Muda ou não muda ?
Façam as suas apostas!
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17/12/2014 09h50
O novo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, afirmou nesta quarta-feira (17) que os focos principais de sua gestão à frente da pasta serão a redução dos atuais índices de roubos e o combate ao crime organizado.
Em anúncio como novo titular da pasta, informação antecipada pela Folha, ele afirmou que pretende aumentar a interlocução da administração estadual com os governos federal e municipais na segurança pública e investir na área de inteligência policial.
“A maior interlocução das Polícias Militar e Civil com o Ministério Público e com o Poder Judiciário é importante para um combate efetivo ao crime organizado”, afirmou.
O novo secretário defendeu ainda que São Paulo tenha uma legislação própria na Segurança Pública. Segundo ele, a STF, em julgamento recente, abriu o precedente das Assembleias Legislativas legislaram sobre medidas relacionadas à área.
“Nós vamos apresentar ao governador [sugestão] para ele explorar essa possibilidade junto à Assembleia Legislativa de São Paulo para trazer um conjunto de mecanismos de combate à criminalidade, nos moldes do que foi feito na Europa”, disse.
Moraes também disse ser favorável ao veto pelo governador de projeto de lei, aprovado na Assembleia Legislativa, que proíbe o uso de bala de borracha pela Polícia Militar em manifestações populares.
Ele afirmou que o que deve ser coibido é o mau uso da bala de borracha e defendeu punição ao agente de segurança que utilizá-la de maneira equivocada.
” O tema em si é absolutamente legal. O que deve ser coibida é a má utilização da bala de borracha, assim como a má utilização da arma letal”, disse. “[A bala de borracha] é um instrumento de segurança pública que deve ser bem utilizado”, acrescentou.
Moraes foi secretário de Justiça de Alckmin no mandato anterior, indicado pelo então PFL. Também foi secretário municipal de São Paulo de Transportes e Serviços, na gestão de Gilberto Kassab, mas rompeu com o prefeito e deixou o DEM (partido que substituiu o PFL).
| Juca Varella – 11.nov.2013/Folhapress | ||
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| O novo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes |
Ele faz parte de cota pessoal de Geraldo Alckmin. No caso do cartel do Metrô e da CPTM, defendeu o deputado Rodrigo Garcia (DEM), então secretário do Desenvolvimento Econômico.
Segundo interlocutores, Moraes estava inicialmente resistente a integrar o secretariado por causa das atividades com o escritório de advocacia.
De acordo com pessoas próximas ao governador, a boa relação de Alckmin e Moraes construída no período anterior se manteve mesmo com o ex-secretário fora do governo. O tucano costumava consultá-lo informalmente para assuntos jurídicos e relativos à segurança.
Na avaliação de interlocutores do governador, Alckmin tenta colocar na pasta alguém “mais dinâmico” que Grella.
A mudança teria como objetivo reduzir o número de roubos na cidade de São Paulo, que cresce há 17 meses na comparação com o ano passado.
O atual titular do cargo, Fernando Grella, confirmou que foi convidado para assumir a Secretaria da Justiça, mas disse que recusou a proposta. “Eu fui convidado, agradeci, mas vou retornar ao Ministério Público”, alegou Grella. Ele ainda disse garantir que os índices de roubos cairão a partir do mês que vem.
NOVO MANDATO
Essa é a sexta substituição anunciada por Alckmin para o secretariado de seu novo mandato.
Na semana passada, o governador definiu novos nomes para as pastas de Recursos Hídricos e Fazenda.
Na segunda (15), o tucano anunciou a recriação da Secretaria de Governo e a extinção da pasta de Gestão. Definiu também o retorno de Edson Aparecido, que trabalhou na campanha eleitoral, para a Casa Civil.
Seu vice-governador, Márcio França (PSB), foi anunciado secretário de Desenvolvimento nesta terça (16).
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DANÇA DAS CADEIRAS EM SÃO PAULO
RECURSOS HÍDRICOS
FAZENDA
GOVERNO (nova)
CASA CIVIL
DESENVOLVIMENTO
SEGURANÇA PÚBLICA
16/12/2014 19h02
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) uma proposta de mudança na Constituição para estabelecer que servidores públicos aposentados por invalidez terão direito ao benefício integral, independentemente do motivo.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) foi aprovada por unanimidade, com apoio de 398 deputado, e segue para análise do Senado.
Se for transformada em lei, a medida valerá para os servidores civis da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Para evitar uma derrota e impacto financeiro, o Palácio do Planalto mobilizou a base aliada para alterar o texto, evitando a interpretação da possibilidade de pagamento retroativo.
Atualmente, a Constituição prevê proporcionalidade ao tempo de contribuição na aposentadoria por invalidez em todos os casos, exceto no acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável prevista em lei, como hanseníase, paralisia irreversível e mal de Parkinson.
Pela proposta de autoria da deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), a invalidez gerada por acidentes domésticos, por exemplo, permitirá ao servidor se aposentar com proventos integrais, calculados na forma da lei, em vez de proporcionalmente ao tempo de contribuição.
Assim, um servidor recém-ingresso que se aposentar por invalidez terá como base a remuneração atual, em vez da proporção das contribuições feitas à Previdência Social, seja o INSS ou o regime próprio.
A PEC estabelece que todo servidor público empossado antes de 31 de dezembro de 2003 receba seu salário integral caso se aposente por invalidez.
Os servidores que ingressaram a partir de 2004 no serviço público terão direito a proventos resultantes da média aritmética de 80% dos salários recebidos desde julho de 1994 – ainda que este período inclua trabalho no setor privado.
16/12/2014 05h47
Dois policiais militares e um homem foram presos sob suspeita de envolvimento com uma quadrilha que explodia e roubava caixas eletrônicos, em São Paulo, na noite de segunda-feira (15).
A investigação, que envolveu a Corregedoria da Polícia Militar e o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), começou em abril deste ano.
Segundo o Deic, os policiais presos monitoravam a comunicação do rádio da PM durante as ações da quadrilha e avisava os comparsas para que fugissem antes da chegada da polícia. A quadrilha também roubava casas.
Os dois policiais presos serão transferidos ao Presídio Romão Gomes. O terceiro suspeito preso será levado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros.
A polícia investiga se outros policiais militares tem envolvimento com a quadrilha.
O Ministério Público investiga a participação de policiais no roubo milionário aos cofres de uma agência do banco Itaú na Avenida Paulista, ocorrida há três anos em São Paulo. A denúncia foi feita por um suspeito, interessado na delação premiada.
Foi o maior assalto do país: pelo menos meio bilhão de reais levados em dinheiro, barras de ouro e joias de cento e setenta cofres particulares da agência, no dia 28 de agosto de 2011. Doze assaltantes teriam participado diretamente da ação, mas até o momento, apenas dois funcionários terceirizados do banco foram condenados.
Uma semana antes do assalto, os ladrões fizeram um teste para evitar o disparo do alarme, cortando cabos de energia da região, mas o gerador do banco garantiu a eletricidade. Eles tiveram então que desconectar os cabos de fibra ótica, enterrados no subsolo da avenida, para invadir o banco.
Uma pessoa que se diz policial civil, e quer fazer um acordo de delação premiada com o Ministério Público, escreveu uma carta em que dá o primeiro nome de outros quatro policiais civis e um policial militar que teriam participado do roubo, protegendo os assaltantes. O informante diz que esses policiais ficaram com R$ 10 milhões cada um.
