Delegado Inimigo da GCM – Miopia Institucional da Polícia Civil e da Polícia Militar: Ainda Há Tempo para Acordar? 8

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Francisco Leao – Delpol Apos
Miopia Institucional da Polícia Civil e da Polícia Militar: Ainda Há Tempo para Acordar?

As Polícias Civis assistem, como espectadoras, à disputa entre as Guardas Municipais e as Polícias Militares. Parte de seus integrantes, imersos em uma rivalidade histórica, desejaria ver uma PM enfraquecida.

São desejos imaturos e perigosos, reflexo de um ódio institucional cultivado há décadas nos cursos de formação e nas academias. Mas essa miopia cobrará seu preço. Em breve, pode vir o arrependimento por terem ignorado o crescimento silencioso de uma nova força policial à margem da Constituição Federal.

As Guardas Municipais não querem apenas proteger os próprios municipais, seus patrimônios e escolas, ou efetuar rondas escolares. Querem ser ROTA, GARRA, GOE, GATE, DENARC, DEIC e tudo mais que remeta a uma tropa de elite.

Enquanto isso, a Polícia Civil, sem um plano estratégico nacional, perdeu atribuições essenciais:

  • Emissão de porte de armas;
  • Emissão de CNH;
  • Controle sobre o Detran;
  • Departamento de Polícia Científica;
  • Processo judicialiforme e mandado de busca e apreensão;
  • Outras atribuições fundamentais.

Nos seminários das Guardas, policiais americanos demonstraram como funcionam os modelos municipais dos EUA, inspirando os guardas a sonharem mais alto. O discurso já mudou: falam em inspetores e comissários de polícia nos grandes municípios e xerifes nos menores. Estão aprendendo a se conectar diretamente a promotores e juízes, preparando terreno para futuras conquistas.

O primeiro passo? Apresentar diretamente crimes de trânsito à Justiça. Depois, virão a requisição de perícias, o registro de ocorrências, os conselhos municipais de segurança e, inevitavelmente, as funções de Polícia Judiciária através do comissariado. O STF já deu o recado: a apuração criminal não é exclusividade das PCs.

O movimento de expansão do poder municipal não se limita às Guardas. Os Bombeiros Municipais seguem a mesma lógica. Eles não querem crescer apenas para atender ocorrências e salvar vidas. Buscam poder de fiscalização, autuação e interdição de edificações. Querem assumir a análise de projetos, realizar vistorias e se tornar autoridades expedidoras de alvarás e licenças.

A lógica é clara: aumentar influência, obter mais poder e, pouco a pouco, ocupar espaços historicamente pertencentes às forças de segurança estaduais.

E a Polícia Civil? Comemora ingenuamente a criação das polícias municipais? Sem perceber que pode estar assinando sua própria sentença de irrelevância.

Será que ainda há tempo para acordar? Ou a miopia institucional nos levará a um futuro em que delegados serão apenas burocratas de luxo, enquanto outros tomam para si o verdadeiro trabalho de polícia?

A resposta precisa ser dada agora. Pelo Senhor Delegado Geral, pelo Conselho e pelas Associações de Classe.


Lembrem-se: os mais antigos viveram aquela época em que a antiga Guarda Civil mantinha uma Subinspetoria nos Distritos.
Os guardas faziam o trabalho de recepção, atuavam como escrivães e, às vezes, até ajudavam na investigação.
Aquele tempo passou.

Francisco Paula Leão
Cadeira 17

Um Comentário

  1. É um princípio básico em sociologia, que quando uma instituição não exerce sua competência ou atribuição esta não fica no “limbo” logo outra instituição em evolução abarca essa competência ou atribuição tornando-a mais forte, isso aconteceu com a polícia militar e com o ministério público com a promulgação da constituição federal de 1988, e a instituição que mais perdeu por inanição do exercício foi a polícia civil. Agora temos outro exemplo vindo a florescer abarcando novas atribuições: as guardas civis metropolitanas, e mais uma vez em detrimento das polícias civil e militar, contudo, nada em benefício da caótica (in) segurança pública.

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  2. Que o modelo americano, de polícias municipais, é muito bom, não há dúvida. E poderia ser replicado aqui.

    Como implementar esse modelo, sem ser mais dos mesmos que existem, PM e Civil?

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  3. Logo perde o IIRGD também!! As excelencias, carreiras juridicas, sequer podem fornecer um mandado de busca, extrair dados de celulares, atribuições fundamentais da PC.

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