PCC é folclore 32

05/10/2012-06h00

Há ‘folclore’ sobre facção, diz coronel da Polícia Militar

DE SÃO PAULO DO “AGORA”

O coronel da Polícia Militar Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante do policiamento da capital, disse ontem que existe “folclore” nas informações sobre a facção PCC.

“Existe um pouco de folclore nisso, mas é claro que não descartamos a possibilidade de ações criminosas organizadas. Mas se dá muito mais valor ao que de fato é”, disse.

“Agora, é importante dizer que esse pessoal ligado a qualquer tipo de facção também recua diante da atuação da polícia. Sem dúvida, a PM, nos últimos meses tem feito trabalho pesado contra o tráfico de drogas. São toneladas de apreensões e isso atinge direto o crime organizado.”

O oficial segue o tom do discurso do governo paulista, de tentar minimizar o tamanho de poder da facção.

O próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse, nesta semana, que “há muita lenda” sobre o crime organizado.

“Crime organizado, desorganizado, ele é enfrentado. Todo dia a polícia vai pra cima de bandido, todo dia os criminosos são presos.”

O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, também já afirmou que os integrantes do PCC são em um número muito menor.

“A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico”, disse, anteontem o secretário.

MORTES DE PMs

Questionado sobre as mortes de PMs, o coronel afirmou que só as investigações vão mostrar a motivação.

“Não fiz nenhum estudo sobre isso, mas particularmente fica claro que eles querem se sobressair e manter o trabalho para obter lucro. O que falta é um controle de fronteiras para evitar a entrada das drogas.”

Procurado ontem, Ferreira Pinto não comentou, até o fechamento desta edição, a informação de haver uma ordem para matar policiais.

Colaborou GIBA BERGAMIM JR.

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Folclórica é a honestidade intelectual desse coronel Marcos Roberto Chaves da Silva…

Sob a lógica dos números: cada PM assassinado custa cerca de R$ 2.000.000,00 .

Já são mais de 70.

O Estado perde aquilo que investiu nas vítimas , perde pela pensão que pagará  aos familiares  dos falecidos e perde por gastos com novas contratações apenas para preenchimento dos claros decorrentes dessas baixas.

Prejuízo “pesado” o PCC vem impondo à sociedade.

Lenda é Secretário de Segurança Pública honesto e competente 20

05/10/2012-06h00

Major da PM vê risco de novos ‘esquadrões da morte’ em SP

DE SÃO PAULO

O deputado estadual Major Olímpio Gomes (PDT), major da reserva da Polícia Militar de SP, diz que o governo não pode mais, por medo de desgaste político, dizer que é “lenda” o poderio da facção criminosa PCC e a ligação do bando com as mortes de PM.

A palavra “lenda” foi usada recentemente pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, ao comentar o a ação da facção criminosa.

Para o major, cresce um perigoso sentimento nas polícias de que as leis já não conseguem inibir a criminalidade e que os policiais podem querer “fazer justiça com as próprias mãos”. “Se nenhuma providência for tomada urgente, o medo é policial fazer justiça no caixa dois”, diz. (ROGÉRIO PAGNAN)

*

Folha – Documentos mostram que há uma ordem dada pelo PCC para matar policiais. Já são 75 PMs mortos este ano…

Olímpio Gomes (PDT) – Está mais que clara a premeditação e a execução de policiais. Será que esse novo documento do PCC é mais uma lenda, como dizem certas autoridades? Só que as lendas vêm se confirmando a cada dia. Não adianta querer tapar o sol com a peneira, dizer que é lenda, que é coisa de promotor mal intencionado, jornalismo tendencioso: são 75 PMs mortos. Mais um indicativo de que estão cumprindo o salve [ordem do PCC].

Como o senhor recebe essa notícia de mais uma morte?

Eu tenho muita responsabilidade em falar isso, mas é preocupante quando surge o sentimento de duvidar que o Estado democrático de direito e as leis conseguem impedir o crime e surgem pessoas com vontade de fazer justiça com as próprias mãos.

Eu tenho ido a velórios, falado com coronéis, delegados. É o mesmo sentimento: se nenhuma providência for tomada urgente, o medo é policial fazer justiça no caixa dois”. E alguns comandantes dizem pensar em adotar um “dane-se”.

Deixar que os policiais façam isso e até incentivar. “Caixa dois” no jargão é um policial fora de serviço sair matando marginais.

Se o coronel, se o delegado de classe especial tem esse sentimento no momento de dor e de angústia, imagine o soldado e o investigador, que se sentem abandonados?

Os policiais acham que as leis não funcionam mais?

No dia 15, vamos fazer uma audiência na Assembleia para iniciar a coleta de assinaturas e apresentar proposta de uma lei de iniciativa popular para tornar hediondos crimes praticados contra agentes da lei e aumentar as penas.

Isso existe em muito países e muitos Estados norte-americanos. Precisamos mudar a lei para que seja um impeditivo aos marginais. O sentimento é o de que as leis não protegem o cidadão de bem. E os homens da lei são os alvos preferenciais dos bandidos.

