PCC mandou assassinar um delegado e quatro investigadores 38

Enviado em 18/10/2012 as 5:35 – Policial

PCC mandou assassinar oito policiais em Taubaté

Uma denúncia encaminhada à Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo comprova ameaças contra a vida de oito policiais em Taubaté, cujas execuções teriam sido determinadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). O VALE teve acesso ao ofício nº 5651 da ouvidoria, protocolado em 20 de julho, encaminhado ao Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior) em 10 de setembro e repassado à Seccional de Taubaté em 11 de setembro. A denúncia indica que lideranças da facção criminosa teriam apontado como alvos preferenciais um delegado e quatro investigadores da Polícia Civil, além de três policiais militares do 5º BPMI (Batalhão da Polícia Militar do Interior), de Taubaté. A ordem teria partido de dentro da P-1 (Penitenciária Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra) de Tremembé, por meio de uma carta, e seria destinada ao líder do tráfico de drogas no bairro Água Quente, Luan Richard de Souza, 19 anos, preso em 23 de julho em uma operação da PM. Ele cumpre pena por homicídio e latrocínio (roubo seguido de morte), roubos e tráfico.

Ataque. Além de matar ‘um por um’, a facção ainda determinava ‘atear fogo em um ônibus na Avenida Amador Bueno da Veiga’, no dia 4 de julho — o que não aconteceu. Um dos policiais citados na carta disse que, no início, teve receio pelos familiares, mas que muitos criminosos aproveitam de denúncias anônimas e da imprensa para se fortalecerem no meio. “Luan dizia que mandava na área, que era xerife. O bandido cresce e se torna respeitado devido às divulgações sobre ele. Se não falar nada, ele continua sendo um nada. Já peguei muito peixe grande no Água Quente, Esplanada, Parque Aeroporto, entre outros, e vou continuar fazendo. A polícia está atrapalhando a facção.” Os policiais não descartam que ainda possa acontecer algo na região. “A baixada Santista está em guerra, em 2006 vivemos isso ainda pior. Tudo é possível, mas ainda sob controle”, disse o policial. A Secretaria de Segurança Pública confirmou o recebimento da denúncia e o encaminhamento do ofício à Polícia Civil, mas não detalhou as investigações sobre o caso. O comando da PM em Taubaté não comentou o assunto.

Delegado relembra ano de 2006 Taubaté

Segundo o presidente do Sindicato dos Delegados, George Melão, ameaças e ataques como os que estão acontecendo atualmente podem ser comparados aos taques do PCC, em 2006. “É semelhante, mas agora está acontecendo de maneira espaçada. A verdade é que os criminosos aproveitam de um período para levantar informações dos policiais e familiares, deixando-os cada vez mais vulneráveis”, disse. Melão afirma que o Estado não assume o poder da facção para não demonstrar que está fracassando e deixar a população em pânico. Até ontem, 84 policiais militares, 16 agentes e 4 policiais civis foram mortos. “Esses números deixam mais que claro o quanto as facções estão perseguindo os agentes da lei. Todos agentes estão correndo risco de vida e o Estado não está preparado”, afirmou.

João Alkimin: INCOERÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA 17

O Delegado Roberto Conde Guerra é demitido por repercutir uma notícia; o Delegado Frederico é demitido por prender um Juiz de Direito bêbado. O Delegado Pórrio é demitido – assim como os outros-  sem sequer ter sido julgado pelo Poder Judiciário. O Delegado Bibiano foi absolvido por inexistência de crime e até agora não conseguiu reingressar às fileiras.
Por outro lado delegados que foram ou estão sendo processados , inclusive por extorsão,  assumem cargos de relevância, os dois delegados que torturaram a escrivã continuam em seus cargos. Três Delegados de Polícia e um escrivão que estavam sendo processados no famigerado caso Porto Seguro, aquela seguradora que se especializou em dar golpes nos próprios segurados e agora foram condenados em 1ª Instância a penas altíssimas continuavam exercendo seus mister.
Não sei se são culpados, para mim são inocentes até trânsito em julgado, mas por outro lado a Administração deveria agir com um mínimo de coerência, mas me parece que tranquilidade na polícia civil somente aos amigos do rei. Aqueles que podem tomar vinho, fumar charutos ou ir passear na Argentina. Se não for assim é o mais puro terror.
São Policiais Civis e Militares ganhando salário de fome sem condições de trabalho e agora sendo exterminados por uma calhorda organização criminosa que parece já dominou o Estado de São Paulo por absoluta incompetência da chamada administração superior e do próprio Governador que teimam ridiculamente em reconhecer sua existência, como se todos fossemos idiotas ou crédulos.
Quando disse que as condições de trabalho são as piores possíveis refiro-me a massa policial e não aos cardeais da Polícia Civil ou os oficiais da Polícia Militar.
Hoje a Polícia Civil está completamente abandonada e quando o Policial tem um problema só encontra um ombro para chorar o de seu advogado, por que toda a sociedade que dele dependeu um dia lhe vira as costas, pois na maioria das vezes aqueles que se dizem seus amigos em realidade são amigos do cargo e não da pessoa.
Senhor Governador acorde enquanto é tempo, tenha piedade não dos Policiais Civis ou Militares mas de suas famílias,  pois caso Vossa Excelência não saiba Policiais tem família sim senhor, não são nascidos de geração espontânea e seus filhos e mulheres diferente dos filhos e da mulher de V. Ex.ª não tem escolta, portanto tem que se virar como podem e V.Ex.ª faz o que, continua com seu sorriso plastificado negando a existência do PCC e demitindo Policiais Civis de todas as carreiras aos borbotões. Portanto, é que entendo que sua administração é incoerente e a respeito do PCC mentirosa, pois mentem o Senhor e seu Secretário. Volto a dizer como se todos fossemos idiotas.

