A Blindagem  do Banditismo nas Polícias Estaduais e o Medo da Fiscalização Federal… ( Ou como Políticos Estaduais são os Maiores Beneficiários da Corrupção Policial )

A discussão sobre a centralização da Segurança Pública pela União, tema recorrente no Congresso Nacional e nos debates públicos, costuma ser travestida de defesa da autonomia federativa e do respeito aos poderes e competências específicos dos Governadores dos Estados.

No entanto, por trás desse discurso mentiroso , esconde-se uma  motivação indisfarçável : o de que a Polícia Federal, órgão de confiança e de excelência investigativa, possa expor e desmantelar esquemas de corrupção que há décadas corroem as estruturas das polícias estaduais, especialmente em estados como São Paulo.

Não é segredo para ninguém que, em muitos rincões do Brasil, delegacias e comandos policiais se transformem em feudos, onde chefias são negociadas como mercadorias e onde a lógica do interesse público cede lugar à lógica da arrecadação ilícita.

Investigações recentes, conduzidas tanto pela Polícia Federal quanto pelo Ministério Público, trouxeram à tona um quadro alarmante: delegacias atuando como centros de extorsão, venda de cargos, manipulação de inquéritos e fraudes em licitações, especialmente no âmbito da Polícia Militar.

Sem esquecer da recente maracutaia envolvendo licitação para compra de um helicóptero para um irrelevante Departamento da Polícia Civil.  

Aquisição , certamente, superfaturada que renderia milhões em propina para membros da cúpula da Segurança Pública.

Aliás, maracutaias naquele Departamento, não adianta mudar o nome, passa de pai para filho.

Sem perder a linha de exposição , o caso paulista é emblemático.

Relatos e delações premiadas e provas materiais indicam que a corrupção não é pontual ou isolada, mas sistêmica, atingindo desde a polícia da base até os mais altos escalações da corporação.

Repetimos desde antanho, corrupção em forma de pirâmide invertida, ou seja, quanto mais elevado o cargo mais elevada e nefasta  é a corrupção.

A blindagem institucional, alimentada por interesses políticos e corporativos, impede que as investigações , internas , avancem e que os responsáveis ​​sejam exemplarmente punidos.

Quando uma verdade ameaça emergir, a retaliação é imediata: afastamentos pontuais, transferências estratégicas e, não raro, tentativas de desqualificar quem ousa romper o silêncio.

Diga-se, quem rompe o silencio sofre todos os tipos de retaliações , desde ameaças contra a integridade física – de familiares, inclusive – a processos administrativos, civis e criminais ; culminando, sempre , com a demissão do serviço público.

Ao que chamam de “higienização” !

E o Governador, com pareceres da sua parcial assessoria jurídica, coonesta demissões arbitrárias.

Não esquecendo do absoluto distanciamento do Poder Judiciário ; que se nega , sistematicamente, fundamentando-se em precedentes dos tempos da Ditadura , a analisar e rever atos administrativos flagrantemente viciados.

Nesse contexto, a resistência à centralização federal da Segurança Pública revela-se menos como defesa da autonomia estadual e mais como um mecanismo de autoproteção.

A Polícia Federal, com sua expertise e relativa independência, representa uma ameaça real à manutenção de privilégios e esquemas que sobreviveram à sombra da impunidade.

Não por acaso, qualquer proposta que amplie o poder investigativo da União sobre as polícias estaduais seja recebida com desconfiança e exclusão pelas cúpulas estaduais.

É urgente, portanto, que a sociedade brasileira compreenda o verdadeiro sentido desse debate.

Não se trata de uma disputa federativa, mas de uma luta entre a transparência e a opacidade, entre o interesse público e os interesses privados travestidos de autoridade.

A centralização, longe de significar autoritarismo, pode ser o caminho para romper a blindagem que impede o saneamento das instituições policiais e, por consequência, a efetivação da justiça e da segurança para todos.

O Brasil não pode mais tolerar que suas polícias sejam instrumentalizadas como máquinas de arrecadação ilícita e proteção de poderosos.

