O Estado conseguiu se tornar adversario do policial. 17

Enviado em 03/10/2012 as 8:45 – ME TIRA DAQUI

 

Qualquer estudioso da violencia (mesmo internacionalmente) afirma que a ausencia do Estado abre espaço para o crime organizado e que este espaço pode demorar anos para ser reconquistado quando o Estado voltar a atuar.

O Estado está compeltamente ausente na vida do policial, seja ele civil ou militar.Antes de tentar ocupar os espaços perdidos nas ruas o governo tem que recuperar o espaço perdido junto a policia civil e militar, muito mais que ausente o Estado conseguiu se tornar adversario do policial.

As leis relativas aos cargos e funções não são cumpridas, pune-se o policial por bobagens apenas para mostrar serviço enquanto os verdadeiros ladrões jamais são incomodados e não se preocupa com a situação financeira e profissional dos policiais.

O Rio de Janeiro pode ser um exemplo a ser seguido.Sempre se ouviu falar que lá o crime dominava por conta da ausencia do Estado, eles perceberam que estavam ausentes dentro da policia, até 2014 eles terão a polciia mais bem paga e equipada do Brasil e os resultados já começaram a surgir.

Há corruptos nas duas policias, não é possivel dizer em que proporção e nem em que modalidade eles atuam, mas como sempre quem paga a conta é o policial honesto que sofre duas vezes.

A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES – Parte I 14

Segue a primeira parte da história do laudo do massacre, que hoje faz 20 anos.
É uma narrativa dos bastidores da perícia. Creio que será útil a todos os colegas.
É também uma espécie de desabafo pelo que passei há 20 anos…
Amanhã ou na quinta envio a segunda e última parte.

Abraço.

A HISTÓRIA ESCRITA NAS PAREDES

UMA SUCINTA APRESENTAÇÃO DO LAUDO DO MASSACRE DO CARANDIRU

1 – UMA BREVE DESCRIÇÃO DO P-9 E SEUS PRESOS

Muito se escreveu sobre o episódio do “Massacre da Detenção”. Muitas histórias foram baseadas em relatos de sobreviventes, de funcionários da Casa de Detenção do Carandiru, de jornalistas que tiveram acesso nos dias seguintes ao massacre ao P-9, policiais que fizeram a recolha dos presos, funcionários da enfermaria, etc.

Esta é uma história real, de quem esteve lá dentro, recebeu informações fidedignas e observou com detalhes o que se passou pelos vestígios deixados pela ação.

Aqui, uma curiosidade interessante: a denominação oficial do presídio era Casa de Detenção “Prof. Flamínio Fávero”, brilhante perito médico legista, discípulo de Oscar Freire, ex-diretor da Faculdade de Medicina da USP e Professor de Medicina Legal do Mackenzie, falecido em 1982. Sua inscrição no CRM era a de número 001.

Além das inúmeras histórias, muita fantasia se escreveu a respeito dos presos: que eram os mais perigosos do país, todos assassinos com vários homicídios nas costas, matadores de criancinhas, estupradores, etc. Esta versão ajudou a criar na sociedade uma repulsa pelos detentos e auras de heroísmo à ação realizada. Longe de querer fazer uma defesa de criminosos, garantimos que a verdade não é esta. O Pavilhão Nove (P-9) do Carandiru abrigava presos chamados “virgens”, ou seja, primários, que haviam cometido pela primeira vez qualquer tipo de crime: estelionato, furto, roubo, tráfico, homicídio, etc. Muitos deles não haviam sido sequer julgados, estavam apenas “detidos”.

Ainda hoje muitas pessoas condenam o laudo que “desnudou” a ação realizada e acham que 111 mortos foram poucos. Estes não estiveram lá dentro, não viram e, provavelmente, não têm qualquer religião. Satisfazer-se com o massacre de 111 presos indefesos, como uma vingança por ter sido vítima de algum crime revela a face mesquinha de muitas pessoas. Nós, como tantos outros, já fomos vítimas de assalto mais de uma vez, sentimos medo sim, principalmente se os bandidos descobrissem nossa identidade, não pudemos reagir porque estávamos acompanhados e nem por isso pudemos acobertar o que ocorreu lá dentro. Uma coisa é enfrentar bandidos na rua, dispostos a matar ou morrer, outra coisa, muito diferente, é matar presos desarmados, encurralados dentro de suas celas. Uma verdade é inegável, e as estatísticas criminais comprovam: se antes do laudo da detenção a PM matava mais de 200 por mês só na Capital, em média, apenas dois meses depois da divulgação do laudo este número caiu para cerca de 35. Hoje se mantém por volta de 60, com a população quase dobrada em relação a 1992.  Não há dúvida que houve uma mudança de paradigma. Hoje a PM respeita os direitos humanos, apesar de muita gente ainda combater os métodos utilizados.

Por outro lado, o que restava a um perito fazer ante aquela situação? Esconder o que viu e analisou, e assim falsear a verdade? Não foi para isso que criaram a perícia, mas sim para estabelecer a verdade dos fatos através da prova material.

O P-9 era composto por cinco pavimentos (o térreo é considerado o primeiro pavimento) e as celas se distribuíam do segundo ao quinto pavimento. A estrutura arquitetônica correspondia a um quadrado com um pátio central e as celas ficavam dispostas nos quatro lados do quadrado, frente a frente e separadas por um corredor perimetral. A numeração das celas obedecia a um código alfanumérico de cinco caracteres, sendo o primeiro o número do pavilhão, o segundo, o número do pavimento; os dois seguintes a ordem numérica a partir do acesso do pavimento, no sentido horário, e o último, uma letra “E” ou “I”, antecedidas por um hífen, indicava se a cela era voltada para a região externa do P-9 (“E”) ou para o pátio interno (“I”).

Nunca ficou claro como eram distribuídas as celas para os presos, mas houve a informação que eles mesmos decidiam quem iria habitar qual cela (para eles chamadas de “casa”). Havia dentro de cada Pavilhão uma espécie de “Comissão” que negociava com as autoridades do presídio sobre as questões a serem resolvidas e eram responsáveis pela distribuição das celas. Foi esta “Comissão” que, com um surpreendente espírito de colaboração (coisa rara, criminosos colaborando com policiais) prestou a maior parte das informações aqui relatadas. Muitos destes informes, por não serem relevantes à perícia ou confiáveis, na época, não foram para o laudo, mas serviram de embasamento para deduzir o que de fato provocou a situação.

