A Vetusta Omissão da Polícia Civil e os Elos entre Ferros-velhos, Crimes Patrimoniais e Narcotráfico  8

A recente operação em ferros-velhos de Praia Grande, liderada pela GCM e parceiros, expõe um problema estrutural grave: a ausência de atuação do DEINTER-6 (por meio de suas Divisões, Seccionais , Delegacia de Investigações dos Municípios e Distritos ) nas ações de fiscalização e repressão a esse tipo de comércio ilegal.

Enquanto a força-tarefa multidisciplinar logrou apreensões e notificações, a omissão de um órgão especializado em investigações complexas revela uma lacuna estratégica, especialmente diante da articulação crescente entre receptação, crimes patrimoniais e tráfico de drogas. 

É notório que ferros-velhos funcionam como pontos de escoamento de mercadorias roubadas, como portões, janelas , torneiras , marcadores de água e luz , fios elétricos e equipamentos públicos, alimentando um ciclo de violência e prejuízos sociais.

No entanto, o cenário atual vai além: essas estruturas – os ferrolhos –  têm sido usadas como fachadas para o narcotráfico, principalmente para a venda de crack, que se alastra em áreas urbanas periféricas.

A falta de atuação proativa do DEINTER-6 — cuja competência inclui justamente o enfrentamento a redes criminosas organizadas — permite que esses estabelecimentos operem sob um véu de impunidade, onde o comércio de objetos ilícitos coexiste com a distribuição de drogas. 

A operação citada na matéria, embora relevante, limita-se a ações pontuais de fiscalização documental e apreensão de materiais, sem avançar na desarticulação das redes criminosas que sustentam esses negócios.

Enquanto a GCM e a Polícia Militar atuam na superfície, a ausência da Polícia Civil  impede investigações profundas, como o rastreamento de financiamento do tráfico  através da receptação e  a identificação de líderes que coordenam essas atividades.

A própria apreensão de réplicas de armas e veículos abandonados sugere vínculos com a segurança de facções, algo que demanda expertise investigativa especializada. 

Além disso, a descoordenação institucional fragiliza a eficácia das políticas públicas.

Não esquecendo que para a população há corrupção policial .

Se, por um lado, a participação de concessionárias como a Sabesp é essencial para identificar furtos, por outro, a falta de integração com o DEINTER-6 perpetua a fragmentação das informações, dificultando o mapeamento de conexões entre crimes patrimoniais e o narcotráfico.

O secretário de Segurança menciona a redução de índices de roubo ignorando os milhares de roubos e furtos qualificados não noticiados em razão do descrédito nas policiais .

A  omissão no combate ao tráfico/receptação  mina qualquer avanço, já que o crack alimenta outros delitos, como furtos  e roubos para sustentar vícios. 

Em síntese, é urgente que o DEINTER-6 assuma seu papel central nesse cenário, atuando não apenas de forma reativa, mas com inteligência policial e operações integradas, capazes de desmantelar as redes que se beneficiam da ilegalidade.

Enquanto isso não ocorrer, as ações contra ferros-velhos serão apenas medidas paliativas, incapazes de romper o elo perverso entre receptação, violência urbana e tráfico de drogas. 

Um Comentário

  1. A reportagem deixa bem claro que tal operação, com agentes da GCM e PM, se deu pela mais completa incapacidade e incompetência da Polícia Civil.

    Instituição cujo objetivo principal, seria justamente investigar e fiscalizar tais locais, mas sabemos como é…. fiscalizar ferro velho não dá o retorno e$perado.

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