- 15 de setembro de 2011
- 23h24 Por Marcelo Godoy e William Cardoso
O secretário da Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto e o delegado-geral de polícia, Marcos Carneiro Lima, decidiram afastar o delegado Ruy Ferraz Fontes do 69º DP (Cohab Teotônio Vilela, Zona leste de São Paulo). O motivo são as suspeitas de que o delegado usasse o distrito para atender de forma privilegiada ocorrências envolvendo o Banco Itaú. Fontes nega.
Pelo menos 9 casos envolvendo o banco como vítima que aconteceram em outros bairros da cidade foram investigados pelo 69º DP neste ano. Entre eles, o caso do roubo milionário de 138 cofres da agência do Itaú na Avenida Paulista, crime ocorrido no dia 28 de agosto.
Fontes recebeu da segurança do banco cópias das fotos dos bandidos suspeitos do crime antes mesmo do que o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), responsável oficialmente pela investigação do caso. A apuração de roubos a banco é de competência exclusiva do Deic.
O desencontro dentro da polícia fez com que o inquérito oficial demorasse 8 dias para ser aberto, permitindo uma fuga tranquila aos assaltantes.
A descoberta de que Fontes manteria um inquérito paralelo sobre o caso ocorreu na segunda-feira e abriu uma crise na Polícia Civil de São Paulo.
Ferreira Pinto e Carneiro Lima determinaram abertura de duas investigações. A primeira vai verificar como foi registrado o roubo milionário no 78º DP (Jardins) e como este distrito repassou a informação para o Deic. A segunda apuração servirá para verificar se o delegado Fontes atendia de forma privilegiada o Banco Itaú em sua delegacia.
Na tarde de ontem, o secretário esteve reunido com policiais na sede do Deic para se informar a respeito do andamento das investigações. Na última semana, antes de saber da atuação paralela de Fontes, o diretor do departamento, Nelson Silveira Guimarães, chegou a assumir por e-mail a culpa pela atraso no início das apurações.
O Itaú afirma que todos os oito BOs registrados no 69º DP se referem a fraude e estelionato. Tratam-se de casos em que a polícia estava investigando e realizou uma prisão em flagrante. Diz também que nenhum assalto a agências foi registrado naquela delegacia.
Apenas em relação a assalto, estelionato e arrombamento na Grande São Paulo, o Itaú protocolou 129 BOs entre dezembro de 2010 e junho de 2011.
O banco diz que, no total, foram protocolados 673 boletins de ocorrência apenas em 2010 na Grande São Paulo. O Itaú diz que foi vítima de assalto violento, que a comunicação com as autoridades se deu imediatamente após a descoberta do fato e que desde o início tem mantido discrição para preservar o sigilo dos clientes, que têm sido atendidos individual e pessoalmente sempre que possível.
Fontes não foi localizado para comentar o seu afastamento.







