“São problemas encontrados em praticamente todo o Estado. Em alguns crimes, é muito difícil encontrar uma testemunha que queira se submeter a um reconhecimento, por exemplo. Não existe nenhuma proteção”, afirmou o promotor do júri de homicídios de Guarulhos e ex-promotor criminal de Paulínia, Rodrigo Merli Antunes. Segundo ele, outra dificuldade comprovada é falta de recursos humanos e estruturais da Polícia Civil.
“Sabemos das dificuldades da Polícia Civil em relação à estrutura e material humano. Isso também acaba dificultando na hora de encontrar os autores do crime.
Apesar do alto número de decisões pelo arquivamento na região, o promotor acredita que em algumas regiões, os números são ainda maiores. “Em grandes cidades, por exemplo, é muito mais complicado. Tanto em relação à investigação, como também no número de crimes registrados por ano. Contudo, sempre é preocupante saber que quase metade das denúncias são arquivadas”, relatou Antunes.
Ainda de acordo com os dados, 29% das decisões do MP no ano passado em relação crimes, foram favoráveis a pena de liberdade assistida. Em 2004, ano em que a pesquisa teve início, foram 24% das decisões.
A falta de estrutura da Polícia Civil, um dos fatores que geram o arquivamento de inquéritos, é alvo de ação por parte do promotor de Justiça e Direitos Humanos e do Patrimônio Público e Social de Americana, Sergio Claro Buonamici. Ele instaurou inquérito para apurar a falta de efetivo da Polícia Civil na Região em abril do ano passado e vai propor ação civil pública contra o Estado. Buonamici afirma que há falta de profissionais nas delegacias, inclusive nas especializadas. “Isso acarreta prestação de serviço satisfatório à sociedade “, afirmou.




No último dia 8, O DIA publicou, com exclusividade, que o estado concederia mais um reajuste, além dos 10%, em 24 parcelas, para os 1.022 delegados ativos e inativos, além dos pensionistas. Segundo o secretário estadual de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, a despesa do reajuste adicional de 70,3% será de R$ 7,1 milhões, em 2010, e de R$ 18,7 milhões, em 2011. Ele acrescentou que “o aumento é destinado a fortalecer a carreira de delegado, que é considerada pelo governo como estratégica na política de Segurança Pública”.