LIBERDADE DE IMPRENSA – Secretário de Segurança determina que a Corregedoria apure abuso praticado contra jornalista Riopretano 12

GARANTIA INAFASTÁVEL

Secretaria de Segurança decide investigar indiciamento de jornalista

22 de agosto de 2015, 18h44
CONJUR

Por Fernando Martines

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo afirma que a Corregedoria da Polícia Civil vai investigar se houve violação da liberdade de imprensa no indiciamento de um jornalista do interior. Em nota sucinta, o secretário Alexandre de Moraes afirma que a liberdade de imprensa é uma “garantia constitucional inafastável”.

O repórter Allan de Abreu foi indiciado por quebra de sigilo após publicar reportagem no jornal Diário da Região com conteúdo de escutas telefônicas feitas pela Polícia Civil durante caso de sequestro na cidade de São José do Rio Preto.

Embora Abreu afirme que inexistia na época qualquer decisão judicial declarando segredo, a polícia diz que toda escuta telefônica obtida com autorização da Justiça nasce naturalmente sob sigilo.

Em agosto de 2014, a juíza Gislaine de Brito Faleiros Vendramini, da 3ª Vara Criminal de São Paulo, havia negado um pedido para transformar o processo em sigiloso. O repórter foi ao fórum local com o advogado do jornal e pediu as escutas colhidas na investigação. Seu pedido foi aceito e, no final do mesmo mês, a reportagem foi publicada.  Apenas em novembro do ano passado a situação mudou, quando a juíza Luciana Cassiano Zamperlini Cochito, também da 3ª Vara Criminal, decretou o segredo.

Leia a nota da secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo:

O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, determinou que a Corregedoria da Polícia Civil avoque imediatamente o inquérito para apurar se houve ferimento à liberdade de imprensa, garantia constitucional inafastável.

Petralhas querem associar o PMDB a tudo que demais nojento se vê na Administração Pública…( Mentira, viu ! ) 10

Delator associa lobista a Renan, Cunha e Temer

Em Brasília

22/08/201508h51

  • Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo

Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República (PGR), o lobista Júlio Camargo – que relatou pagamento de propina ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – afirmou que o lobista Fernando Soares era conhecido por representar o PMDB, o que incluiria, além de Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o vice-presidente da República Michel Temer.

“Havia comentários de que Fernando Soares era representante do PMDB, principalmente de Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. E que tinha contato com essas pessoas de ‘irmandade'”, consta em relatório dos investigadores sobre o primeiro depoimento prestado por Júlio Camargo à PGR, em março.

Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, foi responsável por intermediar pagamento de propina combinada com Júlio Camargo para facilitar um contrato de aquisição de navios-sonda pela Petrobras com a coreana Samsung Heavy Industries Co.

Em outro ponto do depoimento, ao mencionar que o PMDB deu apoio ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Camargo volta a citar de forma vaga os três nomes e também o nome do empresário José Carlos Bumlai. O relatório da Procuradoria aponta dentro do depoimento de Camargo que Bumlai seria amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Na área interna o depoente negociava diretamente com Paulo Roberto Costa. Fernando Soares – era corrente – que representava o PMDB.

Depois o PMDB também ‘entrou para fortalecer’ Paulo Roberto Costa. Ambos então ‘ficaram muito fortes’. Fala-se de Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Michel Temer, José Carlos Bumlai (que seria muito amigo do ex-presidente Lula)”, aponta o relatório da PGR sobre o depoimento de Camargo.

Os três depoimentos de Camargo o grupo de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, permaneciam em sigilo até hoje, e serviram de fundamento para o oferecimento de denúncia contra o peemedebista por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Organização dos Estados Americanos cobra punição de ” forças de segurança do Estado” 49

Comissão da OEA cobra investigação de chacina na Grande SP

DA EFE

22/08/2015

chacina  

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos), condenou nesta sexta-feira (21) o assassinato de 18 pessoas no mesmo dia em Osasco e Barueri, na região Grande São Paulo, e exigiu que o Brasil esclareça o ocorrido, identifique, processe e puna os responsáveis.

No dia 13 de agosto de 2015, 18 pessoas foram mortas e seis ficaram feridas em ataques realizados por indivíduos armados em 11 lugares próximos, em um espaço de tempo de três horas.

De acordo com alguns testemunhos e gravações de câmeras de segurança, um grupo de pessoas armadas usaram veículos para se locomover entre os lugares, perguntaram sobre antecedentes criminais e atiraram contra as pessoas que afirmaram que tinham.

Segundo as autoridades, um mesmo veículo teria sido visto em vários dos lugares onde ocorreram os crimes.

A CIDH informou que uma das linhas de investigação é “o possível envolvimento de membros da Polícia Militar, no que teria sido uma suposta represália pelo assassinato de um policial militar dias antes”.

Segundo dados oficiais, 56 pessoas foram mortas em massacres em São Paulo em 2015. Os dados entregues pela Secretaria de Estado da Segurança Pública ao Instituto Sou da Paz por meio de uma solicitação de acesso à informação indicam que isso representa um aumento em relação ao ano anterior, quando foram registradas 49 mortes em massacres em todo o ano.

A Comissão disse “tomar nota” das declarações do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que classificou os incidentes como “gravíssimos” e disse que as autoridades tentarão esclarecer “o mais rápido possível”.

Além disso, tomou nota das declarações públicas do secretário de segurança pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, que assinalou que este foi “o pior massacre deste ano” no estado, e anunciou que as autoridades atuarão “rapidamente para capturar todos” que forem responsabilizados.

A CIDH exigiu a continuidade das investigações iniciadas de maneira “pronta, objetiva e imparcial”, e que sejam seguidas “todas as linhas lógicas de investigação”, incluindo a hipótese de que os possíveis autores possam ser oficiais de forças de segurança do Estado.

A investigação “deve esclarecer as causas que conduziram a estes graves casos de violência, identificar, processar e punir os autores e satisfazer as expectativas de justiça das vítimas e seus parentes”.