Mandamento do PCC : ” Vida se paga com vida, e sangue se paga com sangue.” 22

05/10/2012-06h30

Facção deu ordem a criminosos para assassinar policiais em SP

ROGÉRIO PAGNAN AFONSO BENITES DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DO “AGORA”

Documentos em poder da polícia e do Ministério Público de São Paulo revelam que chefes da facção criminosa PCC deram ordens expressas para a matança de policiais e que desde 2011 se estruturam para esses ataques.

Um desses documentos, que funciona como espécie de ordem permanente para todos os integrantes, diz que policiais deverão ser assassinados toda vez que um criminoso for morto pela polícia.

“Se alguma vida for tirada pelos nossos inimigos, os integrantes do comando que estiverem cadastrados na quebrada do ocorrido deverão se unir e dar o mesmo tratamento. Vida se paga com vida, e sangue se paga com sangue.”

Essa ordem, que integra um processo na Justiça, foi apreendida em dezembro de 2011 na casa do suspeito de ser um dos principais chefes do bando na Baixada Santistas. Cópias foram apreendidas em outras regiões de SP.

Só neste ano ao menos 75 policiais militares foram mortos –de janeiro a setembro do ano passado, foram 38. A suspeita é a de que parte desses crimes foi cometida por ordem da facção.

Conforme a Folha revelou nesta semana, com base em cerca de 400 documentos apreendidos pela polícia e Promotoria, a facção tem 1.343 integrantes cadastrados em 123 cidades de SP.

O governo paulista diz que as informações são uma “lenda” e que o número de criminosos da facção não passa de 40, quase todos traficantes e presos há tempos (leia texto nesta página).

GUERRA

Nesses mesmos papéis há comunicados produzidos entre setembro e outubro de 2011 em que os criminosos discutem o que fazer com policiais civis de São Paulo.

Um membro da cúpula do PCC diz: “Não é hora de entrar em guerra com a [polícia] Civil, pois já estamos numa guerra com a militar, onde nós estamos perdendo vários malandros na covardia.”

E segue: “Vamos nos fortalecer, organizar nossa família, no setor financeiro, progresso [droga], depois a sintonia das quebradas. Quando estivermos prontos para reação, aí iremos para ação, com inteligência, sem chance de defesa pra eles.”

Nesses documentos aos quais a Folha teve acesso, os criminosos relatam uma série de baixas sofridas pela facção, várias atribuídas à Rota, a tropa de elite da PM.

“Estamos passando a pior fase. Tá a maior covardia dos vermes da ‘R’ [Rota]. Tão tirando a vida de vários malandros da hora. Tão chegando muito rápido e não estamos conseguindo descolar de onde estão vindo”, diz trecho de relatório assinado com Érick.

A Promotoria acredita tratar-se de Érick Machado Santos, o Rick, considerado um dos principais chefes da facção criminosa em liberdade.

Colaborou ANDRÉ CARAMANTE

New York Times destaca mortes de policiais paulistas 9

Enviado em 05/10/2012 as 0:48 – LINO

‘NYT’ destaca mortes de policiais no Estado

O aumento do número de mortes de policiais paulistas chamou a atenção até do New York Times. O jornal americano publicou ontem reportagem que cita o assassinato do soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) André Peres de Carvalho, de 40 anos, como um dos “mais de 70 policiais mortos neste ano em São Paulo”. Carvalho foi atingido com três tiros de fuzil ao sair de casa, no Butantã, na zona oeste de São Paulo. “A escala dos assassinatos deixou muitas pessoas assustadas. Para comparar, houve 56 mortes criminosas de agentes da lei em 2010 em todos os Estados Unidos”, ressalta a reportagem. O jornal afirma que o aumento repentino das mortes de policiais levantou temores de uma ressurgência do Primeiro Comando da Capital (PCC). “As autoridades tentaram reduzir o papel suspeito do grupo criminoso nos assassinatos”, mas “analistas de segurança e alguns integrantes da própria polícia caracterizaram as mortes como represálias da gangue”, explica o New York Times.

A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES – Parte II 13

2 – AS ETAPAS DA PERÍCIA

A dificuldade para realizar a perícia no P-9 começou na entrada: Quando chegamos ao distrito, o delegado do 9º. DP, Dr. Pepe, recebeu um “recado” e repassou ao perito: “os policiais que estão lá disseram para dispensar a perícia, porque é impossível entrar agora. Deve ficar para amanhã”. Mas estávamos absolutamente convencidos de que não voltaríamos sem fazer o exame. Respondemos, então, que não havia importância, iríamos até lá apenas para fazer umas fotos externas e descrever o ambiente de fora do P-9. A notícia, até então, é que havia oito mortos. Mas logo percebemos que o número deveria ser bem maior. Por fim, decidimos ir ao P-9, na viatura do delegado, perito e fotógrafo escondidos no banco de trás. Curiosidade: era o primeiro plantão do fotógrafo, recém-concursado, mas o fato de ser filho de antigo fotógrafo do IC ajudou muito as coisas, e ele teve um desempenho exemplar. Chegando à Casa de Detenção, fomos à Diretoria, onde se achavam reunidos vários oficiais, juízes, a Direção e o Chefe de Disciplina. Ali nos inteiramos do ocorrido (já falavam em 83 mortos) e garanti a todos que faria o exame pericial de qualquer forma, nos limites do possível. E todos por fim concordaram apesar da relutância de alguns oficiais, dizendo que poderia ser perigoso. “Recebemos RETP”, respondemos. E a perícia foi feita.

