DECAP : A GRANDE PASTELARIA DA POLÍCIA 86

…….DECAP : A GRANDE PASTELARIA DA POLÍCIA……. 

Já vou avisando : aquele que se candidatar para o próximo concurso de delegado, deve se conscientizar para depois não ficar falando na minha orelha já extenuada de tanto ouvir reclamação dos novatos.

 

-aqui você chora e, a mãe , o pai, o padrasto, amante, filhos choram juntos.

-você passará o natal, ano novo, carnaval, festas, aniversário, finais de semana, atendendo bêbados, putas, travecos e doidos, além dos PMS enlouquecidos pelos estresse.

-você receberá O PIOR SALÁRIO DO BRASIL, e após os descontos variados, o líquido não chegará ao que ganha um motorista de ônibus.

 

-você ouvirá nos plantões todos os desaforos que jamais ouviu em sua vida, proferidos por pessoas que nunca frequentaram um banco de escola, mas que têm ao lado uma coisa chamada corregedoria,ouvidoria, imprensa e outros paraquedistas em busca de fama ou voto popular.

-Aqui nessa terra de ninguém, nesse deserto sem dono, chamado de DECAP, você chega para trabalhar as oito da manhã e não tem hora para sair.Chega com 10 reais no bolso e sai sem nenhuma moeda porque tem de comprar água para tomar, dar dinheiro para vítima pegar o ônibus ou comprar ração para os cachorros que infestam as delegacias, muitos deles “estimação” das chefias.

 

-Nenhuma Portaria é obedecida no DECAP!

Então se prepare, pois as ESCALAS SÃO TODAS FALSAS !

Trabalhamos em 04 equipes, o assistente mentirosos só faz plantão diurno, os demais fazem diurnos nos finais de semana, feriados e todos noturnos, tudo EM CONIVÊNCIA COM OS TITULARES.

 

-NO DECAP NÃO EXISTE HIERARQUIA !

-Você, se for pobre, zica, não puxar o saco, enxergar além do umbigo, VAI FICAR 25 ANOS NO PLANTÃO DO DECAP, usando moletas, fraldão, tomando tarja preta, remédio pra diabete e pressão alta.

Mostre para seus pais,esposa e filhos este alerta se vc for inteligente, mas se não for, entre na fila de inscrição.

 

-Escrivão e investigador de terceira classe são chefes, enquanto aqueles de primeira classe fazem plantões e os delegados são obrigados a aguentar a revolta e os xingamentos desses policiais, por acaso, cheios de razão mas não são machos o suficiente para fazer valer os direitos.

 

-Você, novato, bem intencionado, vocacionado ou paraquedista que vai usar o salário apenas para pagar o cursinho do MP ou judiciário, se prepare e depois não me venha com choramingos, porque

se você não passar rápido no outro concurso, vai arrumar trocentas piças, além de vários empréstimos no Banco do Brasil.Seu nome vai rapidinho para o SPC, Serasa e então a corró vai te chamar devido a “lista negra” ou a “ lista de Scheeling” feita internamente pela Gestapo.

 

-Aqui no Decap tem também um estelionato continuado chamado “Bonde”.

O ex-Delegado geral, Dr.Domingos, único que ajudou a polícia, procurou resgatar sua dignidade, mas foi ceifado pelos poderes ocultos e explícitos, porque todo aquele que procura ajudar a polícia é exterminado, foi o autor da portaria que acabava com o bondeamento, porém…A PORTARIA NÃO É OBEDECIDA, pois bolaram um “ convite” para burlara descaradamente.

 

-O “ chefe” chama o policial e fala com a cara de sem vergonha “ olha…preciso trazer um amigo, um irmão, e preciso mandar alguém no lugar dele…quero que vc assine a permuta…vc sabe né ? Trabalhar com quem não conhecemos é problema…, etc, etc, o titular então tá pedindo pra você aceitar na boa, senão ele justifica e então pode ficar pior…”

 

-No Decap você irá registrar em média 30 ocorrências por plantão, dentre eles alguns flagrantes ou termos circunstanciados, o que te proporcionará uma grande chance de sempre ter de comparecer na corró nos seus dias de folga , considerando as reclamações por demora no atendimento do povão e,

na corró ninguém sabe o que é um plantão, a não ser aquele que é para prender polícia.

 

No Decap, as leis estaduais também não são obedecidas.Você pede férias ou licença prêmio e só consegue, algumas vezes, mediante ameaça de Mandado de Segurança, porque aqui é TERRA SEM LEI E SEM XERIFE !

 

-No entanto existe uma saída para você calouro na Polícia : antes do ingresso já arrume um padrinho.Com o padrinho, você sai da Academia e já é encostado em uma delegacia de departamento especializado onde fará de tudo, menos função policial.Vai registrar protocolados, mensagens, anotações em livros, arrumar a mesa do chefe, catalogar as viaturas, vigiar o serviço das faxineiras, fofocar e entregar os colegas.

-Feitos estes avisos, que depois não me venha pedir socorro nos plantões, reclamar das ocorrências, o salário, falar mal da polícia, do chefe, etc,etc, senão eu vou mandar você ir se foder.

 

-Ilustríssimo Senhor Doutor Diretor do DECAP, por favor, encarecidamente, não se deixe enganar pelas falsas e mentirosas escalas feitas pelos distritos policiais, estamos trabalhando em quatro ou três equipes, o assistente quando vem para o plantão é apenas no diurno, o titular fala que está substituindo delegado nos plantões, porém, são só dois (2) dias por semana, o que nos prejudica ainda mais, pois perdemos todos finais de semana.

Outra coisa, é muito delegado comissionado em classe superior, enquanto tem outros encostados e sem função.A moral e a transparência na administração pública não aceita mais a discricionaridade divorciada da justificativa.

 

-Não existe nenhuma alma boa, santo, exu, diretor, delegado geral, governador, que possam ajudar a polícia civil de São Paulo ?

-Vamos ter de repetir 2008, quando municiamos a imprensa com os escândalos para conseguirmos alguma mudança, ou novamente teremos de deflagrar a greve para o desgaste de todos ?

 

NÃO ESTAMOS PREOCUPADOS COM NENHUM SECRETÁRIO DA SEGURANÇA, porque não precisamos de secretários,para nós pouco importa se for o Mussoline ou o Lampeão, queremos condições de trabalho, salário, boa e justa administração da polícia, delegado geral que zele pela administração policial e que não faça jamais o jogo de políticos ou secretários, QUEREMOS UM DELEGADO GERAL QUE CUIDE DA POLÍCIA E QUE FAÇA OBEDECER AS PORTARIA EDITADAS ANTERIORMENTE !!!!

-ENTENDERAM ?

Ass: Exorcista de Plantão

Desabafo de Delegado da Polícia Civil de São Paulo – Delegado de Matão reclama da segurança pública 82

Desabafo de Delegado da Polícia Civil de São Paulo

26mar2011 Em: Polícia Civil, Polícia e Política, Ronda, Vídeos Policiais Autor: Danillo Ferreira

Um delegado da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP) resolveu desabafar publicamente sobre os desafios enfrentados no cotidiano da sua instituição: salários aquém dos desejados, efetivo reduzidíssimo (segundo ele, 31% das cidades do estado estão sem delegados) e falta de estrutura e equipamentos para trabalhar. No final do vídeo, um presidente do PSDB local, partido do Governador de SP, ratifica e reconhece a situação denunciada pelo policial.


http://abordagempolicial.com/2011/03/desabafo-de-delegado-da-policia-civil-de-sao-paulo/

bandidos fardados 50

———- Mensagem encaminhada ———-
De: WAGNER NUNES LEITE GONCALVES
Assunto: bandidos fardados
Para: dipol@flitparalisante.com

Bom dia Dr. Guerra segue editorial do jornal Agora de hoje(26/03/11)
 
 

Editorial
26/03/2011

Bandidos fardados

“Nunca passou pela minha cabeça existir bandido de farda.” A frase, de uma mãe de um motoboy torturado e morto num quartel da Polícia Militar, exprime toda a surpresa e a revolta diante de um fato absurdo.

