ESTUDOU NO M.A.EM QUE ANO,GUERRA?
juan-50
22/01/2010 em 20:46 Editar
JUAN-50
De 1970 a 1977. Bons tempos de infância e adolescência. Apesar das aulas do Professor Joaquim dentro do 2º BC.
Quando eu ingressei no ginásio, depois do tal vestibulinho, ainda usávamos uniforme e havia aulas aos sábados.
O Jarbas Passarinho fez algo de bom ( pra mim ) acabou com as aulas aos sábados… rs
Bem, ele acabou mesmo foi com o ensino público.
No lugar de Filosofia, reforço de Educação Moral e Cívica… rs.
Criou mais uma turma encurtando as aulas e os intervalos.
Nada como um Coronel do Exército pra dar solução para a falta de vagas…
Ah, além da reforma ortográfica de 71, para nos phoder a partir de 72…
Levei uns 10 anos para deixar de grafar êle, nêle, êsse…etc.
Agora , já que não preciso de nota ( apenas cédulas ), quero que a atual reforma se phoda…rs.
Imperdoável acabar com o trema, pois só apedeutas escreverão qüinqüênio…
Mas não posso reclamar da minha educação no “Afonsinho”, pois aos 10 anos já tinha lido 26 livros do Monteiro Lobato…
A trilogia do Tesouro dos Martírios, de Francisco Marins…
E as memórias de Hans Staden “Duas viagens ao Brasil ( tinha umas 1000 páginas ).
Bastou complementarmos essa vasta cultura com a revista MAD, a revista Geração Pop ( que sempre foi uma merda, pois a maioria dos colaboradores não sabia nada de nada; acabavam inventando ).
Bem depois – QUANDO A DITA ABRANDOU – com todas as revistas “Ele e Ela” , “Status” e depois “Playboy”.
Eu era apaixonado pela Rose Di Primo; tinha até um pôster dela montada acho que numa moto Triumph.
Fiquei tão letrado que ganhei um banheiro exclusivo no fundo do quintal.

Tapetão do Itararé – São Vicente
Eu era um bom garoto até que o meu pai teve uma idéia brilhante: para eu parar de fazer barulho com a guitarrinha comprou, quando completei 15 anos, um Yamaha RD 50, azul, a primeira motocicleta Made In Manaus.
Assim, quando no 3º ano colegial rumava para o Afonsinho pela praia, pois “soy latino americano e nunca me engano“.
O problema é que não dava pra ficar com a bunda na cadeira agüentando aulas como as Professor Renato ( Física ). 
Numa das escapadas fui imitar o Adu Celso – ( Eduardo Celso Santos , falecido em 5 de fevereiro de 2005, em Juquey-SP, um famoso piloto de motocicletas e empresário de São Vicente, um dos filhos do Sr. Celso Santos, dono da Cidade Náutica Imóveis e de toda a praia de Pernambuco , no Guarujá, Hanga Roa, Bertioga, Juqueí, etc. ) – ; acabei atropelando um coqueiro da Avenida Padre Manoel da Nóbrega ( também conhecida como “Tapetão” do Itararé).
Resultando, prá mim, 5 meses de cama; para o meu pai quase uma “cana”.
O diploma ficou para depois; a faculdade de Direito, idem.
No ano seguinte, muito revoltado porque ” andava a pé e achava que assim estava mal” , mudei para o período noturno, já que depois de quase um ano gessado e de muletas – não tinha porrada que me fizesse levantar da cama as 6h30.
No período noturno redescobri a alegria de viver; passei a estudar no Batidão e no Cruzeiro do Sul.
Além de aprender política, filosofia e ficar falando Jacomi, também aprendemos a arte de causar curto-circuito no Afonsinho e explodir bombinhas de São João no banheiro ( quatro das gordinhas bem amarradas); aprendi a saborear o bom e velho Fogo Paulista.
Culpa de uma turma de celerados que migraram compulsoriamente do Vidrobrás para o Afonsinho, pois acabaram com o curso colegial da Escola Vidrobrás. O que foi muito bom, pois as moças eram mais interessantes e emancipadas.
A maioria já trabalhava, inclusive. Até hoje não entendo a razão de as moças da época, embora mais baixinhas, nascerem mais bonitas e harmoniosas do que as das gerações posteriores.