João Alkimin

João Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/

Outubro sangrento 20

17/10/2012 18:04

Opinião: Outubro sangrento

“A sociedade sofre com o desamparo e fica em meio ao fogo cruzado, nesta batalha entre a polícia e os criminosos”

*Alencar Santana Braga

Há meses a sociedade paulista é assombrada por notícia de assassinatos conduzidos pelos mesmos roteiros: agentes da Polícia Militar de São Paulo assassinados, na sequência morte de civis, ou vice e versa, sendo que entre os civis alvejados alguns são portadores de fichas criminais e outros são apenas moradores da periferia da capital e de municípios da Grande São Paulo. Mesmo diante da gravidade da questão, o governador Alckmin tem desdenhado da realidade sangrenta que atingiu a região da Grande São Paulo, declarando que há muita lenda sobre a facção criminosa. Seu secretário da Segurança Pública endossa a tentativa de minimizar a violência e diz que a imprensa exalta o crime organizado e glamoriza a facção. A sociedade sofre com o desamparo e fica em meio ao fogo cruzado, nesta batalha entre a polícia e os criminosos. Não há como fechar os olhos. Só neste final de semana foram 15 mortes na Baixada Santista. Logo nos primeiros dias da semana, nove pessoas foram assassinadas na região de Taboão da Serra e Embu das Artes, sendo que entre os mortos há um policial militar. O mesmo enredo foi constatado na cidade de Guarulhos, onde, entre o final da tarde de domingo (7/10) e a madrugada de segunda-feira (8/10), 13 pessoas foram baleadas e quatro mortas em menos de 24 horas. O que vemos é o acirramento da violência. Os agentes de segurança do maior Estado da federação estão apreensivos com a escalada de assassinatos. A PM contabiliza 78 agentes mortos. Desses casos, 33 com características de execução. Recentemente a imprensa publicou informações do relatório do Ministério Público do Estado de São Paulo que apontou o expressivo contingente da facção, sua presença em 123 municípios do Estado, dados sobre a sua contabilidade e o montante que administram mensalmente. Nesta ocasião, a dupla Alckmin e seu secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, entoou o “mantra” de que em São Paulo não há ação do crime organizado. Enquanto isso, o confronto aberto segue em escaladas assustadoras e não temos uma ação mais contundente do Estado no sentido de cessar fogo e dar à sociedade segurança. Para tanto, é necessária a articulação de força tarefa entre os setores de inteligência das polícias Civil e Militar e do Ministério Público estadual. Traçar ações conjugadas com o Judiciário, aumentar o efetivo policial, melhor equipá-lo, prepará-lo, respaldá-lo, mas manter o total controle da situação e do comando da tropa, pois há fortes indícios de confronto entre os agentes de segurança do Estado e criminosos, inspirados na revanche. Em meio ao fogo cruzado, lembre-se, governador Geraldo Alckmin, que há toda uma população a quem o Estado deve proteger.

*Alencar Santana é líder do PT na Assembleia Legislativa.

Dois delegados da Polícia Civil, um já aposentado e outro na ativa, são acusados de desaparecer com corretor de valores 20

17/10/12 – MPF-SP protocola nova denúncia contra Ustra por sequestro qualificado

            Dois delegados da Polícia Civil, um já aposentado e outro na ativa, também são acusados de sequestrar Edgar de Aquino Duarte, em 1971

O Ministério Público Federal denunciou nesta quarta-feira à Justiça Federal em São Paulo, pelo crime de sequestro qualificado, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do Destacamento de Operações Internas de São Paulo (Doi-Codi-SP) no período de 1970 à 1974. Essa é a segunda denúncia contra Ustra, desta vez acusado, ao lado do delegado aposentado Alcides Singillo e do delegado Carlos Alberto Augusto, ambos da Polícia Civil, de sequestrar o corretor de valores Edgar de Aquino Duarte, em junho de 1971. Caso processados e condenados, os denunciados poderão receber penas de 2 a 8 anos de prisão.
Na ação, o MPF afirma que Duarte ficou preso ilegalmente, primeiramente nas dependências do Destacamento de Operações Internas do II Exército (Doi-Codi) e depois no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP), até meados de 1973. “O paradeiro da vítima, após 1973, somente é conhecido pelos denunciados”, afirma a ação.
Edgar de Aquino Duarte nasceu em 1941, no interior de Pernambuco, e tornou-se fuzileiro naval e membro da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Em 1964, logo após o golpe militar, foi expulso das forças armadas, acusado de oposição ao regime ditatorial. Exilou-se no México, depois em Cuba e só voltou ao Brasil em 1968, quando passou a viver em São Paulo com o falso nome de Ivan Marques Lemos.
Vários depoimentos revelam que, nessa época, Duarte não tinha nenhum envolvimento com qualquer tipo de resistência ao regime militar. Primeiro montou uma imobiliária e depois passou a trabalhar como corretor da Bolsa de Valores, atividade que exerceu até ser sequestrado.
No final da década de 70, a vítima encontrou-se com um antigo colega da Marinha, José Anselmo dos Santos, o “Cabo Anselmo”, que havia acabado de retornar de Cuba. Os antigos companheiros acabaram dividindo um apartamento no centro de São Paulo, até que o Cabo Anselmo foi detido pelo delegado Carlos Alberto Augusto – que, na época, era investigador de polícia do Deops e integrante da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury.
Os registros demonstram que Duarte foi citado pelo menos cinco vezes no depoimento prestado pelo Cabo Anselmo ao DOPS. Nove dias depois, a vítima foi sequestrada pelo mesmo Carlos Alberto Augusto e mantido ilegalmente na prisão até 1973, quando desapareceu. Há suspeitas de que Duarte foi sequestrado apenas porque conhecia a verdadeira identidade do Cabo Anselmo, informante do regime.
A prisão ilegal de Duarte foi testemunhada por dezenas de dissidentes políticos que se encontravam presos nas dependências do Doi-Codi-II Exército e do Deops/SP no período, dentre as quais as sete testemunhas ouvidas pelo MPF e arroladas na denúncia, além do advogado Virgílio Egydio Lopes Enei.
Durante as investigações, os procuradores também encontraram documentos do II Exército que atestam que Edgard de Aquino Duarte foi preso, que ele não pertencia a nenhuma organização política e que de fato atuava como corretor de valores. Não tinha, portanto, como reconheceram os próprios órgãos de repressão, qualquer envolvimento com a resistência ao regime ditatorial.
O Doi-Codi foi um dos piores e mais violentos centros de repressão do regime. No período em que foi comandado por Ustra (entre 1970 a 1974), foi o destacamento que mais registrou casos de tortura, execução sumária e desaparecimento de dissidentes políticos. Segundo o relatório oficial “Direito à Memória e à Verdade”, dos 64 casos de sequestro e homicídio associados ao Doi-Codi paulista, nada menos que 47 foram cometidos durante o comando de Ustra.
Depoimentos de vários ex-presos políticos indicam que Ustra tinha pleno conhecimento e participava ativamente da coordenação das atividades de captura, encarceramento clandestino, tortura, morte e desaparecimento dos presos políticos.
Sequestro – A tese de que o crime cometido contra Edgar de Aquino Duarte não está prescrito é baseada em três decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizaram a extradição de agentes acusados pelo Estado argentino de participação em sequestros realizados há mais de 30 anos, sob o argumento de que, enquanto não se souber o paradeiro das vítimas, remanesce a privação ilegal da liberdade e perdura o crime.
A Justiça Federal do Pará recebeu, recentemente, duas denúncias contra militares acusados do sequestro de dissidentes políticos engajados na chamada “Guerrilha do Araguaia”, a partir de 1973. Em São Paulo, o MPF recorreu da decisão da Justiça Federal que não recebeu a primeira denúncia contra o coronel Ustra, acusado pelo sequestro do líder sindical Aluízio Palhano Pedreira Ferreira.
Para os procuradores da República que assinam a ação – Thaméa Danelon de Melo, Sérgio Gardenghi Suiama, Andrey Borges de Mendonça, Inês Virgínia Prado Soares, Ivan Cláudio Marx, André Casagrande Raupp, Tiago Modesto Rabelo e Marlon Weichert –, a punição pelo crime também não é abrangida pela Lei da Anistia, concedida exclusivamente para aqueles que “no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979 cometeram crimes políticos ou conexos com estes”.
Para o MPF, o crime de sequestro prosseguiu após 15 de agosto de 1979 e, segundo entendimento firmado pelo STF, apenas sentença judicial, proferida após esgotadas as buscas e averiguações, pode fixar a data do eventual falecimento da vítima.
“A mera possibilidade de que a vítima tenha sido executada ou, em razão do tempo decorrido, esteja morta por outros motivos não afasta a tipificação dos fatos como crime de sequestro qualificado”, insiste a ação.
Além disso, os procuradores defendem a tese de que os crimes cometidos durante a ditadura são “crimes contra a humanidade”, sujeitos às normas de direito internacional e, portanto, imprescritíveis e insuscetíveis de anistia. “Malgrado as recomendações internacionais dirigidas ao Estado brasileiro desde meados da década de 70, nenhuma investigação criminal efetiva a respeito dos desaparecimentos forçados cometidos durante o regime de exceção foi feita até a prolação da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos”, diz um trecho da ação.
O número da ação para acompanhamento processual é 0011580-69.2012.403.6181
Para ler a íntegra da denúncia, clique aqui.