Não se trata, porém, de um caso raríssimo, como seria de esperar. De 2006 a 2010, umas 150 pessoas foram assassinadas por PMs na cidade de São Paulo sem justificativa, segundo levantamento da Polícia Civil.

As motivações dos crimes revelam bem que se trata de bandidagem: 20% foram por vingança, 15% por cobrança de ligadas ao tráfico ou ao jogo ilegal, 13% por abuso de autoridade e 13% por “limpeza” (como a morte de viciados).

Para piorar ainda mais o que já é bem ruim, seis em cada dez vítimas não tinham antecedentes criminais. O fato de a maior parte dos mortos terem a ficha limpa reforça a sensação de desamparo. Passa a ideia de que qualquer um pode ser a próxima vítima.

Os principais culpados por esses crimes são dois grupos de extermínio, um na zona norte e outro na zona leste. O objetivo é explorar o tráfico de drogas, o jogo ilegal, oferecer proteção e “limpar” a área, como se os policiais militares matadores fossem menos criminosos que os bandidos que eles matam. Não são.

O controle sobre a polícia é fundamental para que a sociedade possa confiar nas forças de segurança. Para isso, é importante que os responsáveis por esses desvios –a minoria na corporação– sejam exemplarmente punidos. Senão, fica difícil deixar de sentir medo na hora em que a polícia chega.

 

OFÍCIO DA REPRESENTAÇÃO COLETIVA AO EXMO GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN 176

 

De: WAGNER NUNES LEITE GONCALVES

Data: 26 de março de 2011 10:04
Assunto: OFÍCIO AO GOVERNADOR
Para: dipol@flitparalisante.com

BOM DIA DR. GUERRA, OS COLEGAS DA REPRESENTAÇÃO COLETIVA  RECONHECEDORES DO EXECELENTE TRABALHO REALIZADO PELO SENHOR EM SEUS BLOG, SOLICITAM A GENTILEZA DE DIVULGAR O OFÍCIO ENCAMINHADO AO GOVERNADOR DE NOSSO ESTADO EM 24/03/2011.
UM ABRAÇO!

 

img-diáriastabela118

O governador Geraldo Alckmin anunciou um plano de reforma das delegacias de polícia de São Paulo. 45

Governo do Estado vai reformar distritos policiais
Em 26/03/2011
 

O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta semana um plano de reforma das delegacias de polícia de São Paulo. O objetivo é melhorar o atendimento à população e as condições de trabalho dos policiais. Levantamento preliminar do DAP (Departamento de Administração e Planejamento) da Polícia Civil i ndica que 168 unidades policiais necessitam de reformas. Há 1.333 delegacias de polícia no Estado.
Durante evento na 4ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Militar, em Ermelino Matarazzo, zona leste da Capital, o governador e o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, asseguraram recursos para reformar as delegacias.
Alckmin frisou que serão empenhados grandes esforços de recuperação física, recursos humanos e informatização dos distritos. O Governo do Estado vai investir o que for necessário para melhorar as condições de trabalho e atendimento à população nos distritos policiais: “Tudo isso está sendo levantado, distrito por distrito, orçamento, obra física, aluguel que precisa ser trocado, prédio próprio que precisa ser reformado, informatização, totem, equipamento, recursos humanos”.
O secretário Ferreira Pinto disse que as reformas começarão por Guarulhos, onde, segundo ele, as delegacias estão em estado “deprimente” e não oferecem nenhuma condição de trabalho. Ferreira visitou algumas delegacias da cidade e contou o que viu: “Você passa por corredores com máquinas caça-níqueis apreendidas dos dois lados. Eu presenciei uma escrivã que na hora que ela levantou caiu o encosto da cadeira. Eu perguntei a ela como era difícil trabalhar ali. Então veja bem que situações degradantes que têm em algumas delegacias de polícia”.
A reforma começa por Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado, com 1,3 milhão de habitantes e nove distritos policiais, além de seis delegacias especializadas. O secretário disse que um levantamento do Deinter também já foi feito e as reformas serão amplas: “Aquilo que é alugado é mais difícil de intervir, nós vamos ter que alugar outros imóveis, e aqueles que forem do Estado nós vamos reformar. O governador faz disso uma prioridade a partir de agora”.
A orientação do Governo do Estado é de melhorar as condições de trabalho e atendimento à população. Para isso, é preciso reformar, readequar, equipar, verificar os DPs que estão em prédios alugados e precisam ser transferidos para outros locais, além de integrar ao patrimônio da SSP novas edificações. As delegacias, para o governo, são um cartão de visita da Polícia Civil e devem estar adequadamente preparadas para receber a população, proporcionar condições de trabalho e melhor a atuação dos policiais.
Guarulhos
Depois da visita do secretário Antonio Ferreira Pinto para avaliar as condições das delegacias, o secretário-adjunto, Arnaldo Hossepian Junior, percorreu, na semana passada, dois distritos policiais da cidade de Guarulhos, acompanhado pelo diretor do DAP, Silvio Balangio Junior, e do delegado seccional de Guarulhos, Marco Antonio Pereira Santos.

O prédio acanhado do 7º DP, sem garagem para viaturas, foi o primeiro a ser inspecionado por Hossepian. No reduzido espaço do plantão, três pessoas aguardavam a vez de registrar uma ocorrência – o distrito já contabiliza 2.000 BOs este ano.
O prédio é pequeno para o número de policiais que lá atuam, em salas separadas por divisórias de madeira que não vão até o teto. Eles dividem espaço com grande número de máquinas caça-níqueis apreendidas, à espera de decisão judicial. “A situação até que melhorou, depois que 280 máquinas foram removidas para um galpão da prefeitura”, conta o delegado titular, Sidney Muniz dos Santos, que assumiu o distrito há duas semanas.
O delegado Sidney apresentou um imóvel situado na rua Itaparantim, que poderá receber as novas instalações do 7º DP de Guarulhos. O local é adequado pelo tamanho da área e tem capacidade para organizar as salas e para o estacionamento de viaturas.
De lá, o secretário foi à Vila Galvão, onde constatou as limitações do prédio que sedia o 2º DP.  Mais de 10 motos apreendidas compartilham o espaço de trabalho e passagem dos policiais. Não há estacionamento para visitantes nem para viaturas. O banheiro do térreo, onde as pessoas esperam para ser atendidas, não funciona.
O delegado José Humberto Xavier, responsável pelo DP, levou Hossepian até um prédio na avenida Eugenia Machado da Silva, cotado para uma possível mudança. O imóvel é grande e tem uma boa divisão de salas, além de possuir um amplo estacionamento. Requer apenas algumas obras de acabamento para se tornar a nova sede do 2º DP. Também foi aprovado pelo secretário-adjunto, pelo delegado seccional e pelo diretor do DAP.
Dos nove distritos de Guarulhos, pelo menos quatro serão reformados ou transferidos para outros prédios com melhores instalações. No plano traçado, a Prefeitura deve colaborar com as obras em dois DPs: 3º e 8º. Os investimentos no 7º e no 2º DP correrão por conta do Estado, afirmou Hossepian.

http://www.oserrano.com.br/mais.asp?tipo=Local&id=20180

São Paulo não esclarece a maioria dos crimes 64

Em 2010, 46,1% dos homicídios foram esclarecidos. Dos carros roubados no 1º semestre, 41,5% foram recuperados

Daniel Torres, iG São Paulo | 24/03/2011 10:26

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O Estado de São Paulo ainda comemora a queda nos números de homicídios e outros índices de criminalidade retirados dos últimos balanços trimestrais da Secretaria de Segurança Pública do Estado e do Mapa da Violência 2011. Apesar disso o Estado sofre para modernizar seus procedimentos e tentar dar o próximo passo no combate à violência: a resolução dos crimes.

Para que um crime faça parte das estatísticas oficiais, são necessárias três etapas sucessivas: o crime deve ser detectado, notificado às autoridades policiais e, por último, registrado no boletim de ocorrência. Se isso acontecer, ele estará nas estatísticas estaduais, que até hoje era publicado a cada trimestre e começará a ser divulgado mensalmente.

