Policial do GOE detona ladrão em Floripa 25

Policial paulista passando férias em Florianópolis impede possível assalto

Ele estava em uma automecânica quando dois homens entraram, um deles notou que era policial e um tiroteio começou

Uma provável tentativa de assalto foi frustrada por um policial paulista na manhã de sábado (13), na SC-403, bairro Vargem Grande, Norte da Ilha de Santa Catarina. Segundo a informações preliminares fornecidas ao Notícias do Dia pela Polícia Civil, o policial do GOE (Grupo de Operações Especiais) estava passando férias em Florianópolis, teve problemas mecânicos no seu automóvel e teve que ir até a Ajoeste Autopeças, acompanhado de sua espesa grávida.

Enquanto a companheira do policial efetuava pagamento no caixa da oficina, dois homens pararam atrás dela. Quando o policial de São Paulo parou atrás da dupla, um deles chamou a atenção do outro, dizendo que o homem atrás deles era policial. Então, o bandido tirou uma arma e alvejou o policial do GOE no braço, contudo, numa reação rápida o agente paulista sacou sua arma e alvejou o agressor diversas vezes, matando ele no local. Apesar de também ter atirado contra o segundo assaltante que fugia, não há informações se ele foi ferido ou não.

As vítimas, que foram encaminhadas para o hospital em que o policial baleado passa por cirurgia, devem prestar depoimento ainda hoje. Ambos passam bem.

http://www.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/35718-bandido-morre-e-outro-foge-ao-tentar-assaltar-policial-civil-no-norte-da-ilha.html

O terrorismo do “Crime” joga familiares das vítimas contra a PM: “Esse negócio de polícia mata bandido, acho isso errado…E é assim, porque morreu um policial, se não tivesse morrido, tenho certeza absoluta, ninguém ia querer ir atrás de bandido nenhum” 21

Medo e dor

“Meu pai se foi. Estou com muito medo de voltar”

Ronaldo Abreu Vaio

Em Medicina, efeito colateral é um resultado secundário, que ocorre em paralelo ao efeito desejado. Na vida, sob a rotina cirúrgica com que se anda matando nas ruas, o efeito colateral é José Antônio Alves de Carvalho, de 53 anos. Ele era o recepcionista e segurança do bufê da mulher do sargento PM Marcelo Fukuhara, na madrugada de 7 de outubro. O homem errado, na hora errada. Ao ver que o sargento tinha sido alvejado por tiros de fuzil, na calçada em frente, Carvalho tentou prestar socorro. Foi o seu último ato em vida: também alvejado, morreu a caminho do hospital. Deixa a mulher, Regina Célia Joverno Alves de Carvalho, de 47 anos, e a filha, Vanessa Cristina Joverno de Carvalho, de 23, cuja última grande alegria ao lado do pai foi tê-lo em sua formatura recente, do curso de Enfermagem. Mãe e filha estão em Lins, interior de São Paulo, a terra natal da família, tentando entender uma brutalidade que pouco tem de fatídica: é mais um sintoma de uma doença antiga e muito séria. Nesta entrevista, Vanessa descreve um pouco do pai que perdeu, confessa a sua dor, o medo de voltar a Santos e o desejo de que a morte de Carvalho não seja em vão. “Amava ele muito. Todo dia dizia isso pra ele”.

Créditos: Arquivo pessoal Há quanto tempo vocês moram em Santos? Quando vocês voltam para cá?
Moramos há seis anos aí. Ainda estou com muito medo de voltar pra Santos, porque a qualquer momento acho que vão me matar, matar minha mãe, matar meu pai de novo. E olha que ele nem era policial, era sargento do exército (foi terceiro sargento, saiu em 1984). A gente vai ter que voltar, mas falei pra minha mãe, ‘se eu pudesse, deixava a casa do jeito que ela está’.
Ele era segurança, trabalhava só no bufê? Há quanto tempo? Ele estava lá há dois anos, era recepcionista e fazia um pouco de segurança. Ele conhecia a dona do bufê (Rosana Alves Gonçalves, mulher do sargento Fukuhara), ela gostava de chamá-lo. E ele também trabalhava em uma empresa de segurança, em banco. A gente até falou, que ironia do destino, meu pai, a vida inteira com arma, e nunca aconteceu nada, ele nunca disparou um tiro.
Como você soube do ocorrido? Pela Osan. Eles foram lá em casa pedindo para falar com um parente do José Antonio. Eu falei pra ele, ‘moço, você fala qualquer coisa pra mim, menos que meu pai está morto’. Aí ele falou pra mim que estava… fico vendo o vídeo (da câmera de segurança de um prédio vizinho) você percebe a calma do meu pai indo ajudar… ele foi do exército, por isso acho que ele quis ajudar, ele sabia o que era um tiro de longe.
Você comentou que tem medo de voltar a Santos. Acha que pode acontecer alguma coisa a você e a sua mãe?
Olha, eu não sei. Viram meu pai ali, querendo ajudar, não tiveram dó de matá-lo, vão ter dó de me matar ou a minha mãe? Santos está praticamente em guerra.
Por que Santos está em guerra? Porque é policial matando bandido, bandido matando policial. Meu pai era inocente. Ele saiu pra trabalhar de manhã e não voltou mais pra casa. Eu não vi meu pai nesse dia.
Como era o seu pai? O que gostava de fazer nas horas vagas? Quando ele estava de folga, ele gostava de rezar. Era católico, ia à missa, gostava de rezar o terço das seis horas. Até carregava um terço no bolso. Antes de ir trabalhar, fazia a oração dele, punha o terço no bolso e saía. Dizia que o Senhor o protegeria naquele período.
O que você gostaria que acontecesse para que a morte do seu pai não fosse em vão? O mundo do jeito que está, não dá. Esse negócio de polícia mata bandido, acho isso errado. Vai matar? Mas ele (o bandido) já tirou a vida de uma pessoa antes. Se mata um (bandido), vem dez. E por que eles conseguem matar? Porque a arma deles é muito melhor do que a dos policiais. Aí precisa descer Rota pra fazer alguma coisa. E é assim, porque morreu um policial, se não tivesse morrido, tenho certeza absoluta, ninguém ia querer ir atrás de bandido nenhum.
Como você imagina a sua vida daqui pra frente?
Agora somos só eu e minha mãe, porque eu sou filha única. Eu por ela e ela por mim. Vou trabalhar pra ajudá-la, ela vai trabalhar para cuidar de mim. Vou viver pra cuidar dela. Não vou deixá-la. Meu pai se foi, fica uma única certeza: eu amava ele muito. Todo dia eu dizia isso pra ele.

