Um Comentário

  1. Meu Caro Dr. Guerra, essa é uma “lógica” que sempre me intrigou! Talvez por não ter a mínima lógica nessa “lógica”. Fui delegado por apenas 1 ano, e nesse curtíssimo período tive algumas (senão diversas) ofertas ou insinuações de “acerto”. Como meu objetivo era ser juiz, preferi ficar longe dessas “tentações”, para não arrumar “bronca” que me atrapalhasse no percurso. Depois, nos meus 4 anos de promotor de Justiça, em uma única oportunidade um “cabo véio” da PM, numa de minhas visitas à cadeia pública numa pequena comarca do interior, me pediu um “segundo” e, quase sussurrando, me contou que o pai de um playboy que ali estava preso preventivamente acusado de estupro, havia lhe pedido que intercedesse junto ao promotor (no caso eu), para a soltura do filho, e em troca o pai “nos” daria 5 novilhas. Obviamente não aceitei, e disse ao “cabo” que não o faria porque naquele caso 5 era impossível de dividir igualitariamente por 2, e saí rindo. Se ainda vivo, o “cabo” deve até hoje estar tentando fazer essa conta. Como juiz, nos meus quase 20 anos de carreira, não me lembro sequer de alguma “insinuação”, muito menos oferta. Como advogado, já depois de aposentado como juiz, me veio à mão uma causa muito boa, em que uma eventual tutela antecipada, por si só, já poderia me render uns 2 milhões de honorários. Fui conhecer pessoalmente o juiz, no foro central de SP; cheguei no final do expediente, porque quem sabe…Pedi licença ao juiz, para poder falar-lhe (queria sentir o que meu coração diria); ele, sem o paletó, mangas arregaçadas, gravata desapertada, relógio desse vagabundos (bem diferente de alguns ministros do STF), gentilmente se levantou, afastou a cadeira para eu sentar e colocou-se “todo ouvidos”, diante de uma pilha enorme de processos para despachar (processos físicos). Olhei para ele, ainda em silêncio, o medi, olhei à sua volta, e pensando “que tal 1 milhão para ele e 1 milhão para mim”; não tive coragem (e obviamente não por medo de uma possível “voz de prisão” – éramos só eu e ele), o respeito era muito; desconversei e saí…

    Seria muito mais lógicas “ordens de matança” contra juízes (magistrados de um modo geral) e promotores do que propriamente contra delegados, já que as elevadas condenações vêm daqueles e não destes. Não creio que o PCC seja covarde! Até então ainda há respeito principalmente pelos magistrados (só não sei até quando!).

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    • Doutor TOVANI, acabei de fazer um comentário sobre o “Machadinho” . E Vossa Excelência reforça aquilo que quis dizer. Obviamente, há sempre alguém que atentara contra a vida de uma determinada autoridade por alguma loucura pessoal. Mas quando um Juiz de execução usa um peso ( em dólar ) e duas medidas a bronca transcende…Obviamente , ninguém quis apurar o porquê?

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