Como os índices de resolução dos crimes não são divulgados, o iG apurou alguns dados referentes aos últimos anos diretamente com delegacias especializadas e outros órgãos. Nesse levantamento, a reportagem apurou que em 2010, apesar de ter havido 1.196 homicídios registrados na cidade de São Paulo, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHHP) trabalhou com 1.569 inquéritos policiais abertos, já que os crimes cometidos nos anos anteriores também foram investigados em 2010.

Desse total, segundo a polícia, 724 foram esclarecidos. Isso dá um índice de 46,1% de esclarecimentos. Ou seja, a maioria dos homicídios no Estado que melhor combate esse tipo de crime ainda fica sem solução.

Foto: Flávio Torres

São Paulo tenta evoluir os métodos de investigação para apresentar melhores índices de resolução

 

“Em alguns países a taxa de sucesso é de 60% ou 70%. Mas esses números são relativos a homicídios em uma delegacia especializada de São Paulo. Esse número de 46% é certamente muito maior do que nas delegacias de bairro e do interior”, afirma Sérgio Adorno, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da universidade. Para Adorno, que fez uma detalhada pesquisa sobre o trabalho policial nos anos 90, os índices gerais de solução dos crimes no Estado são muito piores que os divulgados nos casos de homicídios.

 

O comandante geral da Polícia Civil de São Paulo, delegado Marcos Carneiro Lima, que assumiu o cargo no início deste ano e é responsável por um efetivo de 34.653 policiais civis que atuam em mais de 2,5 mil distritos policiais, entende que existem gargalos na investigação criminal, mas defende que mudanças realizadas nos últimos anos melhoraram a qualidade do trabalho policial.

“Temos de colocar nossos esforços para fortalecer a atividade principal da policia que é a investigação. Precisamos diminuir a burocracia, diminuir as chefias desnecessárias e fazer com que os delegados foquem a concentração no policial que está fazendo o trabalho de investigação.”

Apesar dos números ainda não serem satisfatórios, a evolução da investigação é apontada pelas estatísticas, que também revelam como os números de crimes caíram na última década. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, em 2002, os agentes de investigação estiveram em 1.952 locais de crimes, resolvendo apenas 23,1% dos casos. Em 2010, quando a taxa foi de 46,1%, foram investigados 540 locais de crimes. Mesmo assim, os índices de resolução dos crimes nos últimos anos foram instáveis. Foi de 46,9% em 2007, 43,7% em 2008 e 36,1% em 2009.

 

Foto: Divulgação Ampliar

Marcos Carneiro Lima, comandante geral da Polícia Civil de São Paulo

Delegado titular da Delegacia de Homicídios de 2001 até 2007, e retornando ao cargo no início de 2011, Armando de Oliveira Costa Filho – que participou da investigação de vários casos complexos, como a chacina de 11 mendigos no centro de São Paulo, e os assassinatos do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, dos pais de Suzane von Richthofen, do pai de Gil Rugai, e do Coronel Ubiratan Guimarães – acredita que é o trabalho de inteligência e os investimentos nas equipes de investigação que são capazes de fazer com que os crimes sejam resolvidos.

“Nosso plano se baseou em três estratégias básicas: a melhoria da investigação policial, por meio da utilização dos instrumentos que a tecnologia nos oferecia; o entrosamento entre todas as unidades policiais envolvidas e a sociedade civil; e a cessação do sentimento de impunidade da população através da prisão dos autores. A Polícia Civil depende muito das informações passadas pela sociedade e pelas vítimas. E é só transmitindo uma sensação de mais segurança é que a sociedade irá retornar com informações que nos são úteis”, afirma.

Impunidade e descrédito

O descrédito da população com o trabalho policial não é algo novo ou difícil de encontrar. Em uma pesquisa realizada pelo Ibope para a Rede Nossa São Paulo divulgada no começo do ano, a satisfação média dos paulistanos com a segurança na cidade recebeu uma nota de 4,7 em 2011, em uma escala de 1 a 10. O índice é melhor que os 4,3 de 2010, mas ainda indica a insatisfação da população. Para a pergunta “pensando no seu dia-a-dia, que situações mais fazem com que você sinta medo na cidade de São Paulo?”, as respostas mais citadas foram: violência em geral, assalto e roubo, tráfico de drogas, e sair à noite.

Carros estão entre os bens que mais são recuperados pela polícia. Mesmo assim, o índice é menor que a resolução de homicídios. Segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, que faz balanços anuais sobre o número de veículos furtados e roubados em todo o País, a média de veículos levados por bandidos que foram recuperados no primeiro semestre de 2010 no Estado de São Paulo foi de 40,5%. Em 2009, esse índice foi 40,9%; em 2008 foi de 31% e em 2008 foi de 33%. Os números mostram a tendência de evolução na recaptura, apesar dos números de furtos/roubos de 2010 ser menor que em 2009, mas maior do que 2007 e 2008.

“Quando analisamos a taxa de investigação de crimes contra o patrimônio vemos que o número é mínimo mesmo. Em geral, quando há o registro de uma ocorrência que não tenha muitos dados para a investigação, ela não vai para frente. O volume de casos é muito grande e não há recursos humanos que permitam dar conta de uma parte significativa dos casos”, analisa o professor Adorno.

Além dos crimes contra o patrimônio mais comuns, os delitos passam por fases cíclicas com os crimes da moda. Atualmente, a polícia de São Paulo luta para combater dois tipos que ganham o noticiário com frequência: crimes contra os condomínios residenciais e contra joalherias, especialmente as localizadas dentro de shoppings. Os dois modos de crimes fizeram com que o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (DEIC) criasse duas delegacias especializadas para essas modalidades de crime.

 

Foto: Divulgação

Assalto a joalherias de shoppings centers fez a polícia criar uma delegacia especializada em São Paulo

Para o delegado Júlio César Teixeira, titular da Delegacia de Repressão a Roubo de Joias, o número de 17 assaltos realizados contra joalherias em shopping centers da capital em 2010 deve cair porque, apesar de ter havido um ‘boom’ de casos, os assaltantes começam a ter dificuldades de conseguir bons valores nas peças roubadas.

Nos casos dos roubos a condomínios, que em 2010 foram cerca de 20, a dificuldade de rastrear os objetos roubados é maior ainda porque, na maioria das vezes, são levados dinheiro e eletrônicos. “Não posso garantir que esse tipo de crime vai diminuir nos próximos meses. Estamos trabalhando muito na delegacia para encontrar essas quadrilhas. São grupos que se especializaram nesse tipo de ação. Prendemos uma quadrilha no ano passado que só com ela conseguimos esclarecer quase metade dos casos”, afirma o delegado Mauro Fachini, titular da Delegacia de Repressão a Roubo a Condomínios.

Outro crime que está tendo atenção da polícia é o arrastão a restaurantes. Só este mês, seis estabelecimentos foram invadidos por bandidos na zona oeste de São Paulo. O padrão é o mesmo: homens armados roubam bolsas, celulares, relógios, carteiras, entre outros pequenos objetos, de clientes e proprietários, em ações que duram cerca de cinco minutos.

“Várias quadrilhas já foram presas. E amanhã (sexta-feira) uma boa notícia. Nós vamos amanhã ter a formatura de 2.457 novos soldados. E a maior parte deles vai ficar na região metropolitana. Vamos fortalecer a Rocan (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas), que é o policiamento com moto, que é muito rápido e tem uma presença muito forte também. Então é polícia na rua e combater o crime. Isso é uma guerra, que tem que vencer batalha todo dia”, afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na manhã desta quinta-feira. 

