Na Direção Certa do Golpismo Disfarçado: Mais uma Ameaça aos Direitos Históricos dos Policiais Civis sob o Governo Tarcísio de Freitas 12

“Artigo 129 – Ao servidor público estadual é assegurado o percebimento do adicional por tempo de serviço, concedido no mínimo por qüinqüênio, e vedada a sua limitação, em como a sexta-parte dos vencimentos integrais, concedida aos vinte anos de efetivo exercício, que se incorporarão aos vencimentos para todos os efeitos, observado o disposto no artigo 115, XVI, desta Constituição.”

A proposta do governador Tarcísio de Freitas de substituir adicionais consolidados, como quinquênios e sexta parte, por um subsídio em parcela única, representa não apenas um retrocesso nas conquistas trabalhistas dos policiais civis paulistas, mas uma estratégia de desmonte silencioso que beneficia exclusivamente o controle orçamentário do Estado, em detrimento da dignidade profissional e da justiça remuneratória. 

Contexto Histórico dos Adicionais e Sua Importância Econômica

Quinquênio: Reconhecimento por Tempo de Serviço 

O quinquênio, previsto no artigo 129 da Constituição Estadual de São Paulo, garante ao servidor público um adicional de 5% sobre os vencimentos integrais a cada cinco anos de efetivo exercício, podendo atingir até 35% após 35 anos de carreira.

Esse benefício não é um mero “extra”, mas uma correção salarial vitalícia que reconhece a experiência acumulada e a continuidade do serviço em uma profissão de alto risco.

A jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo reitera que o cálculo deve incidir sobre todas as parcelas permanentes da remuneração, excluindo apenas verbas eventuais. 

Sexta Parte: Direito Constitucional à Integralidade 

A sexta parte, equivalente a 1/6 dos vencimentos, é devida após 20 anos de serviço e incorpora-se definitivamente ao salário.

O STF já pacificou que sua base de cálculo deve abranger a totalidade dos proventos, conforme a Constituição Estadual.

Essa verba não é um benefício opcional, mas uma garantia contra a erosão salarial ao longo da carreira, especialmente relevante em categorias com baixa mobilidade vertical. 

A Proposta de Subsídio Único: Efeitos Práticos e Motivações Ocultas

Redução Camuflada de Direitos 

A substituição desses adicionais por um subsídio linear ignora a natureza cumulativa e progressiva dos direitos adquiridos. Por exemplo, um investigador de 3ª classe com 25 anos de serviço hoje recebe: 

Salário-base: R$ 5.000 
Quinquênios (5 períodos): 25% → R$ 1.250 
Sexta parte: R$ 833 
Total: R$ 7.083 

Com o subsídio único, mesmo que o valor inicial seja equivalente ao total atual, a ausência de reajustes progressivos ao longo dos anos congelará o poder de compra.

Em uma projeção inflacionária conservadora (3% ao ano), em uma década, o policial perderia 34% do valor real. 

Interesse Fiscal vs. Justiça Social 

A justificativa de “simplificação da folha de pagamento” [Decreto 68.538/2024] máscara o objetivo de conter gastos sem transparência.

Dados revelam que o estado economizaria R$ 2,3 bilhões anuais com a extinção desses adicionais.

( Obviamente, o governo jamais respeitará a data-base para reajustes gerais conforme os indices inflacionarios. )

No entanto, essa “eficiência” ignora o custo humano: 72% dos policiais civis paulistas dependem dessas verbas para cobrir despesas básicas, segundo pesquisa do Fórum Resiste PCSP. 

Consequências para a Política de Segurança Pública

Desmotivação e Êxodo de Servidores 

A Polícia Civil já enfrenta uma crise de efetivo, com 18% dos cargos vagos em 2025.

A desvalorização remuneratória agravará o problema, estimulando a migração para outras carreiras ou para a iniciativa privada.

O caso do Amazonas, onde o subsídio único levou a uma redução de 40% no ingresso de novos delegados entre 2022 e 2024, serve de alerta. 

Judicialização em Massa 

A história recente mostra que medidas similares resultaram em ondas de ações judiciais. Entre 2020 e 2024, o estado gastou R$ 480 milhões em indenizações retroativas por cálculos incorretos de sexta parte.

A proposta de Tarcísio, ao ferir direitos consolidados, criará um passivo trabalhista estimado em R$ 9 bilhões até 2030. 

Conclusão: Uma Reforma que Precisamos Evitar

A verdadeira modernização da administração pública não se faz cortando direitos, mas garantindo transparência e equidade.

Se o governo deseja simplificar a folha de pagamento, que o faça mediante diálogo com as categorias, preservando o valor real dos proventos através de cláusulas de revisão automática vinculadas à inflação.

O momento exige resistência organizada: as ruas, as tribunas legislativas e os tribunais devem ser palcos de defesa intransigente dos direitos conquistados a duras penas pelas forças de segurança.

A sociedade paulista não pode pagar o preço de uma polícia desmotivada e subvalorizada. 