A fiscalização federal, com todos os seus desafios, é uma necessidade inadiável para restaurar a confiança nas instituições e garantir que a lei seja, de fato, igual para todos.

Rcguerra

A Bancada da Morte e da Propina Sapato 43 3

A Bancada da Morte: o papel dos parlamentares policiais na política de Segurança Pública no Brasil

Com uma agenda centrada no endurecimento da segurança pública e na promoção de uma “guerra” contra o crime, esses parlamentares apostam na beligerância em vez de soluções inteligentes e eficazes

  • Da Redação
  • 4 de maio de 2025

Nos últimos anos, a bancada da extrema-direita, conhecida como “Bancada da Bala”, tem ganhado força no Brasil. Com uma agenda centrada no endurecimento da segurança pública e na promoção de uma “guerra” contra o crime, esses parlamentares apostam na beligerância em vez de soluções inteligentes e eficazes. Essa postura repressiva desconsidera os impactos diretos sobre os próprios agentes de segurança, como mortes, adoecimento e suicídios.

O foco da bancada é ampliar os poderes das corporações policiais, flexibilizar regras de “legítima defesa” e agravar penas para crimes que envolvam agentes de segurança. Mas, ao priorizar o confronto, ignoram a saúde mental dos policiais — que enfrentam estresse crônico, traumas constantes e jornadas extenuantes. Sem suporte psicológico e condições de trabalho adequadas, muitos acabam adoecendo ou sendo destruídos por um sistema que os abandona.

A lógica punitivista, combinada à retórica do “inimigo interno”, estimula a criminalização das populações mais vulneráveis e alimenta a violência nas ruas. O modelo defendido por essa bancada, ao ignorar políticas de prevenção e cuidado, aprofunda a espiral de sofrimento que atinge tanto a sociedade quanto os próprios policiais e suas famílias.

Alguns desses parlamentares ainda exaltam a violência como valor. O deputado Éder Mauro, por exemplo, declarou publicamente ter assassinado 30 pessoas. Já o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, ostenta seis homicídios em sua ficha funcional. Para eles, estar no topo do “ranking” de letalidade é motivo de orgulho, uma espécie de troféu. Essa glorificação da morte apenas reforça a cultura da vingança e do ódio, em vez de buscar a pacificação.

A atuação dessa bancada escancara as falhas estruturais da política de segurança pública no país. Ao invés de adotar uma abordagem equilibrada, que invista em inteligência, prevenção e saúde dos policiais, optam por intensificar a repressão — e perpetuam o ciclo de violência.

A segurança pública precisa ser pensada de forma ampla, com políticas que protejam os direitos dos policiais, ofereçam apoio psicológico e promovam a integração da polícia com a sociedade. A resposta não pode se limitar à punição. É preciso cuidar de quem está na linha de frente. Nada disso, no entanto, faz parte da pauta da bancada da bala.

https://082noticias.com/2025/05/04/a-bancada-da-morte-o-papel-dos-parlamentares-policiais-na-politica-de-seguranca-publica-no-brasil/

Segurança pública é a grande aposta de Lula para sua reeleição 4

04/05/2025 – 15h511 comentário

Arquivo/Câmara dos Deputados.

Proposta do governo muda estrutura da segurança pública em busca de maior integração na área.

O governo federal apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, que visa reestruturar a segurança pública no Brasil com foco na integração entre União, estados e municípios. A proposta foi entregue ao Congresso na semana passada e será analisada inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.

A PEC está ancorada em três pilares: eleva o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) ao nível constitucional — atualmente regido por lei ordinária —, amplia as competências de órgãos como a Polícia Federal (PF) e fortalece o papel da União no planejamento e coordenação do setor.

Um dos principais pontos é a atribuição privativa à União para legislar sobre o sistema penitenciário, função hoje compartilhada com os estados. Apesar disso, a proposta mantém a responsabilidade de estados e municípios sobre a gestão e comando de suas forças de segurança, sem interferência nas competências locais.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a proposta responde ao crescimento do crime organizado e à necessidade de uma coordenação nacional mais efetiva.