Naquela época, não havia ainda uma “organização criminosa” propriamente dita, mas existiam certos grupos que dominavam o P-9, impondo horários, distribuição de cigarros (que era a principal “moeda” deles), impunham castigos aos que saíam da linha, decidiam sobre os “jurados de morte”, etc. Entenda-se: os “jurados de morte”, que não eram poucos, não estavam numa espécie de “corredor da morte” aguardando seu destino, mas eram aqueles que haviam cometido falta grave contra a organização do grupo e poderiam até morrer se não se desculpassem e pagassem pelos seus “crimes”. Estes ficavam em celas especiais, sozinhos (solitárias), até terminarem sua “condenação”. Morreriam somente se fossem considerados “criminosos rebeldes”, o que raramente acontecia. Era o início dos Tribunais do Crime. E de uma organização criminosa, cujo embrião foi desenvolvido após o massacre. Ali dentro, havia uma facção mais dominadora, recém-formada, chamada “Serpentes Negras”, que correspondia a uma associação de líderes de grupos, mas não havia então uma verdadeira organização e não agiam fora do presídio. Dominavam pela força. Os grupos menores se organizavam pelas mais diversas afinidades: os homicidas e os matadores de policiais formavam um grupo de poucos, mas barulhentos presos porque se diziam os mais “corajosos” – portavam uma tatuagem com um punhal encravado numa caveira (depois ficamos sabendo que muitos casos que eles contavam eram fantasiosos, apenas queriam se sobressair), os traficantes formavam outro grupo, assim como os religiosos, os torcedores de determinado time, os estelionatários (que eram considerados os intelectuais dos presos e redigiam petições, pedidos, solicitações, reivindicações, etc.), e outros. Calcula-se que os quase 1.800 presos eram distribuídos por cerca de 30 grupos. Enfim, era uma sociedade à parte do mundo externo, com suas próprias leis, advogados e juízes.

Esses grupos, embora precisassem uns dos outros, eram muitas vezes rivais e brigavam pelos mais diversos motivos: pela posse de pontos de distribuição de cigarros, pela produção e distribuição de bebidas artesanais, de sabonetes, de TVs, de perfumes, de mulheres, de drogas – somente maconha, pois os presos não permitiam a entrada de qualquer outra droga na época, segundo eles disseram – e muitas outras coisas. Mas conviviam sem grandes traumas graças ao entendimento entre os líderes.

E foi justamente um desentendimento entre dois destes líderes que, por um motivo fútil, levou à morte os 111: uma briga por causa de uma arbitragem duvidosa do jogo de futebol numa final de campeonato interno. Pelo menos, foi esta a versão contada para a perícia e confirmada pela Comissão de Presos e de Disciplina. Um membro de um grupo foi ferido gravemente com estiletes pelo membro de outro grupo e começou a gritaria e perseguições, que não pôde ser evitada pelos carcereiros, pois se estendeu por todo o P-9.

Chamaram, então, a PM. E tudo começou.

Osvaldo Negrini Neto

Perito Criminal aposentado, autor do laudo do Massacre da Detenção.

Livro-caixa de facção registra pagamentos a policiais de SP 49

02/10/2012-06h00

AFONSO BENITES ROGÉRIO PAGNAN DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DO "AGORA"

Os arquivos da facção criminosa PCC, apreendidos pela polícia, registram que a organização faz pagamentos sistemáticos para policiais civis, além de supostos acordos feitos com PMs para atuarem juntos em assaltos.

Identificadas como “percas”, as informações constam de parte dos 400 documentos que já estão com a polícia e o Ministério Público, conforme revelou ontem a Folha. Uma espécie de livro-caixa do crime, os arquivos mostram que a facção atua em 123 das 645 cidades do Estado e tem nas ruas 1.343 bandidos.

Essa documentação já embasou ao menos duas denúncias judiciais de promotores e norteiam a atuação da polícia contra o crime organizado.

Nas planilhas, não há nome de policiais. Só são citadas a cidade ou a delegacia em que eles atuam e a situação em que a extorsão ocorreu.

As informações também aparecem quando a organização lista os devedores do mês. Em um dos registros, de 2011, um dos criminosos, identificado como Tucano, aparece com uma dívida de R$ 615 mil. O motivo: perdeu o valor para a polícia. Essa é a expressão usada pelos criminosos para dinheiro gasto em extorsão.

R$ 10 MIL POR SEMANA

Em um dos documentos, de 9 de agosto, apreendido na Baixada Santista, os criminosos afirmam que policiais de Mauá (Grande São Paulo), que já recebiam cerca de R$ 10 mil por semana, foram para Santo André e, se passando por policiais do Denarc (narcóticos), pediram mais dinheiro para não impedir o tráfico no local.

Nesse arquivo, os bandidos também relatam que outros policiais, dessa vez da 4ª delegacia do Patrimônio do Deic, prenderam, em 8 de agosto, uma traficante e exigiram R$ 100 mil para liberá-la.

Em negociação com os advogados, o valor caiu para R$ 10 mil em dinheiro, mais a droga apreendida e o carro.

Pelo relatório, o acerto caminhava para não ser fechado porque os policiais queriam ainda manter o flagrante da mulher, embora com o registro de uma quantidade menor de droga. O documento, porém, não revela o desfecho do caso.

“Resumindo: os policiais ficaram com o carro, com as drogas, com dinheiro do acerto se nós pagássemos e a menina ficaria presa do mesmo jeito. Olha as ideias desses policiais. Estão é tirando e subestimando a nossa inteligência”, diz trecho.

Os papéis revelam ainda um caso, de junho de 2011, de um criminoso identificado como Maguegui que diz ter pago R$ 150 mil para ser libertado por policiais do Deic.

“Eles falaram ainda que nós estávamos no lucro porque estava na mão deles. Porque se fosse a Rota nos matariam”, diz trecho do relatório.

Um arquivo de agosto do ano passado diz que os bandidos precisam levantar informações junto a policiais que roubam com eles, “principalmente PM”.

Os promotores responsáveis pelo caso dizem que somente uma investigação aprofundada poderá concluir se houve, de fato, propina. Mas não descartam a possibilidade de algum criminoso ter inventado a propina nos relatórios para justificar desvio de dinheiro da própria facção criminosa.