O Estado deve, segundo a CIDH, adotar todas as medidas legais, institucionais e administrativas que forem necessárias para garantir que casos como esses não se repitam.

folhapress

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.‏

ÓDIO AO DIREITO DE INFORMAÇÃO – Delegado do DEINTER-5 ( Departamento rotineiramente envolvido em escândalos de corrupção ) indicia jornalista responsável por reportagens contra agentes públicos 28

Repórter do Diário da Região (SP) é indiciado por quebra de sigilo de escuta telefônica

O jornalista afirma que as transcrições de escutas utilizadas em reportagem foram obtidas de forma legal


Allan de Abreu é repórter investigativo do jornal Diário da Região, de Ribeirão Preto (SP)

O repórter investigativo Allan Abreu, do Diário da Região, de São José do Rio Preto (SP), foi indiciado nesta quinta-feira (21) pela Polícia Civil do Estado de São Paulo pelo crime de quebra de sigilo de interceptação telefônica em reportagens publicadas em 31 de agosto sobre um sequestro ocorrido no município.

No texto em que justifica o indiciamento, o delegado Airton Douglas Honório, titular do 1º Distrito Policial (DP) de São José do Rio Preto, também acusa o repórter de “conduta fraudulenta” para ter acesso aos autos. Abreu nega as duas acusações.

Segundo o jornalista, as transcrições das escutas utilizadas na reportagem foram obtidas de forma legal junto ao balcão do Cartório da 3ª Vara Criminal de São José do Rio Preto no mesmo momento em que o advogado Edward Mendonça Marques (defensor e pai de um dos sequestradores) fazia igual consulta. Abreu frisa ainda que apurou e publicou as reportagens em período no qual o processo não corria em segredo de justiça, o que veio a ocorrer quase três meses depois da publicação, em novembro do ano passado.

Além disso, segundo ele, o texto foi publicado após o término das investigações. “Fiz o meu trabalho sem cometer qualquer crime e estou sendo acusado de forma ilegal numa clara ação de intimidação ao exercício jornalístico”, afirma o repórter.

A atuação jornalística de Abreu ficou em evidência no País em dezembro de 2014 quando a 4ª Vara Federal em São José do Rio Preto determinou a quebra dos sigilos telefônicos dele e do Diário da Região com o objetivo de descobrir a fonte de reportagem sobre uma operação da Polícia Federal deflagrada em 2011. A ação da PF apurava esquema de corrupção na Delegacia do Trabalho do município no interior paulista e resultou na punição dos agentes investigados. Diante da decisão da Justiça, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) foi ao STF contra a medida e conseguiu suspendê-la liminarmente (o processo permanece na corte superior).

No caso desta semana, a ANJ criticou o indiciamento de Abreu pela Polícia Civil de São José do Rio Preto (SP), uma vez que os despachos da Justiça comprovam que o processo não corria em segredo de Justiça quando da reportagem. Para a Associação, a preservação do sigilo sobre informações em poder do Estado é atribuição dos agentes públicos. Segundo a ANJ, o jornalista que obtém informações por meios lícitos (como é o caso da reportagem do jornalista do Diário da Região) tem o direito (e profissionalmente a obrigação) de divulgar, caso sejam de interesse público. Além disso, em ambos os casos, o jornalista goza do direito constitucional de sigilo de fonte.

Com a ação disponível para consulta após despacho de 11 de agosto da juíza Luciana Cassiano Zamperlini Cochito, Abreu teve acesso ao mesmo no balcão do cartório da 2ª Vara Criminal local, inclusive na presença do advogado de uma das partes que também consultava o processo, e teve acesso às escutas telefônicas do caso, que foram divulgadas em reportagens do Diário da Região.

Crédito:Reprodução
Matéria foi publicada antes de processo ficar sob segredo de justiça

Segundo ele, a Polícia Civil não gostou do fato de Abreu ter divulgado detalhes da investigação, alegando que as informações poderiam atrapalhar novas investigações. “Fui chamado para depor na época, pois queriam investigar uma suposta quebra de sigilo telefônica de minha parte”, comenta. O delegado do caso queria saber se o jornalista tinha dito acesso às escutas antes ou depois de o processo ficar aberto à consulta.

No entanto, 19 em novembro do ano passado, a juíza decretou novo despacho pedindo o sigilo dos autos, o que inviabilizaria novas consultas por parte da imprensa. Porém, nem Allan Abreu nem oDiário da Região publicaram novas notícias sobre o sequestro nesse período em que o processo corre em segredo de justiça. Apesar disso, passado quase um ano, o jornalista acabou sendo indiciado no artigo 10 da lei 9.296/1996, que fala sobre quebra de segredo de Justiça.

Indignado com a medida, Abreu desabafa: “fui indiciado por um crime que não cometi”. Na visão do repórter, trata-se de uma perseguição da polícia, insatisfeita com denúncias realizadas por ele, inclusive na época do caso. “Acho que é uma forma de intimidação claríssima com o uso dos instrumentos do Estado contra um repórter que não faz o jogo polícia-imprensa. Pago um preço pela escolha de jornalismo que fiz”.

Allan Abreu tem apoio do jornal, tanto que o advogado do Diário da Região deve entrar com um habeas corpus ainda hoje para tentar sustar este indiciamento. Apesar do desânimo, ele revela que não se arrepende e pretende seguir a mesma linha de trabalho.

“Vou continuar fazendo o mesmo tipo de jornalismo. Não me arrependo um centímetro do que fiz. Faria tudo de novo. Fico triste como toda essa situação, mas não posso parar. Meu trabalho segue. Esse é o tipo de jornalismo que escolhi fazer e não vou mudar, apesar das intimidações”, conclui.

Hamilton Pavan/Diário da Região – Arquivo

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Delegado Airton Douglas Honório, que conduziu o inquérito e denunciou o jornalista de Rio Preto

O repórter do Diário da Região, de Rio Preto, Allan de Abreu foi indiciado na quinta-feira (21) pela Delegacia Seccional em Rio Preto por quebra de sigilo em interceptação telefônica ao publicar reportagem com escutas feitas pela polícia durante a investigação do sequestro de um fazendeiro na cidade em junho do ano passado. O inquérito foi consultado pelo jornalista no cartório da 3ª Vara Criminal de Rio Preto, uma vez que na ocasião, em agosto de 2014, o processo não tramitava sob segredo judicial.