Atribuições e mudanças previstas

A PEC 18/25 define que caberá à União elaborar a política e o plano nacional de segurança pública e defesa social, além de coordenar tanto o Susp quanto o sistema penitenciário. Também passa a ter competência exclusiva para legislar sobre normas gerais nessas áreas.

Entre as mudanças propostas estão:

  • Ampliação das atribuições da Polícia Federal, que poderá investigar organizações criminosas e milícias com atuação interestadual ou internacional, além de certos crimes ambientais;
  • Criação da Polícia Viária Federal, que absorverá a atual PRF e terá atuação ostensiva em rodovias, ferrovias e hidrovias federais;
  • Inclusão das guardas municipais como órgãos de segurança pública, com permissão para exercer policiamento ostensivo e comunitário, sob controle externo do Ministério Público.

Financiamento e controle social

A PEC também propõe constitucionalizar o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), impedindo o contingenciamento de recursos. A medida busca garantir estabilidade no financiamento federal da área.

O texto assegura autonomia para corregedorias das polícias e guardas municipais e exige que União, estados, Distrito Federal e municípios com guardas instituam ouvidorias independentes para receber manifestações da população.

Tramitação

A proposta será analisada pela CCJ quanto à sua admissibilidade. Em seguida, passará por uma comissão especial e, posteriormente, será votada em dois turnos no Plenário da Câmara.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

NOTA DO SINDPESP CONTESTANDO O REAJUSTE SALARIAL DOS POLICIAIS CIVIS 8

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo – SINDPESP – contesta o reajuste salarial de apenas 5% proposto pelo Governador Tarcísio de Freitas aos policiais civis.

O percentual apresentado é insuficiente até mesmo para recompor a inflação acumulada nos últimos dois anos, que supera aproximadamente 10%, o que representa uma expressiva perda no poder de compra dos servidores da segurança pública.

São Paulo é o estado com a maior arrecadação do país, o que torna ainda mais evidente a falta de reconhecimento por parte do governo ao trabalho desses profissionais, que exercem funções essenciais para a preservação da ordem e da segurança da população paulista.

Essa defasagem salarial só agrava o já alarmante déficit de servidores na Polícia Civil, uma vez que muitos delegados são forçados a buscar oportunidades em outras unidades da federação, onde as condições salariais e de trabalho são mais vantajosas.

Esse cenário contribui para o enfraquecimento da segurança pública no Estado de São Paulo, comprometendo a qualidade dos serviços prestados à sociedade.

SINDPESP espera que, no projeto da nova Lei Orgânica da Polícia Civil, que será brevemente encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o Governador reveja sua posição e proponha um sistema remuneratório justo — capaz de resgatar a dignidade dos delegados de polícia e reconhecer a relevância e a complexidade das atribuições desses valorosos profissionais.

A valorização da Polícia Civil é indispensável para assegurar a qualidade dos serviços prestados à sociedade e manter a motivação daqueles que se dedicam, com coragem e responsabilidade, à segurança pública do Estado de São Paulo.

Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo – SINDPESP

Afinidades, Rentabilidades e Outras Ilusões na Polícia 1

No universo das finanças, há um mantra que ecoa em todas as apresentações de investimento: “rentabilidade passada não garante rentabilidade futura”.

É um aviso, quase um pedido de cautela, para que ninguém se iluda com gráficos ascendentes e promessas douradas.

Curioso como essa máxima se encaixa, como uma luva, nos corredores da Polícia Civil – e, por que não dizer, nas relações humanas em geral.

Na PM, idem!

Lembro-me de quando ingressei na carreira, ainda com o olhar brilhando de idealismo.

Havia algo de quase fraterno na convivência com alguns colegas.

Dividíamos o café amargo, as madrugadas insones e, principalmente, a sensação de estarmos do mesmo lado da trincheira.

As afinidades se formavam, não apenas por simpatia, mas por compartilharmos o peso das mesmas escolhas e dos mesmos riscos.

