A Rota derritida e descarrilada 6

São Paulo, 18 de janeiro de 2025

A Rota Descarrilada

Era uma manhã de sábado como outra qualquer na capital paulista.

O sol despontava preguiçoso por entre os arranha-céus, enquanto eu tomava meu café na padaria da esquina.

Foi quando vi a manchete estampada no jornal: “PMs da Rota presos por envolvimento com o PCC”.

Confesso que não me surpreendi tanto quanto deveria.

Afinal, os rumores sobre a promiscuidade entre alguns policiais e o crime organizado já circulavam há tempos nos bastidores.

Mas ver aquilo escancarado na primeira página era como assistir a queda de um mito.

A Rota, outrora símbolo máximo da força policial paulista, agora se via mergulhada em um escândalo sem precedentes.

Quinze policiais presos, incluindo o suposto executor de um delator do PCC no aeroporto.

Era como se o roteiro de um filme de ação tivesse saído do controle.

Lembrei-me de quando era garoto e via as viaturas da Rota passando imponentes pelas ruas.

O respeito e o temor que impunham eram quase palpáveis.

Agora, essa mesma instituição estava sendo desmascarada, expondo suas entranhas podres para toda a sociedade ver.

O “Rota’s Bar”, supostamente aberto com dinheiro do PCC, soava como uma piada de mau gosto.

Imaginei os policiais corruptos sentados ali, brindando com bandidos enquanto planejavam suas próximas operações conjuntas.

A ironia era tão ácida que chegava a queimar a garganta.

Enquanto caminhava de volta para casa, vi uma viatura da Rota passar.

 Os policiais lá dentro pareciam tensos, provavelmente cientes do furacão que estava devastando a corporação.

Perguntei-me quantos ali dentro ainda eram dignos do uniforme que vestiam.

O governador, em sua arrogância característica, havia dito dias antes que não estava “nem aí” para as denúncias de abusos policiais.

Agora, diante do escândalo, sua bravata soava vazia e irresponsável.

A realidade havia batido à sua porta com força total.

As ruas de São Paulo pareciam mais sombrias naquela manhã.

A sensação de segurança, já tão frágil, agora estava completamente abalada.

Afinal, se não podemos confiar nem na tropa de elite da polícia, em quem poderemos confiar?

Enquanto isso, nas periferias, o PCC continuava seu reinado implacável.

Os verdadeiros chefões, protegidos por uma rede de corrupção que se estendia até os mais altos escalões, deviam estar rindo da situação.

Para eles, era apenas mais um dia lucrativo no escritório.

Olhei novamente para o jornal em minhas mãos.

A foto dos policiais algemados contrastava grotescamente com o símbolo da Rota em seus uniformes.

Era o retrato perfeito de uma era de contradições e mentiras desmoronando diante de nossos olhos.

Restava saber se, das cinzas desse escândalo, surgiria uma polícia mais honesta e eficiente.

Ou se, como tantas vezes antes, tudo seria varrido para debaixo do tapete, enquanto a dança macabra entre policiais corruptos e criminosos continuaria nos bastidores.

Naquela manhã de sábado em São Paulo, a única certeza era que a Rota, outrora símbolo de ordem e lei, havia definitivamente descarrilado.

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Trem tomba após deslizamento de terra na Serra do Mar | Tribuna PR

Um Comentário

  1. O texto, bem escrito e contundente, informa a prisão (inclusive sob algemas, cujo uso o STF regulamentou, mas que ninguém respeita) de 15 policiais militares integrantes da ROTA e supostamente envolvidos com o crime organizado. A se admitir como verdadeiras tais informações, 15 policiais equivalem a quantos porcento do efetivo da ROTA? Não sei o número do efetivo, mas se for 500, teremos 3% SUPOSTAMENTE envolvidos com o crime organizado. No STF há 11 ministros e garanto que mais de 3% ali são criminosos. Na Polícia Civil quantos delegados são corruptos? Certamente bem mais de 3%. E assim vai….Os 97% restantes da ROTA são a larga maioria e bem por isso garantem que aquela tropa de elite tem e merece nosso respeito!

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  2. Infelizmente se falarmos de porcentagem na PCSP é assustador a corrupção, acredito que em 90%, fizemos uma conta rápida, citamos o nome dos delegados que se revezam na titularidade, seja de diretoria, dp, Seccional, especializada etc… e todos tinha um histórico , seja em participação ou conivência, ou seja esses 10% se houver, são aqueles que não conhecemos ou não trabalhamos juntos ou próximos. A verdade é essa, essa minoria , são plantonistas que utilizam a policia , seja pelo horário, ou porque estão “estabilizados” a espera da aposentadoria, tem também o que estão chegando agora, usando apenas como trampolim para outros cargos. Esse apadrinhamento político, com cargo de indicação, junto com a omissão dos representantes, afundaram a polícia civil.

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  3. A policia deveria ser unificada com plano de carreira. Acabar com a Polícia Militar que só onera os cofres públicos. Na verdade só permanecem na base engordando ou em pontos fixos para fazer marketing, quem trabalha mesmo é a guarda civil . Além de aumentos salariais diferenciais que criam descontentamento na Polícia Civil(sem reajustes dignos há anos), ainda com ideias de girico dos comandos estão criando problemas constitucionais ao assumirem as funções vda Polícia Civil. Alguma providência tem que ser tomada logo, esse bicho chamado Policia Militar está com garris afiadas e crescendo a cada dia.

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  4. É o fim, antes achava se que a Polícia Civil era corrupta enquanto a Polícia Militar truculenta.

    Agora a PM tem o monopólio, bem feito para aqueles que se julgavam os paladinos.

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