Agente penitenciário é baleado ao deixar centro de detenção em SP 9

Enviado em 13/10/2012 as 11:24 – Valtino

Tiros foram disparados por homens em moto, segundo a polícia. Nenhum suspeito foi preso até a manhã deste sábado (13). Do G1 SP

Um agente penitenciário de 46 anos foi baleado, na noite desta sexta-feira (12), quando deixava o trabalho no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Belém. De acordo com a polícia, ele estava acompanhado de outro agente, que não chegou a ser atingido. Os tiros foram disparados, segundo disse a testemunha à polícia, por dois homens em uma moto. O agente ferido foi atingido na região do abdômen e precisou passar por uma cirurgia. Ainda não há informações sobre o seu estado de saúde. De acordo com a polícia, nenhum suspeito havia sido preso até as 7h30 deste sábado (13). O caso foi registrado no 30º DP, mas será encaminhado para o 81º DP, onde deverá ser investigado.

“Sou ameaçado todo dia por telefone por um monte de coisa e continuo morando no mesmo lugar porque não tenho condição de mudar de casa nem de sair do país” – A. Telhada 13

“Nunca o ameacei”, diz Telhada sobre jornalista

O coronel reformado da PM e vereador eleito de São Paulo Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada afirma que não conhece o repórter da “Folha de S.Paulo” André Caramante

DANILO THOMAZ

O tenente-coronel Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada (Foto: Mauricio Camargo/Futura Press)O tenente-coronel Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada em foto de arquivo (Foto: Mauricio Camargo/Futura Press)

Eleito vereador de São Paulo com um discurso duro na área da segurança, Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, 50 anos, ou simplesmente Coronel Telhada (PSDB), afirma que sua expressiva votação (quase 90 mil votos) reflete o “reconhecimento” do paulistano ao trabalho da Polícia Militar. “Muitas pessoas querem mostrar o criminoso como vítima do sistema, mas a vítima do sistema é o cidadão. A população cansou de ser explorada, de ter que ficar presa dentro de casa, de ver bandido ser elogiado por todas as pessoas. Quem tem que ser valorizado é a população de bem.”

Telhada comandou a Rota, grupo de elite da PM paulista, até o final do ano passado, quando se aposentou. Sua votação foi a segunda maior do PSDB para a Câmara Municipal de São Paulo, e ele, o quinto vereador mais votado neste ano. No início de sua campanha, ele se envolveu em polêmica com o repórter André Caramante, especialista em segurança pública, da Folha de S.Paulo. Segundo o jornalista, em entrevista a Eliane Brum, Telhada, em perfil no Facebook, o criticou por conta de uma reportagem publicada pela Folha. “No dia da publicação no jornal, 14 de julho, ele postou no Facebook uma mensagem na qual me acusava de ‘defender abertamente o crime’ e pedia uma mobilização contra mim. A conduta desse senhor deflagrou uma onda de tentativas de intimidação, de incitação à violência contra um jornalista – um profissional que apenas retratou o que o próprio coronel reformado registrou publicamente na rede social. Não estou dizendo que ele quis ou que ele não quis incitar atos violentos. Estou dizendo que acabou incitando”, disse Caramante, que está vivendo com sua família fora do Brasil

O vereador eleito nega ter feito ameaça. “Nunca conversei com esse cidadão. Não o conheço, nunca falei com ele nem por telefone. Desconheço esse cidadão, nunca falei com ele, nunca conversei com ele, nunca o ameacei, se tiver alguma ameaça minha que você consiga levantar, terei até prazer em responder (…) Saiu do país por quê? Sou ameaçado todo dia por telefone por um monte de coisa e continuo morando no mesmo lugar porque não tenho condição de mudar de casa nem de sair do país. Agora, se ele saiu do país, alguma coisa ele fez, não sei o que foi. Não sei quem é esse cidadão.”
Leia a entrevista:
ÉPOCA – A que o senhor atribui a sua vitória? Telhada – Primeiro , à minha história de vida. Tenho 33 anos de polícia, 50 de idade.Tenho uma vida pública ilibada com várias atuações em combate ao crime, várias ações em prol da comunidade. E também ao reconhecimento do trabalho da polícia junto à sociedade. Acho que isso é uma resposta aos problemas que a população tem enfrentado com a violência. As pessoas querem que gente que trabalhe nessa área tenha uma postura adequada, honesta.
ÉPOCA –  A população apoia uma política de segurança mais dura? Telhada – Acho que a população precisa de uma polícia que cumpra as leis do jeito que elas são. Infelizmente, no Brasil, alguns setores passaram a encarar o criminoso como uma vítima da sociedade. Passou a se mostrar o criminoso como aquele coitadinho que sofreu na mão da sociedade e agora luta contra o sistema. O cara é quase um caubói social. Bandido é bandido. O bandido quer ganhar dinheiro não importa de que maneira. E a população tem sido a grande vítima. Muitas pessoas querem mostrar o criminoso como vítima do sistema, mas a vítima do sistema é o cidadão. A população cansou de ser explorada, de ter que ficar presa dentro de casa, de ver bandido ser elogiado por todas as pessoas. Quem tem que ser valorizada é a população de bem.

ÉPOCA – Como o senhor acredita que a polícia deve agir diante dos criminosos? Telhada – Dentro da lei. O bandido tem que ser preso, cumprir a pena integral, tem que ser colocado no lugar dele na sociedade. Muita gente quer mostrar o bandido como vítima. Tive um sargento que tomou não sei quantos tiros na cara no litoral e é normal. Queria ver se um criminoso morresse assim. Semana retrasada nós enterramos um soldado morto com dois tiros de fuzil nas costas e eu não vi publicação na imprensa. Quando morre um policial barbaramente todo mundo acha normal. Quando a gente vê um criminoso morrer trocando tiro com a polícia, muita gente se dói. A resposta está aí. Quem tem que ser valorizado é o policial, o cidadão de bem. Bandido tem que ir pra cadeia, cumprir pena.