Dois investigadores teriam investido em imóveis em Miami, nos EUA, e análise dos bens de um dos suspeitos mostra que o denunciante sabe do que está falando. Três meses e meio após o roubo, o investigador passou um imóvel na zona leste de São Paulo para uma empresa dele e de uma parente no Brasil. A sócia abriu então uma companhia nos EUA, em um endereço que fica em um luxuoso condomínio em Miami, o Trump Hollywood, onde o apartamento mais barato custa mais de R$ 7 milhões.
O MP investiga as transações, que equivalem a mais de um século de salário do investigador suspeito, que está sendo denunciado pelo policial que afirma ter recebido apenas uma “merreca” e agora se diz arrependido.
Soldado usou arma da Polícia Militar para promover terror em bar da zona leste de SP
O soldado da Polícia Militar de SP Samuel Pine Garcia Rosa, 30 anos, e seu irmão, o professor Daniel Pine Garcia Rosa, 29, foram presos em flagrante no começo da madrugada deste domingo (14), após o PM assassinar com um tiro o cabeleireiro José Raimundo Ribeiro dos Santos, 40, te também disparar contra um comerciante e dar coronhadas em um pedreiro.
Os crimes aconteceram em um bar do Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo e, segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar, foram motivados porque o soldado Samuel e seu irmão foram impedidos de tragar um narguilé (cachimbo de vidro usado para fumar tabaco aromatizado).
Apesar de cometido com uma pistola .40 da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em poder de um soldado treinado pelo Estado para integrar as suas forças de segurança, o assassinato do cabeleireiro José dos Santos não entrará para a estatística oficial sobre letalidade policial.
Quando a Secretaria da Segurança Pública apresentar as estatísticas criminais em seu site, a morte do cabeleireiro José dos Santos será classificada como um homicídio doloso praticado por qualquer cidadão comum. A pasta estadual explicita apenas “mortes em decorrência de intervenção policial”, antes chamadas de “resistência [à prisão] seguida de morte”.
A não classificação de assassinatos cometidos por PMs fora do horário de trabalho como parte da letalidade policial, como no caso da morte do cabeleireiro José dos Santos, representa uma omissão de 18,5% do total de mortos por PMs no Estado de São Paulo. Essa constatação só é possível a partir da análise dos dados do Centro de Inteligência da Polícia Militar.
Entre mortes cometidas durante o trabalho e durante a folga, PMs mataram 10.379 pessoas em São Paulo, no período de julho de 1995 a julho deste ano. Foram 8.453 mortos por PMs em “mortes decorrentes de intervenção policial”, os supostos confrontos e mais 1.926 mortes como a do cabeleireiro José dos Santos, em situações como brigas de trânsito, por motivos passionais, vingança e etc.
PMs de SP matam 5 pessoas a cada 2 dias
PMs dão ‘mata-leão’ e motoboy morre na frente da mãe
Conflito entre PMs e população mata 50 por mês em SP
Governo de SP diz que mortes em confrontos com PMs ‘praticamente’ não aumentaram em 2014
Tragada no narguilé
Na versão do crime apresentada à Polícia Civil por três testemunhas, por volta das das 4h50 de domingo (14), o soldado da PM Samuel, armado com uma pistola .40 pertencente à Polícia Militar de SP e e vestido com roupas comuns, foi com seu irmão ao bar para beber.
Depois de alguns goles na parte interna do bar, o PM Samuel e seu irmão resolveram pegaram algumas cervejas para tomá-las do lado de fora do lugar.
Quando chegaram à calçada do bar, o PM Samuel e seu irmão caminharam na direção de um grupo de jovens que fumavam narguilé e pediram para dar umas tragadas também.
Ao ouvir como resposta que esperassem os jovens que estavam ali fumar primeiro, o PM Samuel se revoltou e chutou o cachimbo de vidro, que foi destruído em vários pedaços.
Logo após destruir o narguilé, o PM Samuel agarrou um dos adolescentes pelo pescoço e o ameaçou de morte. Enquanto o policial apertava a garganta do jovem, o dono do bar, Nivaldo Gonçalves de Sousa, 49 anos, partiu em defesa do rapaz e tentou puxar o policial militar.
Ao mesmo tempo em que Nivaldo afastava o PM Samuel do jovem, o irmão do soldado, Daniel, puxou pegou Gláucia Molina de Sousa, 37 anos, pelos cabelos e acertou um tapa em seu rosto. Gláucia é mulher de Nivaldo e o ajudava no atendimento aos clientes. Após a agressão, ela fugiu correndo do bar para chamar a polícia.
Impedido por Nivaldo de continuar a tentar esganar o jovem, o PM Samuel tirou sua arma da cintura e atirou, uma vez contra o rapaz e outra contra o comerciante Nivaldo de Sousa, mas não acertou nenhum dos dois, que correram.
Impôs pânico
Ainda segundo as testemunhas, fora de controle, o PM Samuel passou a apontar sua arma contra os outros frequentadores do bar e também deu uma coronhada na testa do pedreiro Paulo Ferreira da Silva, 41 anos, tio do jovem que foi pego pelo pescoço pelo policial militar.
Quando se virou na direção do cabeleireiro José Raimundo Ribeiro dos Santos, 40, o PM Samuel o acertou com um tiro. Antes de fugir do bar, o policial militar e seu irmão ainda continuaram a agredir as outras pessoas que lá estavam.
Levado para o Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, pelo comerciante Nivaldo, o cabeleireiro José dos Santos já chegou morto ao pronto-socorro.
O PM Samuel e seu irmão Daniel foram localizados por policiais militares a cerca de cem metros do bar onde aconteceram o homicídio contra o cabeleireiro José, a tentativa de homicídio contra o comerciante Nilvaldo e a lesão corporal contra o pedreiro Paulo.
PM fica calado e irmão nega briga por narguilé
Questionado pelo delegado Marcelo Marques de Oliveira, do 50 DP (Itaim Paulista), o PM Samuel não quis apresentar sua versão sobre o crime. Até a conclusão desta reportagem, ele não havia constituído advogado de defesa.
Na tentativa de justificar a morte do cabeleireiro José dos Santos, o professor Daniel, irmão do PM que o matou, disse ao delegado que a confusão no bar começou quando a vítima os provocou ao perguntar por qual motivo os irmãos ficaram à porta do banheiro do bar, um esperando o outro utilizá-lo.
Segundo a versão do professor Daniel, ele e o cabeleireiro José discutiram enquanto o PM Samuel estava no banheiro. Daniel afirmou ter levado uma gravata de José e, caído no chão, foi agredido por ele com um chute no rosto. Foi no momento da agressão que, de acordo com o professor, o PM Samuel deixava o banheiro e partiu em sua defesa, identificando-se como policial militar.
O professor Daniel disse ao delegado que o cabeleireiro José também tentou aplicar uma gravata no PM Samuel e ainda quis pegar a arma do policial que, somente nesse momento, o acertou com um tiro.
O professor Daniel disse ao delegado que o cabeleireiro José também tentou aplicar uma gravata no PM Samuel e também pegar sua arma e, somente nesse momento, o policial o acertou com um tiro.
