueles que deveriam protegê-los uma ameaça concreta. O índice expressivo dos que enxergam a formação de grupos de extermínio por parte de policiais é equivalente ao dos que reconhecem a participação do PCC nos episódios recentes.
São significativas também as taxas dos que dizem ter mais medo do que confiança nas forças policiais, especialmente na Polícia Militar, principal responsável pela crise, segundo os paulistanos.
Com isso, num confronto entre polícia e bandido, apenas metade diz temer mais os bandidos.
O vetor que catalisa o medo é a desinformação gerada pela falta de transparência.
Para a grande maioria dos paulistanos, o governo vem escondendo dados sobre a onda de homicídios, há a impressão majoritária de que boa parte das vítimas era inocente e a imparcialidade da imprensa no tratamento dos episódios divide opiniões.
Os dados mostram um cenário preocupante do ponto de vista da opinião pública e historicamente familiar.
Grupos de extermínio, sonegação de dados, facções criminosas, imagem de parcialidade da mídia, disseminação do medo.
A gestão da segurança pública mantém raízes na repressão, é um tabu da redemocratização.
Fora dos períodos eleitorais, não há representação política reconhecida na periferia que dê voz aos que se encontram na linha de fogo. Não é surpresa que “a sigla” ameace ocupar esse espaço.
Folha de S.Paulo
25/11/2012-07h00
MARIO CESAR CARVALHO DE SÃO PAULO
O policial que participasse de um grupo de extermínio fora do horário de trabalho não deveria ser punido se matasse um criminoso para 43% dos paulistanos.
A revelação faz parte da pesquisa Datafolha que retrata o estado da população da capital após a onda de violência que começou em junho e se intensificou em outubro.
O percentual que defende a prisão desse policial é ligeiramente inferior em relação aos que defendem a impunidade -40%. Para 11%, ele deveria ser expulso da polícia, mas não preso.
O levantamento, feito na última quinta-feira, ouviu 1.082 paulistanos.
O medo de andar à noite nas ruas de São Paulo mais do que dobrou em cerca de três meses.
Na última quinta-feira, 61% diziam se sentir muito inseguros com caminhadas noturnas no bairro onde moram. Na pesquisa DNA Paulistano 2012, finalizada em agosto, o índice era de 26%. Em 2008, também de acordo com a pesquisa DNA, era de 20%.
Só 11% dos paulistanos afirmam se sentir muito seguros ao andar à noite. Em 2012 e 2008, esse índice era o dobro do atual (19% e 21%, respectivamente).
A zona norte de São Paulo, palco de ataques, é considerada insegura por 83% dos paulistanos -um aumento de 34 pontos percentuais em relação à pesquisa DNA 2012, concluída em agosto.
O índice é superior aos das zonas leste e sul, mais violentas do que a região norte. A leste e a sul são apontadas como inseguras por 82% e 72%.
O centro é considerado inseguro por 75%. A zona oeste, uma das áreas menos violentas da cidade, é tida como insegura por 71%.
Notícias de toques de recolher já foram ouvidas por 44% dos paulistanos. Na zona norte, esse índice chega a 54%.
A fonte da onda de violência são as facções criminosas ou bandidos, segundo 34% dos paulistanos.
Para 17%, trata-se de um acerto de contas entre criminosos e polícia. Só 5% consideram que o PCC (Primeiro Comando da Capital) dirige os ataques.
O percentual é idêntico ao dos que dizem que os homicídios decorrem de vingança de criminosos por causa da morte de membros do PCC.
Para 18%, foi o governo que motivou os ataques por desleixo ou falta de controle. Os mesmos 18% põem a culpa na falta de estrutura policial, baixos salários ou ausência de um planejamento estratégico por parte da polícia.
A corrupção policial em geral é apontada como o principal motivo dos ataques para 18% dos paulistanos.
25/11/2012 06:42
Luiz Maurício Souza Blazeck é o preferido do governador Alckmin para assumir o comando geral
Pedro Guerra pedro.guerra@bomdiasorocaba.com.br
DE SÃO PAULO
A onda de violência que atinge São Paulo derrubou a aprovação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), segundo pesquisa do Datafolha.
Para 43%, PM que mata bandido não deve receber punição Análise: Desconfiança alimenta medo dos paulistanos
O índice de paulistanos que consideram o governo ótimo ou bom caiu de 40% em setembro deste ano para 29% na última quinta-feira.
Nesse período, o percentual dos que avaliam que a gestão é ruim ou péssima subiu de 17% para 25%.
O governo é regular para 42% -esse índice era de 40% há dois meses.
A avaliação de Alckmin no quesito segurança é pior do que a do então governador Cláudio Lembo durante os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em maio de 2006, quando 154 pessoas morreram em oito dias.
Para 63%, a atuação do governador na área de segurança é ruim ou péssima. Em 2006, 56% tinham essa mesma avaliação sobre Lembo. O índice de 63% é o maior desde 1997. Há 15 anos, quando Mário Covas (1930-2001) governava o Estado e os homicídios passavam por uma explosão, 57% classificaram a atuação dele na segurança como ruim ou péssima.
O governo não informa o número de mortos em ataques durante a atual crise. Há, no entanto, alguns indicadores oficiais de que a violência está aumentando.
Em outubro, houve um salto de 113% no número de vítimas de homicídios dolosos (praticado com a intenção de matar) quando se compara com o mesmo mês de 2011.