ÉPOCA – O senhor acredita que falta rigor, por parte da sociedade, com os criminosos no Brasil? Telhada – Muita gente no Brasil confunde o criminoso com o guerrilheiro dos anos 70, onde tinham ideias de liberdade, de lutar contra o sistema. Muita gente confunde o criminoso comum – aquele ladrão que entra em casa, estupra, mata o pai de família, agride a vítima – com uma vítima. “Eles são violentos porque não tiveram oportunidade”. Eu vim de uma família pobre, da periferia Freguesia do Ó, passamos fome, estudei em escola pública, comecei a trabalhar com 14 anos, hoje sou coronel aposentado, graças a Deus eleito vereador. Não se valoriza o cidadão que levanta cedo, pega ônibus lotado, come marmita. Hoje quem tem valor é o cara que fica na rua empinando moto, é o cara que não trabalha, fica a noite no baile funk. O cara que tem que levantar no dia seguinte de madrugada é o trouxa da sociedade.
ÉPOCA – Que projetos o senhor pretende apresentar à cidade como vereador? Telhada – É dificil falar em projetos por enquanto, porque não temos nem um prefeito definido. Precisamos definir o prefeito para saber como vamos trabalhar. A minha pretensão é trabalhar diretamente com a segurança municipal, visando a Guarda Civil metropolitana, que a gente sabe que tem muita coisa pra fazer. Temos que retomar curso na Guarda Metropolitana, fazer novos cursos. Melhoria salarial para todo funcionalismo público municipal, que está muito esquecido, o pessoal esqueceu dessa classe. QUero ajudar em tudo que for possível: educação, saúde, segurança. Não interessa de quem seja o projeto. Seja de que partido for. Se a pessoa apresentar um projeto que for fazer bem pro cidadão, eu vou apoiar. O que interessa é apoiar a população. Devemos ser fiscalizados, acompanhados. A mídia tem que acompanhar, exigir postura. É o que precisamos em São Paulo: Pessoas que trabalhem firme, com honestidade e deem retorno à população.

ÉPOCA – Na sua gestão, a violência da Rota aumentou em 63%. Qual a causa disso? Telhada – Onde você viu essa informação? Eu desconheço. Não se fala em número de presos, armamentos apreendidos, presos recapiturados. Essa informação é oficial?
ÉPOCA – É. Telhada – Eu desconheço.
ÉPOCA – O senhor considera a Polícia Militar violenta? Telhada – Estou falando de um sargento que tomou tiro de fuzil na cara e vem falar que a Polícia Militar é violenta? Um dia eu saí de casa sábado de manhã e tomei 11 tiros na porta da minha casa. Este ano morreram 78 policiais. O crime é violento. Quem está atacando a populaçao é o crime. A polícia se defende porque a obrigação dela é guardar a sociedade. As nossas leis precisam ser revisadas.

ÉPOCA – Revisadas de que forma? Telhada – Todo o sistema legal, todo sistema juridíco. Você tem pessoas que cometem crimes hediondos, pegam 200 anos, cai para 30, com bom comportamento cai pra 25, primeira vez que comete crime vai para 20. No final, o cara “puxa” oito anos de prisão. O nosso sistema jurídico não pune exemplarmente. O cara comete um crime e não paga o crime. Isso incentiva que novas pessoas cometam crimes. Nós precisamos rever o sistema penal. A população sente muito isso. Sente que o criminoso não está sendo punido.
ÉPOCA – Ao mesmo tempo o Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. Telhada – Você não quer que o coronel Telhada explique a segurança do país, não é? Você tem que entender: Nosso sistema legal é falho. As cadeias não recuperam ninguém. A turma fala tanto em Estados Unidos. A gente vê nos filmes o sistema penintenciário americano, a pegada lá é outra. Lá o cara puxa pena, tem prisão perpétua. O crimininoso sabe que vai morrer na cadeia. Nós temos que mudar muita coisa. Mas não sou eu, coronel Telhada, recém-promovido a vereador, que vou resolver o problema. Eu sou um velho soldado só.
ÉPOCA – Embora a taxa de homicídios em São Paulo tenha caído, a violência foi do sexto para o segundo lugar no ranking de preocupações dos paulistanos, segundo o Datafolha. Como o senhor explica isso? Telhada – A violência sempre foi uma preocupação. São Paulo cresceu muito. Todos os problemas cresceram. O problema de segurança também. Não só em São Paulo. Em Conchichina da Serra nós temos violência. O cidadão tem que se preocupar, sim. Tem três condições básicas para se viver em sociedade: educação, saúde e segurança.

ÉPOCA – O que o senhor vê como causas da violência? Telhada – A falta de educação leva à violência, a falta de religião, de emprego, de estrutura familiar, social. Não sou sociólogo, sou policial. Você tem que perguntar isso pro sociológo. Se a gente tivesse investido mais nessa parte, talvez muitos criminosos não seriam criminosos. Mas não cabe a mim discutir isso com você. Como policial que fui a vida toda, cabia a mim prender o bandido, combater o crime. O motivo que levou o cidadão a virar criminoso não sou eu que vou falar pra você, nem sou eu que vou cuidar disso.

ÉPOCA – Quais os principais problemas relativos à segurança pública? Telhada – Precisamos de uma legislação mais forte no combate ao crime. A nossa legislação não pune o criminoso da maneira adequada, ela até incentiva determinados crimes porque as penas são baixas. O criminoso prefere correr o risco de fazer o crime.
ÉPOCA – O senhor é a favor da prisão perpétua? Telhada – Sou.
ÉPOCA  – E da pena de morte? Telhada – Sou contra. A pena de morte no Brasil criaria muitos heróis. Não resolveria nada. A punição eficaz seria séria, severa e prisão perpétua em muitos casos. Muita gente ia pensar antes de fazer as loucuras que fez esses anos.

