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D.O. Oficial Legislativo de hoje, pág.1 Delegado exonerado é ouvido na Comissão de Direitos Humanos
Servidor estava em estágio probatório e foi exonerado depois de dar voz de prisão a juiz
Monica Ferrero – Foto : Vera Massaro Os deputados da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais ouviram nesta terça-feira, 3/4, Frederico Costa Miguel, ex-delegado de polícia, sobre sua exoneração do quadro da Polícia Civil do Estado de São Paulo, três meses após dar voz de prisão ao juiz Francisco Orlando de Souza. O caso foi alvo de diversas matérias na imprensa. Na opinião do presidente da comissão, Adriano Diogo (PT), “o caso é um dos maiores desrespeitos praticados contra um servidor público e cidadão íntegro.” Ele sugeriu ainda a realização de um ato de desagravo ao ex-delegado na Assembleia. Frederico Costa Miguel, que respondia pelo 1º DP de São Bernardo do Campo, foi exonerado do cargo de delegado em dezembro de 2011. Em outubro daquele ano, o juiz Francisco Orlando de Souza foi por ele autuado por dirigir embriagado e desacato à autoridade. Dez dias após o ocorrido, o juiz foi promovido a desembargador. Faltavam 30 dias para que Miguel, em estágio probatório, fosse confirmado no cargo de delegado. A exoneração foi feita sem que houvesse chance de defesa e nem acesso aos autos, pois o procedimento foi secreto, apesar de parecer favorável à confirmação no cargo da Corregedoria da Polícia Civil. Frederico Miguel pede ao governador que reconsidere sua exoneração. Solidariedade O ex-delegado recebeu s o l ida r i e da d e d o s deputados presentes na
reunião. Para Rafael Silva (PDT), “o fato pode tolher a ação de delegados, o que não é bom para a instituição e a sociedade.” Leci Brandão (PCdoB) lamentou que “uma autoridade, flagrada em ato comprometedor, tente se livrar usando de seu cargo.” Para João Paulo Rillo (PT) é grave o impedimento à ampla defesa de Frederico Miguel. Antonio Mentor (PT) ressaltou ainda que a reunião ocorria no mesmo dia em que a Assembleia promulga uma PEC que aumenta as prerrogativas dos delegados. “Esse foi o primeiro passo, falta agora democratizar a escolha do delegado-geral e a melhoria salarial”. Também estiveram na reunião os deputados Carlos Giannazi (PSOL), Enio Tatto, Marcos Martins e Simão Pedro, todos do PT. O advogado Abrahão José Kfouri Filho, que foi também presidente da Associação dos Delegados de Polícia do
Estado de São Paulo, disse que a exoneração de Frederico Costa Miguel foi injusta, e preocupou-se com a legalidade processualística do caso. O delegado licenciado Mário Aidar Franco disse que o caso foi um ato político dentro da instituição, pois Miguel expressa o descontentamento de boa parcela dos delegados com a falta de condições de trabalho e baixos salários. O professor Paulo Lew somou-se às manifestações anteriores e disse que São Paulo não valoriza os delegados, que sofrem com a falta de estrutura para trabalhar: “O governo do Estado esconde as carências administrativas com uma burocracia semimilitar e permite que a polícia seja sucateada, principalmente no atendimento à população carente. Quem aponta as falhas acaba sendo perseguido”, finalizou.
Jenis de Andrade http://jenisandrade.blogspot.com/
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