“Não tendo sido decretado segredo de Justiça nos autos, torna-se assegurado aos estagiários de Direito e ao público em geral acesso aos autos”, informou a coordenadora do cartório, Mara Virgínia de Oliveira Brandolezi, no próprio inquérito policial. Mesmo assim, para o delegado Airton Douglas Honório, que conduziu o inquérito, o jornalista “utilizou-se de uma conduta fraudulenta para poder ter acesso aos autos”.

A pena para o crime imputado a Abreu varia de dois a quatro anos de prisão. O inquérito foi instaurado por determinação do delegado-assistente do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-5), Celso Reis Bento, responsável pela Divisão Antissequestro na região. “Como posso ser indiciado por quebra de sigilo de um processo em que não havia sigilo?”, questiona o repórter. Ele atribui o indiciamento à perseguição da polícia, por conta do histórico de reportagens críticas ao trabalho da instituição.

CONDENAÇÃO
O diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, condenou o indiciamento. “É uma decisão condenável e lamentável, que revela o inconformismo das autoridades com a liberdade de expressão”, disse. Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo qualificou o ato de “cerceamento da liberdade de expressão e intimidação do exercício profissional” e disse que irá solicitar explicações do delegado sobre as razões do indiciamento.

O jornalista Milton Rodrigues, que dirige a Redação do Diário, criticou o indiciamento. “Foi uma medida intimidatória a um jornal que historicamente se notabiliza pela isenção e espírito crítico”, disse. O advogado do Diário, Luiz Roberto Ferrari, impetrou ontem um habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) para anular o indiciamento.

O delegado Honório justificou a medida. “O inquérito em si é uma peça sigilosa, não precisa o juiz decretar o sigilo. Entendo que deveria ter autorização judicial para divulgar isso.” Em nota sucinta, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que o indiciamento foi “baseado nas provas que foram colhidas durante a investigação”. O delegado Bento não foi localizado ontem.

IMPRENSA tentou contato com o delegado Airton Douglas Honório, mas não obteve sucesso.
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Com todo respeito a interpretações diversas, o inquérito policial ,  de regra ,  como toda atividade estatal,  é informado pelo princípio da publicidade. 

Nesse sentido,  cabe colacionar entendimento de ANDRÉ RAMOS TAVARES ao aduzir que  “a qualidade dos serviços da justiça, que é um serviço público fundamental, deve ser constantemente aferida pela própria justiça e por seus clientes”.

Com efeito, determina o art. 5º, inc. LX, da CF, verbis:

…LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”

Verdadeiramente, o sigilo é exceção que deve ser  decretada – FUNDAMENTADAMENTE – pelo delegado de polícia; conforme os termos do art. 20 do CPP: 

Art. 20.  A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Certamente, não precisa o juiz decretar o sigilo; mesmo porque o magistrado não deve agir de ofício, ou seja, sem provocação das partes legitimamente interessadas.  

O sigilo da investigação , como se vê acima , deve ser decretado pelo DELEGADO DE POLÍCIA, mas – aparentemente – os delegados do DEINTER-5 comungam de entendimento diverso.

Diga-se de passagem, durante a investigação não são colhidas provas; provas são produzidas contraditoriamente, ou seja, com a participação do órgão de acusação, da defesa e sob a presidência de um juiz de direito.

Assim, baseado nessas “provas” colhidas pelo delegado Honório,   o jornalista – em vez de denunciado – acabará sendo indenizado pelo estado.

Tolerância à violência e à corrupção estatal contribui – com muita razão – para a prática de chacinas. Ponto Final. 28

Tolerância à violência policial contribui para a prática de chacinas?

Luis Kawaguti
Da BBC Brasil em São Paulo

21/08/201513h11

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  • Júnior Lago/UOL

A cultura da tolerância à violência policial que originou a frase “bandido bom é bandido morto” – cultuada por alguns segmentos da sociedade – pode estar contribuindo para a atuação de grupos de extermínio integrados por membros de forças de segurança.

Nesse contexto, governantes e autoridades de segurança pública têm de passar um recado claro aos agentes policiais de que não tolerarão abusos, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

A discussão ocorre pouco mais de uma semana após a maior chacina do ano no Estado de São Paulo, que deixou 18 mortos nas cidades de Barueri e Osasco, na periferia da capital.

Uma das principais linhas de investigação das autoridades é que policiais militares ou guardas civis tenham cometido o crime para vingar assassinatos recentes de colegas por criminosos. Contudo nenhum suspeito foi oficialmente identificado ou preso.

“A tolerância da sociedade a uma polícia violenta contribui para a criação de um terreno fértil para o surgimento de grupos de extermínio [integrados por policiais]”, afirmou a pesquisadora Camila Nunes Dias, da Universidade Federal do ABC e associada ao Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP).

Segundo ela, um dos reflexos dessa posição da sociedade é que jurados em tribunais civis tendem a absolver muito mais policiais acusados de homicídio do que a própria Justiça Militar.

Outro fator que mostra essa tendência é o fato de que cada vez mais políticos vêm sendo eleitos com discursos baseados em ações robustas da polícia para o combate à violência.

Nas eleições do ano passado, 55 policiais militares, civis ou federais foram eleitos nas Assembleias estaduais e na Câmara Federal – contra 44 no pleito anterior. Muitos deles exploraram o combate à criminalidade em suas campanhas eleitorais.

“Os políticos que se declaram contra as práticas [de violência por policiais] acabam fragilizados em termos eleitorais”, afirmou Dias.

Para ela, ao não condenar de forma enérgica os abusos, as autoridades podem passar uma mensagem implícita às forças de segurança de que toleram a violência policial – o que estimularia mais abusos.

Em relação à chacina da semana passada, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, disse à imprensa que se for comprovada a participação de policial, “ele vai ser tratado como um criminoso”.

Para Rafael Custódio, da organização Conectas Direitos Humanos, a tolerância à violência policial é uma questão cultural originada na sensação de insegurança da sociedade.

“Há um consenso de que o Estado não é capaz de garantir a segurança, então muitas pessoas veem isso (abusos policiais) como violência contra o ‘inimigo’. É a sensação de que alguém está fazendo alguma coisa”, afirmou.

