A Comarquinha mais cara do mundo, cada vez mais cara e improdutiva 11

Enquanto o país conta moedas para financiar saúde básica, escola sem banheiro e viatura sem gasolina, há uma ilhazinha togada onde dezembro vira estação de caça bem armada ao erário, com salários líquidos que fariam corar banqueiro do Master e traficante internacional.

Trata‑se de uma Justiça de nicho, autointitulada especial ou especializada , com jurisdição restrita e clientela cativa – oficiais e praças da caserna – mas mantida como se fosse um grande tribunal de massa.

Um Tribunal para cerca de 80.000 jurisdicionados , concluindo nada mais do que 150 miseráveis processos por mês.

Questões rotineiras e sem nenhuma complexidade!

Poucos processos, muitos cargos de confiança , orçamento gordo, supersalários recheados de vantagens “eventuais” e retroativos: a conta não fecha na lógica republicana, mas fecha com folga na matemática dos penduricalhos.

É a “Comarquinha” que se comporta como corte imperial, com guarda de honra, banda marcial e direito adquirido ao décimo terceiro luxo.

O contrassenso maior está na assimetria: no fórum comum, juízes atolados  – ainda que bem remunerados – oficiam em dezenas de milhares de feitos, grande parcela intrincados e de interesses qualificados , servidores adoecidos pagando pedágio para aposentadoria , prédios, em determinadas Comarcas , caindo aos pedaços. Na Justiça Militar estadual, plenário envernizado, agenda folgada, decisões que raramente tocam a vida do povo miúdo.

Toca sim , para absolver policiais militares – estupradores, inclusive – transformando a vida das vítimas para muito pior !

Já que acabam vilipendiadas , executadas e  agredidas : duas vezes!

A desigualdade aqui não é um conceito sociológico, é um método de gestão de privilégios: quanto menor o alcance social da jurisdição, maior o conforto da estrutura, mais generosa a folha.

E, como toda máscara mal colocada, a da “Comarquinha” também escorrega. Basta um dezembro mais exibido, um vazamento de contracheques beirando a pornografia , para que se veja o que sempre esteve por baixo da toga engomada: a crença de que o dinheiro público existe para preservar castas e não para atender direitos.

O discurso da “excepcionalidade” das verbas apenas refina o cinismo: o que é eventual para o magistrado é permanente para o contribuinte, que paga todo mês a conta do luxo alheio.

Por contrassensos da desigualdade entende-se  quando tal sistema judicial desce com fúria sobre o pequeno e sobe em marcha lenta diante do poderoso.

Aqui o roteiro se repete, porém com trilha sonora marcial: a mesma mão que assina sentenças muito mais em nome da disciplina e da hierarquia ; muito menos em nome da defesa da coletividade , não vê nenhum problema em rasgar o espírito do teto constitucional e de todo o ordenamento jurídico na hora de encher o próprio bolso.

A tropa que marcha em fila, por soldo minguado, olha de baixo para uma cúpula, a maioria oficiais da própria PM ,  que engorda em silêncio.

Afinal , a Polícia Militar é o único órgão estadual – ainda que apenas em três Estados da Federação – que propicia a possibilidade de membros do oficialato “natu nobilis” ( marca de uma pinga nacional vendida como whisky ) , ou seja , oficiais do Barro Branco filhos e netos de oficiais de nomeada , poder sonhar em serem transformados em juízes e até Desembargadores .

E tal   simbolismo e possibilidade , ainda que remota , alimenta as vaidades e a autoestima.

A Comarquinha mais cara do mundo, agora mais cara e improdutiva , é a metáfora perfeita de um estado que se acostumou a blindar ilhas de abundância em meio a um arquipélago de carências.

Não é apenas um problema contábil, é um símbolo político: enquanto a Justiça Militar estadual for esse oásis de privilégios blindado da crítica e da reforma, a desigualdade seguirá não como anomalia, mas como projeto ;  e o contrassenso deixará de ser exceção para se tornar rotina.

Enfim , além da vaidade institucional , as consequências reais são a blindagem e o favorecimento corporativista .

Essa estrutura não é apenas cara; é seletiva.

E toca sim na vida do “povo miúdo” : para pior.

Um Comentário

  1. Tenho plena convicção, para não dizer certeza, que se fosse facultado a mesma prerrogativa ou condição aos Delegados, estes fariam o mesmo ou pior. Basta ver as tais “cadeiras”.

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  2. Por isso que eles fazem parte da Colmeia, digamos assim, da máquina de dilapidação do erário, tais como roubos, desvios e superfaturamentos, coisas bem comum aqui com a chancela do Judiciário;

    Trouxa quem acredita em L, B ou qualquer congênere! Tudo ladrão a favor da máquina do dinheiro público pelo esgoto, ops, bolso de políticos, empresários, lobistas, etc.

    Na Suécia, como ficou o levantamento dos reais usuários de senhas de contas fintechs em nome de laranjas? Não deu nada né?

    Não dará!

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  3. Pois é, segue a marcha esquerdista que tanto gostas.

    Nas próximas eleições os corruptos votarão na direita ou na esquerda?

    Nas próximas eleições os traficantes, ladrões e assassinos votarão na direita ou na esquerda?

    Os presidiarios em geral votarão na direita ou na esquerda?

    Os “PARÇAS” do PCC e de outras facções votarão na direita ou na esquerda?

    As defensoras do aborto usando cabelo azul e suvaco cabeludo votarão na direita ou na esquerda?

    Os “MANOS” em geral votarão na direita ou na esquerda?

    Os vagabundos que sugam nossos esforços com programas sociais votarão na direita ou na esquerda?

    O judiciário vendido votará na direita ou na esquerda?

