Mensalão do DEM: promotora tinha bunker
Investigada tirou a roupa, nervosa com a chegada da polícia
Roberto Maltchik
BRASÍLIA. Sob o jardim da casa da promotora Deborah Guerner, do Ministério Público do Distrito Federal, a Polícia Federal descobriu na segundafeira um bunker que pode ajudar a desvendar o suposto envolvimento de promotores com o esquema de corrupção em Brasília. Além de documentos, dez telefones celulares e cinco discos rígidos lacrados a vácuo, os investigadores levaram R$ 280 mil e CDs com gravações de áudio e vídeo feitas na casa.
Os mandados de busca e apreensão na casa da família Guerner e em outros nove alvos foi um desdobramento da operação Caixa de Pandora, deflagrada em 2009, que resultou na cassação do governador José Roberto Arruda (sem partido), em março. Segundo os investigadores, “alguns milhões de reais” foram apreendidos em empresas que mantêm contratos de coleta de lixo com o governo e na casa de contadores dessas companhias.
Autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 1aRegião, a ação foi coordenada pelo procurador Ronaldo Albo.
Às 6h30m da segunda-feira, a PF chegou à mansão dos Guerner. “Vocês também vão na casa do Bandarra, né?” questionou Deborah, minutos antes de ter uma crise nervosa que a levou a tirar a roupa, segundo um agente. Perto do muro do jardim, a polícia encontrou dezenas de documentos em outro cofre.
Segundo Durval Barbosa, exsecretário de governo de Arruda, os dois receberam R$ 1,6 milhão para permitir as irregularidades da quadrilha que dominaria a administração do Distrito Federal. Deborah e o procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, respondem a processo disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público.
PF apreende dinheiro enterrado em casa de promotora
17 de junho de 2010 | 9h 05
Em mais uma frente da investigação que mapeou o chamado “mensalão do DEM” em Brasília, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam empresas de coleta de lixo, suspeitas de pagar propina a políticos do Distrito Federal e de mais três Estados – Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Na segunda-feira, agentes federais apreenderam dinheiro enterrado no jardim da casa de uma promotora suspeita de integrar o esquema, além de documentos e computadores nos escritórios de 10 empresas e em residências de outros funcionários públicos.
A nova vertente da investigação surgiu no curso do inquérito que apura a eventual participação de Deborah Guerner, do Ministério Público do Distrito Federal, no escândalo que derrubou José Roberto Arruda do governo do DF.
Na casa da promotora, no Lago Sul de Brasília, os policiais acharam, dentro de um cofre enterrado no quintal, o equivalente a R$ 280 mil em notas de reais, dólares e euros. O dinheiro estava embalado a vácuo. Junto dos maços plastificados havia CDs e três discos rígidos de computador.
O cofre estava enterrado no jardim, a 40 centímetros da superfície, debaixo de uma mangueira. Em outro cofre, dentro da casa, foram encontrados mais dois discos rígidos. Os agentes também apreenderam centenas de páginas de documentos.
As buscas na residência de Deborah Guerner duraram o dia inteiro. Bem no meio da ação policial, foi preciso acionar uma ambulância do Samu: a promotora – que, em processo administrativo no Ministério Público, alega estar com problemas psicológicos – despiu-se na frente dos agentes. Ela teve de ser sedada.
Deborah Guerner passou a ser investigada após o delator do “mensalão do DEM”, Durval Barbosa, acusá-la de receber propina para blindar Arruda em investigações do Ministério Público. A acusação de Barbosa se estende a Leonardo Bandarra, o procurador-geral do DF, de quem Deborah era braço direito. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.







Na noite de 4 de junho, o delegado geral adjunto da Polícia Civil, Alberto Angerami, recebeu homenagem da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística. A solenidade aconteceu no Círculo Militar de São Paulo, no bairro do Ibirapuera.