A perícia do Massacre do Carandiru foi realizada em três etapas: a primeira, no dia dos fatos, em 2 de outubro de 1992; a segunda, uma semana depois, em 9 de outubro e a terceira em 14 de outubro. Houve duas etapas intermediárias, em 4 e 7 de outubro, mas apenas serviram para ouvir relatos e preparar as próximas etapas, pois os demais pavimentos continuavam inacessíveis e no dia 7 houve um novo foco de revolta dos presos. Neste dia, o Diretor de Disciplina da Detenção mostrou-se horrorizado com o que havia acontecido e disse, com todas as letras, que não havia necessidade alguma daquela matança.

A primeira etapa foi cumprida no dia da ocorrência. E, embora não tivesse sido possível avançar além de parte do primeiro pavimento, foi a mais importante porque deu uma ideia geral do que havia acontecido ali. Observamos e fotografamos 89 cadáveres empilhados no primeiro pavimento, em dois saguões contíguos, andando pelas bordas, cuidando para não pisar nos cadávers. Como não calçávamos botas ou coturnos, o sangue que empoçava o local chegou às nossas canelas. O odor era infernal. Para quem já esteve em locais com um único cadáver, morto há mais de 3 horas, sabe do que falamos. Imagine-se 89 empilhados, mortos há mais de 8 horas! Como a energia do P-9 havia sido cortada, o exame foi feito sob a luz dos holofotes da PM ligados aos caminhões, que alcançavam apenas até este local. O restante do primeiro pavimento foi examinado à luz de lanternas, mas não houve condições de registrar em fotos os vestígios de tiro que existiam dentro das celas. O jeito foi interditar para nova perícia o P-9 (agendada a princípio para 4 de outubro). Os presos foram todos removidos para outros pavilhões até que a segunda etapa fosse realizada, o que só foi possível em 9 de outubro, quando a energia já havia sido religada e os presos sobreviventes reconduzidos a suas celas.

Durante a perícia, foram exibidos ao perito treze revólveres que teriam sido apreendidos com os presos, sendo sete com a numeração raspada, todas oxidadas e em mau estado de conservação. Na perícia feita pelo laboratório de Balística do IC, isto foi confirmado e as armas com numeração raspada não puderam ser identificadas. Até hoje não se conhece a origem de nenhuma destas armas. A Comissão Disciplinar da Detenção garante que jamais entrou arma no P-9, até por imposição dos próprios presos: quem ali tivesse uma arma de fogo, seria o rei do “pedaço” e faria o que quisesse.

Além das armas de fogo foram também exibidos inúmeros estiletes rudimentares apreendidos com os presos pela PM, além de armas improvisadas (“espadas” feitas de cantoneiras metálicas, canos, estiletes de alumínio, serras, serrotes, etc.). Não se sabe quando, onde e com quem foram tais armas apreendidas.

A esta altura, todos os presos sobreviventes estavam sentados, nus, com a cabeça entre as pernas no pátio do P-9, sob uma fria garoa. Esta etapa se encerrou com a recolha dos cadáveres nos caminhões azuis do presídio, levados cada um por dois presos nus, para encaminhamento ao IML. Aproveitamos para refazer a recontagem dos mortos, e concluímos por 89, depois de nos certificarmos que nenhum permaneceu no P-9 (entretanto, como explicamos abaixo, 13 cadáveres do quinto pavimento só foram recolhidos nos dias seguintes e não foram contados no dia). Nesta ocasião observamos que alguns policiais faziam fotos e filmagem. Indagados sobre o que fariam das gravações, disseram que era “praxe” da Corregedoria da PM documentar as grandes operações. Curiosamente, uma foto dos presos nus carregando cadáveres, feita pela PM, apareceu três dias depois num jornal de grande circulação.

Na segunda e terceira etapas foram examinadas todas as celas restantes do P-9. Pode-se dizer que foi feita quase uma reconstituição de local de crime, pois à medida que a equipe da perícia ia trabalhando, as Comissões de Presos e de Disciplina da Casa de Detenção iam narrando os fatos. Os que eram confirmados pelos vestígios, eram registrados, os demais eram rejeitados. Foi assim, por exemplo, que descobrimos que no dia 2, além dos 89 cadáveres empilhados, restaram 13 que foram mortos numa cela do quinto pavimento que não houve tempo de remover antes da chegada da perícia (talvez por isso tenha sido cortada a energia no dia) e mais 9 que haviam morrido a caminho do Pronto-Socorro. Mas o simples exame das paredes e do chão da cela 9513-E, comparado com o exame necroscópico de seus moradores feito pelo IML mostraram que aqueles 13 citados foram abatidos ajoelhados e de costas para a porta. Também foi constatado que, apesar das denúncias, nenhum preso foi “devorado” ou trucidado pelos cães da PM ou jogado nos poços dos elevadores desativados.