Editoria de Arte/Folhapress


O MASSACRE DO CARANDIRU: A HISTÓRIA ESTAVA ESCRITA NAS PAREDES…( Aguardem o próximo texto do Dr. Negrini sobre o laudo; exclusivamente para os leitores do Flit ) 32

O MASSACRE DO CARANDIRU: A HISTÓRIA ESTAVA ESCRITA NAS PAREDES

2 de outubro de 1992: pode parecer incrível, mas o maior crime, em número de mortos, já cometido no Estado de São Paulo continua, 20 anos depois, insolúvel. Sabe-se o que aconteceu com detalhes, pelos laudos periciais que foram feitos pelo IC e IML, mas ainda não se sabe quem foram seus autores. Ora, dirão, foi a PM. Mas a PM é uma instituição do Estado, logo, foi o Estado o autor do Massacre da Detenção? A verdade é que não houve, até agora, a individualização de autoria.

Relatos de muitos presos sobreviventes apontando autores foram desconsiderados. Mas os presos, no caso, eram vítimas do Estado e testemunhas presenciais dos fatos. Nem a CPI da Assembleia Legislativa, na época, conseguiu avançar neste aspecto, não obstante a combatividade de vários deputados – da situação e da oposição – que se interessaram pela verdade.

Mas não é só: também não foram realizados exames balísticos comparativos – prova que poderia identificar pelo menos algumas armas utilizadas -, sob a justificativa de que “demandariam décadas de trabalho”. Pergunta-se: se tivessem começado naquela época os exames, quantos autores já teriam sido descobertos? Pelas contas feitas acima, é bem possível que pelo menos uma boa parte dos autores já estaria identificada. E certamente teriam muito que contar. Não fica claro porque não se deu início aos exames na época. Hoje, é quase certo que tal perícia esteja tecnicamente inviabilizada em decorrência da deterioração das armas, projéteis e estojos (cápsulas, na linguagem popular). Aliás, estojos eram poucos, certamente houve uma “varredura fina” após o evento para recolhê-los. Ainda que o material restante tenha sido armazenado com todas as cautelas, a ação natural do tempo sobre os metais provavelmente os tornou inservíveis para a perícia.

Mais um detalhe: espalhou-se aos quatro cantos, na época – e até hoje muitos ainda acreditam – que os presos do Pavilhão Nove eram perigosíssimos: assassinos frios, estupradores, matadores de policiais, de criancinhas, canibais, traficantes assassinos, etc. Esta versão ganhou as ruas, grande parte da população a adotou e alçaram os policiais a heróis. A verdade é bom outra: no Pavilhão Nove, na época, só entravam presos de primeira condenação – ou seja, primários -, por qualquer crime: furto simples, roubo, tráfico, estelionato, tentativa de homicídio, pensão alimentícia, homicídio e outros – que não tinham direito a prisão especial. Naquele tempo era difícil para um condenado comum, sem posses, conseguir Habeas Corpus – aí está uma das razões dos presos passarem a se associar em grandes grupos organizados (na época, “Serpentes Negras”, embrião do “PCC”).  Tudo indica que esta organização criminosa teve início neste episódio do massacre.

A perícia comprovou que nas paredes de várias celas existiam vestígios de tiros a partir da soleira da porta, rajadas de metralhadora dirigidas para o chão, como se apontassem para presos ajoelhados ou acuados. Era a história que estava escrita nas paredes. Era a história sendo contada pelos vestígios. Outro fato que impressiona é que, vendo a morte de perto, os presos tentaram se defender desesperadamente, seja ocultando-se em celas distantes ou se escondendo debaixo de cadáveres dos executados. Este foi o relato de vários sobreviventes.

Homicídios cometidos contra os presos desarmados, confinados nos cubículos de suas celas, metralhados por policiais, agora são só uma triste lembrança de um episódio que apesar de extremamente lamentável, mudou a PM para melhor. Hoje, se alguns combatem os métodos de atuação da Polícia Militar, nem imaginam como era na época. Somente o Instituto de Criminalística atendia cerca de 220 casos de perícias de mortes em confrontos entre a PM e suspeitos somente na Capital por mês, casos denominados como “resistência seguida de morte”. Depois do laudo da Detenção, este número caiu em dois meses para menos de 30, e até hoje se mantém em patamares que, se não são ideais, pelo menos são bem mais razoáveis. Basta estudar as estatísticas para se comprovar isso. Ao menos para este propósito serviram as investigações.

Por outro lado, não se pode comparar a ação no Pavilhão Nove da Casa de Detenção, contra presos desarmados e sob a guarda do Estado, com os confrontos de rua, contra bandidos armados e dispostos a matar ou morrer. Hoje a PM é uma instituição digna de reconhecimento pela população e está em constante evolução para acolher a filosofia moderna dos direitos humanos.

O que se pode lembrar, passados 20 anos, é que graças a alguns parlamentares que lutaram decisivamente contra a tentativa de “pizza” – e graças também (e principalmente) ao próprio Secretário recém-empossado na época, Michel Temer – houve esforços decisivos para que pelo menos a história do Massacre fosse desvendada e descrita com toda a transparência, inclusive com a exibição de fotos chocantes, como a pilha de mortos no Pavilhão Nove. Pessoalmente, considero que o apoio do Secretário – e, por extensão, do Governador Fleury – na ocasião foi determinante para que o laudo pericial do local repercutisse em toda a imprensa; caso contrário, terminaria em alguma gaveta como vários outros documentos sobre o fato.

Muitos relatos e livros apareceram contando as mais variadas histórias sobre o Massacre. Mas só quem esteve lá dentro e viu as pilhas de cadáveres no saguão do Primeiro Pavimento e a cachoeira de sangue nas escadas, pode entender o terror que representa uma cena como essas, que desperta sentimentos que nem o mais perfeito escritor ou diretor de cinema é capaz de transmitir. Muitos policiais militares, que não participaram do massacre, lamentaram profundamente o incidente e inclusive auxiliaram a perícia, fornecendo fontes de iluminação, luvas e máscaras.