Daniel negou em seu depoimento que os crimes no bar foram motivados pela discussão após os jovens terem impedido ele o PM Samuel de fumar narguilé. Daniel também não tinha constituído advogado de defesa até a conclusão desta reportagem.
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A PM não mata muito, a PM mata pouco e, por vezes, erroneamente .
Tanto que os líderes do PCC estão por aí bem vivos.
A maioria dos policiais militares da reserva trabalharam 30 anos sem disparar única vez contra uma pessoa.
A PM, no mínimo, em São Paulo deveria ter eliminado uns 100.000 criminosos durante esse período.
De qualquer forma, bandido não tem medo de bala.
Criminoso, principalmente jovem, pensa que com ele nunca irá acontecer.
Bandido tinha medo de ser “detido para averiguações” , ou seja, para ser torturado por dias, semanas e meses…
Depois, conforme o caso, enterrado sem deixar vestígios .
Estamos no Brasil; aqui criminoso é parido em ninhada.
Todo ladrão, de regra, é filho de uma vadia com um vagabundo qualquer; o tipo de gente que a Polícia pode ( deveria ) matar e arrebentar a vontade sem perder o direito de ir para o céu.
Direitos absolutos apenas para pessoas honestas e benfeitoras.
Em São Paulo
Print do vídeo que mostra tenente e soldados matando o servente Paulo Batista do Nascimento. Levados a júri popular pelo crime, cometido em 2012 no bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo, os PMs foram absolvidos
Do encontro com o prefeito Fernando Haddad (PT) às batidas policiais quase diárias, nada deixa de ser gravado, editado e documentado por adolescentes e jovens da favela do Moinho, no centro de São Paulo. A iniciativa será disseminada por bairros da periferia, como Heliópolis, Paraisópolis, Brasilândia e Jardim Pantanal, com o objetivo de filmar com celular ou pequenas câmeras abusos policiais, encontros com autoridades e reintegrações de posse. Logo em seguida, tudo é compartilhado nas redes sociais.
Com R$ 80 mil recebidos de um programa da Secretaria Municipal de Cultura, lideranças da favela do Moinho compraram três câmeras, tripé, projetor de luz e ilha de edição. Trinta jovens receberam neste ano treinamento para realizar filmagens semiprofissionais com a orientação de líderes comunitários, advogados de ONGs e defensores públicos.
Quando um carro da Polícia Militar entra na ocupação localizada ao lado dos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e embaixo do viaduto Rudge logo atrás aparecem jovens munidos de câmeras profissionais equipadas com microfones e projetores de luz. São adolescentes como Alessandra de Jesus, de 15 anos, Paulo Ivaldo, de 13, e André Ferreira, de 16, que fizeram parte do projeto de capacitação audiovisual Moinhos de Imagem.
“O problema é que a PM ainda não entende que filmar é um ato legal. O próprio André foi levado outro dia pelos policiais só porque estava filmando uma fiscalização da Subprefeitura da Sé nos bares daqui”, diz o ativista e fotógrafo Caio Castor, de 31 anos, um dos coordenadores da ONG Moinho Vive. “Depois que acabou a fiscalização pegaram o menino e queriam ver o que tinha na câmera dele”, conta Castor.
“O vídeo serve, no Poder Judiciário, quase sempre como prova irrefutável de abusos que não deixam marcas, como um tapa na cara ou uma tortura verbal. E isso é corriqueiro nos bairros mais distantes da capital”, afirma o defensor público Raul de Carvalho Nin, de 32 anos, do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado.
Vice-presidente da União dos Moradores de Paraisópolis, na zona sul, Joildo dos Santos, de 29 anos, também incentiva os jovens a filmar as ações da PM. “Quando você compartilha um vídeo de violência policial na internet, a sociedade inteira passa a fazer a cobrança por uma postura melhor da polícia. Surte bem mais efeito do que antigamente, quando você tinha de ir reclamar para um político amigo ou para uma ONG”, afirma.
Castor, da favela do Moinho, e Santos, de Paraisópolis, foram convidados para participar de um treinamento da ONG americana Witness (Testemunhas), nesta terça-feira, das 9 às 19 horas, na Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo (Apesp). Fundada em 2001, a entidade passou a ter destaque internacional a partir de 2012, quando começou a incentivar jovens do Bronx, região pobre de Nova York, a filmar policiais que faziam revistas em moradores da área. À época, ainda estava em vigor a política stop and frisk, do prefeito Michael Bloomberg, que consistia em revistar qualquer pedestre ou cidadão em atitude suspeita.
Levantamento da ONG mostrou, em 2013, que 87% dos jovens revistados eram negros e pobres. Em uma campanha batizada de Watching the Cops, a Witness conseguiu massificar o uso dos celulares na gravação de vídeos de ações policiais na mais populosa cidade americana. O mesmo trabalho, em parceria com a Conectas Direitos Humanos, será feito agora com 120 lideranças de São Paulo.
Punição. Para o especialista em segurança pública Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), para se criar uma cultura de uso de vídeos entre os jovens é preciso haver, antes de tudo, punição para os culpados.
“Não adianta incentivar o jovem a filmar a ação policial se nem ele vai ter segurança alguma depois, já que os acusados muitas vezes permanecem soltos”, diz o pesquisador. “É preciso haver a mesma punição que a Justiça americana criou como consenso nos casos de vídeos que mostram claramente a violência da polícia”, afirma Paes Manso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
14/12/2014 02h00
“Os telefones celulares mais sofisticados são muito visados pelos bandidos. Procure atende-los ou usá-los apenas em local seguro.” A recomendação vem da Polícia Militar de São Paulo, que no fim de novembro fez um pôster educativo com esse texto e o desenho de uma mulher olhando para seu telefone portátil.
A mensagem foi veiculada também pelas redes sociais da PM. Recebeu apoio virtual na maioria dos mais de 200 comentários, mas houve quem contestasse a recomendação.
“Como pode a PM pedir que eu não use celular na rua? Não são eles que têm de garantir minha segurança para eu justamente poder atender meu celular na rua?”, escreveu a aposentada Ana Lima, 63.
A polícia não respondeu aos questionamentos de Lima na rede social nem quis dar entrevista à Folha. sobre o texto.
| Reprodução | ||
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| Cartaz da Polícia Militar de SP recomenda a só se usar o celular em “lugar seguro” |
“É uma frase ambivalente, que pode ser considerada um atestado de fraqueza institucional. Ou, como se diz na linguagem popular, ‘tirar o corpo fora'”, afirma o especialista em segurança pública Marcos Lori, pesquisador da Sorbonne.
“Existe uma orientação já usada muito tempo atrás para tomar cuidado com os objetos em aglomeração. Não dá para atender o telefone numa [rua] 25 de Março lotada”, diz Coronel Álvaro Camilo, ex-comandante da PM de SP.
“Nada substitui o dever do Estado de manter a segurança. Mas a colaboração do cidadão é importante. Não vi o cartaz, mas talvez pudesse estar escrito de outra forma.” Para o coronel Camilo, todos devem tomar cuidado, “mas sem paranoia”.
-Quando não for no banheiro, recomendamos o elevador.
Bom dia, doutor!
Essa chegou e já foi revogada, com a edição da Resolução SSP 191/2014. Aproveito para pedir seus comentários sobre as diferenças entre as duas, editadas em tão pouco tempo pelo mesmo motivo.
