Semana Santa
Fernando Santis
“Páscoa é a festa da família. É quando se comemora a passagem da escravidão para a liberdade pelos judeus ou a ressureição de Jesus para os cristãos. É tempo de reflexão, tempo de volta para Deus. A Semana Santa é para buscar Deus e não um pretexto para o turismo ou para se empanturrar de bacalhau e ovo de Páscoa”.
A explicação é do padre José Paulo, da Catedral de Santos, para quem o mundo contemporâneo se apropriou de uma das celebrações mais importantes do cristianismo e do judaísmo com seus ideais de consumo. Semelhante ao que aconteceu com o Natal, que se transformou em festa do Papai Noel.
Para o psicólogo e doutor em Ciências da Religião, Waldemar Magaldi, a fé é fundamental para ajudar no processo de ressignificação da vida, na busca do equilíbrio. O homem contemporâneo está confuso. É empurrado pelo mercado a entrar num espiral entre trabalho e consumo e esquece dos valores fundamentais como a família e preservação da individualidade.
Ao pai, o provedor, ficou a sobrecarga. À mãe, a quem cabia a função de “cuidadora”, sobrou a tarefa de dividir a função de provedora. Assim, os filhos se perderam no trajeto. Sua educação foi “terceirizada”, segundo o psicólogo.
A partir deste ponto de vista, o trabalho é o escravizador, o faraó, e a Pessach (liberação, leia matéria abaixo) se daria somente com uma mudança na compreensão da mensagem da Páscoa, da transformação das relações sociais e familiares. E a paciência é muito importante neste processo de transformação, que exige tempo e dedicação. Há o tempo de colher. Mas, antes, tem o de adubar e plantar. A sociedade do imediato é um desvio, segundo o analista.
Para o também mestre em Ciências da Religião e pastor presbiteriano, Darly Gomes Silveira Filho, a ressurreição de Cristo veio para perdoar a humanidade pelo erro de Adão e Eva, que comeram o fruto proibido no Jardim do Éden. “Foi aí que o pecado entrou em nossas vidas”.
Para ele, crer em Cristo seria o suficiente para que todos os erros sejam perdoados. Darly acredita que o mercantilismo, a Páscoa vista somente como uma oportunidade para viajar e comer ovos de chocolate são distorções propostas pelo Diabo. Mas, adverte que é a sociedade quem aceita ou não os palpites malignos. “A alternativa é voltar para Deus. Esta é a função da Páscoa, voltar para Deus. Somos escravos do pecado”, afirma o pastor.
O frei Claudemir Vialli, da Basílica de Santo Antonio do Embaré, compara o Pessach judaico com a Paixão de Cristo: “Em ambos os casos, se fez uma ressurreição e uma passagem: os judeus escravizados no Egito renascem quando saem da escravidão. Os cristãos têm sua passagem quando são libertos pela atitude de Cristo, entregar-se à morte pela redenção dos pecados da humanidade. A morte é uma passagem. É a volta para Deus”.
O frei acredita que o pensamento contemporâneo, imediatista, é o que gera pessoas individualistas e consumistas. Para ele, a mensagem evangélica tem de ser humanizada. “Evangelizar é humanizar. A Páscoa é a celebração que pretende fazer um ser humano melhor. A pregação deve ser baseada no amor ao próximo”.