Difícil de entender é que os supostos autores do massacre não foram ainda julgados, o que só deverá acontecer no início de 2013, mais de vinte anos passados. E o único que foi a júri, o Cel. Ubiratã, na verdade não chegou a participar diretamente, pois foi socorrido logo no início da invasão do Pavilhão Nove, por ter sido ferido pela explosão de um aparelho de TV ainda no pavimento térreo. Ele foi condenado pelo júri e sentenciado a mais de 600 anos de cadeia, mas teve sua pena anulada pela Justiça, mesmo depois da brilhante atuação da acusação do Ministério Público em plenário e de todas as provas apresentadas. Ele respondeu pelo fato de que estava no comando da tropa e, portanto, teria pleno conhecimento da ação e de seu planejamento.

Osvaldo Negrini Neto

 Perito Criminal aposentado, autor do laudo do Massacre da Detenção.

Osvaldo Negrini Neto: “Nunca vi algo tão desumano”, conta perito ao lembrar Massacre do Carandiru 29

01/10/201211h42

“Nunca vi algo tão desumano”, conta perito ao lembrar Massacre do Carandiru

Elaine Patricia Cruz
Da Agência Brasil, em São Paulo Sergio Andrade/Folhapress

Naquele 2 de outubro de 1992, uma sexta-feira, quando foi chamado para fazer a perícia no Pavilhão 9, na Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru, o perito Osvaldo Negrini Neto achou que se tratava de um evento de resistência seguida de morte, ou seja, que os detentos haviam morrido em decorrência de confronto com a Polícia Militar, mas logo mudou de ideia.

“Depois percebi que foi um massacre seguido de muitas mortes”, disse o ex-perito, em entrevista à “Agência Brasil”. Na época, contou, era perito de uma seção especial do Instituto de Criminalística de São Paulo que analisava exatamente os casos de resistência seguida de morte. Após o episódio, chegou a sofrer ameaças.

Vinte anos do massacre do Carandiru

O que o levou a classificar o episódio como um massacre estava, segundo ele, “escrito nas paredes” do Pavilhão 9. “Todas as celas que eu examinei tinham muito poucos tiros nos corredores. No corredor, eu contava dois ou três buracos de balas. Mais de 90% dos tiros estavam dentro das celas. E sempre da porta para o fundo, ou seja, impossível que tenha sido algum tiro dado pelos presos em direção aos policiais militares. E, realmente, não tinha nenhum policial ferido por balas.”

Negrini Neto foi o autor do principal laudo sobre a morte dos presos no Carandiru. Aposentado desde 2010, ele conversou com a Agência Brasil por telefone.

“Colhi material das paredes e vi que, em muitos casos, não era bala de revólver, mas de metralhadora. Os tiros seguiam uma sequência quase na mesma linha. Uma pistola e um revólver não fazem isso. Colhi material daquilo para saber se tinha cobre presente no buraco, porque o cobre caracteriza que a bala é encamisada, ou enjaquetada [revestida com metal, a exemplo de cobre, para aumentar a penetração no alvo], como a de metralhadora.”

O perito descreve a situação de um dos andares mais atingidos: “No terceiro, a coisa estava bárbara. Na primeira cela em que entrei, tinha mais de 20 buracos de bala. Na outra, 15, na outra, dez. Fui contando e havia mais de 450 buracos de bala na parede. Em alguns, tinha [marca] no chão como se tivesse matado gente que estivesse sentada ou ajoelhada”, descreveu.

Negrini Neto só conseguiu entrar na Casa de Detenção por volta das 21h30 daquele dia. “Tive que entrar escondido, junto com meu fotógrafo, na viatura do delegado, abaixados no banco de trás, porque a Polícia Militar tinha dado ordem de que não queria perícia lá dentro”, relatou.

Quando finalmente chegaram ao Pavilhão 9, o prédio encontrava-se interditado. “Tinha havido um incêndio no térreo”, contou. Ele pediu então ao oficial que estava tomando conta do local para poder entrar no pavilhão e fazer as fotos e um relato sobre o que ocorreu. “Depois de muito relutar, ele permitiu que entrássemos no pátio ou térreo. Ali tinha barbearia, lavanderia, cozinha, dependências de convivência entre os presos e a parte de administração do Pavilhão 9, onde estavam todos os arquivos dos presos dali”. Como houve o incêndio, a energia elétrica foi cortada e o trabalho precisou ser feito todo com lanternas, até que a polícia fornecesse alguns holofotes.

No local, os policiais lhe contaram que uma TV explodiu perto de onde se encontrava o então comandante da Polícia Militar, o coronel Ubiratan Guimarães, que precisou deixar o local para ser atendido.

“Fiz [registro de] toda essa parte de baixo, analisei o incêndio, e vi, pela escada do canto que subia para o primeiro pavimento, uma gosma escura descendo que parecia óleo queimado. Uma cachoeirinha. Achei meio intrigante aquele fenômeno ali e fui mais perto para olhar. Como já tinha bastante experiência nisso, vi que era sangue misturado com uma série de outras sujidades”, contou.

Com a ajuda dos holofotes, ele subiu então para o primeiro pavimento. “Quando cheguei à borda do primeiro pavimento, vi uma cena dantesca, algo que nunca tinha visto na minha vida. Um monte de cadáveres empilhados, um por cima do outro, todos completamente destroçados, com buracos de balas aos montes”, disse.

Foi então que ele começou a contar os cadáveres que estavam empilhados. “Só havia um espaço para pisar no Pavilhão 9, entre a parede e a primeira pilha de cadáveres, e que não chegava a 40 centímetros. Fomos indo por aquela borda, até onde os holofotes conseguiram chegar, e eu pude contar 90 cadáveres. Contei errado naquele dia. Na realidade, eram 89”, falou.

Depois disso, teve início o trabalho de retirada dos corpos. “Para isso, eles precisaram encostar quatro ou cinco caminhões-baú do presídio e os próprios presos foram obrigados a pegar os cadáveres, um por um, no primeiro pavimento, e trazer, de dois em dois, para botar no caminhão. Aí, vi que todos os presos estavam completamente nus”, descreveu.

Segundo o ex-perito, os sobreviventes do Pavilhão 9, que eram mais de 1,8 mil na época, estavam todos sentados no pátio, nus, ajoelhados, cercados por policiais. “Nunca vi algo tão desumano na minha vida”, disse o perito. Os corpos precisaram ser levados para vários institutos médico-legais de São Paulo e da região metropolitana.