Reportagem sobre a Banda Podre da Polícia Militar é finalista do prêmio Esso de Jornalismo 11

Denúncia feita pela Band mostrava envolvimento do crime organizado com policiais. Além disso, demonstrava que Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não estaria investigando os crimes, que se transformavam apenas em Relatórios de Inteligência, os Relints.
Se algo tivesse sido feito, quem sabe a onda de mortes de civis e policiais em São Paulo não estaria desta forma:
Sandro Barboza, Eliete Cavalcante de Albuquerque, Juliana Maciel, Josenildo Tavares, Edvander Silva e Carlos Rodrigues, com o trabalho QUANDO UM CRIME VIRA UM SIMPLES RELATÓRIO, transmitido pela Rede Bandeirantes
Veja as reportagens finalistas do Prêmio Esso de Telejornalismo, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro:

Protesto contra as mortes de policiais no Estado 8

Foco

Grupo protesta na Sé contra mortes de policiais no Estado

DE SÃO PAULO

Cerca de cem cruzes foram colocadas na frente da catedral da Sé, centro da cidade, em protesto contra as mortes de policiais no Estado neste ano. A manifestação foi promovida pela Federação Interestadual dos Policiais Civis (Feipol) da região Sudeste.

Segundo Márcio de Almeida Pino, vice-presidente do sindicato de policiais civis da Baixada Santista, o ato foi uma homenagem às vítimas assassinadas desde o início do ano em São Paulo.

Até a noite de ontem, 84 policiais militares haviam sido assassinados – 67 deles da ativa. Apenas três estavam em serviço na hora do crime.

Anteontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) determinou que seja feito um estudo para o pagamento de seguro de vida para famílias de policiais mortos fora do horário de serviço.

As indenizações são pagas somente para policiais mortos em serviço.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que a Folha mostrou que, sem receber indenizações, parentes de policiais militares vêm recorrendo à Justiça para receber o dinheiro -em torno de R$ 100 mil.

Advogados ouvidos pela reportagem dizem que as ações judiciais tornaram-se frequentes após ataques a PMs fora do horário de trabalho desde 2006.

BALEADOS

Dois PMs -um em serviço e outro de folga- foram baleados durante ocorrências na zona sul da cidade entre a noite de anteontem e a manhã de ontem. Nenhum deles corre risco de morrer.

Um dos policiais foi baleado quando perseguia bandidos em uma favela; o outro, quando bandidos tentaram roubar sua moto.

Policiais Militares – Sentença sobre o seguro de vida 4

Aos meus amigos policiais – segundo a polícia militar o seguro somente é devido quando o policial morre em serviço, não concordando a família de um policial nos procurou e conseguimos na justiça a procedência da ação para condenar a seguradora a indenizar essa família. Divulguem a todas as famílias de policiais, que não estarão sós e, vamos à luta contra as injustiças.