ÉPOCA – O repórter da Folha de S.Paulo André Caramante deixou o país recentemente, alegando sofrer sucessivas ameaçadas que foram atribuídas ao senhor. O que senhor tem a dizer a respeito? Telhada – Ameaçado por mim? Ele que mostre onde foi ameaçado por mim. Nunca conversei com esse cidadão. Não o conheço, nunca falei com ele nem por telefone. Desconheço esse cidadão, nunca falei com ele, nunca conversei com ele, nunca o ameacei, se tiver alguma ameaça minha que você consiga levantar, terei até prazer em responder. Desconheço que seja isso. Nunca falei com ele, nunca ameacei. Saiu do país por quê? Sou ameaçado todo dia por telefone por um monte de coisa e continuo morando no mesmo lugar porque não tenho condição de mudar de casa nem de sair do país. Agora, se ele saiu do pais, alguma coisa ele fez, não sei o que foi. Não sei quem é esse cidadão.

Ameaçado de morte por cumprir bem seu dever de jornalista 15

Após revelar que o ex-coronel Adriano Lopes Lucinda Telhada usava sua conta de Facebook para fazer apologia à violência, o repórter André Caramante e sua família passaram a viver em situação de exceção

13 de outubro, 2012

Uma denúncia publicada na edição de 14 de julho do jornal Folha de São Paulo contra um ex-coronel da polícia militar obrigou o jornalista responsável pelo artigo a fugir do país devido a ameaças de morte recebidas contra ele e sua família.

André Caramante, um do repórteres mais respeitados do país na área de segurança pública, denunciou em seu artigo as declarações brutais e de apologia da violência publicadas na conta de Facebook do ex-comandante da polícia militar de São Paulo (a chamada Rota), Adriano Lopes Lucinda Telhada, consagrado vereador do estado pelo PSDB nas eleições do último domingo. No artigo, Caramante afirma que Telhada veiculava em sua página no Facebook “relatos de supostos confrontos com civis”, que descrevia como “vagabundos”.

Desde a publicação da matéria, Caramante passou a ser também alvo das ameaças do antigo policial e de seus seguidores e capangas. Telhada recorreu novamente à sua página no Facebook, desta vez para pedir a seus seguidores que enviassem mensagens de ódio ao jornal e ao repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir de então, o site da Folha passou a receber uma enxurrada de comentários raivosos contra o jornalista, alguns dos quais defendia abertamente a sua execução. No início de setembro, as ameaças de morte começaram a ser direcionadas contra a família do repórter, colocando em risco a integridade física de sua mulher e filhos.

Desde 12 de setembro, Caramante se esconde em outro país com sua família para não morrer. Enquanto isso, o Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, festeja a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado de São Paulo, com 89.053 votos.

Não é a primeira vez

Caramante, que há 13 anos denuncia abusos cometidos por grupos de extermínio dentro da polícia de São Paulo, e que ja teve seu trabalho de apuração rigorosa reconhecido duas vezes pelo Prêmio Folha de Jornalismo, hoje vive situação semelhante à vivida pelo jornalista Caco Barcellos após a publicação de seu livro Rota 66 – a história da polícia que mata (Record).

O livro de Barcellos revelou como a Rota atuava como um aparelho estatal de extermínio, responsável pela execução de milhares de pessoas. A reação às denúncias obrigou o repórter a passar um período fora do Brasil, devido a ameaças de morte. A notícia de que Caramante vive situação semelhante, escondido com sua familia em país mantido em sigilo, vazou na semana passada em matéria da Revista Imprensa.

fonte: Opinião & Notícia

O Cachoeira também tinha celular antigrampo – Na real: o grampo tá queimado! 12

13/10/2012-06h30

Facção criminosa investe em celulares ‘antigrampo’

ROGÉRIO PAGNAN AFONSO BENITES DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DE “AGORA”

Documentos em poder do Ministério Público e da polícia de São Paulo revelam que os chefes da facção criminosa PCC estão comprando telefones antigrampo para tentar dificultar as ações da polícia.

São equipamentos com sistema de criptografia que transformam sons e textos em complexas combinações matemáticas que só podem ser decifradas pelo outro celular com a “chave mestra”.

Quando a polícia consegue interceptar telefonema com esse tipo de tecnologia, ouve apenas ruído muito parecido com o som do sinal de fax.

Segundo a Folha apurou, mensagens criptografadas já foram apreendidas pela Rota (tropa considerada de elite da PM paulista) com criminosos na Baixada Santista.

Promotores afirmam que essa informação é “extremamente preocupante” já que as interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, são uma das principais armas de investigação da polícia. Como a Folha revelou no dia 1º, cerca de 400 documentos revelam que a facção tem nas ruas 1.343 criminosos.

O uso de telefones antigrampo explicaria, em parte, a dificuldade da polícia em interceptar mensagens dos principais líderes da facção, dentro ou fora das prisões.

Uma das poucas mensagens interceptadas são os bilhetes escritos pelo preso Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, que a Promotoria diz ser da cúpula da facção.

Em razão dessas mensagens, em que ordena a morte de policiais, o criminoso foi mandado para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes e submetido ao regime disciplinar, isolado durante 22 horas por dia.

As planilhas apreendidas revelam ainda que para os criminosos menos relevantes dentro da facção são adquiridos celulares comuns, embora sejam trocados praticamente a cada mês ou quando um integrante é preso.

Um dos motivos para que os antigrampos estejam restritos aos chefes do grupo pode ser o alto custo. Cada aparelho pode custar de R$ 1.000 a R$ 7.000, dependendo do modelo e do software usado.

Além dos celulares, outros equipamentos tecnológicos adquiridos pela facção criminosa são os chamados “banquinhos” de penitenciária.

São uma espécie de detectores de metal em que as visitas de presos são obrigadas a se sentarem. A intenção é identificar objetos introduzidos no corpo de visita, como celulares e carregadores.

Para os promotores, o propósito da aquisição desse equipamento é tentar descobrir meios de burlar a detecção dos banquinhos. Testar formas de conseguir passar sem acionar o alerta.

