Graves denúncias abalam a 1ª Seccional da Capital com reflexos em toda a estrutura da Polícia Civil 14

Policial é suspeito de montar QG de desvio de drogas em delegacias

Chefe de investigações da 1ª Seccional do Centro é suspeito de “vender” cargos em delegacias para viabilizar esquema de tráfico de drogas

Alfredo Henrique

08/02/2025 02:00, atualizado 08/02/2025 07:13

 

Arte com três retratos de homens brancos, sem barba e cabelo curto, cujo fundo é riscado por linhas brancas, semelhantes a carreiras de cocaína - Metrópoles

São Paulo – O atual chefe de investigações da 1ª Delegacia Seccional da Polícia Civil, a qual administra os distritos do centro da capital paulista, é alvo da Corregedoria da instituição por supostamente coordenar esquema de tráfico de drogas, em parceria com outros policiais, há quase dois anos.

A reportagem apurou que ele estava trabalhando normalmente, ao menos até essa sexta-feira (7/2), na seccional central. Elvis, na Polícia Civil há 25 anos, teria ligações com o investigador-chefe do 77º DP, Cléber Rodrigues Gimenez, preso em janeiro deste ano sob a suspeita de desviar cargas de drogas, apreendidas em falsas blitze policiais, e revendê-las para traficantes internacionais.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que “todos os fatos citados” pelo Metrópoles “são alvo de apuração para aplicação das medidas cabíveis”.

Em documento da Divisão de Crimes Funcionais-Assistência Policial, é afirmado que Elvis Cristiano da Silva, de 54 anos, assumiu a chefia dos investigadores da 1ª Seccional em 2023. Desde então, conforme denúncia registrada pelo órgão fiscalizador, ele passou a “vender cadeiras de chefia dos distritos [policiais], organizando um esquema de tráfico de drogas”.

 

Para ajudar nisso, ele teria designado para chefiar a Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), da 1ª Seccional, o investigador Eduardo Xavier dos Santos, que, junto com Cléber Rodrigues Gimenez, também comandaria “o esquema de tráfico internacional”.

Como mostrado pelo Metrópoles, antes de ser preso, Cléber Rodrigues usava da própria estrutura (física e humana) policial para desviar cargas de entorpecentes e, posteriormente, vendê-las a traficantes internacionais.

Para isso, ele levava as drogas — geralmente cocaína — para um galpão no Bom Retiro, centro paulistano, onde a mesma quantidade da apreensão era substituída por talco, gesso ou algum pó branco.

As apreensões era formalizadas, com o registro de boletins de ocorrência (B.O.), e a falsa droga era constatada como verdadeira por meio de laudos oficiais, feitos por um perito do Instituto de Criminalística, também ligado à quadrilha.

Rodízio de delegacias

A função do chefe de investigações Elvis Cristiano da Silva, como mostra documento da Corregedoria, seria o de guardar a droga verdadeira, além de determinar onde os flagrantes seriam registrados “para não chamar a atenção do Ministério Público [MPSP]”.

Para isso, segue a denúncia, o chefe de investigações da 1ª Seccional “fazia um rodízio” de delegacias, para a elaboração dos flagrantes arrumados por Cléber Rodrigues Gimenez.

A Corregedoria ainda menciona no documento que há informações sobre a troca da droga — por talco e gesso, por exemplo — no 77º DP (Santa Cecília), sob a então chefia de Cléber Rodrigues, com 770 quilos; no 12º DP (Pari), com 500 quilos; no 2º DP (Bom Retiro), com 300 quilos, e no 1º DP (Sé), com 59 quilos.

As negociatas criminosas atribuídas aos policiais civis teriam rendido aos corruptos, somente na 1ª Seccional, ao menos R$ 50 milhões.

O esquema

Registro do MPSP mostra que Cléber Rodrigues Gimenez contava com um “comprador” de drogas, de origem colombiana, que negociava cargas de cocaína e maconha oriundas de outros estados. Um local para a entrega da encomenda ilegal era combinado, em São Paulo. Então, “gansos”, ligados ao investigador-chefe, passavam-se por policiais e apreendiam as cargas.

Os “gansos” são figuras presentes há décadas no submundo da Polícia Civil. Eles ajudam policiais corruptos na realização de crimes, além de servir como agentes duplos, repassando informações sobre criminosos para equipes de apuração, as quais se valem disso para extorquir quadrilhas.

O chefe de investigações também contava com uma rede de contatos, em outros estados, que lhe detalhava as características dos veículos com as cargas, além dos locais por onde trafegariam com a droga.

Após apreendidas e levadas ao galpão do Bom Retiro, as cargas verdadeira eram substituídas por droga falsa, cuja apreensão era oficialmente registrada em delegacias designadas por Elvis Cristiano da Silva.