Santos
Advogado – OAB/SP 283.484
Tel. Comercial (11) 2052-8159
Cel. (11) 7867-3204
e-mail. adrianooabsp@hotmail.com

Veja a sentença abaixo: Processo nº:0229772-91.2009.8.26.0007 – segundo o juiz ‘É cediço que o policial militar, mesmo de folga, tem obrigação de agir como se estivesse em pleno exercício de suas funções, principalmente quando depara-se com a prática de condutas criminosas. Ou seja, como mencionado pelo representante do Ministério Público,“o policial, não obstante em horário de folga, age no estrito cumprimento de dever legal e profissional quando, ao se deparar com uma infração penal, procura impedir que seja praticada e adota medidas para responsabilização do autor do ilícito. A função do policial é, além de pública, suigeneris, na medida em que, a qualquer momento, tais profissionais podem ser chamados a coibir ações criminosas, ainda que estejam em horário de folga”. Não há dúvida de que o de cujus agiu no exercício de sua função de policial, tentando evitar o crime e responsabilizar os culpados, mesmo estando em horário de folga. Sacou a arma e se identificou, como se estivesse de farda trabalhando, exatamente como mandam os princípios éticos do

treinamento militar. Se é dever do policial agir em qualquer circunstância, não pode ser extirpado o direito a indenização, ainda que esteja em horário de folga. Ante o exposto e considerando o mais que dos autos consta, julgo PROCEDENTE o pedido para condenar a ré a pagar aos autores a quantia de R$ 102.000,00 (cento e dois mil reais), com atualização monetária desde 09/07/09 e juros de mora de 1% ao mês desde a citação. Diante da sucumbência, condeno a ré ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como em honorários advocatícios, que fixo em 10% do valor atualizado da condenação, nos termos do art. 20, § 3°, do Código de Processo Civil.

São Paulo, 06 de setembro de 2012.

Hélio Benedini Ravagnani

Juiz(a) de Direito

Assembleia Legislativa presta homenagem à Policia Civil 31

Terça-feira, 16/10/12 – 12:08

Pelo menos 500 pessoas participaram da homenagem que contou com a presença do secretário da Segurança Pública
Pelo menos 500 pessoas participaram da homenagem que contou  com a presença do secretário da Segurança Pública
  • Pelo menos 500 pessoas participaram da homenagem que contou com a presença do secretário da Segurança Pública

Em sessão solene de comemoração ao “Dia da Polícia Civil” foi realizada na  noite desta segunda-feira (15), no Plenário Juscelino Kubitscheck de Oliveira,  uma grande homenagem à Polícia Civil de São Paulo pelo reconhecimento dos  serviços judiciários prestados à população paulista. O evento aconteceu na  Assembleia Legislativa, zona sul da Capital. A sessão foi uma iniciativa do  deputado estadual, Itamar Borges.

Pelo menos 500 pessoas participaram da homenagem que contou com a presença do  secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto; da  delegada geral de polícia em exercício, Ana Paula Batista Ramalho Soares, que na  oportunidade representou o delegado geral, Marcos Carneiro Lima; do comandante  geral da PM, coronel Ruberval Ferreira França; do deputado estadual, Itamar  Borges e dos deputados federais, Arnaldo Faria de Sá e Protógenes Queiróz.

Vale destacar ainda a presença de vários delegados de polícia e membros do  Conselho da Polícia Civil, além de líderes de entidades policiais, autoridades  civis, militares e convidados.

Os trabalhos de abertura foram comandados pelo presidente da Assembleia  Legislativa, Barros Munhoz que após o inicio da sessão, transferiu a presidência  da sessão para o deputado Itamar Borges.

No comando, o deputado proponente da sessão solene, Itamar Borges destacou o  mérito e a importância da homenagem e falou do seu carinho e respeito pela  Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Em seu discurso, o secretário Ferreira Pinto exaltou o trabalho da Polícia  Civil: “ Eu tenho a honra de conviver com os senhores, de aprender e de conhecer  homens vocacionados que prestam relevantes serviços para a nossa sociedade.Esta  é realmente a melhor polícia do Brasil, inegavelmente”.

“Esta é uma noite muito especial, que a Assembleia, por meio do deputado  Itamar Borges, presta esta homenagem à Polícia Civil. Estou muito feliz e quero  parabenizar a todos os policiais civis pela determinação e pelo empenho no  combate a criminalidade”, disse a delegada geral em exercício, Ana Paula  Ramalho.

Por fim, foram homenageados 31 policiais com a entrega de uma placa alusiva  para delegados, investigadores, escrivães, agentes policiais e carcereiros que  representaram toda a instituição.

 

Assessoria de Imprensa da  Delegacia Geral de Polícia (DGP)

Alckmin pede estudo para pagar seguro a PM de folga 32

Pagamento é previsto em casos de morte em serviço ou no caminho do trabalho

Reportagem da Folha mostrou ontem que famílias de policiais mortos durante a folga recorrem à Justiça

GIBA BERGAMIM JR. DE SÃO PAULO

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) determinou ontem que seja feito um estudo para o pagamento de seguro de vida para famílias de policiais mortos fora do horário de serviço.

O pedido foi feito ao secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, no dia em que a Folha mostrou que, sem receber indenizações, parentes de policiais militares vêm recorrendo à Justiça para receber o dinheiro -em torno de R$ 100 mil.

Advogados ouvidos pela reportagem dizem que as ações judiciais tornaram-se frequentes após ataques a PMs fora do horário de trabalho, de 2006 para cá. A mulher de um policial morto em 2006 obteve, em primeira instância, decisão favorável ao pagamento. Cabe recurso.

O seguro de vida é previsto apenas nos casos em que policiais (civis e militares) morrem em serviço ou no caminho de ida e volta do trabalho. A maioria dos PMs, porém, foi assassinada em dias de folga. Só neste ano, de 67 policiais da ativa mortos, apenas três estavam em serviço.

“O contrato que nós temos com a seguradora [MetLife] prevê o pagamento para o policial que morre em serviço, mas há casos de PMs mortos fora de serviço em decorrência da atividade policial. Então, já determinei ao secretário de Segurança que verifique a questão jurídica, mas nossa intenção é proteger, sim, as famílias através do seguro”, afirmou Alckmin.

A seguradora MetLife disse à Folha que segue o contrato previsto no edital de licitação e que já pagou, de 2007 até hoje, cerca de R$ 35 milhões em indenizações.

ATAQUES DO PCC

Em 2006, o então governador Cláudio Lembo, assinou um decreto autorizando o pagamento de indenização às famílias de 30 policiais militares, civis e agentes penitenciários assassinados durante a série de ataques do PCC às forças de segurança paulistas. Na ocasião, boa parte morreu fora de serviço, o que não garantia o seguro. Por isso, o Estado optou por arcar com os custos.

Na época, foram indenizadas famílias de 7 policiais civis, 15 policiais militares e 11 agentes penitenciários. Os valores foram pagos pelo Estado, totalizando algo em torno de R$ 2,75 milhões.