Resolução SSP nº191, de 11-12-2014
Dispõe sobre o procedimento a ser adotado nas ocorrências policiais que envolvam a apreensão de
máquinas de jogo de azar ou similares
O SECRETÁRIO DA SEGURANÇA PÚBLICA, no uso de suas atribuições
Considerando a grande quantidade de apreensões de máquinas de jogo de azar no Estado de São Paulo pelas Polícias Civil e Militar;
Considerando a notória dificuldade logística desde o momento da apreensão das referidas máquinas, respectiva remoção e depósito, e riscos ao meio ambiente;
Considerando a necessidade de adequar o procedimento policial de modo a resguardar a instrução probatória, mas ao mesmo tempo evitar o dispêndio de recursos públicos e prevenir danos ao meio ambiente,
RESOLVE:
Artigo 1º – Nas ocorrências policiais relativas a máquinas de jogo de azar o local será preservado pelo policial militar ou agente da Polícia Civil.
§ 1º – A autoridade policial ou seu agente e o perito criminal comparecerão ao local, e com a presença de ambos será realizado o exame pericial, bem como extraídos da máquina e apreendidos o dispositivo de memória e o “noteiro”. Uma vez concluído o exame pericial será inutilizado o “noteiro”, o que também constará do laudo pericial.
§ 2º – No tocante aos demais componentes que não interessam à prova da contravenção penal, o delegado de polícia determinará a apreensão e depósito em nome do proprietário, possuidor ou responsável pelo estabelecimento, consignando o número do lacre, o qual se responsabilizará por sua custódia, salvo se não houver responsável no local, hipótese em que a autoridade providenciaria a remoção dos objetos apreendidos.
§ 3º – Ao concluir o procedimento de polícia judiciária, o delegado de polícia representará à autoridade judiciária competente pela destruição dos objetos apreendidos e/ou depositados.
Artigo 2º – Desde que precedida de autorização judicial, a Secretaria da Segurança Pública poderá, na hipótese do parágrafo primeiro do artigo anterior, celebrar convênios com organizações não governamentais visando o reaproveitamento dos componentes que não interessam à investigação criminal.
Artigo 3º – Na hipótese da ocorrência policial ter sido iniciada por ação de policiais militares, a chegada ao local de agentes da autoridade policial e do perito criminal fará com que eles fiquem liberados, salvo se as circunstâncias exigirem a manutenção do policiamento ostensivo.
Artigo 4º – Esta Resolução entra em vigor na data da sua publicação, revogando-se a Resolução SSP-180, de 03 de dezembro de 2014.
DOE, Seç I, pág. 17, de 13-12-2014.
__________________________________________
Superficialmente, verifico várias diferenças, eis as principais:
A autoridade policial não fica obrigada a comparecer ao local.
( Corretamente, em determinadas regiões não há delegados nem sequer para locais de homicídios ).
O delegado poderá encarregar policial para a efetivação do levantamento do local juntamente com o perito.
Pela portaria o perito não poderá “fazer o local” sem a presença do delegado ou um agente da autoridade ( investigador , escrivão ou agente policial ).
A destruição do noteiro poderá ser efetuada somente pela autoridade policial , ainda no local, na presença do perito; consignando-se do laudo.
A chegada ao local de agentes da autoridade e peritos fará com que os PMs sejam liberados ( ou seja, “poderão ser” ) , em vez de: serão liberados tão logo o delegado de polícia e o perito criminal se façam presentes.
Revogada pela Resolução SSP nº 191, de 13/12/2014
O Secretário da Segurança Pública,
Considerando a grande quantidade de apreensões de
máquinas de jogo de azar no Estado de São Paulo pelas Polícias
Civil e Militar;
Considerando a notória dificuldade logística desde o
momento da apreensão das referidas máquinas, respectiva
remoção e depósito;
Considerando os graves riscos ao meio ambiente gerados
pela ausência de conservação adequada das referidas máquinas;
Considerando a necessidade de adequar o procedimento
policial de modo a resguardar a instrução probatória, mas ao
mesmo tempo evitar o dispêndio de recursos públicos e prevenir
danos ao meio ambiente;
Considerando que é de interesse público a constatação da
contravenção penal de jogo de azar, e que a placa de memória
existente nas máquinas de caça-níquel e similares armazena os
dados e outros registros, bastando a sua apreensão para o fim
de resguardar a observância do direito à prova e a eficácia da
investigação criminal, resolve:
Artigo 1º. Nas ocorrências policiais que acarretarem a localização
e apreensão de máquinas de jogo de azar, a autoridade de
polícia judiciária e o perito criminal deverão se dirigir ao respectivo
local imediatamente para, no âmbito das suas atribuições,
adotar as seguintes providências:
I- O perito criminal, sempre que possível, deverá proceder ao
exame pericial por meio de teste do funcionamento do equipamento
com o fim de identificar os percentuais de retenção “perdas”
e devolução “ganhos” da máquina, no local da ocorrência;
II- A autoridade policial, uma vez encerrado o exame pericial,
deverá, em conjunto com o perito criminal, providenciar a
apreensão da respectiva placa de memória e do identificador
de células denominado “noteiro”, ressalvado o disposto no
Parágrafo 2º deste Artigo.
Parágrafo 1º: No tocante aos demais componentes que não
interessam à prova da infração penal, o delegado de polícia
lacrará tais objetos e lavrará auto de depósito em nome do
proprietário, possuidor ou responsável, contendo o número do
lacre, o qual se responsabilizará por sua custódia.
Parágrafo 2º: No que se refere ao identificador de cédulas
denominado “noteiro” de que trata o inciso II deste Artigo, a
autoridade policial poderá destruí-lo imediatamente, no próprio
local da ocorrência, toda vez que constatar a ausência de interesse
para a investigação criminal.
Parágrafo 3º: Na hipótese de arquivamento dos autos de
inquérito policial ou ajuizamento da ação penal, o delegado
de polícia representará à autoridade judiciária competente pela
destruição do objeto de que trata o inciso II.
Artigo 2º. Para os fins do parágrafo primeiro do artigo
anterior, a Secretaria da Segurança Pública poderá celebrar
convênios com organizações não governamentais visando o
reaproveitamento dos componentes que não interessam à
investigação criminal.
Artigo 3º. Na hipótese da ocorrência policial ter-se iniciado
por ação de policiais militares, estes serão liberados tão logo o
delegado de polícia e o perito criminal se façam presentes no
local da apreensão, salvo se as circunstâncias exigirem a manutenção
do policiamento ostensivo.
Artigo 4º. Esta Resolução entra em vigor na data da sua
publicação.
13/12/2014 02h00
Com o objetivo de tornar mais rápida a chegada dos peritos à cena de um crime e agilizar a liberação do local, a Secretaria da Segurança de São Paulo publicou nesta sexta (12) uma resolução que muda a forma de acionamento do IC (Instituto de Criminalística) e do IML (Instituto Médico-Legal) na capital.
A medida foi uma das primeiras promessas do secretário Fernando Grella, que assumiu o cargo há dois anos.
A ideia é evitar que voltem a ocorrer, por exemplo, o travamento das marginais por até sete horas após acidentes, devido ao atraso da perícia, ou a remoção de corpos de pessoas assassinadas após até 18 horas de espera.