Todas as celas foram rigorosamente examinadas e o resultado de cada uma das análises foi descrito no laudo pericial. No caso de dúvida sobre o tipo de arma que teria produzido a cavidade de tiro na parede, material era colhido e analisado no laboratório do IC. Também assim se procedeu com as manchas de sangue ainda existentes (na época não existia o “luminol” ou similar). Dessa forma se provou que boa parte dos disparos partira de metralhadoras, alguns outros de “12” com projéteis múltiplos, alguns de pistolas e a maioria de revólveres.

Foi possível também provar, em conjunto com o IML, que no terceiro pavimento 75 presos foram executados dentro das celas, sendo que 68 morreram no local, no dia da invasão. No total, o saldo foi de 111 mortos e mais de 320 feridos que foram socorridos nos hospitais da Capital (este número de feridos foi informado pela Comissão Disciplinar da casa de Detenção). Não se sabe se alguns destes vieram a óbito posteriormente. A violência extrema praticada no terceiro pavimento era difícil explicar. Na invasão, o planejamento feito distribuía os pavimentos entre os diversos batalhões da PM, sendo que o terceiro, segundo informes da própria PM, coube à ROTA. Em seu relato, a Comissão de Presos informou que naquele pavimento a PM agiu diretamente contra inimigos previamente identificados, como se soubessem quem era quem e onde cada um morava. Na perícia constatou-se que, realmente, apenas algumas celas do terceiro pavimento foram metralhadas, como se estivessem previamente destinadas ao ataque, enquanto que muitas outras foram poupadas. Se não fossem estas 75 mortes do terceiro pavimento, talvez o caso não tivesse tido a repercussão que teve.

3 – AS CONCLUSÕES DA PERÍCIA

Em resumo, a perícia concluiu que:

a)      Em todas as celas, as trajetórias dos disparos indicavam atirador posicionado na soleira da porta apontando sua arma para os fundos ou laterais da cela;

b)      Não se observou quaisquer vestígios que denotassem reação dos presos, tais como vestígios de disparo na direção oposta aos descritos;

c)      Dadas as condições observadas pela perícia, pôde-se inferir que o objetivo principal da operação foi conduzir parte dos detentos à incapacitação imediata (ou seja, morte);

d)      O local foi violado antes da chegada da perícia, com a remoção dos cadáveres do local em que foram mortos e com a retirada de inúmeros estojos (cápsulas, no linguajar popular) vazios, notadamente de metralhadora (nenhum foi encontrado pela perícia).

Apesar desta violação, a perícia pode estabelecer as conclusões apresentadas porque, como sempre afirmamos, “a história estava escrita nas paredes”.

OBS: o Laudo, na íntegra, foi transcrito no livro de J. B. de Azevedo Marques, então Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

 Osvaldo Negrini Neto

Perito Criminal aposentado, autor do laudo do Massacre da Detenção.

João Alkimin – GRIMM: CONTOS DE FADAS, PERIGOS REAIS 12

GRIMM : CONTOS DE FADAS, PERIGOS REAIS.

Me apropriei do nome de uma série de televisão para iniciar o artigo, pois vendo a entrevista do Secretário  Ferreira Pinto, cheguei a conclusão de tal qual um dos atores da série vejo monstros onde não existem, não existem para os normais,mas nós que somos anormais, na concepção do Secretário, vemos monstros sim e eles existem.
O secretário diz que o PCC está dominado, que são só trinta ou quarenta indivíduos que estão presos  a muito tempo e se dedicam ao tráfico.
Ora senhor Secretário, talvez eu seja muito burro por não conseguir compreender o que V.Exa quer dizer, mas se estão presos, como pode se dedicar ao tráfico?
Alguma coisa de errado está acontecendo, ou o senhor não consegue se expressar, ou eu do alto da minha burrice não consigo entendê-lo, pois preso em presídio de segurança máxima traficar é a falência total do sistema penitenciário, da qual V. Exa foi Secretário.
Diferentemente do afirmado pelo Secretário, não é a imprensa que glamoriza o PCC e, o PCC não é  grife e não está sendo glorificado pela imprensa.
O senhor Secretário está chegando as raias do ridículo em querer de todas as maneiras negar o inegável, a existência do crime organizado.
Talvez o Secretário não se recorde mas já de há muitos anos temos crime organizado em nosso estado, se isso não ocorre porque alguns anos existia  O CERCO – Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado?
Por que se identifica o DEIC hoje como Departamento de Investigações do Crime Organizado?
Ora, se não existe crime organizado para que existe o DEIC?
Por quê policiais arriscam a vida diuturnamente?
Investigando o que não existe …
Na mesma entrevista sua Exa diz “É, a policia apreendeu, levou para o Ministério Público e eles não levaram a Corregedoria da Policia dados que demonstram o  comprometimento de policiais civis”.
Ora Secretário, a matéria faz menção a Policia Civil mas também a Policia Militar, porém quando se fala da Policia Militar, da qual o Secretário é originário, o mesmo se esquiva de qualquer comentário.
Porque tanto ódio da Policia Civil?
Talvez sua Exa. devesse procurar saber o que a todos nós intriga, como o Ministério Público teve acesso ao pendrive?
Ou o mesmo teria saído correndo de dentro de um Departamento da Policia Civil, ou quartel da Policia Militar e se atirado regateiro no colo de um Promotor?
Por outro lado, o Secretário ataca com veemência o Ministério Público.
O mesmo é Promotor de Justiça!
Porque então não se aposenta e abandona de vez a Instituição?
Parece que seu principal prazer é atacar a imprensa, a policia civil e o ministério público.
Como se as mesmas fossem responsáveis por todos os males e pela incompetência que assola a Segurança pública do Estado de São Paulo.
Lanço-lhe aqui um repto senhor Secretário, o PCC não existe então vá sem carro blindado e sem escolta a cidade Tiradentes, ao Campo dos Alemães em São José dos Campos, ao Parque Meia Lua em Jacareí, a Gurilândia em Taubaté, a Estrada que liga César de Souza a Santa Catarina em Mogi das Cruzes…
A partir dai passarei a acreditar em sua coragem e reconhecerei que o PCC realmente é invenção da imprensa.
Também acho que é mesmo bom dizermos que a facção criminosa não existe, pois afinal de contas, o cargo de Secretário não é vitalício e quando dele o senhor sair se quiser carro blindado terá que comprar e pagar, escolta somente de empresas de segurança e pagando, portanto não é bom irritar os marginais do PCC.
Afinal, se até Edgar Hoover desmentia a existência da máfica porque o senhor deveria dizer que o PCC existe mas que as forças de segurança estão atuando contra o mesmo?
Afinal de contas, somente morrem policiais e esses não são velados no palácio, nem merecem a rápida passagem do Secretário em seu velório.
Parece que hoje a segurança pública se especializou em negar a existência do PCC e demitir de maneira vergonhosa policiais civis, como o Delegado Conde Guerra e tantos outros.
Eu, de minha parte, continuo afirmando que o PCC é forte, atuante, perigoso e enquanto não formos para o confronto direto e aberto corremos risco de nos transformarmos, se é que já não somos em um Rio de Janeiro.
Estou cansado de ver ataques a imprensa.
Senhor Secretário  A IMPRENSA NÃO CRIA FATOS, ELA SIMPLESMENTE OS NOTICIA.
Com certeza porque nada é eterno, ainda teremos um Governador atuante e um Secretário de Segurança que tenha coragem de vir a público e dizer pela imprensa: “O crime organizado existe, mas a policia com o apoio deste Secretário, o está combatendo.”
João Alkimin