 

Crimes Total de casos Solucionados
Homicídio –  2010 1.569 724
Roubo/furto de carros – 1º semestre de 2010  93.347  37.819

Governo recua e nega que fechará distritos nas pequenas cidades 67

Enviado em 24/03/2011 às 8:21- POLICIAL CONTENTE

DR.GUERRA, ATÉ QUE ENFIM
Março 24, 2011 – 06:01
SSP recua e desiste do fechamento de distritos
Delegacia

Arquivo/O Vale

Medida atingiria municípios com menos de 5.000 habitantes; mudança ocorreu após pressões políticas

Luara Leimig
São José dos campos

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) recuou ontem e negou que irá fechar os distritos das cidades com menos de 5.000 habitantes do Estado de São Paulo. O anúncio havia sido feito na última sexta-feira e afetaria pelo menos 7 cidades do Vale do Paraíba.

O recuo do órgão ocorreu após pressão política feita por meio dos prefeitos das cidades pequenas do estado, que foram contrários ao fechamento das unidades.

Na região Areias, Arapeí, Canas, Lagoinha, Monteiro Lobato, Redenção da Serra e São José do Barreiro teriam as delegacias fechadas e os boletins de ocorrências ‘leves’ seriam feitos pela Polícia Militar, como furtos e perda de documentos. No caso de crimes mais graves, como homicídios e latrocínios, roubo seguido de morte, seria feito por um delegado da cidade mais próxima, que também ficaria responsável pela investigação.

“A violência vem crescendo em todos os lugares e ao invés de aumentar o efetivo o governo quer fechar delegacias. Não queremos isso e acreditamos que o governo vai avaliar esta situação com cautela”, disse o prefeito de Monteiro Lobato, Gabriel Vargas (PSDB).

Aglutinação. Outra mudança anunciada pela SSP, mas que será mantida e já está sendo estudada é a reengenharia dos distritos policiais que seriam concentrados em polos da Polícia Civil ao invés de existir diversos distritos nos municípios.

Na região as cidades que podem ter seus distritos aglutinados são Jacareí com cinco distritos, São José dos Campos que possui 8 distritos policiais e Taubaté com quatro.

Além dos distritos, as três cidades também contam com delegacias especializadas como DIG (Delegacia de Investigações Gerais). DDM (Delegacia da Mulher) e Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) que também deverão ser incluídas neste ‘remanejamento’ das unidades policiais.

Segundo o delegado assistente do Deinter 1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), Edilzo Lima, nenhuma delegacia será desativada, apenas irá funcionar em um espaço físico junto a outras unidades.

“O que deve ocorrer, mas ainda está em estudo, é a união do espaço físico e não a extinção de uma delegacia. Um exemplo é a Delegacia da Mulher e a do Idoso em São José que poderiam funcionar em um único prédio, mas mantendo as equipes atuais”, disse.

A aglutinação traria economia com a redução de aluguéis de prédios e, segundo a polícia, benefícios para a população com serviço mais centralizado e mais investigadores.

SSP. A SSP negou a pressão política, informou que nunca houve a intenção de fechar nenhuma delegacia e o que ocorreu foi um erro de interpretação. Segundo a SSP, o projeto de reengenharia das unidades policiais civis foi iniciado em 2010 no Deinter 9 de Piracicaba e será estendido para todo o Estado, com aglutinação de distritos policiais em um mesmo endereço.

O objetivo é melhorar o desempenho da Polícia Civil na investigação criminal, identificação e prisão de autores, recuperação dos bens subtraídos, melhoria da qualidade dos inquéritos policiais e melhoria no atendimento à população.

Ainda de acordo com a secretaria, já estão em andamento concursos para contratação de 484 escrivães e 1.053 investigadores para todo o estado.

BLOG DO FLEURY: modus operandi do nosso querido Secretario 38

http://blogdofleury.facilblog.com/index.htm

———- Mensagem encaminhada ———-
De: paulo sergio oppido fleury
Data: 23 de março de 2011 13:40
Assunto: Fleury
Para: dipol@flitparalisante.com

Caro Conde Guerra,

Se possível relaciona meu blog na sua relação,pois a um ano atrás
escrevi tudo que esta acontecendo hoje.Inclusive dei os nomes dos
reportes e modus operandi do nosso querido Secretario.
blog do fleury.
obrigado.

Fenapef denuncia perseguição de policiais na OIT 10

paradipol@flitparalisante.com

data23 de março de 2011 19:09
assuntoDr. Guerra, por gentileza, encaminhe o texto abaixo ao policial que escreve no Blog do Nassif
assinado porgmail.com

ocultar detalhes 19:09 (8 horas atrás)

http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/32249

Fenapef denuncia perseguição de policiais na OIT »

A Federação Nacional dos Policiais Federais denunciou à Organização Internacional do Trabalho (OIT) as perseguições da Polícia Federal aos agentes federais e líderes sindicais Josias Fernandes, diretor de Comunicação da Fenapef, e Rejane Peres Teixeira, presidente do Sindicato dos Policiais Federais na Bahia. No documento a Federação relata as ações revanchistas e perseguições contra os dois. “Esses atos tem se concretizado em atitudes que visam restringir o exercício da atividade sindical de legítimos representantes dos servidores da Polícia Federal”, denuncia a Federação.

Além da OIT, a Federação levou ao conhecimento das presidências da Cãmara e do Senado o que está acontecendo dentro do DPF. “Além disso,  também estamos encaminhando a denúncia ao Ministério da Justiça,  Casa Civil, Secretaria Geral da Presidência da República, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, OAB, CGU, MPT, Conselho Federal da OAB e outros órgãos”, diz o presidente da Fenapef, Marcos Wink.

Presos por tramar morte de delegado. 24

de J C

para dipol@flitparalisante.com

data23 de março de 2011 11:53
assunto Presos por tramar morte de delegado

Nota no Jornal Agora dia 23.03.2011.
 
“Presos por tramar morte de delegado.
 
 
Dois Suspeitos de integrar o PCC foram presos na sexta-feira de carnaval, dia 4, sob suspeita de armar emboscada para tentar matar o delegado Ruy Fontes, na zona leste. O advogado de um acusado diz que ele é inocente. (FSP)”
 
Nota bem pequena, e segundo me contou um passarinho os indivíduos foram abordados defronte o 69DP por PM´s e segundo consta, foi determinado por “alguém” que a ocorrência deveria ser encaminhada ao DEIC, onde teriam tido ordens expressas de não interrogarem os indivíduos  e só lavrarem o BO de  porte ilegal de arma…. sei lá…. me contaram…
 

A cada duas semanas, um delegado deixa cargo no Estado de SP 26

23/03/2011 – 08h51

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO
VENCESLAU BORLINA FILHO
HÉLIA ARAUJO
DE RIBEIRÃO PRETO

Marcos Araguari tornou-se delegado de polícia de São Paulo em 2004, após aprovação em um dos mais concorridos concursos do país. Quatro anos depois, mudou-se para o Paraná, onde recomeçou a carreira de delegado.
Ele trocou um salário de R$ 4.000 –à época– por um de R$ 11 mil. “Saí porque não dava mais. Aquele salário [que ganhava em São Paulo] não era condizente.”
Araguari é um exemplo do que vem ocorrendo a cada 14 dias no Estado de São Paulo, em média, nos últimos cinco anos, de acordo com dados da polícia e da associação de delegados. Nos últimos cinco anos, o Estado todo perdeu 126 delegados.
O principal motivo da saída, segundo os representantes de classe, é o baixo salário. O destino são outras carreiras –como promotores e juízes–, ou a mesma, mas em Estados que pagam mais.
O Estado de São Paulo tem 3.196 delegados com salário inicial de R$ 5.495 e teto de R$ 10.148,78.
Dos 180 delegados efetivados no último concurso, em 2009, 34 (19%) já deixaram o cargo, de acordo com dados da associação.
DEBANDADA
Para os policiais, essa debandada nunca foi tão grande. “O governo acha que abrindo um concurso para contratar 140 delegados [a inscrição foi aberta neste mês] resolve a questão. Esses novos contratados vão entrar, ficar por um tempo e depois vão embora”, disse a presidente da associação dos delegados, Marilda Pinheiro.
“Só fica quem não tem mais idade para prestar concurso, já deu seu sangue e não tem alternativa”, completa ela.
A Delegacia Geral afirma que vai tentar evitar esse êxodo tornando a carreira mais atrativa, ao mesmo tempo em que pretende criar mais dificuldade para o ingresso na polícia.
“Para ser policial, vai ter que estar dentro de requisitos. Não apenas arrumar um emprego. Várias pessoas acham que entrar na polícia é arrumar um emprego temporário”, diz o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima.
Para o desembargador aposentado Aloísio de Toledo César, 70, a polícia paulista deveria adotar o modelo da Polícia Federal.
“Antes, a PF era uma porcaria. Depois, equipararam os policiais a juízes e hoje a PF tem uma atuação exemplar”, disse.
Para o presidente da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil), o paulista Carlos Eduardo Benito Jorge, a situação é séria.
“Essa debandada se agravou nos últimos quatro, cinco anos. É gravíssimo que num ano mais de 30 delegados deixem a profissão”, afirma ele.
A Secretaria da Segurança Pública não comentou o assunto. A pasta disse que seu o orçamento para 2011 é de ‘R$ 11,9 bilhões, sendo, R$ 9,9 bilhões para salários’.

