PATIFARIAS DA PM: TUDO PIOR QUE DANTES NOS QUARTÉIS DE ABRANTES!
Na postagem anterior, do último dia 9, tentei resumir, ao máximo, a descrição de PATIFARIAS ocorridas no momento de minha apresentação na sede do CPA/M-6, dia 19/09/07, quando acintosamente recebido, sob insultos e ironias, pelo então Comandante Interino, cujos destemperos acabaram ressuscitando antigas PATIFARIAS, do tempo em que “não foi mil maravilhas”, entre 14/04/02 e 22/06/03, no qual integrei o efetivo do 10º BPM/M. A presente reportagem é prova irrefutável de que também faltavam “maravilhas” nos outros dois quartéis que sediavam Batalhões diretamente subordinados àquele CPA. Desde minha saída do 10º BPM/M, em 23/06/03, ao meu retorno, por “conveniência do serviço público”, à sede daquele CPA, em 19/09/07, tudo piorou. Herança maldita. Qualquer instituição, como a Polícia Militar paulista, que se “esconde” atrás de tantos recorrentes “fatos isolados”, tende a culpar as vítimas das mazelas que sabe passíveis de investigação, mas, comodamente jogadas na “Operação Abafa”. De tradicional enganadora, transformou esse mau hábito na própria derrocada. Basta a ligação de todas as datas a todos os atos criminosos que menciono, consignados em documentos públicos, para que se confirme essa triste realidade. No citado dia 23 de junho, da “conveniência do serviço público” que me transportou para a Zona Sul da capital (22º BPM/M), decorreu minha protocolar apresentação ao então Comandante do Policiamento Metropolitano, durante a qual ele, percebendo-me, desmotivado, começou a me indagar dos motivos. O resultado foi o que lhe revelei, resumidamente, em termos de pífia gestão pública no 10º Batalhão, durante o destacado período. Do respectivo Termo de Declarações teve origem a SINDICANCIA DE PORTARIA Nº CPM-003/13/03, cuja bandidagem premeditadamente declarada levou-a a ser presidida pela então Comandante do 30º BPM/M, outro quartel de “Abrantes”. Notem-se as “maravilhas” retratadas nesta reportagem, ocorridas no mês anterior ao da minha movimentação para o âmbito do CPA/M-10 (Zona Sul da capital) para confrontá-las com as que me deparei, depois de três anos e três meses, já de volta ao CPA/M-6. Casos isolados? São tão “isolados” que durante a instrução da tal (FAR)SINDICÂNCIA, permaneci sem função entre o 22º BPM/M e a sede do CPA/M-10, de 24/06/03 a 30/10/03, exceto dois turnos de serviço na função de PPJM, prontamente abocanhada pelo filho de um Coronel, estudante de Direito, cujo horário lhe era conveniente ao referido curso. Faça o leitor ideia do estrago, em todo o estado de São Paulo, dessa bandalheira. Não me iludo, sei que apenas vivenciei ínfima parcela dessas iniqüidades, todavia, o suficiente para fazer ideia do contexto.
O propositado distanciamento meu da região dos fatos, por si mesmo, já significava imoralidade e improbidade administrativas, pelo vai-e-vem de tantos expedientes. Nesses casos (de investigação), quanto mais próximos os investigados, melhor, mais célere e menos dispendioso para a administração pública que, de antemão, já expõe os implicados ao próprio ridículo, caso tentem se esquivar de responsabilidades. É como se sentissem (ou se colocassem) constantemente acareados. Dito, assim, subjetivamente, o leitor diria que eu estaria “jogando com palavras” para fugir de fatos concretos e provas irrefutáveis. Ao contrário. Minha maior dificuldade é exatamente essa, falar do “milagre” sem identificar o “santo”. Por isso provo e comprovo o que externo, sem temer desmentidos, citando uma das mais emblemáticas e lamentáveis ocorrências policiais: o gravíssimo acidente de trânsito envolvendo as duas viaturas do 10؟ BPM/M e o veículo particular do qual a passageira morreu e o condutor sofreu gravíssimas lesões. Enfatizo que nenhum dos PM direta ou indiretamente envolvidos foram alcançados pela “conveniência do serviço público”, para transferências. Não é isso que eu desejaria, à ocasião, aliás, para não transformar investigações em escrachos. Bastaria, pura e simplesmente, a imparcialidade investigativa, sem aquele corre-corre para o “sumiço” do “turbo”, para a versão mentirosa no 2º DP de São Caetano do Sul e para ser negado o fato de que tais viaturas “tiravam racha”, ensejando a tragédia. Observe-se que quanto mais juntaram e protegeram os PATIFES, mais eles mentiram e forjaram situações, obviamente movidos pela força do hábito. Não foi sem maturada insensibilidade humana que a culpa do sinistro foi atribuída à vítima, e, pior, a montagem da viatura M-10290, sobre veículo roubado, atribuída ao Soldado Manchini, depois de falecido, para que o “arredondamento” saísse “perfeito”. Eu, ao despertar interesse nas investigações, embora sem força de lei que pudesse me garantir avocá-las, fui o único transferido. Bastou um dos “inamovíveis” trucar, “abrindo a boca”, para que a “casa caísse”, isso depois de cinco anos (em setembro de 2001). Tenho a mais absoluta certeza – por isso a ponho à prova – de que a SINDICÂNCIA instaurada para “investigar” tais PATIFARIAS não foi abduzida. A verdade é que o “sumiço” ocorreu porque tal feito “investigativo” era da mesma natureza perversa do outro, o relacionado com as declarações que prestei no CPM, sobre as bandidagens ocorridas no 10º Batalhão, anos depois, sem nenhuma relação com esse acidente de trânsito, ou seja: tudo continuou pior que antes.