Mas o tempo, esse velho cínico, trata de nos mostrar que a extensão (duração ) não é sinônimo de lealdade.

Assim como um fundo de investimento pode despencar de um ano para o outro, relações antes sólidas podem se dissolver diante do primeiro vento contrário.

E, na Polícia Civil, os ventos são muitos – e nem sempre sopram a favor da ética.

As pessoas crescem e envelhecem, de regra, para pior!

O Eu se sobrepõe ao Nós.

O que são minhas relações?

Interesses pessoais, quase sempre.

Um cargo mais valioso, uma promoção, uma promessa sussurrada nos bastidores, um lugar melhor para a “nova esposa”…E assim vai!

Às vezes, é apenas o desejo de agradar quem está no topo da faixa.

Sim, há os bajuladores doentios!

Outras vezes, é uma tentativa de corrupção, que se insinua sorrateira, oferecendo atalhos e recompensas simples.

E, quando isso acontecer, o colega de ontem pode ser o delator de hoje, o amigo de copo pode se tornar o algoz de gabinete.

A corrupção, diferente do que muitos pensam, chega raramente como um vendaval.

Ela se infiltra como uma infiltração silenciosa, corroendo a poucos os alicerces da confiança.

Um favor aqui, uma omissão ali, e, quando se percebe, a lealdade virou mercadoria.

E, nesse mercado, quem paga mais leva.

No fim das contas, aprendi que, assim como nas finanças, o passado serve apenas como referência, nunca como garantia.

Porque, na Polícia Civil e na vida, o verdadeiro investimento é aquele feito na integridade.

E esse, sim, pode render bons frutos – ainda que, por vezes, solitários.

Tarcísio é mais um  Robin Hood às avessas 6

**FOLHA DE S.PAULO** 
**SÁBADO, 3 DE MAIO DE 2025** 



# Tarcísio repete Judiciário com penduricalhos, e procuradores do Estado quintuplicam extra 

## Categoria de elite do funcionalismo tem disparada de repasses em contraste com discurso de austeridade do governador de São Paulo 

### Bruno Ribeiro 

**SÃO PAULO** 
Sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Repúblicanos), o pagamento de penduricalhos para servidores públicos de elite mais do que quintuplicou em São Paulo, apesar do discurso de austeridade fiscal do governador. No primeiro trimestre, os procuradores do Estado receberam R$ 88 milhões em pagamentos complementares a salários regulares, crescimento de 443% em relação aos R$ 2,9 milhões pagos no primeiro trimestre de 2024. A soma dos rendimentos líquidos – salário, penduricalhos e descontos legais – subiu cerca de 15% na variação entre os dois períodos, de R$ 75,9 milhões (valor corrigido pela inflação) para R$ 87,2 milhões. 

A procuradora-geral do Estado, Inês dos Santos Coimbra, por exemplo, teve rendimento líquido médio de R$ 115,1 mil no trimestre, 34% a mais do que os R$ 90,7 mil recebidos de janeiro a março de 2024. O funcionalismo estadual geral não teve reajuste. A disparada de gastos ocorreu após a base de Tarcísio na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) aprovar, em maio do ano passado, uma lei complementar proposta pelo governador que criou a licença compensatória por sobrecarga de trabalho. 

O benefício concede a procuradores um dia de folga a cada três dias trabalhados, limitando a sete dias por mês, “em virtude do desempenho das atribuições do cargo em condições de excesso de serviço”. Mas o texto não detalha o que caracteriza o trabalho excessivo – a lei atribui a função à própria PGE (Procuradoria Geral do Estado). Se o servidor não tira a folga, ele pode receber o equivalente em dinheiro. 

O partido Novo ingressou com uma ação contra a norma no STF (Supremo Tribunal Federal). Entre os pontos levantados no processo, está a ausência de demonstrativos sobre os impactos financeiros. “Essa demonstração é essencial para evidenciar que o pagamento da conversão em pecúnia indenizatória dos dias de compensação gera o custo anual de R$ 10,49 milhões”, calculou o partido em sua petição. 