Porém, segundo ele, essa “legitimidade” dada aos maus policiais por setores da sociedade não pode ser adotada pelas autoridades.

“O Estado tem que reafirmar a legalidade. O Estado não pode ter emoção, tem que pautar suas ações pela legalidade”, disse.

‘Isso tem de ser reforçado todos os dias’

O coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da Polícia Militar de São Paulo, afirmou que o medo motiva parte da sociedade a apoiar abusos por parte de maus policiais.

Ele disse, porém, que não é possível afirmar que a tolerância da sociedade à violência policial motive maus policiais a se envolverem em chacinas.

Segundo ele, as autoridades da Segurança Pública devem fornecer treinamento adequado e passar mensagens claras a seus comandados de que não tolerarão abusos.

“Eu comandei um batalhão por mais de cinco anos. O recado para o policial tem que ser claro: eles têm que observar os limites da lei. Isso tem que ser reforçado todos os dias, independente de a população estar aplaudindo ou vaiando”, disse.

Ele afirmou que os casos de abusos por parte de policiais são exceções em um cenário em que a polícia de São Paulo realiza mais de 1 milhão de abordagens de suspeitos por mês no Estado.

Guerra entre polícia e criminosos

Os especialistas concordaram ao afirmar que, caso seja comprovada uma relação direta de agentes das forças de segurança com a chacina da semana passada, ela pode ser interpretada como consequência da “guerra” que vem sendo travada entre a polícia e o crime organizado no Estado de São Paulo ao menos desde 2012.

Nesse cenário, ações violentas da polícia são vingadas por criminosos que passam a atacar agentes das forças de segurança fora do horário de serviço. Esses atentados geram então novas retaliações da polícia – por vezes por meio de ações ilegais contra suspeitos.

José Vicente da Silva Filho afirmou que, em sua opinião, o envolvimento de policiais em chacinas não seria algo muito comum.

Mas disse que se for comprovado no caso ocorrido na semana passada que maus policiais agiram para vingar as mortes de um policial militar ou um guarda civil, ambos assassinados dias antes, a ação pode ser uma tentativa de dar um “recado”, de “não se metam com a polícia”.

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Série de ataques deixa mortos e feridos na Grande São Paulo42 fotos

20.ago.2015 – Ato lembrou o sétimo dia da chacina que deixou 18 mortos e 6 feridos em Osasco e Barueri. Na foto, moradores e familiares se reuniram em frente ao bar onde aconteceram 10 mortes na última quinta-feira (13). Entre os dias 8 e 9, teria havido uma outra chacina que também pode estar ligada aos fatos do dia 13: seis pessoas foram executadas na cidade de Osasco em menos de 48 horas. Os crimes aconteceram logo após o assassinato do cabo da PM dentro de um posto de gasolina na cidade, possível motivo para a onda de mortes. A Secretaria de Segurança Pública ainda não apontou suspeitos para os crimes Leia mais Júnior Lago/UOL

R$ 50.000,00 – PM em fúria contra o Secretário de Segurança Alexandre de Moraes 57

PMs fazem vaquinha por ajuda em investigações de mortes de policiais

Por David Shalom – iG São Paulo

Deputado que mobiliza agentes do Estado para conseguir valores após anúncio de recompensa por informações sobre chacina “politiza o debate”, diz Secretaria de Segurança de SP

No dia seguinte ao anúncio de R$ 50 mil de recompensa por informações que levem à identificação dos autores da chacina que deixou 18 mortos na Grande São Paulo, na semana passada, policiais militares passaram a atacar o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e a prometer uma grande vaquinha para conseguir o mesmo montante a todos aqueles que colaborarem com a prisão de assassinos de agentes da corporação.

Um dos bares em que ocorreu a chacina da semana passada, localizado na cidade de Osasco
Reprodução/Twitter

Um dos bares em que ocorreu a chacina da semana passada, localizado na cidade de Osasco

Principal representante da PM paulista no Congresso Nacional, o deputado federal José Augusto Rosa, mais conhecido como Capitão Augusto (PR-SP), afirma ao iG ter ficado surpreso com a oferta estadual por informações sobre o massacre, ocorrido em Osasco e Barueri, na noite de quinta-feira (13). A Polícia Civil trabalha com a hipótese de a chacina ter sido cometida por grupos de extermínio formado por PMs, motivados pela morte de um policial, ocorrida na semana passada.

“Já recebi mais de cinco mil mensagens de policiais querendo fazer doações para arrecadarmos dinheiro e oferecer a quem nos ajudar a achar os assassinos de um PM que morreu ontem [terça-feira]”, diz o deputado federal. “Tudo bem o governo oferecer R$ 50 mil para tentar elucidar o crime da semana passada, mas até hoje não tivemos nada semelhante para nós, policiais. Não existe recompensa para crimes contra policiais, e isso é um absurdo. Queremos a adoção dos mesmos procedimentos. Nossa única preocupação é: se paga lá, tem de pagar cá também.”

Lançado pelo governo no ano passado, o Programa Estadual de Recompensas tem atualmente um total de 16 casos em busca de esclarecimentos incluídos em uma lista da Secretaria de de Segurança Pública do Estado de São Paulo – a chacina da semana passada ainda não foi contabilizada. E ele mostra uma realidade diferente daquela exaltada pelo deputado.

Até a noite de quarta-feira (19), a maior recompensa oferecida pelo órgão, de R$ 30 mil, era por informações que levassem à prisão justamente de assassinos de um PM. Alaor Branco Júnior foi baleado na cabeça quando tentava impedir o roubo de um carro-forte em uma rodovia no interior paulista, em outubro do ano passado. Apenas as investigações de mortes de dois agentes penitenciários – são seis os casos envolvendo vítimas da categoria com recompensas, o restante é de busca por foragidos específicos – têm ofertas semelhantes.

A Secretaria de Segurança Pública afirma que o apelo do Capitão Augusto “é uma tentativa de politizar o debate em cima da chacina” e diz que os montantes “de cada recompensa são analisados caso a caso, o que explica as diferenças de valores entre o oferecido para o esclarecimento de um crime e o de outro”.