E A SEGURANÇA SEM SECRETÁRIO 129

O secretário sem segurança

Soraya Aggege 22 de março de 2011 às 9:20h

 Até onde vai a crise que expõe duas facções do governo Alckmin? Desgualdo, aliado de Saulo de Castro é acusado de espionar Ferreira Pinto (foto), seu superior. E agora os delegados ameaçam entrar em greve. Por Soraya Aggege. Foto: Marlene Bergamo/ Folhapress

Até onde vai a crise que expõe duas facções do governo Alckmin?

O roteiro é de filme B. Um homem da confiança do governo vende dados sigilosos sobre a segurança pública a empresas do próprio governo, que anuncia dados parciais otimistas da redução da violência. O servidor é afastado, mas as informações vendidas continuam restritas aos compradores, “para não alarmar a população”. O chefe da polícia, anunciado como um caçador de corruptos, é espionado, acusado de revelar o caso a um jornalista. Os espiões são autoridades filmadas em ação e o chefe alvo da arapongagem faz uma devassa na corporação. Nas bases, policiais civis e militares se dizem insatisfeitos e os delegados ameaçam entrar em greve. Qual é o pano de fundo da trama produzida nas últimas semanas na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que consome 11,9 bilhões de reais por ano para proteger os 42 milhões de paulistas?

A guerra se dá entre dois grupos, como em outubro de 2008, quando as polícias Militar e Civil entraram em confronto aberto nas ruas da capital. Desta vez, acontece no interior dos altos gabinetes. De um lado estaria o atual mandatário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, policial militar por 15 anos, secretário herdado por Geraldo Alckmin da administração José Serra e com tênues ligações com o PSDB. De outro, a turma do ex-titular da Segurança, atualmente no comando da Secretaria de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho, da confiança de Alckmin, mais afeito à Polícia Civil e ao partido.

Era de se imaginar que Saulo de Castro levaria vantagem. Não é o caso. Ele acumula derrotas. Primeiro, o afastamento de Kahn, seu aliado. Agora, a demissão de Marco Antonio Desgualdo, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), cargo que ocupava por indicação do atual secretário de Transportes. Desgualdo, em parceria com o ex-delegado Paulo Sérgio Oppido Fleury, filho do temido Sérgio Paranhos Fleury, o torturador da ditadura, e mais três colegas, seria o responsável pelo vazamento das imagens das câmeras de segurança do Shopping Higienópolis que mostram o encontro entre Ferreira Pinto e o jornalista Mário César Carvalho, da Folha de S.Paulo. Dias depois, Carvalho assinaria a reportagem sobre os negócios de Kahn.

Não bastasse, denúncias da existência de uma máfia no Departamento de Trânsito provocarão uma mudança radical no órgão. Ele passará a ser subordinado à Secretaria de Gestão. Os cargos de delegados de trânsito serão extintos e os 859 policiais a serviço do Detran irão para delegacias comuns. O governo estadual promete punir e eliminar as ilegalidades.

Espanta, como sempre, a falta de reação a tantos escândalos. A oposição na Assembleia Legislativa acaba, como de costume, esmagada pela maioria governista. O Ministério Público continua em silêncio. Em consequência, Kahn, o vendedor de informações públicas, permanece sem ser ouvido. Quando denunciado, o ex-servidor declarou que havia montado a empresa por recomendação do então secretário de Segurança Saulo de Castro. “O caso é muito grave. Convocar o Khan seria o mínimo, e nós tentamos, mas acham que macularia a imagem do governo. Infelizmente, em São Paulo, o Legislativo é proibido de fiscalizar. Assim, a publicidade do caso se dá apenas em torno da espionagem entre esses grupos, o que mascara a situação. O caso em si perdeu força”, analisa o deputado estadual Major Olímpio (PDT), ex-policial militar.

Olímpio foi o autor de um pedido frustrado de uma CPI da Segurança Pública em 2007, logo após os ataques de facções criminosas em São Paulo. À época, como hoje, a oposição era minoria na Assembleia, mas, por conta do apelo popular, conseguiu reunir 38 assinaturas, seis a mais do que o necessário. Em vão. “Na última hora, sob forte pressão do governo, sete deputados retiraram suas assinaturas. Alguns me disseram chorando: ‘Estou com vergonha de olhar para você, mas não posso’”.

O deputado possui informações sobre o pano de fundo da crise da segurança pública e expõe situações que não aconteceriam hoje se investigadas a tempo. “Não vejo como briga de grupos. Vejo, de um lado, um grande marketing policial em São Paulo e, de outro, fatos realmente assustadores, como a venda de dados sigilosos, estatísticas fantásticas, subnotificação da violência, plantões fechados, corrupção, tortura, um enorme déficit de policiais muito mal remunerados e insatisfeitos, cortes orçamentários no setor. E nada é investigado.”

Estudioso das estatísticas e baseado em informações de funcionários, o parlamentar aponta: a redução da violência no estado não é sentida nas ruas e parte dela se justifica pelas subnotificações. “Até a redução de homicídios propagandeada pelo governo (10,4 assassinatos por 100 mil, menor índice do País) é uma tendência nacional e não poderia ser diferente no estado que detém o maior PIB. Há subnotificações de quatro para cada roubo ou furto, porque a população só registra os casos quando precisa do Boletim de Ocorrência. E hoje muitos plantões da periferia ficam fechados.”

Um dos dados mais graves apontados pelo deputado é que, durante 22 meses de governo, Serra cancelou concursos públicos para policiais e cortou verbas da segurança, o que ampliou o déficit de policiais civis e militares e aumentou os descontentamentos. “O Alckmin herdou um buraco negro nas duas polícias. Não se acham policiais no mercado e a formação de novos leva um ano e meio, do edital à farda.” De acordo com Olímpio, há um déficit de 6 mil PMs e 4 mil civis. Para compensar a falta na PM, afirma, o governo instituiu os “bicos oficiais”. Na Civil, os delegados acumulam funções em várias cidades e ameaçam entrar em greve. Na PM, não há ameaça de greve, considerada motim na corporação, mas a insatisfação é crescente. A Secretaria da Segurança Pública alega que gasta 10 bilhões de reais de seu orçamento com a folha e nega a existência de deficiências no setor.

A presidente da Associação dos Delegados de Polícia no Estado de São Paulo (Adpesp), Marilda Pinheiro, anuncia que a categoria decidiu entrar em greve no início de abril e adianta que o clima é muito tenso entre os delegados. Outras entidades ameaçam acompanhar a paralisação. Segundo ela, embora as reivindicações sejam salariais, a situação chegou “ao limite” quando foi anunciado que 900 dos 3,2 mil delegados estão sob investigação. “Não nos interessa a briga política que pode haver entre eles. Agora estão fazendo uma caça às bruxas, como se todos os delegados fossem corruptos. Estão jogando nossos nomes na lama”, afirma, antes de concluir: “O que acontece na verdade é que estamos prestando péssimos serviços à população: faltam delegados, investigadores, escrivães, não temos tecnologia suficiente, as delegacias caem aos pedaços e acumulamos plantões”.