A previsão de despesas com pessoal na PGE neste ano é de R$ 7,8 milhões, 8% a mais do que o gasto em 2024. O processo está em trâmite, sob relatoria da ministra Carmen Lúcia. 

Penduricalhos similares estão em expansão na elite do funcionalismo do país, especialmente na magistratura. Em fevereiro, promotores públicos tiveram direito igual reconhecido, de forma retroativa, o que gerou um passivo que pode chegar a mais de R$ 1 milhão por promotor. Com respaldo do STF, o pagamento é entendido como indenização fora do cálculo do teto salarial. 

Os procuradores do Estado, categoria com cerca de 760 membros ativos, são advogados que representam o governo. É função deles, por exemplo, defender as linhas públicas de Tarcísio que se tornaram alvo na Justiça, como a criação de escolas cívico-militares e a isenção à multa por falta de máscaras na pandemia. 

Embora sejam funcionários do Executivo, em São Paulo há dois pareceres mensais pela própria categoria em 2023, já na gestão Tarcísio, que garantem a eles o mesmo tratamento dado às carreiras do Judiciário. Os pareceres seguem decisão de 2021 do STF válida para todo o país, que autoriza a equiparação. 

Desse modo, eles já tinham direito ao teto salarial dos ministros do Supremo (R$ 46,4 mil), em vez do teto paulista, que é o salário do governador (R$ 34,6 mil). Em março, 57 procuradores tiveram salário bruto superior. 



### Despesas da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo 

| Período              | Pagamentos líquidos (R$ milhões) | Indenizações, abonos, licenças e pagamentos eventuais (R$ milhões) | 
|———————-|———————————-|—————————————| 
| 1º trimestre de 2024* | 75,9                            | 16,0                                 | 
| 1º trimestre de 2025  | 87,2                            | 16,0                                 | 

*Valores corrigidos pelo IPCA 



### A PGE em números 
– **759**: Membros ativos 
– **416**: Quadro vago 
– **R$ 40.145**: Remuneração líquida média* 
– **R$ 2,5 bilhões**: Orçamento/2025 
– **R$ 22,3 milhões**: Previsão de investimentos 

*Referência: março/2025 
*Fontes: Portal da Transparência do Governo de São Paulo, Ministério Público, Alesp e Secretaria Estadual da Fazenda* 



Marco Antonio Carvalho Teixeira, do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), destaca que o ponto central da legislação implementada por Tarcísio é priorizar uma categoria que já tem remuneração acima das demais carreiras. 

“A decisão acaba reforçando um caráter de desigualdade no tratamento das categorias, ainda mais em uma categoria que é fundamental para a governabilidade”, disse à *Folha*. Para ele, “é um recurso que pode falhar quando o governo alega que não tem dinheiro para atender outras políticas”. 

A PGE comentou o tema por meio de nota, dizendo que “a licença compensatória, instituída por lei, é concedida devido ao desempenho das atribuições do cargo em situações de excesso de serviço”. 

A nota segue: “Trata-se de um requisito de natureza variável, apurado criteriosamente com base em indicadores que consideram, entre outros fatores, a demanda de trabalho no local de exercício, a complexidade das atividades, as peculiaridades da área de atuação, a acumulação de atribuições e de acervo, bem como a participação em ações públicas extraordinárias”. 

A turbinagem nos salários dos membros da PGE contrasta com o discurso de austeridade fiscal de Tarcísio. O governador lançou em 2024 um programa chamado *São Paulo na Direção Certa*, que tem entre os eixos uma reforma administrativa. 

“O *São Paulo na Direção Certa* tinha algumas premissas, e a primeira delas é reduzir o custeio”, afirmou o governador na terça (29), em evento para investidores. “Cortamos 20% dos cargos, continuamos extinguindo autarquias e empresas que não cumprem seu ciclo, que têm atribuições em duplicidade, que dão prejuízo ou não entregam produto, e nossa ideia é enxugar o Estado.” 

O Palácio dos Bandeirantes afirmou, em nota, que os cortes em autarquias como o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) geraram economia de R$ 13 milhões e que a digitalização de processos públicos deve economizar R$ 2,7 bilhões. 