“Dobrar a oferta do Estado”
Em menos de um dia, Augusto afirma ter recebido mais de cinco mil mensagens de policiais militares em grupos fechados no WhatsApp, redes sociais e e-mails se prontificando a fazer doações de até R$ 30 para a elucidação da morte de um cabo na cidade de São Vicente, litoral paulista, na segunda-feira (18).

Alckmin e Alexandre de Moraes, que fizeram pressão para tornar hediondo homicídio de agentes
Daniel Guimarães/ A2img

Alckmin e Alexandre de Moraes, que fizeram pressão para tornar hediondo homicídio de agentes

Na PM desde 1988, o deputado afirma ter o objetivo de mobilizar os cerca de 90 mil agentes na ativa em todo o Estado para que cada um deposite R$ 1 em uma conta aberta especialmente para recolher o montante e ajudar a esclarecer o crime, que teria sido cometido por cinco pessoas – até o momento, uma foi presa. “Conseguiríamos até dobrar a oferta do governo, para quem R$ 50 mil não é nada”, diz o parlamentar.

Caso não tenha seus apelos atendidos pelo governo, o deputado garante que ampliará a ideia das vaquinhas para ajudar a encontrar autores de todos os homicídios de policiais militares – a responsabilidade pelas investigações cabe à Polícia Civil. No total, oito agentes foram mortos em serviço no Estado de São Paulo no primeiro semestre de 2015, segundo a secretaria. Do outro lado da moeda, a PM matou 342 pessoas em confrontos no mesmo período.

Capitão Augusto é um dos 286 deputados federais que fazem parte da Frente Parlamentar de Segurança Pública, mais conhecida como Bancada da Bala, defensora de temas polêmicos como a derrubada do Estatuto do Desarmamento.

Tornou-se figura conhecida no Congresso especialmente por seus esforços em criar o Partido Militar Brasileiro, que inclui Jair Bolsonaro entre seus apoiadores, e por usar sua farda da PM em todas as sessões das quais participa na Câmara. Também é o coordenador da Frente Parlamentar do Rodeio, criada no mês passado.

PMs em fúria
Famoso por seu trabalho como comandante no batalhão da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), grupo de elite da PM, o deputado estadual Coronel Telhada (PSDB-SP) também bradou publicamente contra o valor da recompensa oferecida pelo governo para pistas sobre os autores da chacina.

Na quarta-feira (19), Telhada subiu ao parlamento da Assembleia Legislativa para criticar fortemente a atuação da Secretaria de Segurança Pública no caso da chacina da semana passada e exigiu mudanças de posicionamento do órgão. “É inadmissível quando um secretário de segurança pública [Alexandre de Moraes] levanta desconfianças sobre seus policiais militares. Isso tudo sem provas, indícios ou denúncias”, discursou o deputado.

“Como policial militar, eu não aceito isso. Não entendo isso vindo do chefe de polícia e muito menos vou compactuar com isso. Acusar uma corporação com mais de 100 anos de história, ganhando um salario irrisório para arriscar a vida diariamente […] Fica aqui o meu repúdio sobre as declarações que se referem à PM e faço solicitação ao secretário para que faça a mesma coisa com todos os policiais que são mortos, que ofereça recompensas para que se chegue aos autores desses crimes.”

A Secretaria de Segurança Pública afirma não ter novidades sobre a investigação dos homicídios e não informou à reportagem se oferecerá recompensa para informacões sobre o caso específico no litoral paulista. O órgão ressalta que quase metade dos casos que oferecem dinheiro em troca de denúncias envolve investigações de mortes de agentes públicos.

Capitão Augusto quer punição para juízes corruptos 31

capitãoaugusto

Punição para juízes corruptos

O Deputado Federal Capitão Augusto comunicou hoje que irá propor o aumento da punição a juízes que cometem crimes no exercício de suas funções. O Deputado destacou que se deve reconhecer aqueles magistrados que honram a toga sagrada da Justiça, mas punir exemplarmente aqueles que a desonram.

Essa iniciativa do Capitão Augusto deve-se à sua indignação diante da denúncia de que um Desembargador está sendo investigado, dentre outros motivos, porque teria recebido processos para análise de maneira irregular, e com isso, soltou membros de facções criminosas, conforme divulgou o jornal O Estado de São Paulo, na edição de 19 de agosto.

Capitão Augusto anunciou também que irá apresentar Proposta de Emenda à Constituição – PEC para acabar com o privilégio absurdo de juízes corruptos serem aposentados com todos os seus diretos,quando devem, sim, ser demitidos, como ocorre com os agentes públicos comprovadamente envolvidos em crimes de corrupção.

Menino PM emboscado e assassinado covardemente em São Vicente 34

Morre policial militar baleado em ataque no Jóquei Clube, em São Vicente

Ele estava internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Municipal

DE A TRIBUNA ON-LINE

O policial militar Ariel Lourenço dos Santos, de 22 anos, baleado na noite da última sexta-feira (14) em um ataque no Jóquei Clube, em São Vicente, morreu às 17 horas desta terça-feira (18), de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Ele estava internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal (antigo Crei).

O PM estava em frente a uma padaria na Rua Carijós, por volta das 21h25, quando foi surpreendido por um bandido, com quem entrou em luta corporal ao reagir. Outros homens chegaram atirando. O bando estava a pé e de bicicletas. A Polícia Civil acredita que cinco criminosos participaram da ação.

Depois de ser alvejado com quatro tiros (um no tórax, outro na boca e dois na perna), o policial correu para dentro do estabelecimento comercial e foi socorrido por uma ambulância ao hospital, onde passou por cirurgia.

Imagens de câmeras de monitoramento ajudaram a Polícia Civil a localizar um dos suspeitos, detido na Rua Borges de Medeiros, pouco tempo depois do crime, com as mesmas vestimentas do rapaz que aparece no vídeo (veja abaixo) atirando contra o PM.

De acordo com o boletim de ocorrência, o homem, de 19 anos, confessou o crime. As investigações continuam, mas outros suspeitos ainda não foram presos

Nota de falecimento: Sr. Paulo Pinheiro 4

Faleceu em Santos , aos 91 anos, o Sr. Paulo Rodrigues , mais conhecido – em razão do físico avantajado – como  Paulo “Pinheiro” ou simplesmente Pinheirão.