São Paulo: O Estado novamente sob ataque 132

Enviado em 16/10/2012 as 11:45 – parabens DR

15/10/2012 – São Paulo: O Estado novamente sob ataque Autor:

Por Juvenal Marques Ferreira Filho

A dicotomia antagônica – contra fatos não há argumentos – parece ser desconhecida do governo do Estado de São Paulo. O morticínio de quase 100 policiais militares e de aproximadamente 3.000 civis, não vou precisar os números uma vez que nesse momento a estatística pode ter subido, não são suficientes para que o governo admita que esteja sob ataque do crime organizado. Aliás, a tônica do governo, desde a origem da facção PCC no ano de 1994, foi sempre a da negação. Primeiro a facção não existia, depois não era organizada, e por derradeiro não controla o crime no Estado de São Paulo.

Segundo Freud – A Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Noutras palavras – A Negação é a forma que o consciente se utiliza, quando se depara com um problema para o qual não encontra solução ou contraria aquilo que se quer acreditar. Diante do topor causado pelas ações contundentes do crime, o discurso apresentado tem sido de que – as execuções são uma reação do crime as ações da política de segurança pública adotada. Embora não no sentido de que o governo quer fazer a população crer, realmente esses ataques covardes são sim uma reação a falta de política de segurança vigente há muitos anos neste Estado. O mote de que a política de segurança está no rumo certo tem sido repetido insistentemente pelo governo, na tentativa de incutir na mente da população uma verdade forjada. Um certo regime político que surgiu na Europa nos anos de 1930 criou um ministério de propaganda, cuja filosofia se baseava na idéia de que – uma mentira repetida várias vezes obtém credibilidade de uma verdade. Infelizmente a sociedade, numa letargia incrível, a imprensa, essa por motivação política ou comercial e órgãos de fiscalização do Estado, dependentes financeiramente do poder executivo, nada tem feito para obrigar o governo a mudar o rumo do modelo de segurança adotado. O caos não se instala de uma hora para outra. O processo é por vezes lento, contínuo e silencioso. No Estado de São Paulo não foi diferente.

Os equívocos, propositais ou decorrentes da incompetência, vêm há muitos anos com a escolha de pessoas sem o conhecimento exigido para chefiar a segurança pública e a administração penitenciária. Os erros crassos cometidos na administração penitenciária são inacreditáveis, desde a negação da existência dessa organização, com absoluta omissão na sufocação desse organismo, quanto pela propagação da facção com a distribuição de suas lideranças por presídios de todo o Estado. A metástase do tumor cancerígeno não enfraquece a doença, pelo contrário, mata o doente. As decisões desastrosas na administração conduzem a constatação da total incapacidade dos diversos titulares da pasta. Na segurança pública, no entanto, se resolveu adotar uma política militarista, a começar com a escolha de vários secretários oriundos do oficialato da polícia militar, que apostaram na doutrina do confronto com morte.

Nesse diapasão a polícia militar amealhou investimentos na dotação de armamentos e aumento nominal de efetivo. Digo nominal, porque na prática houve uma dispersão de policiais militares em várias outras áreas, a disposição de secretarias, do Ministério Público e tantos outros órgãos. Aliás, a polícia militar passou a se constituir braço armado do MP, que hoje faz investigação, a bem da verdade somente no varejo midiático, e inclusive representa em juízo pela expedição de Mandados de Busca a serem cumpridos pelos milicianos. Tudo ao arrepio do arcabouço jurídico nacional. Alegam ser necessário uma flexibilização na interpretação da lei a pretexto da defesa da sociedade. Nesse particular faço um parêntese – a grande maioria dos regimes de exceção surgiu com a interpretação conveniente da lei em favor daqueles que alegaram querer proteger a sociedade civil. Num passado não muito distante podia se avistar policiais em dupla policiando as ruas, comércio e até em salões de bailes havia um policiamento preventivo, bem diferente do que ocorre hoje, embora o governo diga que a polícia esta fazendo seu trabalho.

A grande indagação é qual polícia e qual trabalho? A polícia militar há muito deixou de ser preventiva, se constituindo numa polícia de embate. Quando digo polícia de embate, não quero absolutamente dizer que esse não deva ocorrer quando necessário, muito pelo contrário. Mas não se pode olvidar da função constitucional de policiamento preventivo da polícia militar, que ultimamente tem tentado substituir a polícia civil com arremedo de investigações e prisões no varejo para reforço das estatísticas do governo. Engana-se a sociedade com altos índices de prisões de pequenos traficantes espalhados pelas vielas da periferia, enquanto não há uma efetiva investigação sobre quem financia, importa e distribui a droga no Estado. Confundem inteligência policial com o simples ato de fazer escutas telefônicas e, ainda divulgam na mídia como obtiveram as informações. Esses amadores prestam um grande desserviço à sociedade. A Inteligência Policial deve subsidiar a polícia com informações, não somente para o direcionamento do policiamento preventivo em áreas específicas, como também para o conhecimento das organizações criminosas, liderança e organograma, área de atuação, logística, etc., que auxiliarão sobremaneira na investigação do crime, quando a prevenção falhar. Portanto, a Segurança Pública de qualquer Estado deve, no mínimo, se basear no tripé – Inteligência Policial, Policiamento Preventivo e Polícia Investigativa. Evidentemente essas atividades devem ser desempenhadas pelas polícias com suas competências delimitadas, devidamente estruturadas, aparelhadas e treinadas para o exercício de seu mister.

A Polícia Civil de São Paulo, cujo papel constitucional é a investigação, foi, por sua vez, sistematicamente sucateada. Nos últimos anos os poucos concursos realizados não preencheram nem as vagas decorrentes de aposentadorias e exonerações. As instalações das delegacias são péssimas, há carência material e de funcionários. Em decorrência disso e do aumento exponencial da população de São Paulo, as poucas equipes de investigação nos distritos policiais não conseguem investigar nem 10% dos boletins registrados. A polícia que tem por função constitucional investigar, hoje mal consegue cumprir os expedientes decorrentes dos procedimentos e requisições judiciais. Não bastasse tudo isso, a falta de uma política salarial para valorização das polícias, tanto civil como militar, empurrou seus integrantes para as periferias das cidades, com muitos destes morando em favelas, tornando os policiais reféns da marginalidade. O resultado não poderia ser outro. Expostos, desmotivados e acuados, os policiais passaram a serem alvos do crime organizado. Esses fatos em outro país teriam gerado apuração de responsabilidade.