Naquele tempo não chovia o ano inteiro na Baixada; a madrugada era estreleda e perfumada pela dama-da-noite.
Não tinha ladrão armado.
O que estragava o sossego de quem andava na madruga eram as “Barcas da Polícia Civil” e do “Juizado de Menores”.
A PM – com os fusquinhas e veraneios acho que nas cores vermelho e preto – não incomodava.
Mas como na PC, da época, a maioria era ganso com carteirinha de inspetor de quarteirão, todo cuidado era pouco.
Cabeludo com violão sofria: aí “maluco beleza” ( era o sucesso do Raul daquele ano ) balança o pinho pra gente ver se não tem bagulho!
E leva aí “Abismo de Rosas” prá gente conferir se tu sabe tocar…Mas seu guarda, só aprendi solar “O Milionário”…
Playboy, que guarda?
Tá vendo guarda onde?
Aqui é Polícia, apito tu vai ouvir na orelha… já, já!
“De menor” na rua de madrugada, tu tem pai?
Tenho sim senhor! Ele deixa? Não, esperei ele dormir e pulei o muro!
Filho da puta…sobe…sobe…sobe! Pelo amor de Deus, deixa eu ir embora…
O caralho! Farei melhor “seu punheta” vou te deixar no colo da mamãe.
Fui salvo pelo rádio, mas o guarda grandão da “petra e branca” me fez tirar o sapato e sumir correndo pela av. Quintino Bocaiúva… FDP, ainda não era asfaltada…cheia de pedregulho; eu correndo com o violão debaixo do braço e os sapatos na outra mão…
Mas achei melhor obedecer e não olhar pra trás.
Assim , em dezembro de 77, em vez de velinhas e bolo de aniversário, bomba levei eu.
Com direito a honrosa jubilação para outra escola mais compatível com o meu elevado nível intelectual e cultural.
O restante contaremos daqui a dez anos, ainda não cheguei à fase de escrever minhas memórias.
Mas eu amava aquela escola; amava mais ainda três pessoas: A Dnª Suely, nossa professora de Geografia; a Dnª Iracema, professora de História e a Dnª Cleuza, Diretora; que apesar de muito austera foi uma espécie de anjo protetor.
E tinha uma que eu odiei por anos: a professora Zuleica. O Pink Floyd fez a música The Wall, certamente inspirados nalgum professor como ela.
Eu tinha lá algumas limitações matemáticas; durante quatro anos eu lhe dei trabalho extra no mês de fevereiro.
Pois sistematicamente no 1º bimestre ela me dava 0 ( zero ), no 2º 0,5 ( meio ), no 3º uns 2,5 ( dois e meio ), só começava a melhorar no final do ano, tirava 5,0 ( cinco ).
Assim já sabia que passaria as férias , todos os dias, acompanhado de professora particular.
E chegava para fazer a prova na base do tudo ou nada, ou seja: precisando no mínimo de 9,5 ( dez né? ).
Eu conseguia, dias depois começava tudo novamente.
Por uma única razão, como era um dos menores e o mais novo, quando um ano a dois, alguns três anos mais velhos, faz uma baita diferença, entrava apanhando e saia apanhando.
Logo no primeiro bimestre, do primeiro ano do ginásio, as minhas notas nas duas provas foram 0 ( zero ).
A mulher fazia questão de mostrar as provas e anunciar as notas nominalmente; fazendo seus comentários.
Iniciava pela maior nota e decrescia: eu fui o último.
Ela disse em voz alta: o nº 33, “seu” Roberto Conde Guerra, 0 ( zero ) na primeira e 0 ( zero ) na segunda, média final 0,5( meio ).
A classe desabou na gargalhada.
Constrangido só me restou dizer em voz alta: Dnaª Zuleica, a Srª se enganou, zero mais zero não é igual a meio!
A mulher possessa: meio em respeito ao trabalho do seu pai que pagou as folhas de papel almaço.
Tá bom professora, mas então arredonda prá um.
Meio pelo trabalho do meu pai que compra as folhas ; meio pelo trabalho da Srª em me ensinar!
Fora! Fora! Prá diretoria. O senhor ( naquele tempo as professoras tratavam as crianças por senhor ), em matéria de cinismo é um “Einstein” (prá mim era o humorista da foto com a língua de fora…rs ).