Torce-se para que a greve tenha mesmo o objetivo de expor os problemas estruturais e não apenas servir de base para uma reação corporativista. Manter o controle e a vigilância sobre a atividade policial – e, portanto, investigá-la quando necessário – é dever do Estado

Liberdade de expressão no Funcionalismo Público Paulista…( escreveu no Portal do Nassif, a Corregedoria leu: o coitado de phodeu ) 30

>nome suprimido para poupar o autor de um PAD
para  dipol@flitparalisante.com

data 22 de março de 2011 22:01
assunto

Liberdade de expressão no Funcionalismo Público Paulista:
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  Liberdade de expressão no Funcionalismo Público Paulista:

     Mesmo após mais de 20 anos do fim da ditadura e da promulgação da constituição de 88, os funcionários públicos de São Paulo continuam a mercê de regras cerceadoras de seus direitos, sendo que o principal deles, o direito a livre expressão do pensamento, não pode ser exercido, pois são ameaçados ou mesmo punidos por se manifestarem. Qualquer forma de expressão que diferir do pensamento do Palácio dos Bandeirantes e das instituições públicas estaduais é sujeita a punição.  Não há liberdade para que se possam expressar críticas ou sugestões, ou mesmo poderem demonstrar a população os problemas e a realidade vivida pelas instituições públicas paulistas, com transparência e verdade, para que a população possa conhecê-las melhor, e assim poderem ter condições de exigir uma melhor prestação do serviço público, baseado no conhecimento técnico e transparente expresso pelos funcionários.
Os funcionários públicos paulistas estão proibidos de se manifestar sobre qualquer assunto que se refira as instituições em que trabalham, bem como ao governo do estado, sendo que não podem se expressar, nem mesmo como cidadãos comuns, pois caso sejam identificados, são ameaçados e punidos com sindicâncias.
Escrevi as palavras acima, pois sou funcionário público estadual, sou funcionário da secretaria de segurança pública do estado de São Paulo e escrevo já há algum tempo no “Portal Luis Nassif”, bem como em alguns outros blogs e sites de opinião. No ano passado, em meio às eleições, expressei claramente minhas opiniões sobre política e outros temas correlatos, sempre respeitando as instituições públicas e seus funcionários. Jamais tentei atribuir falsas informações ou manipular idéias, principalmente no que diz respeito ao que foi escrito sobre as instituições públicas paulistas e o governo do estado. Qualquer mensagem de blog ou mesmo tópicos que foram publicados, jamais foram ofensivos ou serviram para denegrir a imagem de qualquer instituição pública, simplesmente reforçava a realidade vivida e sabida por qualquer funcionário público que vive o cotidiano destas instituições. A represália instituída e exarada pelos órgãos corregedores do estado contra os funcionários, que expressam sua práxi funcional com transparência, reflete uma visão ditatorial e de afronta ao direito constitucional de liberdade de expressão, remontando tempos negros da ditadura. O fato é que muitos de nós estamos sendo ameaçados e estamos respondendo sindicâncias apenas por estarmos expressando nossos pensamentos sobre nosso cotidiano e sobre a administração, que, diga-se de passagem, está cada vez mais distante dos funcionários, não ouvindo suas reivindicações ou sugestões, e  criando espaço para discussões e críticas, pois afinal de contas, são os funcionários quem conhecem e sabem as necessidades funcionais, pois são os que trabalham e vivem o seu cotidiano junto a população que atende. Muitas vezes o funcionário público é taxado injustamente de preguiçoso, ou mesmo omisso ou vagabundo, mas poucos sabem as dificuldades enfrentadas, a falta de recursos e a proibição de expressar a população os problemas e carências existentes.
Na verdade escrevi tudo isso para lhe dizer; que fui comunicado hoje, que vou responder uma sindicância pelo que escrevi no “portal Luis Nassif” , sendo que já havia sido intimado a comparecer na corregedoria para investigação preliminar, onde me foi mostrado cópias de textos que publiquei no Portal Luis Nassif, e que estão sendo usados contra mim nesta sindicância, reforçando o que pensei: que a investigação preliminar seria apenas uma ameaça, e que não estamos seguros de nosso direitos constitucionais de livre expressão, quando trata-se do governo do estado de São Paulo. É lamentável que no ano de 2011, mesmo após mais de 20 anos do fim da ditadura, ainda tenhamos que sofrer este tipo de perseguição, que fere a constituição de nosso país e a nossa liberdade de expressão.
Não sou o único que está respondendo apenas por expressar o que pensa, são muitos, mas gostaria apenas de expressar minha revolta sobre este fato obscurantista e reacionário, pois sei da nossa luta pela democracia e pela liberdade, e sei que não devemos nos abater no caminho da verdade, pois esta luta nunca tem fim, enquanto houverem  ( e sempre haverão) homens que se utilizam do que é público, com o intuito de obter vantagens, na busca obcecada pelo poder.

Eu…

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE!

Delegado-geral, Marcos Carneiro de Lima ( AGORA COMANDANTE DA PM ), diz que busca qualidade: O pessoal (policiais) do Interior, apesar de ser gente boa, não tem técnica…( Respeitosamente: a sua técnica, a técnica de seu antecessor e a técnica do Desgualdo são dispensáveis pela “gente boa” do interior ) 104

Enviado em 21/03/2011 às 22:56 – ESPERANÇA

José Luiz Lançoni, Elen Valereto, Rita Magalhães e Allan de Abreu

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Hamilton Pavam

Delegado-geral, Marcos Carneiro de Lima, diz que busca qualidade
A decisão da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo de fechar 53 delegacias da região de Rio Preto com população inferior a cinco mil habitantes nem foi colocada em prática e já é alvo de críticas de especialistas e prefeitos – que prometem se mobilizar para combatê-la – por verem ameaçada a segurança nesses lugares. A mudança foi anunciada anteontem pelo delegado-geral de Polícia, Marcos Carneiro Lima. O total a ser fechado na região corresponde a um terço de todas as unidades que devem ser desativadas no Estado – 153.

Até o final do ano outras 24 cidades com até 10 mil habitantes ficarão sem delegacias. Com a extinção das unidades civis, o registro de ocorrências de crimes leves ficará a cargo da Polícia Militar. Para não desamparar as localidades menores nos casos de ocorrências graves, o plano é dar vida a superdelegacias, mantidas em cidades maiores. Nessas situações, policiais serão deslocados para investigar e prender os criminosos nos municípios vizinhos. As sedes dessas unidades avançadas, diz a Secretaria de Segurança, “serão estrategicamente definidas pelo alto escalão da polícia”.

Em entrevista exclusiva ao Diário, o delegado-geral de Polícia, Marcos Carneiro Lima, defende a “reengenharia da polícia” – como a novidade está sendo denominada – como a solução para melhor aproveitamento dos policiais e dos recursos materiais na investigação de crimes graves, a exemplo de homicídios, roubos e tráfico de drogas. “É preciso levar qualidade à investigação de crimes que afetam a vida dos moradores. A mudança tem essa finalidade. Não adianta manter delegacias com estrutura – delegados, investigadores e escrivães – e não ter resultado no esclarecimento dos crimes”, afirmou.

O delegado-geral determinou ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-5) um estudo dos tipos de crimes mais comuns e produtividade das unidades ameaçadas de extinção. “Em condições de alta incidência criminal ou rotas de tráfico as delegacias serão mantidas”, disse.

Trânsito

Esta foi a segunda mudança na estrutura policial anunciada pelo governo na última semana. Além do fechamento das delegacias de pequeno porte, a Secretaria de Segurança perdeu o vínculo com as unidades de trânsito para a Secretaria de Gestão Pública, comandada pelo deputado fernandopolense licenciado, Júlio Semeghini. Os 132 policiais da região que atuavam nas Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) vão reforçar as equipes dos Distritos Policiais.

Os DPs e demais repartições da Polícia Civil também sofrerão alterações. A estratégia é que haja uma aglutinação e centralização desses departamentos para formar as “superdelegacias”. Segundo o delegado-geral, o serviço de patrulhamento preventivo é responsabilidade da Polícia Militar. O comandante-geral da PM, Álvaro Camilo, irá pronunciar a respeito do assunto amanhã.