O problema grave que se instalou no Estado é decorrente da incompetência e da falta de política de segurança. O governo está aturdido e não sabe o que fazer, e se defende negando o óbvio ululante, com declarações do tipo: – “O PCC, que alegavam não existir, não domina os presídios e o crime organizado”, “O PCC não está por trás das mortes de policiais”, “Não há grupos de extermínio compostos por policiais militares”, “Os casos pontuais de confronto são frutos da reação do crime pelas excelentes ações na área de segurança pública”.

O governo precisa urgentemente elaborar e implementar ações efetivas na adequação das polícias ao cenário de violência que impera no Estado de São Paulo. Isso exige investimento real na contratação de policiais, treinamento e aparelhamento dos agentes que defendem a sociedade, com um salário digno e compatível com o risco de morte, até que para que se apresentem candidatos capacitados dispostos a abraçar uma carreira com tantos perigos. A Colômbia somente reverteu os altos índices de criminalidade com aplicação de parte do PIB em segurança pública. Os policiais colombianos passaram a ter um salário compatível com o risco enfrentado, inclusive com a construção de condomínios exclusivos para os policiais, a fim de evitar que suas famílias se tornassem reféns da criminalidade vizinha. Os motociclistas obrigatoriamente têm inscrito a placa do veículo nos capacetes. Essas e outras ações são frutos de um plano de segurança pública levado a sério no país vizinho.

São Paulo necessita de um pacto contra a criminalidade e de uma política de segurança elaborada por profissionais envolvidos diretamente no combate ao crime. Basta de planos de segurança politicamente corretos elaborados por sociólogos, psicólogos, promotores, advogados, etc. Não obstante valorosos,  esses profissionais devem se ater a sua área de atuação.

Os índices de mortes diárias em São Paulo têm superado países em guerra. A polícia está sendo caçada por criminosos que tem instruções de matar policiais na frente de suas famílias. A tropa está se sentindo encurralada e abandonada pelo comando. Ninguém se engane, a reação virá, ainda que na forma de esquadrões da morte. Aliás, as últimas ocorrências de chacinas indicam que caminhamos para a barbárie, não àquela do “olho por olho”, mas a que sanciona “dez mortes por cada vida tirada”.

São Paulo, o Estado novamente sob ataque.

O autor é bacharel em direito pela Faculdade Católica de Direito de Santos. Ingressou na carreira policial em 1980 como Soldado da Polícia

Militar de São Paulo, onde alcançou a graduação de 2º Sargento. Em 1989 assumiu o cargo de Investigador de Polícia, tendo exercido a

função até aprovação no concurso para Delegado de Polícia em 1994.

Contato por e-mail: juvenalmarques2010@gmail.com .

Movimento Reaja São Paulo quer tornar hediondos crimes contra agentes da lei 24

Movimento Reaja São Paulo quer tornar hediondos crimes contra agentes da lei
Lançado em audiência na Assembleia, abaixo-assinado será encaminhado ao Congresso Nacional
Monica Ferrero ¿ Fotos: Roberto Navarro

Foi lançado nesta segunda-feira, 15/10, em audiência realizada na Assembleia Legislativa, o movimento Reaja São Paulo, por iniciativa do deputado Olimpio Gomes (PDT). O ato de lançamento, que lotou o auditório Paulo Kobayashi, contou com a presença do comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Roberval França, do ex- comandante geral de São Paulo, coronel Álvaro Camilo; do coronel Nazareno Marcineiro, comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina e presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares; do coronel Marco Antônio Badaró Bianchini, chefe da Assessoria Institucional da Polícia Militar de Minas Gerais e do coronel Antônio Uoston Borges Germano, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, entre outras autoridades. A intenção foi iniciar a coleta de assinaturas para apresentar ao Congresso Nacional projeto de lei de iniciativa popular que torne hediondos os crimes praticados contra agentes da lei, aumentando também as penas cominadas. Pelo texto do projeto, além de policiais, são considerados agentes da lei os guardas municipais, bombeiros, defensores públicos, membros do Ministério Público, juízes e servidores do judiciário, agentes e guardas prisionais. O presidente da Assembleia, Barros Munhoz, abriu a audiência e foi o primeiro a subscrever o abaixo-assinado. Munhoz, que afirmou falar em nome de todos os deputados estaduais paulistas, elogiou a iniciativa, que considerou importante para o enfrentamento da criminalidade. “É uma causa justa, e espero que essa mobilização popular ajude a coibir as barbaridades que estamos assistindo”, finalizou.
1,4 milhão de assinaturas “Estamos vivendo um momento crítico na segurança pública no Estado de São Paulo, onde irmãos tombam todo dia em defesa da população. Mudanças são necessárias, e devem ser feitas ao abrigo da lei, pois se ela tem fragilidades cabe à população se manifestar através de um PL de iniciativa popular”, disse Olimpio Gomes. Ele agradeceu o apoio da Assembleia Legislativa, e manifestou esperança de que a iniciativa seja seguida em todo o Brasil, de forma a que as assinaturas necessárias, de 1,4 milhão de eleitores, sejam logo colhidas. O deputado Gilmaci Santos (PRB) apoiou a iniciativa, que considerou “uma grande oportunidade de mostrar apreço ao trabalho da polícia”. Também aderiu à iniciativa Carlos Giannazi (PSOL), que falou que “o aumento da criminalidade no Estado tem a ver com a falta de investimento na segurança pública”. Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal e deputado federal pelo PCdoB/SP, defendeu o estabelecimento de um plano de segurança pública para São Paulo e considerou a proposta uma resposta da sociedade à situação.
Garantias legais Comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o coronel Roberval França, considerou importante o aumento de garantias legais para o exercício dos agentes da lei, como já acontece em diversos países. Defendeu a “união e empenho de toda a sociedade contra os covardes ataques da criminalidade, que afrontam a população”. Álvaro Camilo, vereador eleito na capital paulista, também expressou seu apoio à iniciativa, que disse ser instrumento para dar mais dignidade aos policiais. O coronel Nazareno Marcineiro, comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina e presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, o coronel Marco Antônio Badaró Bianchini, chefe da Assessoria Institucional da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Antônio Uoston Borges Germano, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, também apoiaram a proposta e comprometeram-se a levá-la a seus Estados. Ainda manifestaram apoio ao projeto de lei de iniciativa popular e expressaram sua preocupação com os rumos da segurança pública diversos representantes de Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) e de sindicatos e entidades de classe de policiais, agentes prisionais,  servidores do Poder Judiciário, entre eles o presidente da Associação dos Oficias da Polícia Militar (AOPM), coronel Luiz Carlos dos Santos. Foi divulgada a realização, no dia 16/10, às 14h, na Praça da Sé, centro de São Paulo, de ato público e ecumênico dos policiais civis de São Paulo. Na ocasião será também discutida a pauta de reivindicações da categoria. Ao encerrar a audiência, Olimpio Gomes pediu a “multiplicação cívica da coleta de assinaturas, para fazer da proposta um marco da insatisfação da população com os rumos da segurança pública”. O abaixo-assinado pode ser acessado pela internet pelo endereço eletrônico http://www.peticaopublica.com.br/?pi=REAJA1