Vai contar piada pra Inspetora.
Phodeu-se! Daquele dia em diante deixei de ser o “Marciano”, virei o Einstein piadeiro…
Chegava o dia da prova era um massacre: estudou Einstein? Vai tirar dez hoje Einstein?
Fala Einstein piadeiro!
Só depois de uns dez anos eu compreendi o motivo de tanta raiva.
Ela estava me humilhando dando meio para o trabalho do meu pai; pensou que com a minha resposta estivesse dando meio pelo trabalho dela como professora.
Mas eu não possuía inteligência para compreender, tampouco responder, conscientemente, daquela maneira.
Estava absolutamente arrasado pela vergonha, pela gargalhada da classe…
Ela viu cinismo, não viu nosso choro sufocado.
E os anos passam, mas , intercorrentemente, fatos semelhantes vão se sucedendo.
Lembro de uma outra antipatia plantada inconscientemente, sem nenhuma malícia.
Nos primeiros anos da carreira, desconhecendo regras protocolares de tratamento, endereçava requerimento aos Seccionais, Regionais, empregando o tratamento Excelência.
A uma: fomos advogados por certo tempo.
E advogado novinho – pelo menos naquela época – mesmo no interior de uma livraria jurídica, tratava a todos por Excelência…
Vossa Excelência daqui…Sua Excelência ali…
Tinha livro ou autos embaixo do braço era Excelência.
A duas: um Delegado Seccional, um Delegado Regional, no final dos anos de 1980, eram autoridades de grande relevo.
Bem, eu acreditava fossem.
Ou seja, dentro dos quadros profissionais do Poder Executivo, altas autoridades.
Certo dia, depois de apresentarmos um requerimento endereçado ao Dr. LEVINO MANOEL RIBEIRO, fomos – na presença de uma Escrivã e de um Escrivão – corrigidos pelo assistente JOSÉ ALVES DOS REIS, o “Português”.
Ele arvorava-se – soberbamente – profundo conhecedor da arte de bem escrever.
Destarte ou Des’arte ( termo ridículo de largo emprego por Delegados afetados ), deselegantemente, achou devido nos dar aula na presença de outras pessoas.
Disse: Guerra venho percebendo que você dá tratamento de Excelência ao Delegado Seccional. Está errado, o correto é Vossa Senhoria.
Simploriamente respondemos: mas doutor acredito que um Delegado Seccional deva ser considerado uma autoridade de elevada hierarquia.
Não Guerra, consulte o Aurélio!
Ele chutou; devolvi: eu só uso o Caldas Aulete ( aquele que nas antigas edições enciclopédicas, trazia milhares e milhares de verbetes, gravuras, exemplos de emprego por grandes escritores , etc.).
O homem de branco foi avermelhando até ficar roxo.
Deve ter achado uma grande insolência ouvir tal resposta do Investidura Temporária.
Pela vida é assim: uma besta por te achar um simples burro nunca aceita coice trocado.

ROSE DI PRIMO – NO TEMPO QUE MULHER TINHA CABELOS E NÃO FAZIA MUSCULAÇÃO
Obs.: OSPB (Organização Social e Política Brasileira) Disciplina que, de acordo com o Decreto Lei 869/68, tornou-se obrigatória no currículo escolar brasileiro a partir de 1969, juntamente com a disciplina de Educação Moral e Cívica (EMC). Ambas foram adotadas em substituição às matérias de Filosofia e Sociologia e ficaram caracterizadas pela transmissão da ideologia do regime autoritário ao exaltar o nacionalismo e o civismo dos alunos e privilegiar o ensino de informações factuais em detrimento da reflexão e da análise. O contexto da época incluía a decretação do AI5, desde 1968, e o início dos “anos de chumbo” – a fase mais repressiva do regime militar cujo “slogan” mais conhecido era “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
Dessa forma, as duas matérias foram condenadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996, por terem sido impregnadas de um “caráter negativo de doutrinação”.
Citação bibliográfica: MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos.”OSPB (Organização Social e Política Brasileira)” (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira – EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002, http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=365, visitado em 9/7/2012.
Educação Moral e Cívica (EMC ) , foi criada nos anos de 1940, por Francisco Campos, no curso da Ditadura Vargas.