Crimes sem castigo
Atendendo as preces da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, São Pedro, como de costume, não faltou aos seus fiéis, mandou o mês de junho mais chuvoso dos últimos setenta anos.
Não obstante a enorme colaboração dada, as forças de segurança do Estado não conseguiram impedir o banho de sangue que lavou São Paulo no mencionado mês, pelo contrário, em várias situações atuaram como protagonistas principais dessa trágica estatística. Violência policial administrando a violência social.
Foram mais de quatrocentos homicídios, além dos perpetrados pela PM em serviço, rotulados de “Resistência Seguida de Morte”, que melhor seria “Morte travestida de Resistência” e os praticados fora do serviço, no chamado “bico”.
São dados oficiais, excluindo-se os homicídios não contabilizados, ocultados em ocorrências policiais com outras naturezas. Matou-se tanto em São Paulo, durante o mês de junho, quanto na guerra da Síria no mesmo período, e olha que o mundo inteiro está voltado para aquele país, em razão da violência praticada pelo Estado contra sua população civil.
O roubo, principalmente o de veículos, em vertiginosa escalada ascendente, para alegria dos ladrões, donos de desmanches, policiais corruptos e da Federação Nacional das Empresas Seguradoras, que calcula o valor das apólices com base na sinistralidade.
Tristeza mesmo, só do cidadão, cumpridor dos seus deveres, que vem arcando com despesas decorrentes da renovação do seguro de seu carro, com porcentagens de reajuste muito acima da inflação acumulada no mesmo período. Agora, tendo que se preocupar também em fazer um seguro de vida, porque sai de casa e não sabe se volta.
Vou mais além, julho promete ser ainda pior. Tudo indica que vamos ter o inverno mais violento da última década, contrariando todas as previsões sazonais e dos consultores e especialistas em segurança de que no inverno a criminalidade violenta diminui.
Dois irmãos caminhavam em Guarulhos, quando do nada, um deles levou um tiro no meio do peito. Não é pessoa pública, de notório poder econômico, mas sim, humilde migrante nordestino, hipossuficiente morador da periferia. Será que o MP vai utilizar a mídia para dizer que serão designados dois promotores para acompanhar o caso? Um empresário, em São Vicente, contrata um PM para sua segurança pessoal e da família e o mesmo participa do seqüestro de quem tinha a obrigação de proteger. O empresário está desaparecido, o caso apresenta similitude com um dos mais repugnantes da crônica policial paulista, o seqüestro e morte do menino Ives Ota. Vamos pedir a Deus que o caso em questão não termine da mesma forma. Ainda hoje, mais um assassinato em Santos e outro na zona oeste que vitimou um jovem publicitário. Até quando? Será que tem que acontecer com o filho do Governador, de um deputado, de um juiz ou promotor para que tomem uma providência. E o Conselho Nacional do Ministério Público? E as entidades internacionais de direitos humanos? E a Defensoria Pública? E as entidades da sociedade civil organizada? Cadê o NEV, o Sou da Paz?
E cadê o MP Paulista ?
Está em Brasília, preocupado com o que rotularam de PEC da impunidade, mesmo com tanto serviço por aqui. Já que estão sedentos por investigar, poderiam começar pelos casos acima, assim como pelas dezenas de homicídios perpetrados por forças de segurança do Estado, ou então, pela conduta pouco elogiosa, do paladino da moralidade pública, prata da casa, Demóstenes Torres.
Impunidade é o inacreditável retorno dele como Procurador de Justiça ao Estado que foi o epicentro de um dos maiores escândalos de corrupção do país, tendo como protagonistas principais, dois dos mais reluzentes quadros tucanos, o seu governador e o então senador e atual procurador de justiça Demóstenes Torres.
Como corrente dissidente do tucanato, reúnem todos os predicados para fundar a nova legenda PCCSDB (Primeiro Comando da Capital Socialista Democrático Brasileiro).
Viva a República das Bananas; Viva São Paulo; Viva a Inoperante Milícia Bandeirante; Viva aos administradores, colaboradores e leitores do Flit Paralisante e Viva o meu querido CORINTHIÃO, campeão da Libertadores. Fui!
Mas volto, isso se não der o azar de cruzar com uma viatura equipada com o “Kit Culpa”(cabrito, pendorf ou papelote de cocaína, baganha de maconha, pedra de crack) e a guarnição resolver me transformar em mais uma “Resistência seguida de Morte”.
Tchau!