No sábado, começaram os telefonemas à sua casa, com ameaças. “Na época, felizmente não tinha celular. Eles diziam: ‘Olha, vê lá o que você vai escrever’. Foram [telefonemas] de colegas, delegados, mas ninguém sabia ainda exatamente o que tinha acontecido na Casa de Detenção, sabiam que tinha morrido muita gente, mas ninguém sabia quantos tinham morrido”, lembrou. As ameaças, segundo ele, terminaram quando o laudo foi finalmente divulgado, nos primeiros dias de novembro daquele mesmo ano.

“No domingo [logo após o massacre], seria dia de eleição [municipal] e havia uma necessidade enorme de não se divulgar nada, pelo menos até lá. E, de fato, só foi divulgado que o número de mortos era maior que 90 no final da tarde, quando se fecharam as eleições”, disse ele.

Arquivos de facção criminosa chegam a ‘chefes’ na prisão por pen drive 14

01/10/2012-05h00

ROGÉRIO PAGNAN AFONSO BENITES DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DO “AGORA”

Editoria de arte/Folhapress

PEN DRIVE

Os arquivos apreendidos eram destinados aos chefes da organização como uma forma de prestar contas. Os documentos são salvos em pen drives ou chips de celular e entregues semanalmente por motoboys nas principais prisões do Estado, onde entram clandestinamente.

“Referente às planilhas, toda semana devem mandar para o 4º, 6º PV [pavilhões da penitenciária Presidente Venceslau], as listas de empréstimos e a lista de dívidas gerais”, afirma trecho do relatório assinado por um “diretor” que se identifica como Judeu, o responsável pela área financeira.

Nos arquivos constam ainda informações sobre parte do patrimônio do grupo: 13 imóveis, 88 fuzis, 63 pistolas, 11 revólveres, oito dinamites, 67 carros (sendo três blindados), sete motos e um caminhão. Nessa relação não estão os bens dos bandidos, como armas e carros pessoais.

O armamento que está nas planilhas fica sob a responsabilidade de alguns integrantes. Por exemplo, quando é necessário cometer um roubo, um criminoso pega um fuzil emprestado para o crime e depois o devolve. Se perder a arma, contrai uma dívida com a facção no valor do equipamento perdido.

Em março do ano passado, um criminoso identificado como XT foi preso pela Rota sob suspeita de planejar a morte de um policial. Dias depois, na casa dele a polícia apreendeu um fuzil. Como a arma era do PCC, consta em uma das planilhas que ele contraiu uma dívida de R$ 35 mil com a facção.

Editoria de arte/Folhapress

400 documentos a que a Folha teve acesso 7

Para disfarçar, maconha vira morango nos relatos da facção

DE SÃO PAULO

DO “AGORA”

Pera, figo e morango são frutas, certo?

Não para o PCC. Para tentar enganar as autoridades, os criminosos usam os nomes dessas frutas para denominar as drogas que vende em suas bocas de fumo.

Maconha vira morango, pedra (de crack) é pera e farinha (gíria para cocaína), figo.

A cebola é um falso nome para mensalidade. Tem essa denominação porque a pessoa “chora” para pagar.

Em parte dos 400 documentos a que a Folha teve acesso, estão ainda outros nomes que são usados como forma de disfarce.

Os bandidos chamam os advogados de gravatas, os veículos são os pés de borracha, o dinheiro é arame, as armas são ferramentas, os recados repassados a outros comparsas são as pipas, as informações enviadas a toda a facção ou a grupos específicos são os salves, os imóveis do bando chamam-se tijolos.

As funções ocupadas por membros do grupo criminoso também têm apelidos. O vapor é quem vende a droga. O campana é o olheiro da boca-de-fumo. O toca é aquele que esconde a droga em sua casa. Além disso, tem o sintonia (uma espécie de chefe e contato de determinado setor da facção) e os torres (os que mandam em presídios ou em alas de penitenciárias).

(RP, AB E JJ)

Saiba mais

Documentos já apontaram ações em outros países

DE SÃO PAULO

Desde a década passada policiais têm apreendido documentos contábeis do PCC. Até o momento, contudo, nenhum dos arquivos retidos continha detalhes como os dos obtidos pela Folha.

Com base em documentações anteriores, policiais concluíram que a facção criminosa estabelece contatos com traficantes no Paraguai e na Bolívia e já fez parcerias com o grupo criminoso Comando Vermelho, do Rio.

Esses documentos mostraram também a compra de fuzis e que a facção usa contas bancárias de “laranjas” para movimentar dinheiro.

O PCC foi criado em 31 de agosto 1993 por oito criminosos que estavam presos na Casa de Custódia de Taubaté (a 130 km de São Paulo). Entre 1998 e 2001, algumas das lideranças foram transferidas para presídios do Paraná, do Mato Grosso do Sul, do Distrito Federal e do Rio de Janeiro.

Em maio de 2006, depois do isolamento de 755 presos da facção da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, o PCC fez uma megarrebelião, atingindo 74 dos 144 presídios de São Paulo, e atacando forças de segurança. Na ocasião, 47 assassinatos foram atribuídos ao grupo criminoso.

PCC é lenda urbana, diz Antonio F.P. – ( Os arquivos foram fornecidos ao MARIO CESAR CARVALHO, né?) 34

Arquivos chegam à prisão por pen drive

Documentos obtidos pela Folha eram destinados aos chefes da organização como forma de prestação de contas

Grupo, que se instalou até em cidades com menos de 5.000 habitantes, arrecada por mês cerca de R$ 6 mi

Victor Moriyama/Folhapress
Base móvel da PM na rua Helvétia, no centro; patrulha foi reforçada por causa dos recentes ataques contra policiais
Base móvel da PM na rua Helvétia, no centro; patrulha foi reforçada por causa dos recentes ataques contra policiais

ROGÉRIO PAGNAN AFONSO BENITES DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DO “AGORA”

Cerca de 400 documentos apreendidos em operações policiais obtidos pela Folha revelam que a organização criminosa PCC possui ramificações em 123 das 645 cidades do Estado e tem nas ruas um total de 1.343 bandidos.

Esse número equivale ao contingente de dois batalhões da Polícia Militar e é quase o dobro do número de homens da Rota -considerada a tropa de elite da polícia paulista.

