Domingos Paschoal Cegalla (1920-2013) – Professor e vencedor do Jabuti de tradução 11

15/02/2013- 00h02- Estêvão Bertoni de São Paulo

“Como é que você consegue?”, questionava Dalva ao marido, Domingos Paschoal Cegalla, enquanto ele devorava livros escritos em grego. “Eu gosto de descobrir coisas novas”, respondia à mulher.

Catarinense nascido num distrito de São João Batista, Domingos aprendeu grego (e latim, italiano e francês) durante os anos de seminário em Curitiba (PR). Desistiu de ser padre e foi cursar letras.

Dominar o idioma de Sófocles lhe foi muito útil. Pela tradução de “Édipo Rei”, ganhou o prêmio Jabuti em 2001. Também verteu “Antígona” e “Electra” para o português.

Professor, poeta e romancista, foi autor de dezenas de livros de português e gramática, como “Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa” e “Novíssima Gramática da Língua Portuguesa”.

Em 1983, a “Veja” o chamou de “um mágico do livro didático atraente”. “Se não tiver apelo visual, o livro não é aceito nem pelo aluno nem pelo professor”, disse à revista.

Apesar de ser conhecido, “achava um horror” aparecer em público e dar entrevistas.

Mingo, como era chamado em casa, considerava fundamental estudar. Dalva, funcionária pública aposentada, formou-se aos 42 em administração por incentivo do marido.

Ele trabalhou como professor até 1970 e seguiu escrevendo. Divertia-se jogando xadrez. Descrito como bondoso pela mulher, ficava indignado quando cruzavam com ele e não lhe davam bom-dia.

Aos 92, impressionava pela lucidez. Morreu na sexta (8), no Rio, de pneumonia e falência renal. Teve quatro filhos e dois netos. A missa do sétimo dia será hoje, às 18h30, na igreja Santa Mônica, no Rio.

coluna.obituario@uol.com.br

domingospcegalla

Um Comentário

  1. Pingback: " F I N I T U D E "

  2. Quem com mais de 50 anos que frequentou escola pública pelo menos em alguma série estudou português com o livro do Paschoal Cegalla. Se o Flit não divulga aqui, ninguém fica sabendo de sua morte, mas se fosse celebridade puta, ou político ladrão era notícia de destaque nos jornais e redes sociais. Mas era apenas um PROFESSOR que ajudou a melhorar a EDUCAÇÂO dos brasileiros.

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  3. Meus sentimentos….

    Meus sentimentos à família enlutada….

    – Estudei em Escola PÚBLICA, ainda, no tempo que Escola Pública tinha uma certa QUALIDADE….

    (HOJE, as escolas públicas só têm quantidade, são depósitos de alunos…)

    – No tempo em que estudei, as Professoras de Língua Portuguesa (não se dizia Português Brasileiro) eram compromissadas,

    – As professoras de Língua Portuguesa e de Literatura conheciam profundamente a Obra de Cegalla, e aplicavam em suas aulas
    – Eram outros tempos….

    HOJE, existem outros que se dizem “entendidos” na Língua de Camões…, e há muita MODA, muita maquiagem em matéria de Educação…, fórmulas mágicas que não fazem o aluno aprender como deveria,

    Fazem do POVO…, um POVO que sabe lêr, mas NÃO sabe PENSAR…

    Um POVO que não pensa é como o “boi manso” que segue a boiada ao som dum berrante…

    Sentimentos à família enlutada…

    (e como foi dito acima, tal NOTÍCIA importante, tal óbito, não é levado em conta pelas redes televisas porque não é uma celebridade puta…)