Bom discurso: “Nós, da Polícia Civil, não aceitamos inimigos conosco” 42

04/10/2012-06h00

Policial que comete crime é pior que bandido, diz delegado-geral

DE SÃO PAULO DO “AGORA”

O governador de SP, Geraldo Alckmin (PSDB), e o delegado-geral Marcos Carneiro Lima, chefe da Polícia Civil paulista, disseram ontem a novos policiais civis que o Estado não tem nenhuma tolerância à corrupção policial.

“Quando um policial comete um crime, ele é pior que o bandido. O bandido não tem nada a perder. O policial tem. A primeira coisa que perde é o respeito dos próprios colegas. Nós, da Polícia Civil, não aceitamos inimigos conosco”, disse Lima.

O discurso foi feito durante a posse de 289 agentes de telecomunicação da Polícia Civil, em um evento no Palácio dos Bandeirantes.

Nesta semana, a Folha revelou que documentos atribuídos à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) apontam supostos pagamentos feitos por bandidos a policiais civis de SP.

Os documentos -espécie de “livro-caixa” da facção- apontam, ainda, que policiais militares se aliam a criminosos para cometer roubos.

No seu discurso, o delegado pediu aos novos policiais que não entristeçam as suas famílias por terem se envolvido em irregularidades.

Quando questionado pela Folha sobre a sua fala, o delegado-geral disse que reforçou o cuidado que os policiais devem ter para não caírem na “sedução dos criminosos”.

“No Brasil, há uma cultura da corrupção, que vem desde a época colonial. Mas é importante a sociedade cobrar essa mudança”, afirmou.

Já o governador foi mais sutil na mensagem, dizendo aos novos policiais que eles devem servir de exemplo para a população paulista.

“Exemplo de retidão, exemplo de atender bem as pessoas, de fazer bem feito o que é a nossa atividade.”

PCC

Tanto Alckmin quanto o delegado-geral afirmaram que a Corregedoria das polícias irá investigar todos os policiais que tiverem seus nomes envolvidos em acordos com a facção criminosa PCC.

“Se eu identificar suspeição contra qualquer policial que esteja em uma função estratégica, eu mando tirá-lo da função para que seja investigado”, disse Carneiro Lima.

Nos últimos seis anos, pelo menos 1.223 policiais civis e militares foram punidos por irregularidades diversas, entre elas, corrupção e tráfico de drogas. Os dados são da Ouvidoria da Polícia de São Paulo, que recebe denúncias contra policiais civis e militares. (AFONSO BENITES, ROGÉRIO PAGNAN E JOSMAR JOZINO)

Antonio F.P. e a arte de induzir a engano: PCC é bem menor do que dizem 33

04/10/2012-06h00

Facção é bem menor do que dizem, afirma secretário

AFONSO BENITES DE SÃO PAULO

O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afirma que a facção criminosa PCC é bem menor do que é divulgado e que a polícia a está asfixiando, com operações bem sucedidas contra o tráfico de drogas.