A pergunta sobre a avaliação do governador foi feita em primeiro lugar na pesquisa, antes que o tema da segurança fosse introduzido, para evitar que esta questão contaminasse as respostas.
Alckmin é responsabilizado diretamente pela crise, segundo o levantamento. Para 55% dos paulistanos, ele tem muita responsabilidade sobre os ataques –o mesmo índice atribuído ao comando da Polícia Civil.
Só o comando da Polícia Militar, com 62%, obteve um percentual superior ao do governador quando se pergunta quem teve muita responsabilidade sobre a crise.
A presidente Dilma Roussef (PT) é apontada por 39% como alguém que teve muita responsabilidade sobre a onda de violência.
Praticamente 3 em cada 4 paulistanos (ou exatos 71%) dizem acreditar que o governo Alckmin está escondendo informações sobre as mortes das últimas semanas.
Pouco mais da metade dos entrevistados (53%) dizem sentir mais medo do que confiança na Polícia Militar.
Durante os ataques do PCC, em maio de 2006, esse índice era de 56%. Os que dizem ter mais medo do que confiança na Polícia Civil são 46%.
Apesar de algumas rádios e emissoras de TV nunca pronunciarem o seu nome, o PCC é conhecido por 98% dos paulistanos.
N° Edição: 2246 | 23.Nov.12 – 21:00 | Atualizado em 24.Nov.12 – 15:16
Natália Martino
DISPUTA Ferreira Pinto comprou briga com a Polícia Civil ao retirar da corporação a corregedoria
As notícias diárias de homens encapuzados em motocicletas que atiram na calada da noite contra pessoas indefesas ou PMs viraram rotina em São Paulo. Nas últimas semanas, a capital paulista passou a registrar cerca de dez assassinatos por noite. Todas as manhãs contam-se as vítimas da guerra surda entre o crime organizado e a polícia. Em outubro, houve 176 homicídios, um aumento de 114% em relação ao mesmo mês do ano passado. Apesar da crescente violência, o então secretário de segurança pública Antônio Ferreira Pinto negava qualquer crise e relutou em aceitar ajuda federal para lidar com o problema. Na semana passada, porém, ele e sua prepotência foram derrotados. Ferreira Pinto deixou o cargo para o qual o governador Geraldo Alckmin indicou Fernando Grella Vieira, ex-procurador-geral de Justiça.Ligado à Polícia Militar, Ferreira Pinto comprou uma briga com a Polícia Civil ao retirar a corregedoria da entidade e chamá-la para si e ao reforçar o papel do Batalhão de Choque Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na apuração de crimes.
Pessoas próximas do ex-secretário dizem que, por conta dessas medidas, a Polícia Civil estaria fazendo uma espécie de “operação tartaruga” nas investigações. Além disso, também foi enfraquecido com a informação de que uma banda podre da PM teria vendido a bandidos do Primeiro Comando da Capital (PCC) uma lista com o nome e endereço de 100 policiais. A corregedoria da PM averigua o caso.
TAREFA Fernando Grella chega com a missão de conter o crime organizado e selar a paz entre as polícias civil e militar
Por isso, a missão de Grella não é fácil. Em seu discurso de posse, ele reconheceu que a situação atual foge da normalidade e que o crime organizado precisa ser combatido. “Isso será feito com planejamento, inteligência e capacidade de atuação concorrente em todos os entes que compõem a Federação”, afirmou. Um dos desafios do novo secretário será enfrentar os supostos grupos de extermínio formados por policiais militares. Demissionário, o delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, afirmou que os indícios de envolvimento de policiais em alguns dos crimes recentes são muitos. Segundo ele, em pelo menos um dos homicídios a vítima teve sua ficha criminal pesquisada pela polícia pouco antes do assassinato. “Bandido mata e foge porque tem medo de ser pego. Matar várias pessoas em um mesmo lugar e depois ainda eliminar provas não é comum”, disse Carneiro.
Para resolver essa questão, é necessário fortalecer os serviços de inteligência, historicamente exercidos pela Polícia Civil, e conter o uso da força pela PM. Uma das grandes críticas ao ex-secretário de segurança pública foi exatamente ter seguido o caminho inverso. No discurso de despedida, de meia hora, Ferreira Pinto deixou clara sua opção. “Sempre prestigiei sim, e me orgulho disso, o trabalho da Rota”, declarou. Para Theodomiro Dias Neto, professor da Faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em segurança pública, o novo secretário tem grandes desafios para conseguir o respeito da população. No caso da PM, é preciso controlar o uso da força por parte da corporação. No caso da Polícia Civil, é necessário combater a corrupção. “O principal passo nesse caminho é a escolha dos comandos das polícias”, afirma.

Outra tarefa espinhosa é a conciliação e a integração de forças das polícias civil e militar. De acordo com Olímpio Gomes, major da reserva da PM e deputado estadual, a tensão entre as duas instituições acirrou-se principalmente depois de 16 de outubro de 2008, quando os militares impediram uma passeata dos civis que estavam em greve e caminhavam em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Houve embate e tiroteio. “Desde então, as rixas só aumentaram, mas elas não serão resolvidas com reuniões de líderes e festas de confraternização”, diz ele.
Um dos motivos para a escolha de Grella foi seu temperamento conciliador que, agora, será posto à prova. Ele tem a vantagem também de contar com mais interlocução junto à sociedade civil. “Acho que podemos esperar mudanças em direção a uma gestão mais moderna e eficiente. Estou otimista”, diz Luciana Guimarães, diretora do Instituto Sou da Paz.