Era o delegado do distrito da área que fazia a requisição de perícia para casos de homicídio, lesão corporal e morte suspeita, inclusive decorrentes de acidente de trânsito.
A partir de agora, porém, a requisição será feita via rádio por uma central única, o Cepol (Centro de Operações da Polícia Civil), onde haverá um delegado de plantão 24 horas para cuidar desses casos.
Antes da mudança, quando um acidente ou crime acontecia, a Polícia Militar ia até o local para preservá-lo, depois ia à delegacia registrar o boletim de ocorrência e só um delegado daquele distrito podia requisitar, por mensagem, o envio de peritos.
Pela nova determinação, o PM, ainda na cena do crime, comunicará a ocorrência via rádio à central da Polícia Militar (Copom), que imediatamente avisará o Cepol, da Polícia Civil, que acionará os peritos também pelo rádio.
Os peritos poderão trabalhar na cena do crime antes de receberem qualquer ofício –a formalização será mais tarde. O delegado da área, que também terá sido avisado pelo Cepol, deverá ir ao local do crime antes do registro da ocorrência e, ali chegando, poderá fazer aos peritos os pedidos adicionais que quiser.
Segundo Grella, foi detectado que a demora não estava nos peritos, mas no acionamento deles. Delegados ouvidos pela Folha disseram que a mudança, indiretamente, responsabiliza a Polícia Civil pelos atrasos. Grella nega.
Segundo peritos consultados, o IML leva em média 55 minutos para chegar ao local de uma ocorrência. Já o acionamento pela polícia demorava até quatro horas.
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No meu tempo não era assim, o IC e IML sempre demoravam por empenho em várias ocorrências praticamente simultâneas.
As polícias Civil e Militar formaram, na manhã desta sexta-feira (12), 73 policiais no Curso Superior de Polícia Integrado (CSPI), reconhecido como doutorado. A cerimônia de formatura foi realizada no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona sul da Capital.
No total, 30 delegados de 1ª classe da Polícia Civil e 43 oficiais da Polícia Militar – sendo 10 de outros Estados – se tornaram aptos a exercer funções estratégicas e de planejamento em suas instituições.
A formação no Curso Superior de Polícia possibilita também que os alunos alcancem o posto mais alto de suas respectivas carreiras, classe especial aos delegados, e patente de coronel aos oficiais da PM.
O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, fez a entrega de certificados e medalhas aos primeiros colocados, acompanhado dos chefes das polícias Civil e Militar, o delegado-geral Luiz Mauricio Souza Blazeck e o comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira.
“Quando o Curso Superior de Polícia foi criado, o que se quis foi transformar a sabedoria que os policiais trazem das ruas, de suas atividades diárias e de suas vivências de anos de trabalho, em ciência aplicada”, explicou o secretário. “O que se espera é que a experiência refinada de cada um dos formandos seja usada no combate e prevenção da criminalidade”, completou.
Ao integrar delegados e PMs, a formação estimula ações conjuntas entre as polícias – 160 horas de atividades são feitas de forma integrada entre os alunos das duas instituições. O curso capacita os formandos para funções no alto escalão das corporações, como comando, direção e assessoria.
“Nós cremos que somente uma abordagem científica do fenômeno criminológico aliado à integração das forças policiais dará respostas concretas às demandas da sociedade e rebaixamento dos índices criminais, principalmente dos roubos”, comentou Grella.
Ao longo de quase nove meses de curso, também foram promovidas linhas de pesquisa com produção de artigos científicos e teses, que permitem propostas práticas para a área de segurança pública.
“Sonhem com uma polícia cada vez melhor, uma instituição cada vez mais coesa, uma sociedade cada vez mais justa e tenham sempre esperança de conquistarem esse sonho”, disse o delegado-geral e patrono das turmas. “Coloquem todo esse conhecimento e aptidão a serviço da população, a quem servimos, e a nossa sociedade será melhor”.
Para ingressar no CSPI, os delegados precisam ser de 1ª classe e os policiais militares estarem há pelo menos seis meses no posto de major. Entre os PMs, 10 são dos estados do Amapá, Roraima, Amazonas, Paraíba e Espírito Santo.
Desde 2007, foram formados no curso 506 policiais – 326 oficiais da PM e 180 delegados da Polícia Civil.
Assessoria de Imprensa e Comunicação da Secretaria da Segurança Pública
O PCC (Primeiro Comando da Capital), por exemplo, não para de crescer. O que caracteriza o maior crime organizado privado no Brasil (PCC) é a expansão, diversificação, tentáculos internacionais, conexões com grupos estrangeiros assim como a capilaridade nacional. Trata-se de um crime organizado de comando privado que se incrementa a cada dia, tendo potencialidade para se tornar uma grande organização mafiosa, que emerge quando ela se infiltra profundamente nas estruturas do Estado, ou seja, na política, na polícia e na Justiça, para garantir o sucesso dos seus “negócios” assim como a impunidade, agindo por meio da fraude, da corrupção, da violência, da ameaça, do medo e daomertà = silêncio. ( Professor Luís Flávio Gomes )
PCC resgata presas de delegacia na Grande São Paulo
Três criminosos invadiram delegacia e espancaram policial civil que atuava como carcereiro
Integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), fortemente armados, invadiram o 7º DP de São Bernardo do Campo (ABC paulista), na madrugada desta sexta-feira (12), e resgataram presas que estavam na carceragem da delegacia.
A ação aconteceu por volta das 3h, quando apenas um policial civil tomava conta das 86 mulheres presas no 7º DP de São Bernardo do Campo.
Policiais civis ouvidos pela reportagem informaram que 24 das 86 presas foram resgatadas e que as outras 62 não fugiram porque não quiseram.
A delegacia fica na divisa entre as cidades de São Bernardo do Campo e Diadema e, durante o resgate, só tinha o policial civil que atuava como carcereiro.
Esse policial civil foi agredido pelos três criminosos que invadiram a delegacia, trancado em uma cela e só encontrado na manhã desta sexta-feira, quando outros policiais chegaram para trabalhar.
A arma do policial que atuava como carcereiro foi levada pelos criminosos, segundo a Polícia Civil.
O alvo da ação era uma detenta que integra a facção criminosa PCC e cujo nome é mantido em sigilo pelas autoridades.
A reportagem solicitou entrevista com o secretário da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Fernando Grella Vieira, e aguarda um posicionamento de sua assessoria de imprensa sobre o resgate das presas.
fonte; r7.com
Publicado por Luiz Flávio Gomes –
No momento em que as atenções estão voltadas para o grande crime organizado político-empresarial (disso são exemplos Petrobra$, metrô$P, mensalões do PT e do PSDB etc.), importa sublinhar que os outros crimes organizados não estão estacionados. O PCC (Primeiro Comando da Capital), por exemplo, não para de crescer. O que caracteriza o maior crime organizado privado no Brasil (PCC) é a expansão, diversificação, tentáculos internacionais, conexões com grupos estrangeiros assim como a capilaridade nacional. Trata-se de um crime organizado de comando privado que se incrementa a cada dia, tendo potencialidade para se tornar uma grande organização mafiosa, que emerge quando ela se infiltra profundamente nas estruturas do Estado, ou seja, na política, na polícia e na Justiça, para garantir o sucesso dos seus “negócios” assim como a impunidade, agindo por meio da fraude, da corrupção, da violência, da ameaça, do medo e da omertà = silêncio.