Em entrevista após a posse de 289 agentes de telecomunicações da polícia, Ferreira Pinto, procurador de Justiça licenciado, criticou o Ministério Público e disse que o número de bandidos ligados ao PCC é menor do que apontam as planilhas do bando apreendidas pela polícia e reveladas pela Folha.

Pelos arquivos, que estão no Ministério Público, a facção possui 1.343 bandidos espalhados por 123 das 645 cidades paulistas.

O Ministério Público não quis comentar as críticas.

*

Folha – Como o senhor está vendo a batalha com o PCC? Antonio Ferreira Pinto – Não há batalha. O governo continua na sua linha de combate à criminalidade, seja ela de que origem for. Temos uma média de dois presos por dia.

A Folha tem mostrado, com base em arquivos do PCC, que a facção continua forte. Mas o governo discorda. Por quê? Porque alguns setores da imprensa exaltam o PCC. Nós trabalhamos dentro da tranquilidade. Temos informações seguras, privilegiadas.Acompanho essa situação há seis anos e meio, desde quando fui secretário de administração penitenciária.

Estou tranquilo sabendo o tamanho da facção. Determinados jornais glamorizam a facção, o que só traz desassossego à população. Combatemos essa facção com eficiência e os resultados estão aí.

Quais são? Há mais de cinco anos que a PM não precisa intervir em presídios. Isso evidencia o nosso controle. A Rota tem prendido bastante.

Agora, qualquer grupo bem organizado aqui fora se arvora em facção criminosa. Isso é grife e a imprensa, felizmente só parte dela, exalta exageradamente. Estão fazendo às gerações futuras, para seus filhos e netos.

Qual é a extensão da facção? A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões. Mas essas prisões só merecem uma nota nos jornais. Não tem a mesma repercussão que atos covardes contra a polícia.

A documentação que a sua polícia apreendeu e está na mão do Ministério Público mostra que o número é maior. É, a polícia apreendeu, levou para o Ministério Público e eles não levaram à Corregedoria da polícia dados que demonstram o comprometimento de policiais civis [a Folha revelou que documentos do PCC apontam propina a policiais]. Receberam os dados e vazaram para a imprensa de forma anônima.

Eu sou dessa instituição. No meu tempo a gente falava e assinava embaixo, não se escondia. Quando eles passarem para nós, vamos apurar.

Se tiver policial envolvido, serão demitidos. Fica muito tranquilo para eles [promotores] jogarem isso para a imprensa de uma forma leviana.

No seu tempo na Secretaria de Administração Penitenciária, havia notícias de apreensões de pen drives do PCC? No meu tempo não havia. Não tínhamos, até porque eles não têm computador.

Mas eles usam smartphones. Eles não têm smartphones. No meu tempo não tínhamos e hoje acredito que não tenha. O sistema prisional está tranquilo há muito tempo.

Mais um dia, mais um PM executado em São Vicente…( Policial honesto e trabalhador fazia “bico” para pagar a prestação da casa ) 24

Força Tática

Soldado da PM à paisana é executado a tiros em São Vicente

Brenda Melo Duarte

Lotado na Força Tática do 39º BPM/I (São Vicente), o soldado Fábio Passos de Sá, de 34 anos, foi executado com diversos tiros na tarde desta quarta-feira , na periferia daquela cidade. Com esse atentado, sobe para 75 o número de policiais militares mortos neste ano no Estado.
De acordo com informações da própria Polícia Militar, a vítima estava à paisana na altura do nº 141 da Rua Carijós, no Parque São Vicente, quando foi atacada por pelo menos quatro marginais, cujos rostos estavam encobertos por capacetes.
A ação do bando ocorreu por volta das 15h30 e foi muito rápida. Câmeras de segurança de uma escola pública, ainda conforme a PM, registraram o assassinato. Nas cenas gravadas, os criminosos são vistos rendendo a vítima e desarmando-a, antes de alvejá-la várias vezes no rosto.
Uma caminhonete preta aparece na filmagem sendo usada na fuga. Porém, como os criminosos usavam capacete, a polícia acredita que eles também utilizaram motos. O homicídio é investigado pela equipe do 2º DP de São Vicente, mas ainda não há pistas sobre os atiradores.

Guerra suja ou bundamolismo da imprensa ? 13

Guerra suja

O jornalista Fábio Pannunzio, da Rede Bandeirantes, é sério e competente. Abriu um blog em 2009 e, de lá para cá, jamais aceitou ofertas de patrocínio. Paga as despesas com dinheiro do próprio bolso, tirado do salário de repórter.

Que é que fizeram contra ele? Aquilo que a Igreja Universal do Reino de Deus tentou fazer contra a repórter Elvira Lobato: sufocá-la com imenso volume de processos (no caso, espalhados por todo o Brasil, para obrigar a repórter a gastar fortunas com viagens e advogados, e ao mesmo tempo reduzir sua produção jornalística, por falta de tempo). Só que Elvira Lobato trabalhava como repórter da Folha de S.Paulo, que bancou as despesas, denunciou as manobras da Universal e transformou o caso num foco permanente de suas reportagens.