NÃO VALE A PENA MORRER PELA FARDA : Omissão do Comando da PM concorreu para a morte de Fukuhara; pra não variar Coronel falta com a verdade tirando o “seu” da reta 30

Enviado em 12/10/2012 as 22:59 – ALONE

Execução brutal

Neste ano, ao menos 66 PMs da ativa e 17 da reserva foram mortos no Estado.Entre os PMs que recebiam escolta de colegas estava o sargento Marcos Fukuhara, morto no domingo em Santos.Pouco antes, os policiais da escolta tinham deixado Fukuhara em casa e advertido para que ele não saísse. Mas o PM decidiu passear com seu cão. Acabou morto em frente ao buffet da mulher dele.“Ele se sentiu seguro e achou que nada fosse acontecer. Por isso, dispensou a escolta”, disse o comandante da PM na Baixada Santista, coronel Marcelo Prado.

Viúva de sargento fuzilado nega versão da PM e diz que marido não tinha escolta

Maurício Martins

Em meio à dor da recente perda do marido, a empresária Rosana Alves Gonçalves não se cala. Ela é viúva do sargento da Polícia Militar Marcelo Fukuhara, executado de forma brutal, com tiros de fuzil, na Ponta da Praia, em Santos. O crime aconteceu domingo, mas as ameaças contra o sargento já completavam um ano.
“Eu não gosto de mentira, de hipocrisia. Meu marido nunca teve escolta” desabafa Rosana, contrariando as declarações dos comandos das polícias Civil e Militar. A empresária, que estava há 11 anos casada com Fukuhara, descreve o policial, de 45 anos, como uma pessoa muito dedicada à família e correta na profissão. “Não aceitava o tráfico (de drogas), não aceitava suborno”. Rosana exige o esclarecimento do crime, a prisão dos autores e um trabalho mais digno aos policiais militares.
O seu marido vinha recebendo ameaças? Quais ameaças? Há mais de um ano. Falavam que ele era a bola da vez, que iriam matar o japonês da Força Tática, porque o japonês faz muito. Ele estava marcado para morrer e não é novidade para ninguém, nem para o comando, nem para os amigos ou a família. Era uma coisa marcada, só que ele era um policial sério, um homem valente.

Créditos: Bruno Miani

Rosana Alves Gonçalves, viúva do sargento Marcelo Fukuhara, morto na Ponta da Praia, no último dia 7

Como essas ameaças chegavam ao conhecimento dele?
Chegavam pelas escutas (telefônicas) que a Polícia Civil tem, através de telefonemas anônimos para a Polícia Militar, e de pessoas decentes que moram também, infelizmente, nesses lugares (onde os criminosos estão). Pessoas que julgavam o meu marido, senão o melhor, um dos melhores. Inclusive, pessoas sérias, que ali moram, procuraram o quartel e pediram para o comandante deixar o policial que ia lá com a sua tropa e colocava sossego para as famílias e dava alguns dias de paz, se ele poderia ficar uma semana lá dentro. Eles acreditavam que meu marido poderia ajudá-los na comunidade.
Ele sabia quem eram os autores das ameaças?
Todo mundo desconfia; certeza ninguém tem. O acontecido no Morro Santa Maria (operação da Polícia Militar comandada pelo sargento em que três homens foram mortos em suposto confronto com os PMs) foi a gota d´água para matarem meu marido. Depois, teve uma reunião onde foi conversado sobre o acontecido, para ver se a operação foi feita da maneira correta, e chegou um envelope com uma gravação avisando que o Marcelo iria morrer. Naquele momento, a cabeça do meu marido valia R$ 50 mil. Depois aumentou para R$ 70 mil, R$ 80 mil e agora eu fiquei sabendo que pagaram R$ 500 mil pela cabeça dele. O que mais me dói é que eu ouvi ontem, pela TV Tribuna, depois que passou a minha reportagem, que meu marido tinha escolta. Meu marido nunca teve escolta, é mentira. Ele teve muitos amigos, policiais sérios e honestos, que se preocupavam com ele. Amigos que paravam (com as viaturas) na porta da minha empresa, o que causava, sim, constrangimento. Isso nunca me incomodou, porque eu respeito a farda, respeito a companhia. Só que essa mentira não dá para aceitar. Meu marido nunca foi escoltado.
Ele queria ter escolta?
Ninguém quer ter escolta. Você imagina ser um policial treinado, educado, que passa por uma doutrina, uma lavagem cerebral, porque amar tanto uma farda mais do que a própria vida é uma lavagem cerebral. Então, uma pessoa do porte do meu marido, se envergonha de pegar um celular, perguntar onde está fulano (outro policial, um amigo dele) e pedir para ele largar uma ocorrência e levá-lo para casa. Não é fácil, é vergonhoso. Eu, como mulher dele, falava que não ia sair se ele não chamasse algum colega. Então, por muitas vezes, chegamos a bater de frente por causa disso. Em compensação, existem pessoas que foram ameaçadas e tiveram escolta 24 horas, não precisavam ligar para ninguém. Isso é uma escolta. Se eu peço uma escolta para a Polícia Militar, ela tem que me escoltar, não tenho que pedir. Então, se eu saio de casa 6h, 5h50 tem que ter uma viatura esperando. Isso nunca aconteceu com o Fukuhara e eu quero que me mostre que havia isso. Então, senhores comandantes, vocês têm o meu respeito, mas falem sério. O Fukuhara nunca teve escolta, teve amigos que se preocuparam com a vida dele. É uma grande mentira e uma vergonha. Estão falando inverdades ou não sabem nem o que estão dizendo.