Apesar de o delegado-geral afirmar ter solicitado o estudo para definir os critérios que nortearão o fechamento de algumas delegacias, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-5), em Rio Preto, João Pedro Cortizo, alega desconhecer a solicitação de dados para o referido levantamento. “Ainda não recebemos nada e somente sabemos das informações que estão sendo divulgadas na imprensa”, disse.

Os delegados Edson Antonio Ermenegildo, Jozeli Donizete Curti, Orestes Carósio Neto e Maurício José Rodrigues, responsáveis, respectivamente pelas seccionais de Catanduva, Rio Preto, Fernandópolis e Votuporanga, além do diretor do Deinter-5 evitaram comentar com a reportagem a mudança e extinção de parte das delegacias. Eles disseram desconhecer oficialmente as mudanças na Polícia Civil e que aguardam comunicado oficial sobre a “reengenharia.”

Otimização

A Secretaria de Segurança Pública informou, por meio da assessoria de imprensa, que a proposta para fechar os distritos policiais de cidades com menos de cinco mil habitantes, inicialmente, e com 10 mil, até o final do ano, foi uma sugestão da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP). Para a SSP, a mudança ajudará a otimizar a carência de mão-de-obra, principalmente após a realização dos três concursos públicos que estão previstos.

Ainda segundo o documento, “o projeto de reengenharia das unidades policiais civis, iniciado em 2010 no Deinter 9 (Piracicaba), será estendido para todo o Estado com aglutinação de distritos policiais em um mesmo endereço, visando a melhorar o desempenho da Polícia Civil na investigação criminal, identificação e prisão de autores, recuperação dos bens subtraídos, melhoria da qualidade dos inquéritos policiais e melhoria no atendimento à população”, diz a nota.

Protesto

Para o presidente da Associação dos Municípios da Araraquarense (AMA), Alberto César de Caires, prefeito de Álvares Florence – cidade que também ficará sem delegacia-, a desativação das delegacias prejudica o atendimento à população e compromete a segurança dos moradores. “A cidade mais perto é Votuporanga e o deslocamento dos policiais até lá demanda tempo”, disse Caires. Ele pretende conversar com deputados estaduais para saber detalhes do projeto.

“Se isso for prejudicar os municípios vamos acionar a AMA e pedir explicações ao governo”, disse .O prefeito de Uchôa, José Cláudio Martins, cidade com 9,5 mil habitantes, que também será afetada em uma segunda etapa da alteração, afirma que comunicará a AMA sobre a situação. “Teremos de nos mobilizar para que a população de nossas cidades não fique prejudicada pela falta de atendimento da Polícia Civil. Essa mudança é um absurdo.”, disse.

Chefe quer Interior com padrão da Capital

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro de Lima, alicerça as mudanças que pretende implementar na busca por qualidade. Para ele, a “reengenharia” tem como principal objetivo igualar a qualidade da investigação feita no Interior com a feita pelos Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc), da Capital. “Isso é para dar oportunidade de o policial fazer uma investigação de qualidade. Não tenha excesso de chefia nem fique desviado da função fim que é combater o crime e prender o bandido”.

De acordo com o delegado geral, o fechamento das delegacias em cidades com menos de 5 mil habitantes ocorrerá de forma paulatina após plena discussão com a sociedade e divulgação pela imprensa com objetivo de “otimizar recursos humanos e materiais em benefício da instituição”.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista que Lima, que tomou posse em janeiro, deu ao Diário:

Diário da Região: De onde surgiu a ideia de fechar as delegacias de pequenos municípios?
Marcos Carneiro de Lima – Queremos melhorar a técnica e a estrutura do policial do Interior. Falei para o governador (Geraldo Alckimin) que precisamos de uma investigação com qualidade e ele entendeu. Queremos deixar claro que a polícia que investiga tem de fazer trabalho de qualidade. O pessoal (policiais) do Interior, apesar de ser gente boa, não tem técnica. O padrão da investigação do Interior tem de ter igual ao do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc). Com mesma técnica e estrutura.

Diário – O objetivo é otimizar mão-de-obra que falta ao Estado?
Lima – É otimizar recursos humanos e materiais em benefício da sociedade,não da instituição. É para dar oportunidade de o policial fazer investigação de qualidade, e não para que tenha excesso de chefia e fique desviado da função fim que é combater o crime e prender o bandido, coisa que ninguém quer fazer. Quando cheguei aqui, há 60 dias, havia na Divisão de Capturas 12 policiais, agora tem 40. Temos mais de cem mil mandados de prisão para cumprir, muitos deles já prescritos. O foco da Polícia Civil hoje é investigar e prender o bandido. Patrulhamento, ronda, ficará a cargo da PM.

Diário – Quando essa reengenharia será implantada?
Lima -Vamos fazer tudo de forma paulatina, mas primeiro vamos apresentar a ideia para a sociedade e imprensa. A complexidade criminal de cada cidade e região será analisada de forma particular. Não haverá camisa de força. Vou forçar bastante a integração das duas polícias (Civil e Militar). Elas precisam se somar para servir o cidadão. Não tem espaço para brigas e vaidades . Queremos fortalecer a polícia ostensiva e a investigativa.

Diário: Quantas cidades no Estado terão as delegacias fechadas?
Carneiro – No primeiro momento, essa implantação ocorrerá nos 153 municípios com menos de cinco mil moradores em todo o Estado. Mas, antes vamos fazer divulgação com a imprensa e sociedade. A polícia quer trabalhar com qualidade para o bem da sociedade.

Diário -Não será mais difícil a investigação nas cidades sem delegacia, já que os policiais estarão em outro município?
Lima – Não. Cada região será analisada de uma forma particular.Por exemplo, três ou quatro cidades próximas concentrarão unidades da investigação. Qualquer coisa que houver o deslocamento será rápido. Os policiais conhecerão o território, porque serão de unidades vizinhas.

Diário: Qual o critério para determinar a aglutinação do atendimento nas delegacias?
Carneiro – As delegacias das cidades-satélite, com mais complexo criminal (maior incidência de crimes graves), assumirão o papel de aglutinadoras.

Diário: A Polícia Militar está preparada para suprir a demanda como o registro de ocorrências?
Carneiro – Forçaremos a integração das polícias. Tanto em uma quanto em outra tem muita gente boa. Quero fortalecer o policiamento ostensivo.

Jales tenta conter ‘onda’

O delegado seccional de Jales, Charles de Oliveira, o único que aceitou falar sobre a “reengenharia” na Polícia Civil, disse que lutará para tentar reverter ao menos parte da medida, a qual deverá deixar 22 municípios daquela região sem delegacias. Ele pretende evitar o fechamento de dez unidades em cidades com menos de cinco e 10 mil habitantes. Dessas localidades, o delegado destaca Aparecida D’Oeste, Pontalinda e Três Fronteiras, consideradas como pontos estratégicos e de alto índice de criminalidade.

“Há municípios que estão localizados em trechos mais vulneráveis e não podem ficar tão afastados da sede, que seria a superdelegacia”, afirma o delegado. Oliveira afirma que a ideia não é interessante para a região, pois há falta de delegados, escrivães e investigadores. Segundo ele, o fechamento “por atacado” deixaria a sensação de insegurança. “Os moradores necessitam da figura de um delegado na cidade e da polícia. Muitas vezes, a autoridade oferece atendimentos e informações e recebe pequenas denúncias devido à proximidade, importantes para aquele local.”

O seccional explica que foi feito um estudo, junto ao Deinter-5, para definir como será a realidade após as desativações, mas que ainda não concluído. “As opções seriam a junção do 1º e 2º Distritos Policiais no mesmo prédio e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise). Elas permaneceriam com seus nomes e funções, mas no mesmo local.”

Municípios menores, mas que são comarcas, também devem permanecer inalterados na região de Jales – casos de Urânia e Palmeira D’Oeste. “Os efetivos da região de municípios como Dirce Reis, Nova Canaã Paulista e Vitória Brasil, por exemplo, seriam deslocados para as cidades mais próximas e maiores, como Jales e Santa Fé do Sul.”

As Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) de Jales e Santa Fé do Sul, no entanto, devem ser mantidas individualmente, sem junções. “É um trabalho diferenciado e seria um retrocesso se a mudança afetasse esses setores também”, diz. Também procurados pela reportagem, os delegados seccionais de Catanduva, Fernan-dópolis, Rio Preto e Votuporanga apresentaram discursos ensaiados quando questionados sobre as mudanças e evitaram falar sobre a “reengenharia”.
Hamilton Pavam

Calmaria de União Paulista se reflete no trabalho acumulado na delegacia: seis casos de desavenças e pequenos furtos
Tranquilidade em xeque

O fechamento de delegacias em cidades pequenas pela Secretaria da Segurança Pública não agrada aos prefeitos das localidades com menos de 5 mil e de 10 mil habitantes, mais afetadas pela medida. A maior preocupação é que a chamada “reengenharia” diminua a segurança com a desativação das delegacias e perda do efetivo policial.

O prefeito de Mira Estrela, Márcio Hamilton Castrequini Borges, município com 2.827 habitantes, ficou surpreso quando soube que seu município ficaria sem a delegacia da Polícia Civil e informou que irá mobilizar prefeitos da região para evitar a mudança. “Temos poucos funcionários e estamos perdendo o recolhimento de impostos, como o IPVA, pela falta de pessoas para fazer o trabalho de cadastro. Vamos ter de mobilizar os prefeitos da região para tomar uma providência sobre essa situação.”

O prefeito de Uchôa, José Cláudio Martins, com 9,5 mil habitantes, também não aprova a novidade. Ele informa que o efetivo da segurança pública no município é composto por três funcionários e dois estão em processo de aposentadoria. “É um absurdo, pois a segurança é uma questão de honra e deve ser prioridade em todos os municípios. A situação está se tornando um caos. Delegacia inibe a criminalidade.”

Retrocesso

O prefeito de Aspásia, Elias Roz Canos, cidade de quase dois mil habitantes, é outro contrário à reengenharia. “O ideal seria que tivéssemos mais policiais na cidade, e não retirar a delegacia. O que está acontecendo é um retrocesso.” Na cidade de Meridiano, onde existe uma cadeia feminina, o prefeito, José Torrente, acredita que a alteração anunciada pela Delegacia-Geral de Polícia não prosperará. “Não traria benefícios para os moradores.”

Já o prefeito de Ipiguá, Efraim Garcia Lopes, informou que também não estava sabendo da “reengenharia” na Polícia Civil. “Vou aguardar a mudança se concretizar para saber o que vai acontecer. Somente depois poderei avaliar como ficará o município.” O prefeito de Votuporanga, onde está localizada uma das delegacias seccionais do Deinter-5, região de Rio Preto, Junior Marão, afirma que as medidas devem ser tomadas de acordo com critérios técnicos e não políticos para que não prejudiquem as cidades. “

É necessário levar em consideração, principalmente, os índices de criminalidade. A segurança pública é um tema recorrente e essa ‘reengenharia’ deve ser pensada no sentido de melhorar a qualidade dos serviços.” Para Marão, é necessário que seja analisado também como ficarão os profissionais envolvidos. “É preciso analisar a descentralização dessas estruturas para que os profissionais não sejam prejudicados.”

Edvaldo Santos

Prefeito de Mira Estrela, Márcio Castrequini Borges, diz que tentará reverter medida
Região tem 32 cidades sem homicídios em 5 anos

A região de Rio Preto tem 32 municípios sem um único homicídio nos últimos cinco anos, de acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública. São 100 mil pessoas nessas cidades, onde a criminalidade se resume a furtos de porcos, brigas de marido e mulher e confusões em boteco. A tranquilidade de União Paulista, por exemplo, se reflete no trabalho acumulado na delegacia. São apenas seis, todos para apurar desavenças e pequenos furtos. O delegado Alexandre Del Nero Arid, titular da vizinha Poloni, que dá expediente na cidade às terças e quintas.

Outra ilha de sossego na região é Magda, com 3,2 mil habitantes. O prefeito, Leonardo Barbosa de Melo, atribui a tranquilidade ao trabalho da polícia. Essa bonança, porém, tende a acabar na medida em que grupos criminosos de centros maiores, como Rio Preto e São Paulo, migram para essas pequenas localidades, na visão da socióloga da Unesp Sueli Amdrucioli Félix, especialista em geografia do crime.

Já nos municípios com apenas um homicídio nos últimos cinco anos, a parceria entre a polícia e as prefeituras é apontada como principal fator para o baixo índice de criminalidade em algumas cidades da região. Ibirá, Planalto e Uchoa, são alguns exemplos. “Nós procuramos manter as ruas limpas e bem iluminadas para reduzir a taxa de violência e tornar a cidade mais segura”, diz o prefeito de Ibirá, Nivaldo Negrão.

Além dessas parcerias, o prefeito de Uchôa, José Claudio Martins, aponta o investimento em assistência social como um agente contra a violência. “Os investimentos na área social e no lazer são importantes para combater esse tipo de crime”, diz. O prefeito de Planalto, Silvio Cesar Moreira Chaves, também atribui a tranquilidade ao bem estar da população. “A cidade investe muito em esporte, educação e cultura e está colhendo os frutos”, afirma. Sem homicídios, a maior preocupação dessas cidades é o avanço do consumo e do tráfico de drogas, que acaba gerando pequenos delitos, como furtos e brigas.

Faltou debate com sociedade

O sociólogo da Unesp José dos Reis Santos Filho, especialista em segurança pública, vê o projeto de reestruturação da Polícia Civil com ressalvas. “Em princípio, a decisão é racional, porque não teria sentido manter delegacia em cidades praticamente sem crimes, onde a implantação de uma unidade policial obedeceu mais a critérios políticos do que técnicos. No entanto, faltou discutir melhor o assunto com a sociedade, com as prefeituras. Foi uma decisão unilateral, de cima para baixo, sem pesar possíveis efeitos colaterais”, diz.

Entre os pontos negativos, o especialista aponta a sensação de insegurança na população. “A saída de uma parte do Estado na segurança trará impacto psicológico na população desses pequenos municípios, ainda que essas localidades não enfrentem grandes problemas com a segurança.” Outra ressalva do sociólogo é com relação à sensação de impunidade que a medida pode trazer. “Até que ponto o distanciamento geográfico da Polícia Civil vai incentivar uma criminalidade até então inexistente? Se isso ocorrer, a delegacia retorna ao município? Isso só o tempo irá dizer.”

A qualidade da investigação policial com a nova medida é outra incógnita. “Atualmente, é conhecida a baixa resolutividade da Polícia Civil na condução dos inquéritos. Com a concentração nas tais ‘superdelegacias’, veremos se a eficiência policial melhora. Hoje não dá para fazer nenhum prognóstico.” Para o sociólogo, a medida é uma reação à crise de imagem vivida atualmente pela Polícia Civil paulista. “Desde janeiro, a instituição tem sido mais associada ao lado do bandido do que do mocinho”, compara Santos Filho.

Investigados

Cerca de 800 dos 3.313 delegados de SP, 24% do total, são investigados hoje pela Corregedoria da Polícia Civil. Além disso, recentemente houve pelo menos três episódios que mancham o nome da polícia no Estado. O primeiro foi a divulgação de vídeo que mostra delegados da Corregedoria tirando à força a calça e a calcinha de uma escrivã durante uma revista, que culminou no afastamento dos envolvidos, incluindo o titular da Corregedoria em Rio Preto, Emílio Antônio Paschoal, que na época estava na Capital.

Em seguida veio o afastamento do sociólogo da Secretaria de Estado da Segurança Pública Túlio Khan por vender dados sigilosos da pasta e, por último, o vazamento de vídeo que mostra o secretário Antônio Ferreira Pinto em conversa com repórter do jornal “Folha de S.Paulo” em um shopping paulistano.