02. Em 2006, quando aterrorizou a cidade de São Paulo, entrando em conflito armado com a polícia (mais de 40 policiais foram mortos e, ao mesmo, mais de 500 jovens foram assassinados), sua potência residia mais na violência que nas contas bancárias. Seu poder hoje, como confirmam as recentes investigações policiais e do Ministério Público, é incomparavelmente maior que há oito anos (faturava mais de R$ 120 milhões por ano em 2013). O mundo está permanentemente em movimento. Quem não cresce (quem não avança), parado não fica; quem pensa que se encontra parado, na verdade, minuto a minuto, está indo para trás. O escândalo da Petrobra$ passou a ser o centro dos holofotes, mas não podemos esquecer que esse tipo de crime organizado (político-empresarial e não violento) não é o único que está destruindo nossa sociedade e nossa democracia. A percepção comum capta enormes concorrências (dentre aqueles que pretendem se apoderar do Brasil) nas religiões, na política, na ideologia, no mercado, nas comunicações etc. O que ignoramos? Que esse fenômeno também existe entre os vários crimes organizados (os privados, os milicianos, os da banda podre da polícia e o politico-empresarial).
03. Pela primeira vez, como sublinhou editorial do Estadão, “a ligação que se suspeitava existir entre o PCC e a máfia foi confirmada por meio de denúncia do Ministério Público Federal (MPF) apresentada à Justiça no fim do mês passado (outubro/14); o PCC se associou à N’Drangheta, o mais atuante dos quatro ramos da máfia italiana, que opera a partir da Calábria, para levar cocaína da Bolívia para Itália, Espanha e Holanda pelo Porto de Santos. Do lado brasileiro, havia 34 pessoas envolvidas no embarque da droga; a operação que resultou na apreensão de 56 quilos de cocaína e na prisão de várias pessoas nela diretamente envolvidos com € 230 mil foi fruto das investigações da Polícia Federal (PF) – nas quais se baseou o MPF para sua denúncia – que permitiram desvendar a ligação entre as organizações, por meio da interceptação de mensagens trocadas entre seus integrantes”.
04. As organizações citadas, ademais, contam com empresa offshore no Uruguai, que era usada para movimentar o dinheiro obtido com o negócio criminoso. Em uma reportagem do O Globo se soube, posteriormente, da ligação do PCC com o Hezbollah, facção política e militar radical que atua no Líbano. Associaram-se para uma troca de favores: o PCC, que manda em vários presídios brasileiros, vem dando proteção aos traficantes de origem libanesa presos no Brasil e ligados ao Hezbollah, enquanto este lhe paga com armas e explosivos contrabandeados. Com tanto dinheiro e tanto armamento, o previsível é que o PCC cresça desenfreadamente, à sombra do Estado oficial, cada vez mais vulnerável e mais débil, para fazer frente ao tráfico de drogas. O PCC já deixou de ser apenas paulista, posto que se “nacionalizou” (já está presente em 22 Estados).
05. “Foi-se o tempo em que vivia de contribuições de seus associados, fruto de ações criminosas acanhadas, dentro e fora dos presídios. O tráfico de drogas, com o qual faturava R$ 120 milhões por ano (em 2013), segundo trabalho feito pelo Ministério Público de São Paulo, já é uma das suas principais fontes de renda” (agrega oEstadão). O Ministério Público (acrescenta o editorial citado) “também acaba de denunciar à Justiça duas pessoas ligadas ao PCC acusadas de utilizar vans que integram o serviço de ônibus de São Paulo para lavar dinheiro obtido com o tráfico”. Uma ligação que há muito se suspeitava existir e que agora começa a ser comprovada (uma correspondência encontrada num presídio seria mais indício desse vínculo do PCC com o transporte público em São Paulo – Estadão 9/12/14).
06. Mas a área em que o PCC mais tangencia a nossa cleptocracia (Estado governado também por ladrões) diz respeito ao comando dos presídios. O PCC está governando mais de 90% dos presídios no Estado de São Paulo, conforme Camila Dias, “PCC – Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência”, Editora Saraiva. A fraqueza institucional sistêmica (ausência do império da lei para, sobretudo, desmantelar o poder econômico do crime organizado assim como a inexistência de políticas públicas preventivas) está na raiz do problema (que se agiganta a cada dia, porque não para de crescer).

Saiba mais:
07. Falta ainda muita coisa para o PCC se transformar num grupo mafioso, mas não se pode afirmar que isso seja impossível ou mesmo improvável, bastando adequar seus métodos à tradição siciliana, que teve um dia Don Calò (Don Calogero Vizzini) como poderoso líder (chefão). Para se ter uma ideia do seu poder na máfia siciliana (que se desenvolveu desde o século XVIII e foi reconhecida como tal no século XIX) basta recordar que seu corpo foi velado (no início de 1950) com honras de Estado em uma igreja de Villalba, sua cidade natal, que o teve como prefeito. A ligação do crime organizado com a política é da essência da máfia (veja Jo Durden Smith, A história da Máfia). No anúncio da sua morte se dizia: “Sábio, dinâmico, incansável, ele foi o benfeitor dos que trabalham na terra e nas minas de enxofre. Sempre fazendo o bem, a sua fama se alastrou pela Itália e pelo estrangeiro. Grande em face da perseguição, maior ainda na adversidade; era um cavalheiro”. Don Calò morreu rico e poderosíssimo. Sua vinculação com o partido democrata cristão (PDC), que foi presidido, durante longo período, por Giullio Andreotti (1919-2013), era profunda. Aliás, Andreotti acabou sendo acusado de ter ligações com a máfia, bem como com esquemas de financiamento ilegal de partidos políticos. Também lhe foi imputada a participação na morte do jornalista Mino Picorelli.
08. Em uma reportagem de março de 2014 a revista Carta Capital destrinchou a história da maior facção criminosa privada no Brasil, o PCC, que teve início em São de Paulo, em 1993, no presídio de Taubaté (SP), como resposta às péssimas condições do sistema penitenciário paulista e aos excessos de violência praticados pelas forças de segurança contra detentos (somente no massacre do Carandiru, em 1992, 111 presos foram assassinados). A organização piramidal nasceu comandada pelos “generais” “Geleião” e “Cesinha”. No final de 2002 houve troca de comando, com a ascensão de Marcos Camacho (Marcola) ao poder (até hoje esse comando não se alterou). A segunda fase do grupo foi marcada pela natureza empresarial da organização criminosa. Foi nesse período que Marcola descentralizou o comando ao indicar apadrinhados para a formação da Sintonia Final Geral (sete membros), a cúpula do PCC (que só deve obediência ao Marcola). Essa fase termina com os ataques em São Paulo, de 2006, que ocorreram depois que todas as lideranças da organização foram recolhidas no Presídio de Presidente Venceslau. Em um só dia (maio/06) foram transferidos 765 presos. O objetivo das transferências, de quebrar o comando e a articulação da facção, só seria alcançado se, transferidos, os líderes fossem isolados e impossibilitados do acesso ao celular. O que se viu foi o contrário. De dentro dos presídios os chefes continuam comandando o PCC, que já começa a se enraizar nas estruturas políticas do Estado.
