Após polêmica, Alckmin diz que PM poderia descrever suspeito loiro
Em São Paulo
Para Alckmin, ordem de abordar negros e pardos não foi racista
Orientação foi dada em dezembro, por capitão da PM em Campinas; para governador, foi só uma descrição de suspeitos
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a Polícia Militar da acusação de racismo após um comandante determinar a abordagem de jovens de “cor parda e negra” em Campinas, no interior paulista. A ordem, em dezembro de 2012, foi dada pelo capitão Ubiratan Beneducci, comandante da 2.ª Companhia do 8.º Batalhão após assaltos no bairro Taquaral.
Um comandante da Polícia Militar em Campinas, no interior do Estado de São Paulo, determinou, em uma ordem assinada em dezembro de 2012, que seus agentes abordassem jovens de “cor parda e negra” em rondas na região de Taquaral.
A medida, divulgada na quarta-feira (23) pelo jornal Diário de São Paulo, provocou polêmica devido à discriminação da cor das pessoas suspeitas de assaltos naquela área.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) se manifestou sobre o assunto nesta quinta-feira.
Para ele, o caso não indica racismo, por se tratar apenas da caracterização física de um grupo específico de supostos criminosos e que, se fosse o caso, ela poderia indicar um suspeito loiro ou asiático.
“O que houve foi um assalto ocorrido num bairro. Você tem um suspeito feito pelas características. É como se dizer: ‘Olha, teve um assalto aqui e o suspeito é um loiro, uma pessoa loira. Ou o suspeito é uma pessoa japonesa, asiática’. Enfim, o suspeito era uma pessoa de cor parda”, disse Alckmin.
“Mas [esse foi] um caso específico, onde havia um suspeito. Não há nenhuma forma de discriminação”, ressaltou o governador, acrescentando que, se fosse constatado preconceito, “a punição seria rigorosíssima”.
Representantes de entidades de direitos humanos, como a Educafro, enxergam discriminação na medida.
A entidade entregou na quarta-feira (23) à Secretaria da Segurança Pública uma carta em que cobra explicações sobre a ordem emitida pelo capitão Ubiratan Beneducci, comandante da 2ª Companhia do 8º Batalhão da PM em Campinas.
Segundo o porta-voz da PM em São Paulo, o capitão Eder Antonio de Araújo, as características citadas na ordem do comando foram baseadas em uma carta enviada por moradores da região, que descreviam um grupo que praticava roubos a residências naquelas imediações.
“A forma como foi colocada a ordem de serviço, ela generaliza. Ela não tem uma ação específica”, disse Edna Almeida Lourenço, integrante do movimento negro e fundadora da entidade Força da Raça Campinas. Na avaliação dela, a mensagem deveria informar, também, outras características dos suspeitos.
‘Deslize de comunicação’ Para Araújo, a mensagem não tem teor racista. Ele afirma que o caso pode ser considerado um “deslize de comunicação”. “O documento foi escrito de forma descuidada e com informações descontextualizadas. A partir do momento em que foi constatado, o caso foi imediatamente corrigido”, disse Araújo.
De acordo com o oficial de São Paulo, duas pessoas com as características descritas foram presas no período em que a patrulha foi intensificada. A PM informou que, inicialmente, não pretende punir o autor da mensagem e que não será aberta sindicância para apurar o caso.
No exterior Nos Estados Unidos há uma polêmica de casos de policiais que decidiram investigar pessoas por causa da etnia, raça ou religião. O ‘racial profiling’, como esse tipo de discriminação é chamado em inglês, tomou força após 2001 quando ocorreram os ataques terroristas no país e grupos específicos passaram a ser mais visados nas investigações. No mesmo ano, o ex-presidente George W. Bush chegou a se pronunciar contra a prática.














Quando o delegado Paulo Roberto de Queiroz Motta resolveu que era hora de contar aos filhos a sua trajetória na Polícia Civil, foi atrás de material histórico, como fotos e documentos, mas não achou muita coisa. Decepcionado, ele decidiu agir por conta própria e virou um “caçador” de documentos da instituição para a qual dedicou sua vida.

