Suspeita é de que os afastados achacassem membros da quadrilha que foi desbaratada na terça-feira
da Redação – estadao.com.br
SÃO PAULO – O corregedor e dois delegados da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) foram transferidos, na tarde desta quarta-feira, 4. A medida foi anunciada pelo delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maurício Freire, um dia depois de uma operação do Ministério Público e da Polícia Rodoviária Federal ter prendido 19 suspeitos de integrar um esquema que fraudava e falsificava habilitações em sete Estados. A suspeita da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo é de que os delegados achacassem membros da quadrilha que foi desbaratada na terça-feira, 3, durante a Operação Carta Branca.
O esquema de corrupção envolvia a falsificação e a venda de carteiras de habilitação para pelo menos sete Estados e foi desbaratado com a prisão de 19 policiais, despachantes, médicos, psicólogos, proprietários e funcionários de 17 auto-escolas e Centros de Formação de Condutores (CFCs) em 11 cidades da Grande São Paulo. A Operação Carta Branca foi desencadeada após um ano de investigações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) do Ministério Público Estadual.
O esquema de propinas envolve delegados e investigadores das Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo – incluindo a Corregedoria, suspeita de achacar os envolvidos no esquema. Em duas oportunidades, donos de auto-escolas e funcionários de Ciretrans acabaram flagrados conversando sobre a arrecadação de dinheiro para os corregedores.
Deputado
Todas as vezes que algum problema acontecia, o grupo recorria aos seus contatos no Detran de São Paulo ou na política.
Em conversa gravada, os suspeitos dizem que o responsável pelo caso devia “se virar, mover o deputado dele”, caso contrário seria engolido, pois já estava tudo “acertado com o delegado de Joaquim”. Dizem que a pessoa já havia derrubado um “seccional”, em referência ao titular responsável pela polícia na região. O esquema teria influência na polícia, pois seria capaz até de provocar o afastamento de delegados. Eis mais um motivo usado pelos promotores para que fosse decretada a prisão temporária, por cinco dias, dos acusados. “Soltos, eles destruirão provas e tentarão corromper agentes públicos.”