Um pouco mais da história do PCC
09. Com medo das proporções alcançadas pelos ataques e rebeliões, o governo mandou uma comitiva para a citada penitenciária, acompanhada de uma advogada da facção, para pedir que Marcola enviasse um sinal aos seus seguidores pedindo o fim dos ataques (era, ademais, um ano eleitoral). Marcola diz não ter passado o sinal, mas confirma a indicação de outro integrante para executar a missão. Executada, acabaram-se os ataques e os líderes acomodaram-se na nova casa, sem punições ou sanções que pudessem mantê-los longe do comando da facção por muito tempo. Desse modo, o que restou à cúpula do PCC foi, de posse de celulares e na companhia dos “irmãos” da cúpula, traçar o plano de ação destinado a expandir os “negócios” do grupo. A reportagem da Carta Capital mostra que dados do setor de inteligência do Ministério Público de São Paulo, primeira e única instituição a colocar no papel o tamanho, o modelo organizacional, métodos e números sobre o PCC, apontam para um crescimento monstruoso (a estratégia prisional “rígida” do período de 2006 a 2010 foi para o PCC o que a política da lei seca representou para a máfia norte-americana entre 1920 e 1933).
10. Em apenas cinco anos (2006-2010) o PCC se consolidou e se expandiu exponencialmente. Em São Paulo, de todas as 152 unidades prisionais, 137 (90% delas) foram dominadas pelos 6 mil membros da facção de presos (a facção teria hoje cerca de 7.600 membros). Do lado de fora, outros 1.800 integrantes começaram a pagar 650 reais como mensalidade para o PCC e a comprar rifas de carros, apartamentos e casas. Somente com essa renda, 2 milhões de reais passaram a entrar nos cofres da organização mensalmente. O tráfico de drogas, em seguida, se transformou na fonte principal de arrecadação da facção. Segundo o Ministério Público, mesmo após três anos de combate à organização e denúncia contra 175 integrantes, ainda assim, ela continua a se expandir aumentando o volume de arrecadação. Entre 2010 e 2013, quando a organização foi acompanhada de perto pelo MP, seus lucros dobraram e ultrapassaram os oito milhões arrecadados por mês.
Gestão hierarquizada
Os lucros de causarem inveja aos grandes empresários paulistas são resultado de uma gestão hierarquizada e extremamente organizada, subdividida em setores, chamados de Sintonias. Em última instância, encontra-se a Sintonia Geral Final, cúpula formada por Marcola e seus apadrinhados (sete membros). É essa cúpula, de forma colegiada, quem toma todas as decisões do PCC. Mas dentro da principal atividade da organização, o Progresso (tráfico), encontramos três instâncias:
(a) A primeira é a Disciplina: grupo ou integrante responsável por disseminar e fiscalizar a implantação da ideologia em um bairro ou cidade. Cabe ao Disciplina a primeira decisão sobre problemas da comunidade onde a facção atua, resolução para brigas entre integrantes e cumprimento de punições. Na hierarquia o Disciplina deve reportar-se ao Sintonia Geral.
(b) Sintonia Geral: Esse grupo, ou membro único, da segunda instância, cuida de uma grande região ou cidades vizinhas e deve se reportar ao Sintonia Final.
(c) Sintonia Final: Última instância antes da cúpula, os Sintonias Finais são líderes responsáveis pelas grandes regiões da capital paulista, pelas subdivisões do estado paulista estipuladas por DDD e pela baixada santista. Devido à expansão para outros estados e países produtores de drogas, como Paraguai e Bolívia, foram criadas também a Sintonia Geral dos Outros Estados e a Sintonia de Outros Países.
A comunicação entre as sintonias se dá por meio de Pipas (bilhetes) entregues por visitas, celulares e advogados. Quando é preciso mandar um aviso para todos membros, a cúpula emite um Salve: informe gestado em consenso pelos integrantes da cúpula. O Salve é utilizado para informar uma decisão sobre assuntos da comunidade, ou avisar sobre punições ou sanções. A eficiência da comunicação é um dos pontos fortes da facção e é capaz de fazer a informação chegar ao líder de cada setor, sem atravessadores.
Sintonia dos Gravatas: Com a ajuda de uma rede de advogados instalados na Sintonia dos Gravatas (diz ainda a Carta Capital), pagando até 2 mil reais para mulheres visitarem presos levando informações e 25 mil reais por um celular, a cúpula e os Sintonias Gerais e Finais conseguem comandar toda a cadeia produtiva da organização, mesmo trancafiados no sistema penitenciário. Desde a negociação da pasta base de cocaína e Bob Esponja (maconha), no Paraguai e Bolívia, comandada pela Sintonia de Outros Países, passando pela mistura e distribuição para diversas cidades e estados, até a Sintonia da FM (pontos de venda nas ruas).
Sintonia Financeira: Todo dinheiro arrecadado no Progresso, Progresso 100% (tráfico dentro dos presídios), da Cebola (mensalidade para membros em liberdade) e das Rifas são administrados pela Sintonia Financeira, formada apenas por membros de alta confiança da cúpula. Como reserva para momentos de dificuldades, a facção criou as chamadas Minerais, espécie de cofres preenchidos com 1 milhão de reais cada. Interceptações telefônicas do Ministério Público apontam a existência de ao menos sete Minerais escondidas em imóveis comprados pela facção. A localização delas é desconhecida.
Marcola, o líder
Embora a descentralização do poder no PCC seja real, a cabeça por trás de toda essa estruturação burocrática é Marcola. Dos 46 nos de idade, Marcola passou metade em presídios de todo Brasil. Nesse período, dizem que a inteligência do jovem ladrão de banco foi afinada por intermináveis leituras. Afirma-se que teria lido Lênin, Mao Tse-Tung, Friedrich Nietzsche, Dante Alighieri, Maquiavel e outras centenas de autores. Sem poder contar com Deus, morto em seu livro predileto, Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche, Marcola conquistou a confiança da massa penitenciária ao fazer o PCC ocupar o espaço abandonado pelo Estado. Sagaz, o ex-batedor de carteira do centro de São Paulo percebeu a força angariada na prestação de serviços básicos aos detentos (também aqui se vê o crime organizado privado cumprindo tarefas estatais).
Assim como deveria caber ao governo paulista, o PCC dá as condições mínimas de seguranças, higiene e saúde aos detentos. Nos presídios superlotados, é a facção a provedora do sabonete, do colchão, cigarro e do espaço mínimo nas celas. É ela quem garante também a solução dos problemas internos entre detentos, primeiro por meio de conversas e depois com as devidas punições.
A Sintonia da Ajuda: cuida exclusivamente da entrega de cestas básicas e da manutenção de uma renda mínima para membros da facção em situação de dificuldade e famílias de integrantes mortos em caminhadas (missões). Cabe ao PCC também, por meio da Sintonia dos Ônibus, providenciar transporte aos familiares de detentos residentes longe das cidades nas quais estão presos. Ou seja, o PCC faz o que o Estado na faz.