“Polícia militar brasileira é instrumento das elites”, diz José Afonso da Silva 73

José Afonso da Silva

Em quatro anos, o então secretário estadual de Segurança diminuiu a quase zero as mortes em abordagens da polícia em SP | Foto: STF / SECS-PR / Divulgação

Rachel Duarte

Elogiado por combater os abusos e mortes de umas das polícias militares mais violentas do país, o jurista e ex-secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo José Afonso da Silva afirma que o ciclo vicioso que protege os abusos cometidos pela polícia militar é antigo e trabalhoso para mudar. O homem que reduziu de 60 para próximo de zero o número de mortes em abordagens policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), entre os anos de 1995 a 1999, conta que fiscalizar os policiais e oferecer atendimento psicológico foi um caminho encontrado na época. “Ninguém que mata outra pessoa está em condições emocionais normais”, acredita.

Mineiro e residente desde 1947 em São Paulo, o indicado pelo ex-governador Mário Covas é especialista em Direito Constitucional e acredita na união das polícias para redução da violência policial. “A Polícia Militar não precisa acabar, mas deveria ter funções reduzidas e ser subordinada à Polícia Civil”, afirma em entrevista ao Sul21. Mesmo afastado da área há 15 anos, ele mantém opiniões que servem para compreender casos atuais como o recente conflito entre a Brigada Militar e manifestantes em Porto Alegre. “Não precisamos de casos tão agressivos para que os governos mudem de postura. É preciso sempre apurar os fatos antes de fazer a defesa da polícia”, diz.

“Não é função da policia combater inimigos, fazendo ela própria o julgamento. Mesmo que seja um delinquente, nunca a reação deve ser agressiva demais ou para matar”

Sul21 – Há um grande número de denúncias de abuso da polícia militar no Brasil. O senhor acredita que este problema se resolveria com qualificação da formação policial ou mesmo com o fim da policia militar, como sugeriu a ONU ao Brasil?

José Afonso da Silva – Não acredito que a forma mais radical seja a adequada. O que eu proponho e propus quando fui secretário foi unificar as polícias. A polícia repressiva ostensiva funcionaria dentro da Polícia Civil. Existiria uma força policial militar com atuação bastante reduzida. A força fardada ou uniformizada nas ruas é necessária, no meu entender, para situações especiais, como dissuasão de conflitos de ruas mais sérios, que necessitassem de controle. Não acredito que precise acabar com a polícia militar, portanto. É preciso ter esta força ostensiva orientada e controlada dentro da Polícia Civil. Teríamos o policiamento ostensivo nas ruas e a polícia judiciária para investigar os crimes e encaminhar processos criminais.

José Afonso da Silva

“Os policiais militares que atuam em São Paulo estão sofrendo violências muito grandes. É uma guerra que não era para existir” | Foto: Fábio Riesemberg / UniBrasil

Sul21 – O senhor chegou a apresentar uma proposta de integração das polícias no governo Fernando Henrique Cardoso. A proposta, porém, não prosperou. Por quê?

José Afonso da Silva – Foi podado, na época pelo José Gregori (ex-secretário dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça). Ele tentou formar uma Comissão para analisar o assunto, mas no final das contas não vingou. Não acho que seria uma solução para todos os problemas da segurança, mas seria importante para evitar a violência policial.

Sul21 – O treinamento das polícias as prepara para o policiamento ostensivo e a abordagem policial correta?

José Afonso da Silva – A Polícia Militar não faz guerra, quem faz guerra é o Exército. Os soldados do Exército é que são treinados para combater. Nas guerras é que o objetivo é a morte de inimigos. O problema é que a Polícia Militar quer imitar as Forças Armadas e sair combatendo inimigos, o que não é sua função. A segurança externa do país e eventuais conflitos armados externos em que o Brasil participa são funções das Forças Armadas, onde se exige o enfrentamento letal para vencer a guerra. No trabalho da polícia se combatem delinquentes, na medida em que eles possam ser submetidos a um julgamento justo e condenados ou não pelo Judiciário. Esta é a função da polícia. Não é função da policia combater inimigos para matar, fazendo ela própria o julgamento nas ruas. Isso não quer dizer que o policial que está na rua fazendo o seu trabalho e eventualmente for agredido não possa reagir. Ele deve reagir, mas, mesmo que seja um delinquente, nunca a reação deve ser agressiva demais ou para matar.

Sul21 – O que o senhor fez para melhorar os índices de mortes cometidas pelos policiais militares?