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Publicado em sexta-feira, 23 de maio de 2003 às 21:53
Capitão e 4 soldados têm prisão decretada pela PM
Glauco Araújo e Javier Contreras
Do Diário do Grande ABC
Foi decretada no final da tarde de sexta-feira a prisão temporária do capitão Rinaldo Maziero, ex-comandante do 1ª Companhia do 6º Batalhão da Polícia Militar de São Bernardo. Outros quatro soldados do mesmo batalhão também tiveram os pedidos de prisões decretados. Os nomes, porém, não foram divulgados. Eles são acusados de autoria e participação das tentativas de assassinato do soldado da 3ª Companhia do município, Heraldo dos Santos Azevedo, 30 anos, e de seu amigo Marcelo Silvestre de Almeida, 25, há exatamente uma semana, na madrugada do sábado passado em um bar na estrada velha de Santos, em São Bernardo. Segundo assessoria de imprensa da PM, o inquérito militar tem prazo de 20 dias para ser encerrado.
O Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo confirmou, na tarde de sexta-feira, que nove policiais – incluindo os que tiveram as prisões decretadas – permaneciam recolhidos administrativamente na Corregedoria da corporação. Segundo o regulamento da instituição, eles teriam de ficar cinco dias no local para que a investigação pudesse contrastar os depoimentos. As datas de início e de término do recolhimento dos policiais, porém, não foram divulgadas, mas podem ser prolongadas por 30 dias, caso o IPM (Inquérito da Polícia Militar) entenda que isso seja necessário. Os quatro policiais que não tiveram pedido de prisão continuam no foco das investigações do IPM. Hierarquicamente, eles seriam praças (soldado, cabo, sargento e subtenente).
Crime – Uma simples confraternização de PMs da 1ª Cia do 6º Batalhão, que começou às 19h de sexta-feira em um bar no Km 35 da estrada velha de Santos terminou em tragédia às 5h15 de sábado. O motivo teria sido banal: alguns policiais teriam ficado enciumados por Azevedo ter cantado no karaokê do local, durante a madrugada, com uma mulher – possivelmente uma policial militar – que estaria com eles na mesa. Azevedo não participava da confraternização.
Instantes antes do crime, Almeida estaria esquentando o motor de seu carro do lado de fora do bar – à espera dos amigos – quando um grupo de policiais militares à paisana o abordou e pediu para ele chamar o amigo Azevedo. Ele saiu e um início de discussão foi interrompido por dois tiros no soldado, um deles na cabeça. Almeida, que tentou correr, foi baleado duas vezes pelas costas. Ele teria sido baleado como queima de arquivo.
Segundo duas testemunhas (que não querem se identificar com medo de represálias), alguns policiais ainda agrediram, algemaram e tentaram fazer um homem confessar o crime, mas foram impedidos por funcionários do bar e por outros policiais. Em seguida, policiais simularam uma blitz, com armas em punho, contra pessoas de bares vizinhos. Policiais militares fardados, que haviam recebido a denúncia dos disparos, entraram em conflito com os colegas de profissão. Depois, o grupo envolvido fugiu. Os policiais que registraram boletim de ocorrência no 4º DP da cidade nem citaram a presença de outros PMs no local do crime.
Milagre – No final da tarde de sexta-feira, a irmã do soldado Azevedo, Edileuza Maria Azevedo, 48 anos, disse que seu irmão possivelmente sairá da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Assunção em dois dias. “É um milagre. Ele já abriu os olhos, chorou e apertou minha mão.” Azevedo, que levou um tiro na nuca e atravessou a cabeça – ainda levou um tiro no ombro – pode ter seqüelas na fala no futuro, mas deverá sobreviver.
Ex-capitão PM Valdir Souza