Homem influente na política e na polícia desde o governo de Ademar de Barros.

Benemérito, ajudou centenas de pessoas e entidades!

Deixou muitos amigos na região, especialmente na Polícia Civil.

A cerimonia fúnebre será realizada ás 19h00, no Memorial de Santos.

‘Foi covardia com o PM morto’, diz mulher que perdeu filho em chacina de Osasco 34

Em São Paulo

  • Fernando Luiz de Paula e mais sete homens foram assassinados na primeira ação dos bandidosFernando Luiz de Paula e mais sete homens foram assassinados na primeira ação dos bandidos

Há dez dias, a empregada doméstica Zilda Maria de Paula assistia televisão sentada no sofá ao lado do filho único, o pintor Fernando Luiz de Paula, em um beco apertado de Osasco, na Grande São Paulo. Na tela, um vídeo mostrava o assassinato do cabo da Polícia Militar Avenilson Pereira de Oliveira, em um posto de combustível na mesma cidade.

As imagens impressionaram Zilda, 62, que comentou com o filho: “Nossa, Fernando, foi brabo o negócio”. “Pois é, mãe, foi feio mesmo”, respondeu Fernando.

O crime que surpreendeu mãe e filho faz parte da principal linha de investigação da polícia, que busca respostas para explicar a maior chacina da história de São Paulo. A suspeita é de que colegas do PM assassinado tenham vingado a morte do policial.

Uma das 18 vítimas da chacina foi Fernando, 34, o filho de Zilda. Ele e mais sete homens foram assassinados na primeira ação dos bandidos, no bar na rua Antônio Benedito Ferreira.

“Foi muita covardia segurar o PM e matá-lo. Mas aí os caras vêm e fazem pior? Matam sem chance de defesa, em um momento de descontração?”, questiona Zilda.

Uma testemunha viu quando quatro homens desceram de um Peugeot prata, armados e encapuzados. “Não teve abordagem. Chegaram atirando.”

Ao ver o quarteto empunhar as pistolas, a testemunha correu para uma igreja próxima. Ouviu os tiros e voltou para tentar salvar quem ainda respirava. “Na aparência, estava todo mundo morto”, disse.

Com o apoio do grupo Mães de Maio, Zilda está organizando uma missa de 7º dia para a próxima quinta-feira, na frente do bar onde oito morreram.

“A morte dele, eu estou aceitando. Só não estou aceitando como aconteceu. Disseram que ele se ajoelhou e colocou as mãos na cabeça. Atiraram mesmo assim”, lamenta a mãe. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Jornalismo da Folha “trabalha” contra Alexandre de Moraes na Secretaria da Segurança Pública ironizando sua gestão e atribuindo-lhe responsabilidade por chacina 96

O governador Geraldo Alckmin durante a apresentação do novo secretário de segurança pública, Alexandre de Moraes. Data: 17/12/2014. Local: São Paulo/SP. Foto: Edson Lopes Jr/A2 FOTOGRAFIA

O governador Geraldo Alckmin durante a apresentação do novo secretário de segurança pública, Alexandre de Moraes. Data: 17/12/2014. Local: São Paulo/SP.
Foto: Edson Lopes Jr/A2 FOTOGRAFIA

ANÁLISE

Chacina na Grande SP é 1° grande revés para secretário de Alckmin

EDUARDO SCOLESE
EDITOR DE “COTIDIANO”

14/08/2015 08h15

A série de ataques com ao menos 20 mortos na Grande São Paulo é o primeiro grande revés da gestão de Alexandre de Moraes na Secretaria da Segurança Pública.

O advogado filiado ao PMDB assumiu o cargo em janeiro, no início do novo mandato de Geraldo Alckmin (PSDB). Desde então, reforçado por seu próprio discurso, acumulou uma sequência de dados positivos: interrompeu longa sequência de aumento no número de roubos, investiu na estrutura de trabalho dos policiais e, principalmente, viu os casos de homicídios atingirem no mês passado a menor taxa da série histórica no Estado: 9,38 casos por 100 mil habitantes (no acumulado dos 12 meses anteriores).

O sucesso rápido também levou o secretário a ousar voos mais altos. Bem mais altos. Nos bastidores, seu nome passou a ser cotado para a disputa da Prefeitura de São Paulo no ano que vem. Para isso, teria de trocar o PMDB pelo PSDB, do governador Geraldo Alckmin. A negociação segue intensa e o próprio secreário não descarta a ideia. “O futuro a Deus pertence”, disse, em recente entrevista à Folha.

Confiante em seu gestão, até esnobou a presença da Polícia Rodoviária Federal em território paulista. Disse que, para dar um “salto” de qualidade na segurança, gostaria de retirar os agentes federais das rodovias que cruzam o território paulista, assumindo a polícia paulista toda essa responsabilidade. Ouviu logo um “não” do Ministério da Justiça.

Sempre com os números e os holofotes ao seu lado, ainda fez um agrado político ao governador, que é pré-candidato ao Planalto em 2018. Fatiou a divulgação do balanço mensal das estatísticas de violência e organizou um evento apenas para Alckmin falar da queda do número de ocorrências de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar).

Agora, antes de pensar no policiamento da Dutra e da Régis Bittencourt, na troca do PMDB pelo PSDB ou num agrado ao chefe, o secretário terá de explicar rapidamente o que aconteceu em Osasco e Barueri e como serão as investigações da noite mais violenta do ano na Grande São Paulo.

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Evidentemente, artigo sob encomenda para desqualificar o atual Secretário de Segurança Pública. 

Quem serão os interessados ?

