Espionagem a secretário pode acabar em prisão
Ex-delegado Paulo Fleury é suspeito de se passar por policial para obter imagens de shopping
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO
Os quatro identificados até agora no episódio de espionagem contra o secretário da Segurança Pública de SP, Antônio Ferreira Pinto, responderão a inquérito policial sob a suspeita de cometer crimes de prevaricação e usurpação da função pública.
A suspeita de usurpação da função pública recai sobre o ex-delegado Paulo Sergio Oppido Fleury.
O ex-delegado foi demitido em junho de 2010 da Polícia Civil por Ferreira Pinto e é suspeito de ter se passado por policial para obter as imagens do circuito de segurança do shopping Pátio Higienópolis, na região central de SP, onde Ferreira Pinto se encontrou com o repórter da Folha Mario Cesar Carvalho.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, investiga a ligação de Fleury com um grupo de matadores de aluguel que, entre outros crimes, tem ligação com a morte de sete policiais.
Os delegados Marco Antonio Desgualdo e Everardo Tanganelli Junior, suspeitos de terem ido ao shopping com Fleury, e o investigador Oswaldo Luiz Cardenuto também responderão a inquérito.
Até anteontem, Desgualdo, chefe da Polícia Civil entre 1999 e 2006 e homem de confiança do governador Geraldo Alckmin (PSDB), era diretor do DHPP (departamento de homicídios).
Desgualdo foi afastado após imagens do Pátio Higienópolis mostrarem que ele foi com os outros suspeitos atrás da gravação em que o secretário aparecia com o repórter da Folha.
De acordo com as investigações da Corregedoria da Polícia Civil, os quatro são suspeitos de divulgar as imagens do secretário com o intuito de prejudicar a imagem dele junto ao governador por terem perdido espaço na gestão de Ferreira Pinto.
Os quatro suspeitos queriam ligar o secretário à reportagem escrita por Carvalho sobre a venda de dados sigilosos por um funcionário da Segurança, o sociólogo Túlio Kahn, que foi demitido.









