
Se a elite da Polícia Civil da Baixada Santista fosse um time de futebol, estaria sempre em campo, mas jogando contra.
O adversário?
O bom senso investigativo.
O juiz?
O relógio, que corre sempre a favor da prescrição.
A torcida?
Essa já desistiu de vaiar e agora só observa, entre o cínico e o resignado, o espetáculo tragicômico que se desenrola nas delegacias e gabinetes refrigerados do Palácio da Polícia de Santos.
Um verdadeiro pardieiro de dar vergonha aos operacionais que lá atendem ao público e não fazem parte das “elites” .
Na Baixada, a contravenção navega em mar de almirante.
O Jogo do Bicho, por exemplo, é tão parte do cotidiano quanto o pastel de feira.
Cambistas com máquinas POS dividem mesas de bar com policiais fardados, numa harmonia que faria inveja a qualquer coral de igreja.
E a elite da Polícia Civil, responsável por investigar, observa tudo com a fleuma de quem aprecia um pôr do sol: nada vê, nada ouve, nada faz.
Quando finalmente surge uma denúncia sobre a sociedade entre Carlinhos Virtuoso e Manequinho , o inquérito é aberto com a solenidade de quem inaugura uma ponte de papelão.
Dois anos de investigação depois, o grande feito: apontar que o principal suspeito está morto há 14 anos.
O filho, Manequinho que herdou o nome e o negócio do Maneco, segue tocando a banca — mas isso é detalhe para a posteridade.
Afinal, a investigação precisa de tempo, prazos, dilações, cobranças do Ministério Público e, claro, de um relatório final que conclua que “não há fatos que liguem tais pessoas”.
Enquanto isso, operações espetaculosas são anunciadas em coletivas de imprensa: dezenas de presos, milhares de objetos apreendidos, armas, drogas, veículos.
O show pirotécnico na A Tribuna , porém, esconde o roteiro repetido: prisões que não desestruturam o crime organizado, índices de violência que só não aumentam devido à hierarquia rigorosa do PCC , e a sensação de que, na Baixada, a eficiência policial é inversamente proporcional ao volume de pontos de apostas , ferrolhos e bocas de pó .
Em casos de flagrante letalidade policial, a elite da Polícia Civil se mostra inovadora: delegados que nunca comparecem ao local , não apreendem armas de PMs envolvidos em mortes, boletins de ocorrência que parecem ter sido escritos por IA — sempre iguais, sempre lacônicos, sempre com uma única versão.
Testemunhas?
Não são arroladas e ouvidas.
Provas?
- Só as padrão. A lei? Essa, coitada, assiste de camarote ao festival de omissões.
- Viés de aversão ao risco institucional , priorizando a “proteção da administração” sobre direitos fundamentais . Ou será medo de perder a boca rica?
E quando as investigações esbarram em licitações fraudulentas, do tipo os respiradores comprados durante a COVID, contratos milionários com empresas ligadas ao crime organizado ou formação de milícias, laudos do IC da Polícia Científica falsos e com a colaboração dos interessados , a resposta é sempre a mesma: “as informações devem ser dirigidas à Assessoria de Imprensa” ou “não estava sob minha responsabilidade”.
O carrossel de cargos gira, mas o espírito de porco permanece: ninguém sabe, ninguém viu, ninguém se responsabiliza.
No fim, a elite da Polícia Civil da Baixada Santista parece ter criado uma arte própria: a de transformar a inação em método, a desfaçatez em rotina e a incompetência em espetáculo.
E a corrupção em cultura popular!
E assim segue o baile, entre cambistas, maquineiros , relatórios ineptos e coletivas, enquanto a população — essa, sim, refém — segue apostando, dia após dia, que um dia a polícia civil ( salvo a DDM ) investigará de verdade.
Mas, como na jogatina só ganha quem acredita em milagres.
TENHAMOS FÉ!
Com informações de a RÁDIO DA VILA – Facebook