José Afonso da Silva – Foram feitas várias coisas. Primeiro eu tentei estabelecer uma fiscalização para verificar a violência policial tanto na Policia Militar como na Policia Civil. Criei um ombudsman na secretaria para isso. Eu também chamei o comandante e mandei tirar os matadores da rua. Quem estivesse executando as pessoas deveria ser retirado do trabalho externo. Também criei o programa Proar, que tirava o policial matador da rua e oferecia atendimento psicológico de seis meses. Neste período ele ficava apenas circulando no centro da cidade, sem participar de operações. Nós pressupomos que qualquer pessoa que mata a outra tem sérios problemas a resolver. Mesmo quando a PM diz que é em defesa própria, isso não pode ser interpretado como uma coisa natural. Se eu matasse alguém me sentiria muito mal, por exemplo. O policial que estava com comportamento de risco era afastado das ruas e fazia um policiamento a pé, dentro do conceito de polícia comunitária. Os policiais militares que atuam no sistema atual de segurança em São Paulo estão sofrendo violências muito grandes. Estão ocorrendo muitas mortes de policiais militares. A Polícia Militar que provoca violência recebe violência. É o que está acontecendo. Uma guerra que não era para existir. Nenhum cidadão deve morrer e nenhum policial deve matar. Violência sempre provoca violência, em qualquer situação.

“Existem os exploradores da insegurança. O sentimento de insegurança muitas vezes é criado por interessados em explorar isso de forma política”

Sul21 – Como o senhor, que defende a cultura da não-violência e da preservação da vida na atuação policial, avalia a eleição do Coronel Telhada a vereador de SP, com expressiva votação — mesmo com 29 processos por homicídio e 36 mortes em ação?

José Afonso da Silva – Como eu avalio… (respira fundo) Existem os exploradores da insegurança. Este sentimento de insegurança muitas vezes é algo criado pelos interessados em explorar isso em benefício próprio. Na área da segurança, há uma exploração política do tema para se eleger sujeitos que seriam os supostos combatentes da insegurança. Isto funciona, e alguns até se elegem bem. Mas chegará um momento em que o povo perceberá que isto é exploração da insegurança e não os elegerá mais. O coronel Erasmo Dias (ex-deputado federal) também tinha esta mesma natureza, se elegeu uma vez e não se elegeu mais. Estes sujeitos vão perdendo substância conforme o tempo passa, porque as pessoas enxergam que são pessoas que não contribuem em nada com a segurança. São oportunistas. Isso é assim. Sempre tem alguém para explorar a pena de morte ou outros temas para se eleger.

José Afonso da Silva

Para jurista, frase de Alckmin sobre “quem não resistiu estar vivo” estimula violência policial no estado de SP | Foto: IAB / Divulgação

Sul21 – O senhor criticou a fala do governador Geraldo Alckmin, que após ação polêmica da Rota em Várzea Paulista (SP) referiu-se aos nove mortos pela polícia dizendo “quem não resistiu, está vivo”. Em que medida declarações como esta acabam endossando práticas excessivas e deixando os comandos impunes quando elas ocorrem?

José Afonso da Silva – Esta frase acabou gerando um problema subliminar, uma aprovação por parte do governador ao episódio que ocorreu. Não pode ser aprovada a atuação da Polícia Militar sem antes apurar o que houve. Se houve ação correta, se aprova. Se o governador fala uma coisa dessas é porque ele não quer apurar. É um estímulo à violência policial.

Sul21 – Aqui no RS, há muitos registros de casos de violência policial envolvendo racismo e preconceito de classe. Além disso, tivemos recentemente um grande confronto no Largo Glênio Peres, em torno de uma suposta tentativa de atacar o boneco de plástico que representava o mascote da Copa no Brasil. Isso está gerando uma grande discussão sobre eventuais excessos de força da Polícia Militar…

José Afonso da Silva – Não precisamos de processos tão agressivos como este que você relata para que seja necessária apuração da força policial empregada. Sempre é necessário apurar o que houve. Depois, se for o caso, faz-se a defesa da ação policial.

“Sempre que há greve, a tendência da polícia é combater a greve e os grevistas. Toda vez que há envolvimento de elites, sempre a policia age na proteção do empregador”

Sul21 – A polícia costuma dizer que age com mais violência ao defender-se de ataques de manifestantes. Qual a abordagem correta em conflitos ou manifestações públicas e democráticas, que geralmente terminam em confronto com a polícia?

José Afonso da Silva

Ex-secretário de Segurança de SP diz que segurança não é só problema de polícia: “É preciso fazer segurança social, alcançar uma estabilidade emocional na população” | Foto: OAB-MG / Divulgação

José Afonso da Silva – Tem que haver muito cuidado nesta atuação. No período em que fui secretário, (constatamos que) sempre que havia greve a tendência da polícia era combater a greve e os grevistas. Bater, espancar. E eles (grevistas) estavam participando de manifestações legitimas! Eles estavam exercendo um direito, o de reivindicar por condições de trabalho. Não podem ser espancados. Eu não deixei isso acontecer na minha gestão. A polícia tem sido um instrumento de proteção das elites. A greve é um direito. Ação de dissuasão dos grupos só se houver algum exagero dos manifestantes. Toda vez que há envolvimento de elites, sempre a policia age na proteção do empregador. É tão vicioso este sistema, em que o Estado permite a ação da polícia em prol das elites, que na minha época como secretário, uma determinada associação me pediu para comprar 2 mil policiais a cuidar de uma área privada. Evidentemente que eu vetei, disse que não iria fazer. Se eu colocar um efetivo do Estado deste tamanho trabalhando para a iniciativa privada, quem irá fazer o policiamento de outras áreas da cidade, das periferias?

Sul21 – O senhor acredita na polícia pacificadora ou comunitária, principais modelos de política pública implantados nos governos do PT na presidência do país?

José Afonso da Silva – O governo federal não tem política de segurança. A Secretaria Nacional de Segurança não tem políticas concretas. Mas, a bem da verdade, cabe aos estados a execução das políticas de segurança. A competência da União é administrar a atuação da Polícia Federal e combater o problema das fronteiras do país. Eu estou há anos afastado da segurança pública e não vejo muito avanço desde a época que eu atuava. Houve alguns avanços sociais e econômicos no país que são significativos. Mas segurança não é só problema de polícia. É preciso fazer segurança social, que se faz com equipamentos e serviços para se alcançar uma estabilidade emocional na população. Os conflitos e a violência são gerados e se tornam problemas de segurança pública quando há ausência de assistência às necessidades básicas do povo. Se fossemos uma sociedade mais justa, não teríamos tanta dramaticidade nos episódios de violência. As desigualdades profundas causam revoltas que geram a violência. É errado pensar na população mais pobre como mais violenta. O pobre não é violento. São as condições em que ele vive que, se não forem combatidas, podem levar à violência.