Pannunzio foi processado inúmeras vezes, sem êxito. Mas, em todas elas, teve de perder tempo, contratar advogado, gastar com documentação, viajar até o local dos processos. O objetivo, claro, era este; pessoas que se julgam atingidas em sua honra não entram com processos cíveis, já que honra não se mede em dinheiro (a não ser algumas pessoas, que já têm até a etiqueta de preço afixada). Quem tem a honra atingida entra com processo-crime, exatamente por considerar que sua reputação não tem preço.

Pannunzio foi processado por gente das mais diversas ideologias, partidos, interesses. A gota dágua foi o processo que lhe é movido pelo atual secretário da Segurança de São Paulo, coronel Ferreira Pinto, herança de Serra para Alckmin: o secretário do Governo tucano quer uma indenização monumental de Pannunzio. E o repórter decidiu desistir do blog.

“Escrevo depois de semanas de reflexão e com a alma arrasada”, disse Pannunzio, “especialmente por que isso representa uma vitória dos que se insurgem contra a liberdade de opinião e informação”.

O risco à livre expressão, Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa
Coluna Circo da Notícia – OI – www.observatoriodaimprensa.com.br – Edição de 2 de outubro de 2012

DECAP – Dr Rogério Marques – 14.477…Para conhecimento dos policiais as minhas reivindicações junto ao candidato Celso Russomano caso venha ser eleito 1

Rogério Marques é Delegado de Polícia há cerca de dez anos;  nesse  tempo conquistou inúmeras amizades entre policiais e cidadãos  em razão de centenas de ocorrências solucionadas em vários distritos do DECAP. 

1) A  Operação Delegada seja definitivamente regulamentada e estendida aos policiais civis; 2) Adicional  pago pela prefeitura para os policiais civis que exercerem a função na capital  de SP, civis e militares; 3) Fim da  militarização das Sub-Prefeituras; 4) Aproximação da Guarda Civil Metropolitana com a  Polícia Civil, visando a cooperação no atendimento das ocorrências nos plantões  e demais fazeres administrativos.
5) Convênio com o Governo para introdução de pessoal  administrativo cedido pela prefeitura para auxílio nos plantões e chefias  policiais.

BODE EXPIATÓRIO? … Bode expiatório é o Flit Paralisante! 8

A situação ficou ainda mais grave quando o blog “Flit Paralisante”, ligado a policiais militares, divulgou uma foto de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, como se fosse Caramante, com uma mensagem ainda mais ameaçadora do ex–juiz e advogado Ronaldo Tovani, citado em matéria por ter sido denunciado à Justiça por lavagem de dinheiro: “A palavra escrita, mentirosa e ferina, do jornalista André Caramante agora tem ‘cara’. A foto dele está estampada no ‘Flit’ e passou a ser do conhecimento de todos, inclusive dos policiais militares que ele tanto critica e ofende. Espero, contudo, que não apareça algum maluco querendo fazer justiça com as próprias mãos, quando se deparar com ele por aí”.

Para o jornalista, atitudes como essa não passam de intimidação para evitar que a Folha e o repórter cumpram sua função de informar.

https://flitparalisante.wordpress.com/2012/08/23/vitoria-do-dr-luis-storni/

Vitória do Dr. Luis Storni: Tribunal de Justiça reconhece dano moral praticado pelos jornalistas André Caramante e Rogério Pagnan – da Folha de São Paulo –  em desfavor de Delegado de Polícia

MELHOR SER LIGADO A PM DO QUE AO PCC – A culpa é do Flit; o Flit é ligado a “policiais militares”…O Flit…É o Flit…Tudo é culpa do Flit ! 16

Repórter da Folha é afastado após sofrer ameaças

Vanessa Gonçalves* | 03/10/2012 14:00
Entre as áreas mais difíceis e incômodas para cobertura – sobretudo no jornalismo diário – está a editoria de polícia. Seja pelas pautas sempre áridas, seja pelo contato frequente com temas que, vira e mexe, acabam “desagradando” um ou outro lado. Não é raro que membros da polícia se sintam “ofendidos” por abordagens da imprensa, principalmente quando noticiados, por exemplo, casos de abusos de poder, violência sem justificativa e ações de milícias.

