PAPAGAIO COME MILHO, O CABO LEVA A FAMA…Ou: como a PM vende operações do MP, paga de vítima e ainda quer Ciclo Completo de investigação 1

A culpa é sempre do Cabo !

O que aconteceu — para quem não acompanhou

Em 6 de outubro de 2021, o promotor Lincoln Gakiya titular do Gaeco, se reuniu no quartel da Rota com um informante, um policial penal e policiais militares.

Tudo muito nebuloso!

Promotor e policiais com atribuições por todo o estado . Uma verdadeira suruba !

O objetivo era planejar operação contra o PCC.

O resultado foi outro: a gravação daquela reunião sigilosa chegou às mãos da facção por R$ 5 milhões.

Policiais militares da Rota — a  pretensa tropa de elite da PM paulista — são investigados por ter vendido o áudio.

O coronel comandante da época foi avisado ainda em 2021 pelo próprio Gakyia sobre os vazamentos e sobre PMs fazendo bico para empresas ligadas ao PCC.

Nada foi feito.

O primeiro inquérito só foi aberto em outubro de 2024 — três anos depois — e foi arquivado.

Um novo IPM foi instaurado em 2026. Quase cinco anos após os fatos.

Nesse intervalo: operações frustradas, alvos protegidos, e pelo menos um delator executado por policiais militares no aeroporto de Guarulhos.

Enquanto isso, o MP de São Paulo, traumatizado com os vazamentos, decidiu dispensar os serviços da Polícia Civil para determinadas investigações.

Alegou falta de confiança. É aí que a história fica interessante.

Eis que o Ministério Público de São Paulo, num gesto de rara lucidez, resolveu dispensar os serviços da Polícia Civil.

Motivo?

“Não é de confiança”.

Justo.

A Polícia Civil, essa instituição que prende quem mora em favela porque é mais fácil do que investigar quem mora em condomínio, que forja flagrante com a desenvoltura de quem assina nota de rodapé, que mata e depois preenche boletim com a mesma desculpa que Israel usa no Líbano — “estava em posição de ameaça existencial ” — e entrega ao plantão como se fosse relatório de produtividade.

Realmente não inspira confiança para trabalhar com o Ministério Público.

Mas aí você pergunta: e a Polícia Militar, essa sim é confiável?

Claro que é!

Afinal, a PM ,   especialmente a Rota , é a reserva moral do Estado , destinada aos heróis , a nata , os águias : jamais venderia informações sigilosas do MP para o PCC, não é mesmo?

Ah, peraí…

Penso que nem “suicidaria” a própria esposa e , logo após , ainda em vez de socorro médico  pedir socorro jurídico de um Desembargador , né?

Pois é, leitor.

Enquanto o MP faz cara feia para os policiais civis, os próprios PMs da Rota estavam vendendo gravação de reunião do Gaeco por R$ 5 milhões.

Isso mesmo: o sigilo das operações estava à venda, e o boleto era pago pelo Primeiro Comando da Capital.

Promotor perdeu o fôlego? Perdeu.

Mas o pior não é o crime.

O pior é a ginástica moral que vem depois.

Num Estado sério, reunião de planejamento operacional não é roda de samba onde todo mundo senta junto.

Agente de inteligência não aperta a mão do promotor.

Informante não sabe quem é o executor.

A separação não é burocracia: é o que impede que um único Judas venda toda a operação por 5 milhões.

Quando o promotor Gakyia presidiu aquela reunião misturada, ele involuntariamente criou um único ponto de vazamento com preço de tabela.

O erro não é de caráter : é de imperícia e de protocolo.

E protocolos existem para proteger exatamente quem os viola por excesso de confiança.

Ora, acreditar no “princípio da confiança” é pedir para ser traído!

Ainda mais tratando-se de polícia!  

E quando a merda bate no ventilador, quem vai levar a culpa?

O papagaio come milho, mas o periquito é que leva a fama.

Deixa eu traduzir: os PMs vazam, ganham dinheiro, protegem bandido grande, e no final a culpa cai na “falta de estrutura”, ou no “sistema” ou no “coitado do coronel que não sabia de nada”.

Ah, o coronel sabia sim. Foi avisado em 2021. Dormiu no ponto.