Chacina na Grande São Paulo – Corregedoria e DHPP suspeitam de “recado” da ROTA pela prisão dos 14 PMs relacionados ao homicídio em Pirituba 97

Série de ataques deixa ao menos 20 mortos em Osasco e Barueri

Avener Prado/Folhapress
Peritos da Polícia Civil isolam local onde homem foi morto a tiros em Osasco (Grande SP); onda de ataques deixou outras sete vítimas na cidade
Peritos da Polícia Civil isolam local onde homem foi morto a tiros em Osasco (Grande SP)

MARTHA ALVES
AVENER PRADO
DE SÃO PAULO

A noite mais violenta do ano na Grande São Paulo deixou ao menos 20 pessoas mortas e nove feridas em Osasco e Barueri, em um intervalo de aproximadamente duas horas e meia, na noite desta quinta-feira (13).

Na maioria dos casos as ações foram semelhantes. Homens encapuzados estacionaram um carro, desembarcaram e dispararam vários tiros contra as vítimas.

Em alguns locais dos crimes, testemunhas disseram que os assassinos perguntaram por antecedentes criminais, o que definia vida ou morte das pessoas.

Uma chacina deixou dez mortos em um bar na rua Antônio Benedito Ferreira, no bairro Munhoz Junior, em Osasco, por volta das 20h30. Quatro das vítimas morreram no local e outras seis no Hospital Jardim Mutinga.

Por volta da 1h30 desta sexta (14), vários moradores da região ainda olhavam assustados a cena do crime. Um homem, que não quis se identificar, disse que uma das vítimas trabalhava como auxiliar de caldeira e costumava parar no bar para tomar um conhaque antes de ir para casa. Outra moradora falou que um dos baleados morreu sentado na cadeira do lado de fora do bar.

Um dos peritos da Polícia Civil disse espantado: “nunca vi uma noite com tantos mortos em São Paulo”. Várias equipes trabalharam durante toda a madrugada na investigação.

No Jardim Elvira, um jovem foi morto em frente a uma sorveteria na rua Professor Sud Menucci. Três parentes gritavam e se abraçavam de desespero próximo ao morto.

A pouco mais de 5 km, o técnico de celulares Jorge Henrique Lopes Ferreira, 31, chorava baixinho a morte do único irmão. Davidson Lopes Ferreira, 26, foi encontrado morto com mais de dez tiros na rua Vitantônio D’Abril, na Vila Menck.

Segundo Ferreira, um amigo que acompanhava Davidson disse que foi conversar com uma pessoa quando ouviu o barulho de tiros. Em seguida, viu o amigo baleado e suspeitos fugindo em uma moto.

Ferreira lembra com tristeza que esta é a segunda vez que um parente é assassinado. “Quando eu tinha 13 anos meu pai também foi morto. Aí eu passei a cuidar do meu irmão, a gente morava no mesmo quintal”, falou.

“Fico triste porque o meu irmão morreu e alegre porque ele não fazia mal a ninguém”, falou chorando.

Outros ataques na cidade ocorreram nas ruas Cuiabá (1 morto), Moacir Salles D’Ávila (1 morto e 3 feridos), e Astor Palamin (2 mortos e 2 feridos). Na rua Suzano duas pessoas ficaram feridas.

BARUERI

Em Barueri, duas pessoas foram mortas a tiros dentro de um bar na rua Irene, no Parque dos Camargos. O dono do bar disse que cerca de dez pessoas estavam no local quando quatro homens, com toucas ninjas, desembarcaram de um carro.

Os assassinos perguntaram quem tinha passagem pela polícia e atiraram em duas pessoas. O restante dos clientes fugiu do local.

O bar possui câmeras de segurança e as imagens serão entregues à Polícia Civil para tentar identificar os assassinos.

Outro homem foi assassinado na rua Carlos Lacerda, na Vila Engenho Novo. Testemunhas disseram à Guarda Civil Municipal de Barueri que ocupantes de um carro preto dispararam vários tiros contra a vítima.

Segundo a GCM, após o homem cair no chão os assassinos desembarcaram do carro e foram se certificar se ele estava morto.

Todos os feridos foram levados pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) a vários hospitais da região. Os mortos serão levados ao IML (Instituto Médico Legal de Osasco). A Polícia Civil ainda não confirma se os casos têm ligação.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, o município de Barueri teve redução de 36,4% tanto no número de casos de homicídio doloso quanto no número de vítimas em homicídio doloso de janeiro a junho deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado: foram 7 casos este ano ante 11 em 2014.

Transcrito da Folha de São Paulo ; nos termos do artigo 46 da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.‏

Delegado Wladimir Gomes de Souza: PEC DA PARCERIA – SENTENCIADOS DO TIBRE 6

SENTENCIADOS DO TIBRE

É possível combater a corrupção sem quebrar o país e sem espetáculos

Por Wladimir Gomes de Souza

O espelho é realmente terrível. Passadas as décadas, ao utilizá-lo nos perguntamos: este sujeito quase grisalho a me imitar, realmente sou eu? Assim como nos preocupa nossa prejudicada imagem refletida, que poderia nos remeter a futilidade da vaidade física, nosso amigo de todas as manhãs também nos mostra que com o andar do tempo, espera-se, nos tornamos mais experientes. Mais sensatos.

Diante de tal almejada sensatez, saudosa lembrança dos bancos acadêmicos e das lições de Direito Romano nos remete a capítulos de épocas distantes, em que o corpo do devedor respondia por suas dívidas. Era então o pobre inadimplente conduzido trans tiberium: além Tibre. Sentenciado com pena de morte, e executado junto ao citado rio romano, seu corpo era violentamente dividido, e distribuído, na exata proporção da dívida, entre seus credores.

Imagine-se a sádica cena. E nada rentável festança. O prazer, quase rapinal, de obter-se uma perna. Uma cabeça, sangrando, recentemente desmembrada de seu possuidor…

Felizmente, o Direito Ocidental modernizou-se através dos séculos, banindo ao longo de sua evolução, penas degradantes da condição humana. Restaram apenas, em algumas repúblicas menos evoluídas, o desejo cruel de vingança. O ambiente menos inteligente: de caça às bruxas!

Em repúblicas ainda mais primitivas, coloca-se de lado até a economia de mercado. Tais “bruxas”, capitães de empresas, são então caçadas como feras perigosas. Enjauladas, sob pressão do manto pirotécnico de poderoso grupo de comunicação, são submetidas ao escárnio popular. Que pouco sabe que crises encomendadas, cedo ou tarde, refletem em nossas mesas…

Rompe-se então, a base estrutural, do sustentáculo da economia de mercado. Do bom senso. Utilizando-se o discurso televisivo do caos, da queda ardilosamente provocada do consumo e das vendas, em burrice oposta ao “New Deal” de Roosevelt, atira-se no próprio pé: quebra-se então um país!