Rcg

Um Comentário

  1. Excelente matéria sobee o assunto! Resta agora aos policiais se unirem através dos sindicatos pra lutar pelos direitos ameaçados! Já ouvi muita gente dizia que sindicato não é necessário, porém, é uma das formas dentro da lei para ser representado para ser ouvido se você não tem acesso direto a algum deputado. Quem não faz política deixará outros fazerem!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Há muita divergência entre os próprios representantes de sindicatos e associações, sendo uns favoráveis a aberração do subsídio e outros favoráveis a manutenção dos vencimentos como ora se aplica. Apesar de representantes serem chamados a dar suas contribuições ao grupo de trabalho enfrentamos o problema de não conhecer o que foi planejado pela DGP referente a Nova Lei Orgânica. Não há transparência por parte da DGP e do atual grupo de trabalho em revelar aos representantes sindicais e associativos o que sugerem ou qual proposta se apresentou ao atual Grupo de trabalho, nestas condições nenhum funcionário de qualquer carreira sabe o que o vai ser acontecer. Lamentável tal situação. Lembrando que o governo aprova o que ele quiser na ALESP com apenas 48 votos. E atentem para o seguinte: se subsídio fosse bom os juízes não estariam brigando pela volta dos quinquênios e sexta-parte ; nem estariam criando penduricalhos que podem vir a ser cancelados. Subsídio é bom para o governo que manterá o gasto previsível , os Estados que aderiram ao subsidio remuneram melhor por questões políticas locais e pequeno quadro de policiais.

    Curtir

  3. Realmente a Polícia Civil de São Paulo está em maus lençóis com esse Governador Bolsonarista

    Precisava de uma união de todas as carreiras pra lutar juntos por melhorias e direitos adquiridos que estão sendo ameaçados

    Entretanto, é difícil confiar novamente nos Delegados de Policia, se lutarmos juntos ao ponto do governo ceder e novamente deixarem eles negociarem com o governo só irá sair um aumento pro GAT e pé na cabeça das demais carreiras, quem não viu esse filme não tem sexta parte.

    Se os Delegados quisessem o fortalecimento da PCSP teriam concluido o projeto da Lei Orgânica aos moldes da Lei Nacional quando tiveram oportunidade, mas ao inves de fazer preferiram atender interesses próprios e dos amigos

    Curtir

  4. Boa noite eu percebi algumas inconsistências no texto acima. 1o onde que tem essa proposta de subsídio? Segundo um investigador com 25 anos NUNCA SERÁ 3a CLASSE ! A 3a é a classe de entrada. Outra SB de 5000 ? Onde que viram isso ? Não estou defendendo o governador ou sindicato mas vamos deixar as críticas quando o projeto realmente vir a público.

    Curtir

    • Leia então 2a. classe , os 5.000 é meramente exemplificatipo. A proposta decorre de um decreto; sendo que o governo quer propor a alteração na LOP em estudo. Quando o projeto vir a público será tarde demais. O governador tem a ALESP no bolso; com aprovação em regime de urgência.

      Curtido por 1 pessoa

  5. Boa Tarde!

    Senhoras e Senhores!

    Quando se trata de assunto “Segurança Pública” fico a pensar:

    A quem interessa manter discórdia entre as Classes Distintas das Instituições Policiais?

    A Segurança Pública indubitavelmente vem perdendo espaço à décadas para uma política complicada e que infelizmente e smj em momento algum denota simpatia tampouco respeito pela Classe Laborativa.

    Pois se assim não fosse certamente não haveria necessidade de se ajuizar ações para o garantimento de direitos já conquistados.

    Aliás, me acho no direito de arguir questões e perguntas correlatas pois mesmo tendo direitos conquistados depois de árdua luta jurídica pela nossa Categoria que ganhou o tão sonhado Nível Superior mas não levamos os brioches pecuniários e agora o que dizer dessa questão em tela.

    É sabido que o Profissional de Segurança Pública no Estado de São Paulo exerce suas Atividades sempre de maneira honrosa e árdua mas nem sempre reconhecida e merecida.

    Durante 4 décadas exerci minha Atividade Laborativa a contento e satisfatória e assim como eu outros tantos também os fizeram e agora como num passe de mágica políticos articulam modalidades que obviamente não será extendida aos Veteranos Merecedores.

    É de fato assunto de extrema preocupação pois demonstra e confirma uma péssima ideia de que nenhum Guerreiro merece seu verdadeiro descanso.

    Muitos auguram “Poder e Glória” mas, sinceramente, quem de fato realmente é merecedor!

    Caronte

    Curtir

    • a culpa é do xixo e do Bolsonaro e dó Gimenez o resto é tudo honesto só eles são safados, pronto agora está tudo certo na segurança pública prenderam os corruptos e agora só ficou honesto trabalhando

      Curtir

Deixar mensagem para Wagner Nunes Leite Gonçalves Cancelar resposta