Créditos: Reprodução

A viúva descreve o marido como um homem presente e uma pessoa muito feliz

Ele imaginava que esses criminosos que o ameaçavam estariam tão bem armados, com fuzil?
Sabia, com certeza. A própria Polícia Militar sabe; todo mundo sabe disso. Se o senhor já subiu o morro, sabe que lá tem fuzil, metralhadora e droga. Se o nosso governo, nosso secretário da Segurança, chamar o Exército e colocar as polícias Civil e Militar lá, naquele morro, sai todo mundo (bandido) e só ficam as pessoas honestas. E por que não fazem isso? A fortaleza somos nós, a sociedade, não os criminosos. Quem manda agora em Santos são as milícias, é o tráfico? Vou ter que ir embora de Santos? Você terá que ir embora de Santos? Isso vai virar a Rocinha? Meu marido sabia, era um policial sério e bem informado. O que parece que o secretário da Segurança não é; deveria trocar toda a equipe dele. Eu acredito nele e confio nele, mas quero ele domingo na missa do meu marido. Eu quero o nosso governador, o nosso prefeito, para mostrar que eles são gente, que vão fazer alguma coisa pela sociedade. Afinal, para isso eles estão lá em cima.
Como era o marido Marcelo Fukuhara?
Um marido presente, uma pessoa muito feliz, muito alegre, uma pessoa que gostava de chegar em casa e juntar todo mundo na cozinha para fazer comida. Uma pessoa que chegava com um pote de sorvete quando eu estava na cama. Minha filha, que não é filha dele, vai se casar e queria que ele entrasse na igreja com ela. Meu filho tinha 5 anos quando ele me conheceu, tinha problemas de saúde e todos acabaram quando o Marcelo entrou na nossa vida. O Marcelo entrou na minha empresa para fazer bico e conquistou meus filhos. Uma pessoa carinhosa, afetuosa. Quando ele não estava na polícia, estava ao meu lado.
Ele chegou a mudar a rotina?
Mudou pelas ameaças. Se ele andava por uma rua, começou a ir por outra. Se fazíamos um trajeto para pegar meu filho na escola, começamos a fazer outro. A nossa rotina mudou faz muito tempo. Eu saía de casa todo dia em um horário, comecei a sair a cada dia uma hora diferente. Assim, mudou tudo. Ele sempre foi tranquilo, mas a rotina mudou muito. Deixamos muitas vezes de ir ao shopping, de sentar na praia para tomar uma água de coco.
Isso há mais de um ano, então. Não foi só depois daquela operação no morro?
Eu acredito que o caso do morro foi a gota d’água. A morte do meu marido foi decretada ali. Com a vasta experiência dele, ele não imaginava que ia entrar ali e dar de cara com aquele carregamento (de armas), porque ele jamais iria expor a vida dos companheiros. Todo mundo sabe que um rapaz (policial) tomou um tiro no colete. Morreram três bandidos, foram 57 quilos de maconha (apreendidos). Depois daquela operação, se o nome do meu marido estava em terceiro ou quarto (para morrer), passou para primeiro.
O que a senhora espera do Governo do Estado?
Espero que eles venham para Santos. Não só o Governo do Estado. Eu espero a dona Dilma (presidente), os ministros, todos que mandam nesse País. Espero que eles sejam gente. Eu confio neles, acredito neles. Acho que eles não podem se acovardar diante de uma situação dessas. Nós somos fortes e os bandidos fracos? Eles têm 20 fuzis? Um fuzil custa R$ 30 mil reais? O Brasil tem dinheiro, o governo tem dinheiro. Se o Estado não tem dinheiro, a população se junta para arrumar – o que é uma vergonha, porque a gente sabe que tem. Vamos limpar nossa Cidade. Vamos lá ‘seo’ Alckmin (governador), vamos lá ‘seo’ secretário da Segurança.
Ninguém procurou a senhora?
Ninguém. Quem foi ao quartel fui eu. Fui muito bem recebida, porque é impossível me receberem mal, mas na minha casa ninguém veio. Depois que a minha entrevista apareceu na Globo, o pessoal dos Direitos Humanos me ligou, dizendo que tenho direito à pensão e a não sei mais o que. Eles pensam que a vida é isso; vida para eles é dinheiro, mas para mim não.
O seu marido reclamava da falta de condições de trabalho?
É óbvio. Não só ele, mas toda a tropa. A viatura não tem HT (rádio comunicador). Meu marido tinha que usar um Nextel que é nosso, que minha empresa paga. Todos os policias viraram clientes Nextel, porque se não tiverem (o aparelho), eles levam esculacho. Você sai da polícia Militar às 19 horas. Se eles te ligarem 1 hora da manhã e o Nextel estiver desligado, é castigo. E se atender depois de meia hora, é berro. De quem é o Nextel? É do Estado? O Estado paga a conta? Foram comprados vários tablets para as viaturas. Cadê os tablets? Não tem. As viaturas estão quebradas, tem que pedir ajuda para os comerciantes. O quartel não é ruim, as pessoas não são ruins. Temos bons comandantes, bons capitães, excelentes tenentes. Os soldados e cabos são pessoas muito boas. Eu convivi com eles 11 anos da minha vida.
A senhora pretende fazer uma manifestação?
Não sei se é uma manifestação. Vou fazer a missa do Marcelo e pedi para todas as pessoas comparecerem de branco. Mandei fazer algumas camisetas, só isso. Eu peço que todos estejam na missa do Marcelo. Será domingo, às 17 horas, na Igreja Sagrado Coração de Jesus (Avenida Bartolomeu de Gusmão, 114, Ponta da Praia).Quero dizer mais uma coisa: têm muitas mulheres desesperadas pelos seus maridos, homens que não largam a farda, que querem proteger a população. Valorizem esses policiais, parem de humilhá-los, parem de forçá-los a trabalhar mais de 12 horas com menos de 6 de descanso. Respeitem esses policiais.

fonte: A TRIBUNA

MP desde setembro apura ameaças supostamente cometidas por policiais CIVIS e militares contra Caramante 16

MP instaura procedimento para investigar ameaças a jornalista

O Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GECEP) do Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou, no dia 10 de setembro, um procedimento investigatório para apurar as ameaças, supostamente cometidas por policiais civis e militares, contra o jornalista André Caramante, repórter do Jornal Folha de S. Paulo. O procedimento, instaurado pelo promotor de justiça Antônio Benedito Ribeiro Pinto Júnior, visa dar prosseguimento a uma representação do jornalista que alega estar sendo ameaçado devido a sua atuação profissional. Um dos autores da ameaça teria telefonado para a redação do Jornal Folha de S. Paulo no dia 28/08 e dito “que iria mandar o Caramante para o inferno” e que ele deveria “ter cuidado com os seus filhos”. Em outra ligação, realizada na mesma data, o autor da ameaça dizia: “Quero deixar um recado para o André Caramante. Para ele deixar a polícia trabalhar em paz ou os filhos dele vão estudar no tacho do inferno”. As informações são confirmadas pelos funcionários responsáveis pelo atendimento telefônico da empresa. Na representação enviada ao Ministério Público, o jornalista incluiu mensagens e postagens em blogs e redes sociais que comprovam as ameaças sofridas. No dia 24 de setembro, o Ministério Público do Estado de São Paulo oficiou a operadora VIVO, solicitando os dados cadastrais do número identificado em algumas das ligações de ameaça realizadas pelo celular. A solicitação do MP-SP independente de autorização judicial, em conformidade com a Lei nº 12.683/2012.