Pergunta-se: inibido o consumo e mutilados, como sentenciados do Tibre, poderão empresários endinheirados dar continuidade a seus negócios? Manter os empregos gerados? Transformaremos nossos mercados em uma recente Grécia, ou provocaremos mais um crack de 1929?

A sociedade brasileira, cada vez mais esclarecida, tem plena noção dos males que a acomete. Não tolera mais o custo Brasil. O desvio de verbas. A roubalheira.

Obviamente, a bandalheira tem que ser combatida. Sensatamente, com todas as armas. E os roubadores da nação responsabilizados.  Punidos na forma da lei, que deve ser melhorada, visando, comprovada a culpa, eventualmente até o perdimento do patrimônio dos infratores, passando pela adequada repatriação de bens e valores locupletados. Sem contudo, serem tais autores vilipendiados, no horário nobre: além Tibre!

Abatida economicamente a nação, plenamente recuperável a curto prazo com certeza, somos um país forte, eis que surge uma oportunidade de ouro, a remodelação: o fortalecimento do Poder Judiciário.

Grandioso, técnico, sereno, nosso Poder Judiciário foi de certa forma diminuído nas décadas passadas, em tempos da ditadura militar. Posteriormente, foi também ofuscado pelo rompante midiático, inconsequente: de quem busca ser maior que a importância dos fatos que divulga.

Recente defensor renitente de parcerias, mesmo entre instituições originalmente desiguais, me curvo agora a uma novíssima proposta de emenda constitucional, a PEC 89/2015 de autoria do deputado federal Hugo Leal e outros, que de maneira inteligente e racional traz profundas inovações no judiciário brasileiro.

Visa a PEC 89 a criação do Juizado de Instrução em nosso ordenamento, aproveitando a centenária figura do Delegado de Polícia como Juiz de Instrução na persecução penal, atuando em parceria com o juiz de Direito e o promotor de Justiça, de maneira a evitar a repetição de feitos judiciais assemelhados, e assim desafogar o judiciário da excessiva carga de processos. Propiciando a criação de uma justiça rápida, eficiente. Racional.

Um Judiciário moderno, dinâmico, compatível com novos tempos, que demandam a mão pesada de uma justiça forte, porém democrática, de visão ampla. Que deixa de andar, como nossas avenidas marginais paulistanas: a “fantástica” velocidade de cinqüenta quilômetros por hora. Uma Justiça ágil, enxuta, que tende a economizar recursos públicos, ao aproveitar preciosa estrutura de pessoal, além de incorporar fisicamente inúmeras unidades territoriais de Polícia Judiciária já existentes, assim ampliando-se e criando uma formidável malha de prestação jurisdicional e de solução de conflitos, levando-a aos mais distantes rincões.

Um Judiciário ainda mais superlativo, renovado, que  certamente caminhará, ágil, nos ditames da lei, respeitando o princípio da ampla defesa do advogado e do interesse público.

Falando-se ainda em parcerias, ouso afirmar que se faz necessário o apoio de toda a nação para a consecução de tais mudanças. Ela atende aos mais díspares interesses: das Polícias Civis e Militares, do Poder Judiciário, e principalmente: do contribuinte, plenamente interessado em dispor de uma justiça remodelada. Acessível. Comprometida com a democracia e a cidadania.

Ao nosso ver, ainda que inicialmente pareça contraditório, o Ministério Público  como defensor e representante da sociedade, pode contribuir para que tal mudança ocorra. A parceria entre juízes de Direito e delegados de Polícia — futuros juízes de instrução, função a ser instituída pela citada PEC 89 — em absoluto não pode abrir mão da participação dinâmica, atuante: combativa, do Ministério Público.

Ministério Público, que, altivamente, apresentou recentemente um conjunto de propostas para reforçar o combate à corrupção no país. As principais delas, coincidentemente, também propostas pelo governo federal. Um Ministério Público que se deseja, seja pautado na legalidade, antenado com a evolução dos tempos. Menos marqueteiro, distanciado da indesejada pirotecnia de grupos midiáticos. Ainda mais amigo do cidadão.

O combate incansável a grande corrupção, este verdadeiro câncer que corrói o país, é do interesse de todos: Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e das polícias judiciárias dos estados. De toda a sociedade brasileira. Deve portanto ser realizado dentro da boa técnica jurídica, sem espetáculostrans tiberium, em prol desta ou daquela instituição.

É possível sim, combater a corrupção sem quebrar o país, que pela grandeza de seus mercados e potencialidade em recursos naturais e tecnológicos, merece voltar a ter substanciais taxas anuais de crescimento econômico.

É, portanto, oportuno o momento para retomarmos o caminho da sensatez. O Juizado de Instrução proposto e o decorrente fortalecimento do Poder Judiciário do país, demonstra ser uma excelente oportunidade, para a nação se distanciar da política do terrorismo jurídico, infelizmente adotada por alguns na persecução criminal brasileira.

Estaremos todos juntos neste novo barco, que de maneira inteligente, com a PEC 89/2015 agora se projeta. Que ele navegue em águas tranquilas da democracia e do Estado de Direito, respeitando sempre a lei. Sem olvidar da necessidade de se preservar o país, os empregos de nosso povo, a economia de mercado, e necessariamente respeitar o ser humano, razão evidente: da existência do Estado moderno.

 é delegado de Polícia.

Em que pese nossas notórias dificuldades, reitero: dispomos de uma grande Polícia Judiciária. Constituída por grandes homens: lutadores. Cabe a sociedade brasileira melhor aperfeiçoá-la.
E inteligentemente aproveitar-lhe todo o potencial, de recursos: humanos e materiais.
É o que propõe a PEC 89/2015, que aqui humildemente divulgamos, e convictamente, defendemos.
Nossos cumprimentos a toda família policial civil.
DR. WLADIMIR GOMES DE SOUZA
Delegado de Polícia