As defesas dos policiais mencionados nesta reportagem não foram localizadas. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte: https://www.metropoles.com/sao-paulo/policial-e-suspeito-de-montar-qg-de-desvio-de-drogas-em-delegacias

Um Comentário

  1. mais uma vez vou falar que a única coisa que chateia a gente é esse falso moralismo de todos, quem não sabe que a primeira delegacia seccional é nomeada pelo vice-governador do Estado quem não sabe que o titular do primeiro Distrito foi sentar na cadeira e teve que engolir três pessoas nomeadas pelo delegado adjunto adjunto, quem não sabe que o 12º distrito é do deputado, quem não sabe que a galeria das 25 de março pagam milhões em propinas quem não sabe que as maiores arrecadações é do primeiro e do 12 distrito todo mundo que vive na polícia tem sonho em trabalhar na primeira seccional na primeira delegacia de pirataria na delegacia do consumidor e Fazendária não é novidade pra ninguém que isso ia explodir agora quero ver quem tem colhão de chegar em quem nomeou e quem recebia desses policiais

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  2. Se for real e comprovado, cadeia neles e rua já !

    Agora… por trás destes, há sempre alguém dando suporte.

    E recebendo.

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  3. Pergunto ao D. Guerra e ao Dr. Tovani pois ambos tem idade, sabedoria e conhecimento, além de prático, jurídico;

    TEM SOLUCÃO?

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    • Enquanto a PC for subjugada por interesses políticos , jamais!
      Enquanto não houver uma formação homogenea , jamais !
      Com a minha idade , “alguma experiência , conhecimento prático e teórico , sou algo tolerante em relação a uma ou outra prática personalissima, mas o seu crime não pode ser o crime de todos!

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  4. Não seria um QG de tráfico em outras delegacias, mas a venda de cadeiras é comum e há anos, seja ela em DECAP, DEMACRO , DEINTER e especializadas!! Decobriram agora! kkkk Volto a falar, se mexer a fundo, fecha a PC.

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  5. quando entrei na policia, eu tinha orgulho em dizer que era policial. (Para os mais próximos, obvio)

    hoje, tenho vergonha em dizer…

    mas pelo menos estão limpando aos poucos as tranqueiras….

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  6. É a Polícia Civil Criminosa(PCC) tomando conta de tudo.

    Um tsunami de denúncias de corrupção, tráfico de drogas, etc, e cadê o dgp de faz de conta?

    Cadê o Djan go kid?

    Uma verdadeira ORCRIN voltada ao tráfico de drogas, dentro da estrutura da polícia que atua na área de maior concentração de usuários de droga do pais, a “cracolândia”.

    O esquema? O de sempre. Loteamento dos cargos de titular e investigador chefe das unidades superiores para as inferiores. É a estrutura piramidal da corrupção. As propinas sobem das unidades inferiores às superiores que patrocinam os indicados.

    Simples assim!

    “É nóis” pau a pau com o PCC, Comando Vermelho, Primeiro Comando Puro, Filhos do Norte, com a vantagem de se passarmos por “puliça”.

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  7. Guerra, vai chegar um dia que o cidadão deste Estado vai mudar de calçada com medo de passar em frente de delegacia.

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  8. Pode esperar como resposta a tudo isso a recorrente frase de efeito: ” A atual administração não pactua com qualquer tipo de desvio de conduta” bla, bla,bla,bla,……..

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  9. Não vai dar em nada, difícil mudar

    toda a Polícia sabe das mazelas e nunca fizeram nada, crime organizado infiltrado na política, no judiciário e por ai vai, esqueçam

    Não vai longe, nas grandes operações, que teve favela Heliopolis e varias outras pelo Estado, por que não é combatido a contravenção e o jogo de azar escancarado à fernte de todos os policiais?

    Mudam todos de lugar e continuam a orquestra.

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  10. Neste periódico virtual, geralmente, são repercutidas notícias, amplamente veiculadas anteriormente, noutros noticiários escritos ou televisionados, como no caso da matéria em testilha.

    Não estamos julgando para não sermos julgados, a doutora, conforme reportou, prestou serviços por mais de duas décadas na casa censora e sabe muito bem que, investigações desse porte não são deflagradas por “cartinhas” apócrifas contendo denúncias descabidas, infundadas e na maioria das vezes feitas por vinditas pessoais e funcionais.

    Trata-se de investigação por crimes graves, praticados por ORCRIM estabelecida dentro do aparelho policial com recursos humanos e materiais do Estado, para a prática reiterada de, entre outros crimes, tráfico de grandes quantidades de drogas. sob o controle judicial e ministerial.

    Se inocente for, terá o direito constitucional da ampla defesa para prová-la, o que nos deixa surpresos é saber que apesar de décadas de experiência prestando serviços na Casa Censora, não suspeitou, ao longo de quase dois anos, que funcionários diretamente subordinados a ela estivessem praticando de forma reiterada crimes tão graves. Ao menos alguma responsabilidade por omissão tem.

    Ademais, ela sabe muito bem ou deveria saber pelas décadas de serviços prestados na corregedoria que, investigações desse porte, em concurso com o Ministério Público e, principalmente em razão da atuação deste, são cercadas de cautelas para que não haja qualquer vazamento de informação e, com algum conhecimento de causa, se isso ocorreu não acredito que tenha partido da corregedoria.

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