http://www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/noticias/publicacao_noticias/2012/outubro_2012/MP%20instaura%20procedimento%20para%20investigar%20ameaças%20a%20jornalista.pdf

” Que legal, os caras tem refeição de graça , dormem no local e voltam pras ruas pra fumarem crack. Os Traficantes agradecem pelo governo cuidar bem de seus clientes” – Wagner 5

/10/2012

Centro municipal para viciado em crack está às moscas

Rafael Italiani do Agora

Criado para oferecer tratamento a dependentes químicos, principalmente viciados em crack, o Complexo Prates, na cracolândia (região central), está subutilizado. Segundo funcionários, cerca de 200 pessoas são atendidas diariamente no local, inaugurado em março com o objetivo de receber 1.200 por dia.

Sobram médicos, agentes de saúde, assistentes sociais e seguranças.

Enquanto o espaço de convivência que oferece serviços como sala de leitura, computadores e esportes está vazio, o centro de acolhida para adultos tem as 110 vagas preenchidas.

Elas garantem quatro refeições diárias e um local para dormir e tomar banho para os usuários.

Para isso, eles têm de comprovar que estão fazendo o tratamento no complexo ou em outro serviço público.

Durante o dia, os viciados podem sair. Com isso, muitos vão para as ruas consumir crack e voltam ao complexo para jantar, dormir e continuar o tratamento.

Resposta

A Secretaria Municipal da Assistência Social afirma que o objetivo do Complexo Prates é ampliar a qualidade do atendimento e facilitar a aceitação e adesão ao tratamento de saúde e de dependência química.

A prefeitura, que não revelou a quantidade de atendimentos diários a usuários de drogas, afirmou que “ninguém é obrigado a aceitar ou permanecer” no tratamento.

Também não foi comentado o fato de que os dependentes químicos mesmo em tratamento continuam usando entorpecentes.

Segundo a prefeitura, desde a inauguração do local, a AMA e o Caps-AD, juntos, fizeram 21 mil atendimentos.

A Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania afirmou que as ações de combate ao tráfico de drogas e de assistência aos dependentes químicos continuam intensificadas na Luz.

Segundo a pasta, “os resultados obtidos até o momento estão dentro do esperado”.

Editorial do Jornal O Estado de S. Paulo – Rotina Macabra 12

O combate ao crime organizado no Estado de São Paulo com base no “mata-mata”  já chegou a um ponto intolerável. Há meses, os paulistas estão assistindo a uma  rotina macabra. O mais recente episódio ocorreu entre a noite de terça e a tarde  de quarta-feira desta semana, quando pelo menos 12 pessoas foram mortas a tiros  na Grande São Paulo, 7 das quais assassinadas pouco depois de um policial  militar (PM) ter sido morto em Taboão da Serra. Policiais da região disseram ao  Estado que a ação foi uma vingança pela morte do PM. Antes disso, na Baixada  Santista, uma onda de violência deixou 13 mortos em cinco dias, também após o  assassinato de dois policiais.

Esses números mostram que as autoridades de segurança pública não têm sido  capazes de conduzir investigações que levem à captura dos responsáveis pelos  atentados contra os policiais. Já são 79 soldados mortos neste ano, e os PMs,  por medo de serem surpreendidos pelos criminosos, escondem a farda e andam em  comboio quando voltam para casa. Ao mesmo tempo, o governo não parece enérgico o  bastante para desestimular a ação dos justiceiros, para quem não interessam  coisas civilizadas como o Estado de Direito.

A resposta do governo foi anunciar uma operação com 15 mil PMs no Estado e a  realização de um cerco na Baixada e na região metropolitana. “A PM quer  demonstrar que está respondendo aos picos de incidências criminais”, disse o  comandante da PM, coronel Roberval França. Ele negou que esteja em curso uma  guerra entre a PM e o PCC, principal organização criminosa do Estado. Para  França, trata-se somente de uma “série de delitos”.

A reação da PM está em linha com a versão recorrente do governo segundo a  qual o fôlego do PCC está no fim. O secretário de Segurança Pública do Estado,  Antonio Ferreira Pinto, negou que as mortes na Baixada tenham relação com o PCC  e chegou a dizer que parte da imprensa “glamouriza” o grupo, “o que só traz  desassossego à população”. Segundo Ferreira Pinto, o PCC se resume a “30 ou 40  indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico”. Documentos  do Ministério Público, porém, mostram que a facção tem mais de 1.300 criminosos  em 123 cidades paulistas.

Atuando desde 1993, o PCC só teve sua existência reconhecida no ano 2000,  pelo então governador Mário Covas, de modo que o grupo teve bastante tempo para  desenvolver-se sem ser incomodado. E esse poder logo viria a se manifestar: em  2001, o PCC paralisou 30 presídios paulistas, demonstrando alto grau de  articulação, que só seria possível num ambiente de ausência do Estado. O impacto  dessa exibição de força foi tal que gerou a implantação do Regime Disciplinar  Diferenciado, para isolar os líderes das facções nos presídios. Em novembro de  2002, o governo já se sentia à vontade para declarar, pela voz do delegado  responsável pelo combate ao crime organizado, que o PCC havia sido  “desmantelado” – e ainda brincou: “Se o PCC tinha uma boca cheia de dentes,  agora tem um dentinho aqui, outro ali”. Apenas quatro anos mais tarde, esse PCC  “banguela” promoveu uma onda de terror inédita em São Paulo, matando dezenas de  policiais e impondo toque de recolher em bairros da periferia.

É de fato prudente não exagerar o poder do inimigo, e o esforço do governo  para não demonstrar fraqueza ante o PCC é estrategicamente correto. No entanto,  ao minimizar o alcance do grupo, querendo fazer crer que se trata apenas de um  punhado de traficantes, as autoridades atentam contra as evidências e manifestam  em seu discurso uma tal desconexão com a realidade que, ao fim e ao cabo, os  cidadãos ficam sem saber se poderão voltar a se sentir seguros.