Ou – quem vai saber – no colchão de notas.

E só progrediu de lá para cá!

Quando o suspeito investiga o roubo, não é investigação : é encenação.

E quando a própria PM conduz o IPM sobre o vazamento que partiu da PM, o resultado já está escrito antes da primeira oitiva.

No caso , a culpa é do Cabo, porra!

Mas há uma pergunta que ninguém quer fazer em voz alta, mas  que este bloguinho tem plena legitimidade para fazer: o áudio vazado era de uma reunião que o próprio MP organizou. Os PMs são investigados, sim.

Mas o informante presente na sala , quem era? De quem dependia? A quem respondia?

Era uma operação  decorrente de uma investigação formal ou uma conspiração ?

Mas aí a gente chega no ponto central dessa crônica bombástica: o fetiche.

Porque a Polícia Militar de São Paulo tem um fetiche inconfessável ;  e não apenas por estrelas ou por caveirinhas no ombro.

É o fetiche por investigação. Eles querem investigar.

Eles babam para fazer operação “planejada”, disfarçada, com escuta, com informante, com tudo o que é atribuição constitucionalmente da Polícia Civil.

Os PMs querem ser detetives só que sem largar a farda, a viatura e o hábito de atirar primeiro e perguntar “de quem é a queixa” depois.

E qual é o resultado desse fetiche?

Esse mesmo: vazamento de dados, corrupção generalizada, e uma blindagem mútua que faria qualquer outra corporação corar de vergonha.

Porque na PM, o camarada vende informação para o PCC e ainda é tratado como herói.

No dia que a casa cai, aposentam ele com honras de “vítima do sistema”.

O coronel sabia desde 2021. Foi avisado nominalmente, pelo promotor titular, sobre vazamentos e sobre PMs fazendo bico para o PCC. Sua resposta foi silêncio administrativo. Sua recompensa foi aposentadoria com bônus de Comandante;  aqueles 20% extras pelo exercício do posto  máximo na PM , privilégio que o estatuto militar garante e que nenhum servidor civil jamais veria.

No Brasil civil, isso se chama improbidade e inconstitucionalidade .

Na farda, chama-se carreira encerrada com honras.

E aí o MP, coitado, depois de tanto levar chifre da Rota, resolve cortar a Polícia Civil que, convenhamos, nem é tão confiável assim, mas pelo menos não tem histórico comprovado de vender gravação para facção.

Cinco anos.

Em cinco anos, uma criança aprende a ler, escrever e descobrir que o herói da historinha nem sempre é o moço de farda.

Em cinco anos, nenhum inquérito avançou. O áudio circulou, as operações falharam, o delator foi para o caixão  e a PM abriu IPM.

Em 2026. Para investigar 2021.

A justiça não é lenta: ela foi represada. A pergunta não é retórica , é cirúrgica: quem tinha interesse em que essa investigação não avançasse por cinco anos?

No fim, o papagaio está de papo cheio.

O periquito – que no caso é o delegado , o escrivão, o investigador que nunca viu um milho na vida –  responder – depois de acusado pelo Ministério Público – por prevaricação e improbidade administrativa porque perdeu um prazo de inquérito sem autor conhecido .

E a Rota?

A Rota continua rodando, vendendo informação, plantando droga, matando , colhendo bônus e dormindo o sono do impune, porque a fama de corrupto , essa, sempre sobra para o outro.

Ah, São Paulo.

Terra da corrupção premiada e do “cada um no seu quadrado” ; salvo quando o quadrado  vale bom preço.

Fontes para contextualização: reportagens de Josmar Jozino, jornalista especializado em segurança pública e crime organizado, com décadas de cobertura das entranhas da PM paulista e do PCC.,… –

https://noticias.uol.com.br/colunas/josmar-jozino/2026/04/21/ex-cabo-da-rota-e-principal-suspeito-de-vazar-informacoes-sigilosas-ao-pcc.htm

Um Comentário

  1. Basta lembrar do caso Gritzbah, tinha o DNA da ROTA do começo até o fim, e convém lembrar que boa parte do primeiro lote ds pistolas que chegou lá no tal 1° de Choque no início dos anos 2000, sumiu misteriosamente, provavelmente algum noia entrou lá e furtou (sarcasmo)

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