
Órgão de trânsito já foi chamado de ‘serra pelada’
Naiana Oscar
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo já teve o apelido de “palácio da corrupção” e chegou a ser chamado de “serra pelada”, por ser fonte inesgotável de “ouro”. Nas últimas cinco décadas, a imprensa registrou pelo menos 25 mega escândalos envolvendo o órgão de trânsito, despachantes e autoescolas. As fraudes vão do desbloqueio de multas ao licenciamento ilegal de veículos, passando pela propina paga a funcionários até a famosa compra da CNH. Em duas ocasiões, os escândalos culminaram em incêndios criminosos e destruição de milhares de documentos.
No ano passado, veio à tona o esquema da biometria, em que apenas uma impressão digital era usada para a obtenção de carteiras por vários candidatos a motoristas. Na década de 1980, descobriu-se que os funcionários registrados pela limpeza do edifício eram fictícios. Já se conseguiu CNH para mortos, licenciamento e transferência para veículos que mal saíam do lugar, além de habilitação para analfabetos e com deficiências físicas graves.
Com um histórico assim e o conhecimento público de que ainda é possível burlar as regras no Detran, é natural que o órgão esteja desacreditado. As possíveis justificativas para a dificuldade de vencer a corrupção no departamento passam pela “fragilidade humana” e pela “autonomia relativa”.
O Detran de São Paulo é um dos três do Brasil ainda subordinados à Secretaria de Segurança Pública do Estado e comandados pela Polícia Civil. Os outros dois são os de Santa Catarina e Minas Gerais.
Aqui, o Detran passou a ser um departamento da polícia, oficialmente, em 1967 e, desde então, discute-se as vantagens e desvantagens desse órgão se tornar uma autarquia.
O atual diretor do Detran, Ruy Estanislau Silveira Mello, defende a permanência da Polícia Civil no comando. “O delegado de polícia conhece muito mais a coisa irregular do que uma estatal”.