O resultado prático do poder exercido pela facção é a proibição do uso de crack nos presídios, os trâmites instaurados para execuções de desafetos e a burocracia criada para o “bom andamento” do dia a dia no crime. Em uma das duas vezes nas quais caiu no grampo telefônico, Marcola chegou a afirmar ter sido essas ações capitaneadas por ele e não pelo governador Geraldo Alckmin; ele, portanto, é o responsável por diminuir os homicídios em São Paulo. Na outra ponta, depois de cumprida a pena e sem ter sido “ressocializado” pelo Estado, o detento livre e convicto da falta de oportunidades é obrigado a voltar ao crime, dessa vez sob a tutela da facção, para abastecer os cofres do PCC com o tráfico de drogas ou desempenhando alguma função administrativa na rua. Dessa forma, abastece o ciclo vicioso do crime.
É essa expertise organizacional, aliada aos erros de planejamento das forças de segurança paulistas e a descrença dos detentos em relação ao poder público, que sustenta a afirmação sobre a qual o PCC vai se tornar hegemônico em todo país.
Mesmo a cúpula alojada em São Paulo, a facção já possui tentáculos em todos os estado do país. São 2.398 membros espalhando o “método PCC” pelo Brasil.Os estados com maior concentração de integrantes, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, servem de exemplo para como se deu a gênese do crescimento pelo país. É o caso do Paraná, com 626 membros. O estado, a partir de 1997, recebeu em seus presídios lideranças enviadas pelo governo paulista. O objetivo era desarticular o grupo, mas teve efeito contrário, apenas contribuiu para sua expansão.
Outro exemplo interessante é o caso do Maranhão, e da penitenciária de Pedrinhas. Após contato com maranhenses presos em presídios federais, a facção exportou seu modelo para o estado e deu início a primeira fase de domínio representada pelo enfrentamento aos rivais e rebeliões em busca de melhores condições nos presídios. O objetivo é bem claro e está documentado na última versão de seu estatuto do grupo, apreendido pelo Ministério Público. Da sua parte, o Ministério Público de São Paulo tentou desarticular a cúpula da facção. Entre 2010 e 2013, as seguidas apreensões, permitidas pela ação controlada utilizada pelos promotores, atingiram os cofres do PCC. A situação chegou ao ponto de membros serem flagrados em conversas nas quais reclamavam de, pela primeira vez na sua história, terem umdéficit mensal de quatro milhões.
Na visão dos promotores do Gaeco, primeiro era preciso enfraquecer a facção. Em três anos, foram presos 144 integrantes, 5 toneladas de drogas e 47 fuzis. O segundo passo, com todas as provas e detalhes da organização criminosa no papel, seria ver concedida a prisão preventiva de 112 integrantes e a transferência de 32 membros da cúpula para o RDD. Segundo o Ministério Público, a surpresa da ação executada em um só dia desencadearia uma quebra no comando do grupo.
Isolado pelo Tribunal de Justiça, pelo governo estadual e forças de segurança, o Ministério Público viu os pedidos de prisão e RDD serem negados. Na opinião dos promotores, esse foi mais um dos erros cometidos no combate à facção e propiciou o surgimento de planos de fuga.
O fato é que enquanto o PCC vivia sua primeira fase de organização, bastava ao Estado dar as condições mínimas de segurança, higiene e saúde aos detentos para, em seguida, investir na educação de sorte a ressocializá-los. Isso esvaziaria o poder de Marcola e sua facção ainda incipiente. O custo político seria mínimo. No segundo momento, além das questões anteriores, seria preciso combater a organização que já mostrava seu poder de persuasão dos presos e começava a se expandir. O custo político maior, mas ainda possível de se enfrentado.
Hoje, o problema deixou de ser apenas do governo paulista e, caso queiram reverter essa situação, todos os governos estaduais e o federal precisarão revolucionar o sistema penitenciário, investir pesadíssimo em inteligência e unificar o combate à facção. Aliado a isso, é mais que necessária (segundo a opinião dos órgãos estatais) a criação de varas especializadas no julgamento de organizações criminosas para garantir a segurança necessária para o judiciário defender suas posições. Entretanto, nesse momento, o que eles mais temem é o fato do custo político ser altíssimo. O Ministério Público de São Paulo apontou qual o caminho a ser seguido. Agora, a população aguarda uma posição das forças de segurança de São Paulo. Mas é bom lembrar que a decisão é política, não jurídica.
Cooptação de profissionais
Hoje em dia, a atuação do PCC não se restringe apenas às celas dos presídios. Na tentativa de favorecer e proteger o grupo, o comando criminoso conseguiu, ao longo dos anos, cooptar até advogados, que passaram de defensores de detentos, para aliados ao “partido”. Vários advogados já foram presos acusados de levar ordens de uma cadeia a outra a mando do PCC. Sabe-se que o PCC paga curso de direito para estudantes com o objetivo de que, no futuro, quando formados, eles venham a defendê-los. De acordo com informações do Instituto Marconi até 2007, o Deic havia prendido e indiciado dez advogados, incluindo três advogadas. Dois advogados chegaram a ser condenados. A. N. M. Foi preso em 2001 e, indiciado por favorecimento ao crime foi para a cadeia onde cumpriu dois anos da pena. Foi solto em Novembro de 2003. O advogado M. S. M. Foi acusado de formação de quadrilha e, condenado, passou quatro anos na cadeia. Em 2006 foi presa M. C. S. R. (defensora de Marcola e outros da facção) acusada de pagar propina para que o funcionário do som da Câmara dos Deputados do Congresso Nacional, cedesse a ela a gravação dos depoimentos de dois delegados do Deic à CPI do Tráfico de Armas, que acontecia em Brasília. Os depoimentos eram sigilosos e reservado mas a advogada conseguiu a cópia, pagando ao funcionário. As conversas dos dois delegados com os deputados chegaram às mãos o Marcola e de outros líderes da facção.
A participação de policiais e agentes na tentativa de favorecer o comando também não é raro. Muitos começaram a se aliar ao PCC no momento de seu maior crescimento, em 2006, passando para o lado da facção. Outros, ao encontrar bandidos da facção, ao invés de prendê-los, cobravam altos valores para que eles continuassem em liberdade. Em alguns casos, além do dinheiro, ainda ficaram com a droga encontrada com os bandidos.
A cooptação de jovens para participar do “Partido” também é comum. Uma reportagem da Folha, de 2006, apontava que membros do PCC estavam se deslocando ao norte e nordeste do Brasil em busca de jovens sem antecedentes criminais para ensinar a “função”.
De acordo com a revista Veja, em 2014, o deputado estadual Luiz Moura foi afastado de suas funções partidárias no PT, obrigando-o a se desfiliar do partido ou seria expulso, depois de levantada uma suspeita de ele ter participado numa reunião com membros do PCC, cujo objetivo era incendiar ônibus. Também é suspeito de receber dinheiro do PCC. O político é ligado a cooperativas de perueiros, assim como seu irmão Senival Moura, vereador pelo PT na cidade de São Paulo. O deputado nega envolvimento com o crime organizado e diz estar sendo alvo de preconceito por ter sido condenado, no passado, a 12 anos de cadeia por vários assaltos à mão armada. Ele fugiu da cadeia e não cumpriu a pena. Obteve perdão judicial em 2005 e conseguiu até um atestado de pobreza, em que declarava não ter condições de arcar com o custo de sua defesa ou de ressarcir suas vítimas. Cinco anos depois, já candidato a deputado estadual, declarou um patrimônio superior a R$ 5 milhões. Moura pertence ao grupo político de Jilmar Tatto, que também tem sua base política entre as cooperativas de perueiros. A polícia continua investigando a infiltração do PCC no setor.