A facção, que está espalhada por todas as regiões do Estado, é hoje a principal suspeita de cometer uma série de ataques contra as forças policiais do Estado. Até ontem, desde o começo do ano, 73 PMs foram assassinados.

Conforme a vasta documentação que está em um banco de dados do Ministério Público, cada um dos 1.343 criminosos é obrigado a pagar à organização uma mensalidade de R$ 600, o que dá uma renda mínima de R$ 805 mil para o PCC.

Em troca da mensalidade, o criminoso obtém benefícios no caso de ser preso (advogado, ajuda financeira para a família) e o direito de se identificar entre criminosos como integrante do PCC.

A organização conta ainda com o lucro obtido com a venda de drogas, cigarros contrabandeados para os presídios e assaltos. Segundo é possível aferir nos documentos, o PCC arrecada por mês cerca de R$ 6 milhões.

Os arquivos, elaborados pelos próprios bandidos, foram apreendidos em três grandes operações policiais, já embasaram o Ministério Público em duas denúncias judiciais e norteiam a polícia na desarticulação da facção.

Nas acusações formais, promotores de Santos pediram a prisão de 16 suspeitos de tráfico de drogas e de formação de quadrilha.

Essa documentação mostra que os criminosos se instalaram até em cidades pequenas, como Rifaina (na região de Ribeirão Preto), que tem 3.400 habitantes.

A capital paulista é o principal reduto do grupo, com 689 integrantes. As regiões de Campinas, com 230 membros, e de Santos, com 136, são outras em que o PCC tem um grande contingente.

Os arquivos revelam ainda o controle empresarial da facção, que cobra metas até na venda de drogas. Há dezenas de funcionários que embalam os entorpecentes, e uma série de “diretores” que são responsáveis por gerenciar a contratação dos advogados, a comercialização de rifas e a venda dos produtos ilícitos.

PEN DRIVE

Os arquivos apreendidos eram destinados aos chefes da organização como uma forma de prestar contas. Os documentos são salvos em pen drives ou chips de celular e entregues semanalmente por motoboys nas principais prisões do Estado, onde entram clandestinamente.

“Referente às planilhas, toda semana devem mandar para o 4º, 6º PV [pavilhões da penitenciária Presidente Venceslau], as listas de empréstimos e a lista de dívidas gerais”, afirma trecho do relatório assinado por um “diretor” que se identifica como Judeu, o responsável pela área financeira.

Nos arquivos constam ainda informações sobre parte do patrimônio do grupo: 13 imóveis, 88 fuzis, 63 pistolas, 11 revólveres, oito dinamites, 67 carros (sendo três blindados), sete motos e um caminhão. Nessa relação não estão os bens dos bandidos, como armas e carros pessoais.

O armamento que está nas planilhas fica sob a responsabilidade de alguns integrantes. Por exemplo, quando é necessário cometer um roubo, um criminoso pega um fuzil emprestado para o crime e depois o devolve. Se perder a arma, contrai uma dívida com a facção no valor do equipamento perdido.

Em março do ano passado, um criminoso identificado como XT foi preso pela Rota sob suspeita de planejar a morte de um policial. Dias depois, na casa dele a polícia apreendeu um fuzil. Como a arma era do PCC, consta em uma das planilhas que ele contraiu uma dívida de R$ 35 mil com a facção.

NECESSIDADE

Para o procurador Márcio Sérgio Christino (especialista em crime organizado), embora haja o risco de apreensão por parte da polícia, o registro e controle de informações por parte dos criminosos do PCC é uma necessidade até para a subsistência da facção criminosa.

“Não é questão de vaidade ou outra coisa. Eles precisam disso para manter o controle. O líder que está preso hoje busca o controle total do que acontece do lado de fora. Para isso, ele precisa necessariamente de uma forma de comunicação. Quanto maior a organização, maior a necessidade de informação. A comunicação é uma necessidade e, ao mesmo tempo, o ponto fraco das organizações criminosas”, disse Christino.

Bando lamenta prejuízos por ações da polícia

DE SÃO PAULO DO “AGORA”

Os arquivos da facção criminosa PCC revelam que os criminosos têm relatado dificuldades financeiras por conta das ações das polícias Civil e Militar.

“É fato que vivemos momentos de esforço da parte do governo, que usa tudo o que pode para nos atrasar”, diz trecho do documento obtido pela Folha, de outubro passado.

Nas duas mais exitosas operações, os policiais apreenderam mais de uma tonelada de droga e prenderam um traficante que é considerado pelo secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, um dos maiores de São Paulo.

Em março, a delegacia de narcóticos apreendeu 1.200 kg de cocaína em um sítio em Jarinu (na região de Campinas) e em mais seis casas em São Paulo.

Conforme o delegado Newton Fugita, que atuou na ação, a perda é estimada em R$ 25 milhões.

No último dia 10, foi preso Cláudio Marcos de Almeida, 41, o Django. Ele controlava 50% do volume de cocaína traficado pela facção, estima a polícia.

Segundo o secretário Ferreira Pinto, o suspeito ofereceu R$ 1 milhão aos policiais para escapar da detenção, o que foi recusado.

EXAGERO DA MÍDIA

Ao ser questionado sobre a atuação do PCC, Ferreira Pinto é categórico: “a influência do PCC é exagerada pela mídia”. “Não é questão de minimizar o PCC. O que eles têm são 30, 40 pessoas que controlam o tráfico em larga escala.”

É por essa razão, segundo ele, que a facção criminosa elegeu como alvo prioritário a Rota. Para Ferreira Pinto, as prisões de traficantes feitas pela tropa da PM minam as finanças do PCC. Vem daí as mortes de policiais aparentemente ordenadas pela facção.

A prova de que as prisões passam por um “momento tranquilo”, segundo ele, é que a polícia não entra numa prisão para conter rebeliões há cinco anos.

A pergunta é se essa tranquilidade não seria um sintoma de que está tudo controlado pelo PCC, e que não há interesse em confrontos, que atrapalham os negócios. Ferreira Pinto inclui essa hipótese na categoria das lendas.

(RP, AB, JJ E MARIO CESAR CARVALHO)

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Os arquivos foram fornecidos ao MARIO CESAR CARVALHO, né?

João Alkimin: Quem paga a fatura? 20

Quem paga a fatura?