Para conter a ofensiva do crime organizado, as autoridades do Estado fariam  melhor se deixassem de lado o discurso sobre a fragilidade do PCC, que a  realidade teima em desmentir, e começassem a investir de fato na inteligência  para identificar os autores intelectuais dessa onda de crimes contra policiais.  Outra solução, bem menos trabalhosa, é fechar os olhos e deixar que vingadores  façam o “serviço”. Mas aí sairemos do campo da segurança pública e entraremos no  da barbárie.

 

Operação do Deinter- 6 prende 209 pessoas; 121 em flagrante e 88 procurados 62

Polícia reforça segurança e detém mais de 200 em SP

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Às vésperas do feriado de Nossa Senhora Aparecida, a Polícia Civil aumentou o efetivo de homens na rua e prendeu 121 pessoas na Baixada Santista nesta quinta-feira (11). A operação do Deinter-6 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior – 6) visa conter a série de assassinatos que ocorre em cidades de todo o Estado, principalmente no litoral paulista desde a última semana.

A operação foi realizada em 24 cidades da Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira. Das 544 pessoas abordadas, 121 foram presas em flagrante. Também foram elaborados 12 termos circunstanciados, para ocorrências menos graves e 12 adolescentes foram apreendidos.

A Polícia Civil afirmou que outras 88 pessoas procuradas pela Justiça foram presas em mandados de prisão e de busca e apreensão. A maioria foi encontrada na área da Delegacia Seccional de Santos. Também foram apreendidos 3,48 kg de drogas, quatro armas de fogo irregulares e sete veículos durante a operação.

Fonte: UOL

Governo precisa proteger policiais, diz ex-secretário 62

11/10/2012-06h06

DE SÃO PAULO

O advogado Hédio Silva Jr., secretário estadual de Justiça de SP durante os ataques do PCC em 2006, afirma que os criminosos que atuam hoje se mostram mais organizados do que há seis anos. (GIBA BERGAMIM JR.)*

Folha – Existe uma guerra entre o PCC e a polícia? Hédio Silva Jr. – Há indícios fortes de ação orquestrada contra PMs. Há circunstância específica, os PMs estão quase sempre fora de serviço. O governo precisa dar resposta à altura para proteger seus policiais, com esquema de proteção. Mas sem tolerar brutalidade e abuso nessa resposta.

As mortes de civis podem ser revanche de PMs? Não é possível dizer isso de maneira categórica sem ser leviano. Mas a hipótese não pode ser descartada.

O governo minimiza o PCC? Você não empreende ações dessas se não há capacidade de organização.

Essa associação criminosa tem poder de articulação e hierarquia, e não se pode subestimar isso. Não há improviso nem voluntarismo, há ação coordenada. Em 2006 havia ações orquestradas, mas as de hoje me parecem mais organizadas. Há uma distribuição regional que não parece aleatória.

Polícia põe escolta para PMs ameaçados em São Paulo…( Carona ida e volta para o trabalho ) 41

11/10/2012 – 06h07

ROGÉRIO PAGNAN AFONSO BENITES DE SÃO PAULO JOSMAR JOZINO DO “AGORA”

A crise na segurança de São Paulo chegou ao ponto de obrigar policiais militares, que deveriam proteger a sociedade, a buscar escoltas da própria polícia após ameaças de morte.

Outros policiais, por conta própria, estão saindo de suas casas, mudando rotinas ou se trancando em suas residências como prisioneiros.

Neste ano, ao menos 66 PMs da ativa e 17 da reserva foram mortos no Estado.

Entre os PMs que recebiam escolta de colegas estava o sargento Marcos Fukuhara, morto no domingo em Santos.

Pouco antes, os policiais da escolta tinham deixado Fukuhara em casa e advertido para que ele não saísse. Mas o PM decidiu passear com seu cão. Acabou morto em frente ao buffet da mulher dele.

Editoria de Arte/Folhapress

“Ele se sentiu seguro e achou que nada fosse acontecer. Por isso, dispensou a escolta”, disse o comandante da PM na Baixada Santista, coronel Marcelo Prado.

Conforme Prado, já houve outros casos em que PMs precisaram ser escoltados.

Um policial ouvido pela Folha disse que teve de se trancar em casa, com sua família, após receber ameaças de traficantes de São Bernardo do Campo, no ABC.

“Antes, o bandido cometia crime e fugia para se esconder. Hoje, a situação se inverteu. Nós deixamos o trabalho e nos escondemos dentro de casa”, afirmou um soldado que pediu anonimato.

“Os bandidos estão dando prêmios para quem matar um policial. Se forem presos, têm assistência jurídica. A que ponto chegamos?”

Outro policial relatou que foi obrigado a se mudar.

“Mudei de cidade após os bandidos irem até a porta da minha casa quatro vezes. Muitos outros policiais que conheço estão deixando suas casas, sempre às pressas”, disse o investigador da Polícia Civil, que atua na Grande São Paulo.

Setores de inteligência das polícias descobriram que, desde o fim de semana passado, bandidos da facção criminosa PCC estão catalogando quem são os policiais que moram nas regiões próximas aos pontos de venda de drogas. O objetivo é matá-los caso algum criminoso da quadrilha seja assassinado.

Na última sexta-feira, a Folha revelou que documentos da facção criminosa que estão em poder da polícia e do Ministério Público mostram que os chefes do PCC ordenaram os ataques aos policiais.

PROGRAMA

Comandantes de batalhões da PM ouvidos pela Folha afirmaram que, nos próximos dias, o governo deve lançar um programa de proteção ao policial com o objetivo de reduzir o número de PMs vítimas de violência.

A informação foi negada pela Secretaria da Segurança.

Anteontem, entretanto, o comandante da PM no Estado, coronel Roberval França, afirmou que os PMs estão recebendo orientações de como agir em seus momentos de folga para que também não se tornem vítimas.

Dos 66 policiais militares mortos neste ano, só 3 estavam trabalhando. Os demais estavam fora do serviço.