    Sempre pagamos nossas escolhas!!!!!!!!!!

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      • Pois é, nota-se a qualidade do administrador, importou-se apenas com as “do suvaco cabeludo” já com o resto da ralé de eleitores gritou “TAMU JUNTO”

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        • “ESCRIBA 24×24”, dispara a metralhadora de rótulos: corruptos, traficantes, ladrões, assassinos, presidiários, “parças” do PCC, “manos”, “fêmeas do cabelo azul” e, claro, os “vagabundos” que vivem de programas sociais. Todos teriam, segundo ele, uma única ocupação cívica: votar na esquerda.
          O sujeito não parece interessado em política; interessa-se por um conforto moral bem mais vulgar: dividir o mundo entre “gente de bem” e “escória”, atribuir a segunda à esquerda, e assim se eximir de qualquer autocrítica sobre o país que ajudou a construir, votar e aplaudir. Vejamos a lógica:
          Quem é corrupto vota na esquerda.
          Quem é criminoso vota na esquerda. Aqui o seu ‘raciocínio’ desanda de vez: quem tem condenação com trânsito em julgado perde o direito de votar, o que já desmonta a sua tese de que o ‘grande exército do crime’ estaria definindo eleição. Vota preso provisório ; pelo visto, o senhor nem isso sabia.”
          Quem é preso vota na esquerda. Menos os seus ídolos golpistas!
          Quem é pobre e recebe benefício social vota na esquerda.
          Quem é feminista, feia segundo a sua régua ou com cabelo de cor errada vota na esquerda. Engraçado: na sua contabilidade moral, figuras como Carla Zambelli que já circularam por movimentos feministas e hoje se aninham na extrema direita ou não entram na conta, ou são convenientemente ‘esquecidas’.”

          O seu comentário é uma espécie de contabilidade moral invertida: quanto mais o sujeito odeia um grupo social, mais quer colá-lo num campo político que ele já decidiu demonizar. Não se trata de análise eleitoral, sociológica ou criminológica: é puro ódio de classe, travestido de opinião política. Muito pior : carregado de soberba!
          “Deixe as moças, as ‘fêmeas’, defenderem seu legítimo direito de abortar… Mais abortos, menos problemas para as polícias… rs”

          A nossa frase é assumidamente superficial , mas traz uma questão séria:
          Queremos discutir aborto como problema de polícia ou como questão de saúde pública, liberdade individual e política criminal racional?
          Sob a piada, há um abismo: enquanto uns berram “assassinas!”, as mesmas instituições que bradam em nome da “vida” aceitam que mulheres pobres morram em silêncio em clínicas improvisadas, enquanto as ricas resolvem o mesmo problema discretamente.
          Meu caro , na questão “qualidade” a leitura deve ser outra e totalmente desfavorável a você.

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          • KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, só me faz rir!!!

            Escreve, escreve e não diz nada, só gritaria de mimizento, de prático nada de nada.
            Citou um ou dois personagens de direita para tentar se esconder atrás dos milhões de improdutivos que sobrecarregam todos os cidadãos de bem, daqueles que produzem, que trabalham e carregam este país nas costas, daqueles que pagam impostos pesados e não recebem nada em troca, tudo para sustentar esquerdistas que apenas sugam o erário, que mamam nas tetas governamentais, que destroem as estatais e que olham apenas para o próprio umbigo, enganando os acéfalos com promessas de melhores condições distribuindo apenas migalhas e pão com mortadela.
            Parabéns por defender os derrotados profissionalmente, a velha e viciada politíca, os marginais de todas as classes, os corruptos de todas as esferas, a imensa população encarcerada e toda a corja de “bolsa desocupados” deste país.

            Sinto nojo.

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            • Curioso: você – Escriba 24 x 24 – acusa o outro de “escrever, escrever e não dizer nada”, mas o seu comentário é o exemplo perfeito de quem tropeça no próprio argumento : não há um dado, uma proposta, um mínimo fio lógico, só espuma raivosa e preconceito de classe. Você diz que eu “só grito, de prático nada de nada”.
              Mas o que você oferece de “prático”? Você repete o kit completo de xingamentos : “improdutivos”, “esquerdistas que sugam o erário”, “marginais de todas as classes”, “corja de bolsa desocupados” , entretanto não consegue articular um único raciocínio que vá além de: “pobre é vagabundo, beneficiário de programa social é parasita, preso não é gente, e quem critica privilégios da casta é ‘mimizento’”.Você diz que eu “defendo os derrotados profissionalmente”.
              Pois eu devolvo a pergunta: quem não tem lobby milionário, não tem sindicato poderoso, não tem associação de carreiras armada até os dentes, vai ser defendido por quem?
              Se “defender derrotado” é crime moral para você, então o que é defender castas que se eternizam penduradas no Estado enquanto chamam o resto de “corja”?
              No fim, seu comentário prova exatamente o que você queria negar: escreve, escreve, despeja “nojo”, “corja”, “bolsa desocupados”, mas não enfrenta uma só linha do que foi criticado na tal “Comarquinha” nem apresenta alternativa para o modelo de Estado parasitado pelas próprias elites que você protege.
              O que você entrega não é argumento político, jurídico ou econômico; é desabafo de quem precisa acreditar que “cidadão de bem” é sempre ele e que todo o resto é lixo humano. Se é para medir “qualidade”, não se preocupe: o seu texto cumpre o que promete. Ele não argumenta: ele apenas assina, embaixo e em negrito, o tamanho do seu preconceito. Por favor , mude o “Nickname”, Escriba 24 x 24 , pode levar o desatento a acreditar que se trata de um escrivão da Polícia Civil.

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