Há 20 anos ocorria o massacre da casa de detenção e o então Governador Fleury, diga-se de passagem, também ex-PM e Promotor Público,  desde aquela época afirmava a mesma coisa: “não autorizei a invasão”.
Me lembra muito o Governador Geraldo e seu Secretário ferreira Pinto, que também não sabem de nada.
Agora, o ex Governador Fleury, talvez evoluindo com o passar dos tempos, copia o mote do Governador Geraldinho “quem não reagiu está vivo”.
Ora, quantos teriam reagido na casa de detenção ao poder de fogo da PM? Que a época invadiu a detenção com unidade do GATE sob o comando do então Capitão Wanderlei Mascarenhas de Souza, com o GOE sob o comando do Capitão Arivaldo Sérgio Salgado e com a ROTA propriamente dita sob o comando do Capitão Valter Alves Mendonça, no primeiro andar com o Capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos e com a presença do então Tenente Coronel Luis Nakaharada.
Diz em entrevista o ex Governador Fleury que dois Juizes e direito estavam presentes como se isso servisse para validar qualquer coisa. Foi provado que a presença de Magistrados não inibiu a conduta enlouquecida da tropa, bem como demonstrado desde aquela época que o fato do Secretário de Segurança ser Promotor  de Justiça não quer dizer que não se cometam arbitrariedades e, estão ai para dizer o caso Gradi, Castelinho e outros.
As afirmativas do ex -Governador e Procurador de Justiça aposentado Fleury, não me causam estranheza, tendo em vista que politicamente sua origem é a mesma de Mário Covas, de Geraldo Alckimin e tantos outros, o PMDB.
Portanto, são todos farinha do mesmo saco.
E quem paga essa fatura? Certamente a tropa, pois os Oficiais provavelmente estavam e estão bem protegidos, alguns inclusive, prestando serviços a Prefeitura de Mogi das Cruzes.
E os soldados?
Esses pagarão certamente, pelo menos uma parte  da fatura.
Necessário também se faz, acabar com essa história de que algumas unidades são Tropa de Elite. Especificamente, com referência a ROTA, na Polícia Militar. Tropa de Elite são aqueles que atendem qualquer ocorrência, de briga de bêbado a sequestro com reféns, pois esses, os patrulheiros, os integrantes da força tática, não escolhem ocorrências de maior visibilidade como a ROTA, porque a mesma escolhe as ocorrências que quer atender.
Tropa de Elite são aqueles Policiais Civis que estão nos plantões, pois também não escolhem ocorrências, encarando o que vier pela frente.
Parece-me que a Administração usa hoje uma nova maneira de massacrar seus policiais, nesse caso especificamente os civis, enchendo-os de PADs , em que a vitima mais visível é o Delegado Conde Guerra, tentando com isso obstar seu retorno as fileiras, tática essa que reputo idiota, pois uma parte da justiça pode ser cega mas nossos Tribunais Superiores enxergam bem e longe.
O exemplo mais claro de como age a Administração é o caso do Jornalista Fábio Pannuzio, que se viu obrigado a encerrar seu blog por não aguentar  mais pagar honorários advocatícios, segundo suas próprias palavras. Entendo e respeito, mas não concordo, pois nesse caso deveria então aconselhar imediatamente o Delegado Conde Guerra a retirar o Flit Paralisante do ar, mas não o farei, por vários motivos, dentre os quais o mais importante, tenho certeza que ele não iria fugir da raia.
Causa-me espanto também a autofagia do PSDB que ataca um dos seus, pois não podemos nos  esquecer que o jornalista Pannuzio sempre defendeu esse partido, demonstrando assim, que o PSDB não aceita críticas, quer somente que sejam tecidos loas a sua Administração, quando criticado o criador se vira contra a criatura e imediatamente a ataca e esta se não recuar será devorada. Não tenho a menor duvida que se o jornalista Panuzzio não houvesse recuado, certamente o próximo passo seria pressionar a Rede Bandeirantes de onde ele tira seu sustento a demiti-lo. Digo isso porque sou testemunha viva do que tentaram fazer com o jornalista Carlos Brickman quando o mesmo criticava um outro Secretário de Segurança, que moveu dezenas de processos contra o mesmo. Tempos bicudos esses que vivemos…
Quero deixar claro que a responsabilidade por esse artigo, pelos anteriores e pelos posteriores é minha. Pois meus textos não são analisados, censurados ou sequer revisados pelo Flit Paralisante ou pelo Vejo São José.
João Alkimin

Crise gravíssima na segurança pública de São Paulo. 49

Apagão geral na segurança pública em São Paulo

Publicado em 29-Set-2012

Sem comando e com licença para matar. De um lado essa é a atuação da PM nas ruas de São Paulo. De outro, os próprios policiais são vítimas dos criminosos, sem condições de investigar e de desarticular o crime organizado que a tudo comanda de dentro dos presídios.

Não há outro diagnóstico possível. Esta é a situação da Polícia Militar em São Paulo. Licença para matar, aliás, dada pelo governador tucano Geraldo Alckmin em suas declarações irresponsáveis e desastradas a cada ocorrência de violação dos direitos humanos cometidas por sua polícia.

É o pior dos mundos, um verdadeiro apagão geral na segurança pública no Estado. Mas, uma coisa vocês, que acompanham o blog, hão de convir: não é por falta de tratar do tema, de criticar. Ano após ano nós criticamos. E a situação só piora.

Leiam as palavras dessa moradora do Jardim Macedônia: “Eu coloquei as mãos para cima, assustada, com medo de ser baleada também (…). Eu não acreditei na cena que vi: as meninas baleadas, o policial com arma em punho pra mim como se eu fosse uma bandida”, contou a mãe de uma das meninas atingidas por estilhaços (segundo a PM) quando os policiais atiravam contra motoqueiros suspeitos no bairro Jardim Macedônia, na capital paulista.

“Cala a boca filha. Isso aí foi só um tirinho de raspão”

Uma das meninas foi atingida no nariz e a outra alvejada [segundo a nota d PM por estilhaços] no olho. E não bastasse isso, ambas foram levadas sozinhas, sem a presença de um adulto – repito, elas têm 11 e 14 anos –, pelos policiais ao hospital. Vejam o que a menor delas contou à imprensa: “Dentro da viatura eu falava: cadê a minha mãe? Eu quero a minha mãe? Por que vocês machucaram a gente? O moço (PM) falou assim: cala a boca filha, isso aí foi só um tirinho de raspão”.