Na última quarta (30), Tarcísio enviou um projeto de lei que prevê reajuste de 5% para as categorias do funcionalismo público estadual. O reajuste, no entanto, é três vezes menor do que o avanço nos contracheques da cúpula da advocacia pública.

Autor de denúncias que levaram à prisão de policiais civis agora é acusado de extorquir familiares e amigos de agentes 21

Delegado de plantão na Corregedoria teria se recusado a registrar a ocorrência

  • 17/abril/2025 por Poder

 

Por Jair Viana

O responsável por denúncias que culminaram na prisão de policiais civis agora é acusado de tentar extorquir amigos e familiares de outros agentes. Segundo uma fonte próxima às vítimas, ele teria exigido o pagamento de R$ 200 mil para não apresentar novas acusações à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.

De acordo com os relatos, o homem enviou mensagens de texto e áudios ameaçadores, afirmando que protocolaria denúncias formais caso o valor não fosse pago. Ele ainda teria alegado possuir contatos dentro da Corregedoria que facilitariam o andamento das acusações.

A mesma fonte relata que o suspeito se gabava do impacto de suas denúncias anteriores, que resultaram na prisão de alguns policiais, e ameaçava que o mesmo poderia acontecer com outros agentes caso o pagamento exigido não fosse realizado.

As vítimas procuraram a Corregedoria para registrar a tentativa de extorsão, mas, segundo o relato, o delegado de plantão teria se recusado a formalizar a ocorrência.

O autor das ameaças seria o mesmo que apresentou denúncias anteriores contra policiais civis. Ele teria utilizado, inclusive, o mesmo número de telefone empregado nas denúncias anteriores para realizar as extorsões.

O episódio evidencia tensões internas e acusações cruzadas dentro da corporação. Enquanto isso, os envolvidos aguardam providências oficiais sobre a conduta do autor das novas ameaças.

A Corregedoria ainda não se pronunciou oficialmente sobre a suposta recusa em registrar a denúncia. Já o delegado plantonista não respondeu aos pedidos de entrevista.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, por meio de nota, declarou:

“O boletim de ocorrência está sendo elaborado pela Corregedoria da Instituição e, em nenhum momento, houve recusa no registro dos fatos. Tanto a pessoa mencionada como autora quanto a suposta vítima não integram os quadros da Polícia Civil. No entanto, como houve citação ao nome de um policial civil investigado em outra ocasião, o registro está sendo realizado pela Corregedoria, conforme os trâmites internos da Instituição. A Polícia Civil reitera seu compromisso com a transparência e a apuração rigorosa de todos os fatos apresentados.”

https://revistapoder.uol.com.br/2025/04/17/denunciante-de-policiais-civis-e-acusado-de-extorsao

O CASO PABLO MARÇAL E O VELHO DITADO: pimenta no olho alheio é refresco… No meu arde!    3

A recusa do Tribunal de Justiça de São Paulo em censurar o livro Pablo Marçal – A trajetória de um criminoso não é apenas uma vitória pontual da liberdade de imprensa.

É um lembrete de que o passado, especialmente quando envolve figuras públicas, não é propriedade privada — é matéria de interesse coletivo. 

Marçal, empresário, influenciador digital e ex-candidato à prefeitura de São Paulo, alega que a obra é difamatória e fictícia, mas a Justiça, ao menos em primeira análise, reconheceu algo fundamental: há indícios documentais suficientes para que a narrativa do jornalista Cristiano Silva circule sem cerceamento prévio.

A desembargadora Clara Maria Araújo Xavier foi clara: quando se trata de personalidades que procuram espaço político , a sociedade tem o direito de conhecer sua trajetória — inclusive as partes mais sombrias. 

O livro resgata episódios que Marçal preferiria deixar no esquecimento: sua prisão em 2005, acusado de crimes cibernéticos, e sua condenação em 2010 por furto qualificado.

A defesa argumenta que se trata de uma “obra de ficção”, mas a Justiça Federal de Goiás, anos atrás, não pareceu ter dúvidas sobre a materialidade dos fatos.

