NOSSA REGIÃO
February 28, 2013 – 02:00
Polícia atua sob pressão para reduzir a violência
Operação da Polícia Civil prende 12 pessoas Foto: Thiago Leon
Para delegados seccionais, sem reforço no efetivo, fica difícil reduzir indicadores da criminalidade
Michelle Mendes
São José dos Campos
Após a divulgação dos indicadores da criminalidade de janeiro, que mantiveram a RM Vale no topo do ranking da violência no interior do Estado com 37 vítimas de homicídio doloso (com intenção de matar) e latrocínio (roubo seguido de morte), a cúpula da Polícia Civil pressiona delegados e investigadores a melhorar os resultados.
A determinação do Deinter-1 (departamento de Polícia Judiciária do Interior) esbarra nas dificuldades enfrentadas pela corporação, como falta de efetivo, viaturas e infraestrutura. Apesar de concursos estarem em andamento, ainda não há uma previsão de reforço para a região. Com cerca de 1.400 policiais civis, o déficit no Vale seria de 420 homens.
Vontade.“É nosso desejo diminuir a criminalidade, mas temos um déficit de 70 investigadores. A investigação é prejudicada quando policial tem que fazer escolta de preso, atender demanda de plantão ou quando falta estrutura. Espero que realmente os crimes diminuam”, disse Leon Nascimento Ribeiro, delegado seccional de São Sebastião.
“A redução de 10% depende do índice de quanto o total representa. Fazemos muitas operações de combate ao tráfico, mas temos casos complexos”, disse a seccional de Guará, Sandra Vergal.
“Há três anos o furto de veículo diminuiu em 60% devido ao empenho dos nosso policiais. Pressão sempre existe, mas não é só de responsabilidade da Polícia Civil. Se o Estado e as prefeituras não fizerem sua parte, será difícil obter resultados em curto prazo”, afirmou o delegado seccional de Cruzeiro, José Antônio de Paiva Gonçalves.
Os seccionais de Jacareí, São José e Taubaté foram procurados por O VALE, mas não retornaram as ligações.
Cobrança.
Segundo João Barbosa Filho, diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), os seis delegados seccionais da região, têm a missão de cobrar dos delegados e investigadores de cada unidade a redução de pelo menos 10% dos crimes, manutenção das operações de cumprimento de mandados, divulgação de listas dos criminosos mais procurados, aumento de interceptações e escutas telefônicas e empenho nas investigações, principalmente de homicídios.
Os delegados seccionais têm um mês para apresentar a redução dos crimes em função das reuniões bimestrais determinadas pelo secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, para discutir índices.
“Nossos dados são bons, mas apesar disso, devemos ter como objetivo a resposta para sociedade. Estamos cobrando maior empenho em todas unidades, apesar de algumas terem apresentado resultados excelentes. Taubaté e Cruzeiro já fizeram a tarefa de casa e os números de mortes cairam, São José e Jacareí terão que fazer a sua parte”, disse o delegado do Deinter.
Sindicato defende investimentos
São José dos Campos
Segundo o presidente do Sindicato dos Delegados de São Paulo, George Melão, antes da Polícia Civil cobrar redução de crimes, precisa investir mais nos profissionais e aumentar o efetivo.
“Não adianta pressão momentânea, mostrar dados para imprensa. A sociedade precisa sentir isso. É preciso combater a causa, ter planejamento e investir na estrutura.”
Improviso.
De acordo com ele, delegacias de Ubatuba, São Sebastião, Jacareí, Campos do Jordão e Taubaté, entre outras da região, têm funcionários da prefeitura fazendo papel de agente ou escrivão.
“Isso atrapalha muito na investigação. O déficit de policiais é grande e profissionais como esses, apesar da boa vontade, não estão preparados para agir como policiais”, afirmou Melão.
http://www.ovale.com.br/nossa-regi-o/policia-atua-sob-press-o-para-reduzir-a-violencia-1.379915



Ubiratan Homsi com sua filha de 10 anos, que teria sido estuprada pelo padre (Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia / Estadão Conteúdo)


