
Era uma vez, num sub- reino tropical chamado São Paulo , onde os Delegados de Polícia e Oficiais da Polícia Militar ( e outros ) viviam um curioso dilema existencial.
Apesar de serem servidores públicos, pagos pelo suor do proletariado, muitos deles se consideravam herdeiros da alta burguesia.
Não era raro vê-los desfilando em seus carros reluzentes, ostentando relógios caros e falando com a pompa de quem controla o destino das massas.
Tudo fruto de butim!
Embora digam em defesa própria: herança de família ( pais pobres ou de empresários falidos ) .
Mas será que eles realmente sabiam onde estavam no fluxograma social?
No início do dia, lá estava o Delegado, sentado em sua sala climatizada, imaginando-se um burguês.
Com aquele sorriso franco do Silvio Santos!
“Meu cargo me traz poder político?”, perguntava a si mesmo enquanto assinava um boletim de ocorrência.
A resposta, claro, era negativa.
Afinal, o verdadeiro burguês não precisa lidar com a burocracia estatal; ele a controla.
Mas o Delegado não foi vencido. “Sou herdeiro e vivo de renda?”, insistia, ignorando que seu salário dependia do orçamento público aprovado pelo mesmo proletariado que ele tanto desprezava.
Herdeiro do cargo , já que , em muitos casos , tal como uma empresa, pai deixa cargo para o filho.
Exemplos vivos não faltam!
Do outro lado da cidade, o Oficial da PM faz sua ronda em um bairro nobre.
“Posso viver sem trabalhar?”, refletia enquanto ajustava a farda impecável.
Mas bastava lembrar do desconto no contracheque para perceber que não era bem assim.
Sem a folha de pagamento do governo, sua vida confortável viraria pó.
Ainda assim, ele mantinha o sonho: “Talvez eu seja pequeno burguês”, pensado enquanto estacionava ao lado de um condomínio luxuoso… que ele jamais poderia comprar.
E assim segue o delírio coletivo da burguesia policial .
Eles ignoraram , ignoram e sempre ignorarão que estão mais próximos do proletariado do que dos donos do capital.
Afinal, dependem do trabalho diário – ou da roubalheira – para manter suas vidas desconfortáveis ou ansiosas (será que ladrão vive despreocupado ) e tinham pouco ou nenhum poder político real.
Mas admito que para isso, uma nova consciência , seria como trocar a farda ( ou terno e gravata ) por uma camisa de operário — algo impensável para quem se imagina acima da plebe.
No final das contas, os Delegados e Oficiais da PM eram apenas peças na engrenagem estatal: trabalhadores formais , vez ou outra , com atualizações salariais e benefícios garantidos (quando comparados aos precarizados).
Mas a fantasia persistia, alimentada por títulos pomposos e uma posição que os faria sentir especiais.
Talvez fosse o momento de alguém pendurar o fluxograma social na parede das delegacias , das companhias e dos batalhões .
Quem sabe assim, eles finalmente entenderão que não são burgueses nem donos do poder — são apenas proletários com cargos públicos.
E enquanto isso não acontece, seguimos rindo dessa tragicomédia brasileira, onde até quem depende do contracheque estatal acredita ser parte da elite econômica.
Última linha: Em casa de prostituição todo pobre , no dia do pagamento, se sente Ministro da Zona!
Mas sempre puxando o saco do cafetão!