Recentemente, o jornalista André Caramante, da Folha de S.Paulo, que atua na área há 13 anos, tornou-se mais uma vítima desse imbróglio. Há cerca de três meses, o repórter vem recebendo ameaças – umas veladas, outras nem tanto – que partiriam de Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, ex-chefe das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e candidato a vereador pela cidade de São Paulo pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), assim como de seus seguidores e eleitores.
Segundo Caramante, tudo começou quando, incomodado com a cobertura jornalística do repórter, o ex-chefe da Rota usou sua página pessoal no Facebook para expor sua opinião acerca do tema. “Resolvemos fazer um texto para falar sobre a página pessoal do Paulo Telhada, onde ele chamava suspeitos de vagabundos e dizia que tinham que morrer mesmo”, conta o jornalista.
A pressão sobre o jornalista começou ainda na internet, quando diversas pessoas reproduziram as palavras do ex-chefe da Rota. “Muitas pessoas abriram o eco pelo que ele havia escrito, com os mais variados comentários, como ‘bala nesses vagabundos mesmo e em quem defende vagabundo também’ ”. O repórter defende sua atuação como jornalista e reafirma não ter partidarismo para defender policiais ou criminosos. “Não estou aqui para defender A ou B. Defendo o cumprimento da lei.”
BODE EXPIATÓRIO
A partir de então, a paz para exercer seu ofício terminou. Toda e qualquer matéria de Caramante publicada no site da Folha era bombardeada por comentários ameaçadores e ofensivos. Em texto publicado no dia 7 de agosto de 2012, sob o título “Dois PMs são detidos após morte de suspeito de roubo em SP”, um leitor comenta: “Não estou rogando praga. Mas o nosso estimado ‘experiente foca’ ainda será vítima de um sequestro relâmpago e irá discar para o celular do Marcola.”
A situação ficou ainda mais grave quando o blog “Flit Paralisante”, ligado a policiais militares, divulgou uma foto de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, como se fosse Caramante, com uma mensagem ainda mais ameaçadora do ex–juiz e advogado Ronaldo Tovani, citado em matéria por ter sido denunciado à Justiça por lavagem de dinheiro: “A palavra escrita, mentirosa e ferina, do jornalista André Caramante agora tem ‘cara’. A foto dele está estampada no ‘Flit’ e passou a ser do conhecimento de todos, inclusive dos policiais militares que ele tanto critica e ofende. Espero, contudo, que não apareça algum maluco querendo fazer justiça com as próprias mãos, quando se deparar com ele por aí”.
Para o jornalista, atitudes como essa não passam de intimidação para evitar que a Folha e o repórter cumpram sua função de informar.
LIBERDADE DE IMPRENSA
Ao tomar conhecimento das ameaças contra Caramante, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) se posicionou, visando salvaguardar a integridade do repórter emitindo uma nota de repúdio, além de solicitar providências por parte do governador e do secretário da Segurança Pública de São Paulo. Além disso, também solicitou à Folha que fizesse cobertura total do caso, de forma a torná-lo público. Segundo José Augusto Camargo, presidente do SJSP, “a entidade sempre orienta o jornalista agredido a tornar o ato público, pois funciona como proteção à própria pessoa, uma vez que a falta de punição alimenta o agressor”.
Buscando zelar pelo jornalista, o sindicato também encaminhou ofício para diversos órgãos, entre eles a Ouvidoria das Polícias, Corregedoria da PM, Ministério Público do Estado de São Paulo e à Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, relatando a situação. Em razão disso, a ouvidoria da polícia pediu abertura de inquérito para averiguar se há irregularidade no comportamento do coronel Telhada. Até o fim da reportagem, não havia nenhuma conclusão sobre a investigação.
Na opinião do deputado Protógenes Pinheiro de Queiroz (PC do B /SP), autor do Projeto de Lei nº 1.078/11, que visa federalizar crimes contra jornalistas, a ameaça a André Caramante deve ser apurada, pois se trata de uma forma de censura à imprensa. “Em qualquer hipótese de ameaça à atividade de jornalista e dos profissionais de comunicação, o caso merece ser apurado no âmbito federal, pois representa uma ameaça à democracia e uma mordaça na voz do povo, que são os jornalistas em sua maioria”, revela.
CORONEL NEGA
Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, Telhada começou afirmando não ter problema algum com o jornalista da Folha. “Eu sou um cara da paz. A pessoa fica falando da pessoa errada e depois não quer ouvir a verdade”, afirmou. “Eu acho uma grande covardia, uma grande falta de profissionalismo, o jornalista escrever o que ele pensa e depois se dizer vítima de ameaça”, completa.
Ainda assim, o coronel, mais uma vez pelo Facebook, mostrou seu descontentamento em relação ao trabalho do jornalista. Em 15 de julho de 2012, em resposta à matéria “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”, o coronel comentou em sua página pessoal. “Acho incrível que um jornal com a envergadura da Folha de S.Paulo mantenha em seu quadro de funcionários pessoas que defendem abertamente o crime, procurando tratar criminosos como suspeitos ou civis, enquanto a população sabe a verdade das coisas.” Após repercussão de suas palavras, o post foi apagado.Ainda que as conversas não tenham acontecido pessoalmente, o jornalista garante já ter falado com o coronel por diversas vezes. “Realmente, nunca nos vimos, mas já nos falamos diversas vezes ao telefone, basta ver algumas matérias que têm aspas dele.”
O coronel afirma que jamais ameaçou o jornalista e que as reações aferidas pelo jornal e pelo repórter têm a ver com pessoas que se irritaram com as críticas à corporação, publicadas nas matérias. “Jamais fiz isso, não incentivei ninguém a fazer isso. A população se sentiu irritada com esse cidadão por causa das inverdades que ele vive dizendo e o criticou duramente. Eu não pedi, não incentivei isso e falei o seguinte: ‘As pessoas que se sentiram ofendidas que mandassem um e-mail à Folha de S.Paulo’. E foi o que foi feito. Se alguém o ameaçou, o ofendeu, pode ter certeza de que não fui eu”, completa.
O fato é que a situação se tonou insustentável. Em meados de setembro, a Folha de S.Paulo optou por enviar André Caramante, junto de sua família, para destino desconhecido para sua segurança. Ainda que temporariamente, calaram-se as denúncias.
*Com Luiz Vassallo