E há ainda o caso dos PMs assassinados durante suas folgas. Agora foram mais três policiais mortos. O primeiro da ROTA, atingido por tiro de fuzil quando saía de casa, na quinta (27.9). Na sexta (ontem, 28) mais dois PMs. A contabilidade macabra está nos jornais: 73 PMs mortos este ano, 56 em horário de folga.

Agora vocês imaginem o clima no enterro deste policial da ROTA, também morto quando saía de casa. Estava de folga, como os dois outros mortos também nestes dias.

Governador, talvez não adiante abordar milhares de pessoas…

Vocês querem indicadores mais claros de que o crime está comandando as ações da segurança pública do Estado, de dentro dos presídios? Querem maior atestado de falência da política (será que merece este nome?) de segurança pública instalada no Palácio dos Bandeirantes?

O governador Geraldo Alckmin tem que parar e pensar. Tem que rever a situação, convocar a inteligência, colocar para estudar o problema da segurança pública. Não pode mais continuar com essa política que deixa, de um lado os criminosos à vontade para dominarem a situação, de outro a polícia agindo sem direção, sem condições de enfrentar os criminosos. A polícia tem que proteger efetivamente a população, em vez de se comportar como verdadeira ameaça à população.

Não dá para saber se a ação está ou não relacionada com este problema das mortes dos PMs, mas entre a tarde e a noite da mesma quinta em que morreram mais dois PMs, a polícia militar realizou uma mega-operação e deteve 252 pessoas em todo o Estado. Abordaram 64.291 pessoas. Daqui a pouco abordarão todos os habitantes do Estado. E aí? É essa a inteligência da nossa polícia?

A que ponto chegamos…

No caso das meninas do Jardim Macedônia, não bastasse tudo o que fizeram, o absurdo dessas meninas estarem sozinhas, ainda um “Cala a boca, filha?” Onde estamos? Onde está o governador? Em nota oficial, após os PMs terem coragem de dizer que as meninas haviam sido acidentalmente atingidas por balas de borracha, a PM afirmou ter instaurado inquérito para apurar os fatos.

“Por motivos a esclarecer, um dos policiais efetuou disparos contra os ocupantes da moto e os estilhaços atingiram as duas crianças que estavam do outro lado da rua”, diz a nota.  A que ponto chegamos? Essa é a segurança pública do dr. Geraldo Alckmin. Esta é a PM tucana.

A situação traduz muito bem a insegurança da população frente a uma polícia que necessita urgentemente de comando, de um plano de ação articulado, e de melhor preparo. Coisas que fazem parte de qualquer política de segurança pública decente, mas que definitivamente não existe em São Paulo, por tudo o que temos visto (e comentado) aqui no blog.

Há uma crise gravíssima na segurança pública de São Paulo. Uma crise, aliás, que a mídia esconde ou trata como se fosse mais um caso isolado. Não é. A violação dos direitos humanos em São Paulo é sem precedentes. E é um dos lados da moeda. A falta de efetividade das ações policiais para conter os criminosos é o outro lado. Eles se complementam e mostram uma polícia desorientada, agindo a esmo e amedrontando as pessoas. Mas não os criminosos.

Cadê a imprensa, sempre tão crítica às políticas do PT? O que está precisando acontecer mais para que ela afinal se dê conta de que algo não anda bem?

Estamos à mercê de um verdadeiro bang bang, cercados de cenas que lembram os filmes do velho oeste estadunidense. Onde estamos?

ZÉ DIRCEU

VELOMÍCIO TUCANO: Morte de Hebe é motivo para exploração eleiçoeira 24

———- Mensagem encaminhada ———-
De: Governo SP – Sala de Imprensa<imprensa@comunicacao.sp.gov.br>
Data: 29 de setembro de 2012 17:36
Assunto: VALE ESTE – Hebe será velada no Palácio dos Bandeirantes
Para: dipol@flitparalisante.com

Caso não consiga visualizar, clique aqui
Sábado, 29 de Setembro de 2012

Hebe será velada no Palácio dos Bandeirantes

O velório da apresentadora Hebe Camargo será realizado a partir das 18h deste sábado, 29 de setembro, no hall nobre do Palácio dos Bandeirantes. O velório será aberto para a população a partir das 20h.

 

A apresentadora morreu na manhã deste sábado em São Paulo. O enterro será no Cemitério Gethsemani a partir das 9h30 deste domingo, 30 de setembro.

Evento: Velório da apresentadora Hebe Camargo
Data: Sábado, 29 de setembro de 2012
Horário: 18h00
Local: Hall nobre do Palácio dos Bandeirantes. Av. Morumbi, 4.500 – São Paulo/SP
Assessoria de Imprensa

(11) 2193-8520

www.saopaulo.sp.gov.br

Governo do Estado de São Paulo

Serra faz discurso dedicado à “amiga” Hebe 15

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, evitou atacar seus adversários durante comício na noite deste sábado (29) no largo Treze de Maio, em Santo Amaro, na zona sul da capital.

O tucano iniciou seu discurso pedindo um minuto de silêncio à “amiga” Hebe. A apresentadora morreu aos 83 anos na madrugada deste sábado após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, no Morumbi, na zona sul.

“A Hebe nos deixou hoje e quero dizer a vocês que eu perdi uma amiga que me apoiou em todas as eleições, desde 1986. Às vezes apenas pessoalmente, às vezes publicamente. Fiquei muito triste, mas fico contente de poder compartilhar esta homenagem com vocês do largo Treze”, disse Serra.

Abaixo-assinado “VAMOS REAGIR SÃO PAULO” – Ajudar a proteger a quem protege você 24 horas por dia 365 dias por ano – 43

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=REAJA

Acabei de ler e assinar este abaixo-assinado online:

« “VAMOS REAGIR  SÃO PAULO” – Ajudar a proteger a quem protege você 24 horas por dia 365 dias por ano – »

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=REAJA

Eu concordo com este abaixo-assinado e acho que também concordaras.

Assina o abaixo-assinado aqui http://www.peticaopublica.com.br/?pi=REAJA e divulga-o por teus contatos.

Obrigado.