Vítima pilotava uma Honda Hornet quando foi abordada por criminosos também ocupando uma moto
Atualizado às 3h50
SÃO PAULO – Em uma suposta tentativa de roubo, o delegado Paulo Pereira de Paula, de aproximadamente 45 anos, que atuava na Delegacia de Investigações sobre Entorpecente (Dise) de Guarulhos (Grande SP), foi morto, por volta das 21h15 deste sábado, 4, na pista local da Marginal do Tietê, sentido Ayrton Senna, 200 metros antes da Ponte do Limão, em frente a uma loja de material para construção, na região da Barra Funda, zona oeste da capital paulista.
Baleado com três tiros, um deles na cabeça, e pilotando uma Honda Hornet preta 1000 cc, avaliada em quase R$ 40 mil, o policial morreu no local. Segundo as poucas informações fornecidas pela polícia, Paulo Pereira teria sido abordado por pelo menos dois homens que ocupavam também uma moto. Não sabe se a vítima foi baleada em razão de uma suposta reação à abordagem dos criminosos. A moto não foi levada.
Diversas viaturas da Polícia Civil e carros particulares de policiais civis que conheciam o delegado deslocaram-se para o endereço onde ocorreu o crime. Duas faixas da pista local da Marginal ficaram bloqueadas até o final da noite. Era 0h30 deste domingo, 5, quando uma faixa ainda estava bloqueada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O delegado seccional de Guarulhos, Marco Antonio Pereira Novaes de Paula Santos, irmão da vítima, também esteve no local.
Parte dos dados do suposto latrocínio foi encaminhada para o plantão do 7º Distrito Policial, da Lapa, porém o caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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09/03/2003–09h35
Delegado nega ter sido vítima de suposto grupo de extermínio
ALLAN DE ABREU da Folha de S.Paulo, em Ribeirão Preto
O delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) Paulo Pereira de Paula negou que o atentado à sua casa, na Vila Tibério, em abril passado, tenha alguma relação com o suposto grupo de extermínio de Ribeirão Preto (314 km a norte de São Paulo).
A possibilidade de ligação entre os dois episódios foi divulgada na semana pelo Ministério Público, que apura a existência do grupo e de cerca de 20 mortes que teriam como autores policiais da cidade.
“Desafio qualquer um a provar que um policial tenha atirado uma granada na minha casa”, afirmou o delegado.
Segundo ele, o crime foi a mando da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
“O caso foi exaustivamente apurado, e essa motivação ficou clara”, disse o delegado.
O desafio de Pereira de Paulo questiona em parte as investigações da Promotoria, que, por sua vez, aponta policiais da cidade como supostos mandantes do crime. No dia 5 de abril passado, a casa do delegado da DIG foi metralhada, e uma granada foi jogada em sua garagem. Os pais de Pereira de Paula ficaram feridos.
Na época, segundo a Promotoria, o delegado realizava muitas apreensões de carga roubada na cidade.
Isso teria desagradado o suposto grupo de extermínio, que pode ter nesse tipo de crime uma forma de se financiar.
Posteriormente, no dia 25 daquele mês, João Paulo Alves Silva, um dos envolvidos no atentado teria dito ao delegado no anexo do 1º DP (Distrito Policial) que o crime foi a mando de policiais.
Na madrugada do dia seguinte, Silva apareceu morto na cela.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista do delegado concedida anteontem.
Folha – É verdade que o preso assassinado no 1º DP disse ao senhor que o atentado foi a mando de policiais?
Paulo Pereira de Paula – É mentira. O João Paulo nunca falou que eram policiais. Quem disse isso é um imbecil.
Folha – Então quem teria sido o mandante do atentado?
Pereira de Paula – Ele disse que foi a mando do José João de Souza Oliveira, que estava preso por tráfico de entorpecentes e roubo de carga, e do PCC. Ele também confessou que jogou [a granada]. Sua casa, a 600 metros da minha, na Vila Tibério, serviu de esconderijo para os autores do atentado. Eu colhi esse depoimento, e está tudo gravado.
Folha – Podemos ver a gravação?
Pereira de Paula – Não vou mostrar agora. Não é o momento oportuno.
Folha – Por que o senhor sofreu esse atentado?
Pereira de Paula – A ordem veio do Geleião [José Márcio Felício, ex-líder do PCC]. Ele disse para o João que poderia escolher quem quisesse da polícia. Escolheu a mim porque estava prendendo muita gente.
Folha – O senhor cuida do combate a cargas roubadas na cidade, uma das possíveis fontes de financiamento do grupo de extermínio. Então, essa suspeita sobre o grupo não seria descabida.
Pereira de Paula – Isso só pode ser imaginação de alguém. Estão querendo ganhar notoriedade em cima de escombros. A imprensa está sendo jogada contra a polícia para amanhã usar [o que foi publicado] como arma. E estão querendo me colocar nessa, o que não posso admitir. Não tenho medo nenhum deles, seja promotor, seja corregedor. Eu os desafio a provar que um policial tenha chegado ao ponto de jogar uma granada na minha casa.
Folha – O senhor tem medo de sofrer novo atentado?
Pereira de Paula – Não. Faz parte da profissão. Não vou mudar o meu modo de agir por isso.
Folha – O senhor acredita na existência de um grupo de extermínio formado por policiais?
Pereira de Paula – Não sei. Não investigo homicídios e não sou policial da corregedoria.