A prescrição pode ter livrado Marçal do cárcere, mas não apaga os autos do processo. 

Há aqui uma lição que transcende o caso específico: a tentativa de silenciar críticas ou investigações através de ações judiciais é uma estratégia cada vez mais comum, mas que esbarra num princípio democrático básico — a verdade não é monopólio de ninguém.

Se Marçal considera o livro inverídico, o caminho não é suprimi-lo, mas rebatê-lo com provas e contranarrativas.

A censura prévia, felizmente, ainda é exceção no Brasil, e a decisão do TJ-SP reforça que o debate público deve ser livre, ainda que incômodo para alguns. 

O processo segue, e Marçal pode recorrer.

Mas, por ora, a mensagem é clara: quem escolhe a vida pública não pode exigir que o público ignore seu histórico.

A memória, afinal, é um tribunal sem data de prescrição.

A Mclaren e a Memória do Velho Soldado 10

Na sala modesta de um apartamento antigo, repousa uma foto amarelada: um policial militar dos anos 80, farda surrada, olhar cansado, mas digno.

Era de um amigo, daqueles tempos em que ser PM significava viver no limite – de salário, de esperança, de reconhecimento.

Em sua casa, como em tantas outras, faltava quase tudo, menos honestidade.

Carro?

Só nos sonhos ou no bico como taxista. .

Escola, só pública.

O convênio, restrito à Cruz Azul.

O luxo era a roupa lavada, uma cerveja e o macarrão com frango no domingo.

Hoje, a paisagem mudou.

O noticiário estampa o caso do tenente Fernando Genauro da Silva, preso e acusado de envolvimento com o PCC e CV.

Assassino de aluguel !

O que chocou a opinião pública não foi apenas o crime em público deboche , mas o que veio depois: cinquenta dias após o homicídio, Genauro comprou uma McLaren 570S Spider, avaliada em R$ 2,2 milhões, prometendo quitar a dívida em 12 parcelas.

 “Não resisti, mano”, confidenciou a um contato, segundo o laudo pericial requisitado pelo DHPP.

A imagem da McLaren reluzente, motor bi turbo, cor de ouro líquido, corta a avenida como um míssil britânico.

O contraste é gritante: enquanto filhos de PMs do passado disputavam vaga em escola pública, hoje há oficiais ostentando carros de luxo, filhos em colégios particulares, casas de alto padrão, roupas de grife.

 O abismo entre a velha e a nova polícia nunca foi tão visível – e tão ruidoso.

O caso do tenente e sua McLaren de R$ 2 milhões não é isolado.

Os novos policiais  –  civis e militares – ostentam nas redes sociais carros de luxo, viagens, festas, mansões.

O dinheiro circula fácil, a origem nem sempre é clara.

Para muitos, o sonho do serviço público virou bilhete premiado.

Mas a que custo?

O velho PM, aquele da foto amarelada, talvez não reconhecesse mais a farda que um dia vestiu com orgulho.

Talvez, sentado à mesa simples, ele se perguntasse: “Quando foi que a honra deu lugar ao luxo?

No fim, esta crônica policial se escreve entre extremos: a dignidade silenciosa dos que serviram com sacrifício e a ostentação ruidosa dos que se perderam no caminho.

A McLaren do tenente é só um símbolo: veloz, brilhante, mas, como toda ilusão, passageira.

O que fica mesmo é a memória – e o preço que cada um escolhe pagar por ela.

Lei transforma cargos de agente e escrivão em oficial investigador na Polícia Civil do Tocantins 13

Publicado em 13 de abril de 2025

por Angélica Florêncio, Na Hora da Notícia

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, sancionou a Lei nº 4.653, que unifica os cargos de agente e escrivão de polícia no Tocantins, criando o cargo de Oficial Investigador de Polícia. A lei, publicada no Diário Oficial do Estado em 11 de abril de 2025, altera a nomenclatura dos cargos, mas mantém os servidores em suas respectivas classes e referências salariais. A mudança também se aplica aos servidores aposentados.

Detalhes da Mudança:

-Aprovação: O projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) em 25 de março de 2025.Continua depois da publicidade

-Salários: A tabela salarial publicada no Diário Oficial mostra que os salários podem chegar a R$ 21 mil, dependendo da classe.

-Objetivo: A unificação dos cargos visa a melhorar a eficiência nas investigações e atender à Lei Orgânica Nacional da Polícia Civil.

A nova lei representa uma significativa alteração na estrutura da Polícia Civil do Tocantins, impactando diretamente os servidores e suas carreiras

Polícia Civil de SP: pilar da segurança pública 6

A Polícia Civil paulista celebrou, recentemente, 183 anos de história

*Jacqueline Valadares e *Mário Leite de Barros Filho

15 de abril de 2025

(Divulgação/ Polícia Civil)

(Divulgação/ Polícia Civil)

A Polícia Civil paulista celebrou, recentemente, 183 anos de história e de protagonismo, como um dos pilares da Segurança Pública bandeirante. A instituição tem como marco de seu nascimento a data de 3 de abril de 1842, quando o conselheiro Rodrigo Antônio Monteiro de Barros tomou posse na qualidade de primeiro chefe de Polícia da então Província de São Paulo.

Nessa trajetória, outro momento decisivo ocorreu em 1905, com a criação da Polícia Civil de Carreira, pelas mãos do então presidente do Estado (como se denominava o cargo de governador à época), Jorge Tibiriçá. A iniciativa teve como objetivo fortalecer a segurança da população e garantir uma atuação mais técnica e profissionalizada dos agentes da lei.

Ao completar 183 anos em 2025, com toda a sua relevância histórica e social, a Polícia Civil paulista está novamente em pauta, num momento de extrema importância. O Governo do Estado se prepara para encaminhar à Assembleia Legislativa (Alesp) projeto que regulamenta, no âmbito estadual, a Lei Federal 14.735, de 23 de novembro de 2023, que instituiu a Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis.

A proposta tem a finalidade de estabelecer a nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado, com a definição de direitos, de deveres e de prerrogativas dos agentes civis, além de assegurar, em tese, melhores condições de trabalho aos profissionais lotados na instituição, em diferentes setores e funções.

Embora possa parecer uma medida voltada exclusivamente aos integrantes desta força de segurança, seus impactos se estendem para toda a sociedade. Além disso, a criação de uma lei orgânica moderna e justa pode influenciar a legislação de outros estados, dado que, a Polícia Civil bandeirante é frequentemente adotada como referência nacional. Desta forma, a medida não apenas fortalece a instituição de São Paulo, mas, também, contribui para o aperfeiçoamento da Polícia Judiciária em todo o Brasil.

Importante considerar que, por outro lado, preocupações surgem quanto à possibilidade de restrição de direitos e de prerrogativas dos policiais civis – o que poderia comprometer a atuação da instituição, especialmente no que se refere à investigação criminal. Limitações impostas neste âmbito podem enfraquecer a capacidade da polícia no combate ao crime e na garantia de proteção dos cidadãos.

Diante deste cenário, é fundamental reconhecer que a Polícia Civil não pertence apenas aos seus integrantes, mas à sociedade paulista como um todo. A criação de uma lei orgânica compatível com as tradições e os desafios da Polícia Civil paulista representa uma conquista não apenas para os seus servidores. Trata-se de algo fundamental para a sociedade. A iniciativa tende a valorizar seus profissionais, ao passo em que constitui importante legado para o futuro da Segurança Pública em solo bandeirante.

*Jacqueline Valadares. Delegada de Polícia, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) e especialista em Defesa da Mulher

*Mário Leite de Barros Filho. Delegado de Polícia; assessor jurídico institucional do Sindpesp e professor de Direito Administrativo Disciplinar da Academia de Polícia do Estado de São Paulo (Acadepol)

https://www.atribuna.com.br/opiniao/tribuna-livre/policia-civil-de-sp-pilar-da-seguranca-publica-1.458253