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  4. Bons tempos em que a escola pública era reconhecida, o professor, valorizado e o serviço público, em geral, fazia jus à descomunal arrecadação tributária brasileira. Pena é que “polítiqueiros de ocasião” mudaram radicalmente o verdadeiro papel do Estado: este, acima de tudo, DEVERIA preservar e dignificar a cidadania. Não é o que ocorre. Apenas como péssimo exemplo, os resultados tenebrosos da chuva de ontem, como prenúncio das chuvas de março, mostra-nos a lição de péssima reputação e desdém pela res publica da maior cidade da América do Sul, literalmente mergulhada em patifarias tão desoladoras que um funcionário da referida administração municipal adquiriu, ano passado, mais de cem imóveis de alto padrão, certamente imunes a essas “tragédias” naturais, pela privilegiada localização. Em Santo André não foi diferente. Há dois anos, o galho de uma frondosa figueira, no Parque Celso Daniel, caiu sobre a cabeça de uma mulher, matando-a instantaneamente. O então Prefeito, por ironia, é médico. Ao receber denúncias do Diretor do SEMASA, Roberto Tokozumi, acerca de corrupção, venda ilegal de licenças ambientais, prostituição e tráfico de entorpecentes no âmbito daquele setor de serviços públicos, não hesitou: demitiu-o. Compõe-se a vereança da atual gestão de um vereador (Sargento Juliano) que nesta semana reassumiu o cargo, ainda sujeito à cassação, no que depender da sentença a ser prolatada em razão de recursos impetrados. Ao lado dele, o Vereador “Coronel Sardano”, ou melhor, Edson Sardano, já que o mencionado codinome apenas foi usado nos palanques, numa subjacente utilização da Polícia Militar como trampolim, a exemplo do que ocorre com a influência militarizada oferecida aos então subprefeitos da cidade de São Paulo, submersa nas mesmas nas mesmas águas que sujaram o SEMASA. Por certo, como eu, o “Coronel Sardano” folheou os livros de Domingos Paschoal Cegalla. Lamento que as lições de patifarias que ele aprendeu, na Polícia Militar, fizeram-no demovido de ideais éticos, leais, verdadeiros. Lembro-me que ao me interessar pelas investigações envolvendo estranho acidente das viaturas M-10220 e M-10290, da Companhia que ele comandava, recebi o seguinte alerta: “Valdir, na política não importa o fato, mas a versão que a ele se dá”! Se, de fato, abandonou as concordâncias verbais muito bem ilustradas pelo Professor “Mingo”, os munícipes andreenses continuarão à míngua. Se realmente continuou nas concordâncias com as maracutaias da Polícia Militar, tanto que usou, anos a fio, uma das tais viaturas, depois descoberta a “versão dada ao fato político”, ou seja, montada sobre veículo roubado, isto significa que os contribuintes andreenses que o elegeram, embora inconscientemente, entraram numa roubada! A depender das verdadeiras versões, imunes da sujeira de certos políticos, para recrudescimento da cidadania em Santo André, acho que a população local ainda não se esqueceu de como morreu o ex-prefeito de Santo André, homenageado no “Parque da morte” onde inocentemente as crianças ainda brincam. Ao lado do referido logradouro público está o Paço Municipal no qual foi tecnicamente constatado, no final de 2012, tremores e iminência de desabamento de um dos pavimentos do prédio da referida administração municipal. Pelas assombrosas patifarias, possivelmente Spielberg mudaria a versão para um filme: O Preço (e o peso) da Safadeza.
    Parabéns ao Flit pela homenagem ao tão querido ícone da nossa Língua Portuguesa. Que no além as suas lições não percam a versão terrena inicial.

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  5. É cada comentário ridículo que postam que é fácil de compreender porque a Polícia Civis está na merda que está. Uma Polícia de merda com policiais de merda. (não todos é claro, mas muitos).

    Uns dizem “policial é aquele que troca tiro, que entra na favela”… estou tentando descobrir de qual polícia você está falando… A função policial é dividida em diversas partes, incluindo nisto a pericial, independente se é nomeada como “polícia técnico cientifica” (está que não existe na constituição mas foi criada por esta Estado abusador).

    A Polícia Civil está de fato falida. Os policiais antigos estão cansados e uns querem saber só de trabalhar o mínimo possível ou somente cuidar dos seus próprios interesses e se sobrar tempo atrapalhar um pouco a instituição.
    Os policiais novos, bem, estes são PMs disfarçados. Já entram na PC sonhando em ir para garra, goe, em usar uniforme, nunca prenderam nem o dedo na porta. Se vangloriam por patrulhar as ruas… sim sim… patrulhar, função da PM… em prender maconheiro com um baseado… mas e a investigação que é, ou melhor, deveria ser a espinha dorsal da instituição? Bem.. está fica para o reservado da PM, para os setores de inteligência da PM… afinal.. os policiais civis estão muito ocupados em patrulhar as ruas, em ficar coçando o saco nas chefias, em ficar sendo meros registradores de ocorrências da PM, GCM, etc nos plantões… esta PC está completamente falida.

    Hoje, neste post estão sentando pau no perito que não quer ser chamado de policial civil, afinal, se ele não é policial civil, não troca tiros, não patrulha.. ele não tem função policial. Mas… em outros os delegados sentam o pau nas demais carreiras, assim como investigadores sentam o pau nos carcereiros, agentes, escrivães e vice versa. Só demonstra como são pequenos.
    E o que policiais de merda merecem? merecem salário de merda, estrutura de merda, afinal, prestam um serviço de merda.

    Sabe quando a Polícia Civil será reconhecida e valorizada? nunca… os próprios policiais se matam, sentam o pau uns nos outros, não são unidos, possuem sindicatos de merda… mas é isso aí… muito falam e pouco fazem. E não adianta culpar o governo, o povo, ou qualquer outro… a culpa é dos policiais civis.

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  6. Infelizmente tem muitos filhos da puta na Policia Civil que se acham acima de todos.

    Sou Auxiliar de Papiloscopista Policial e me orgulho da carreira, quero logico melhorias salariais e tudo mais, mas não nego de fazer nenhum tipo de serviço, acima de tudo e independente de carreira sou policial civil lotado no DGP e subordinado ao Delegado Geral de Policia.

    Quem acha que a Policia Civil é composta apenas por duas ou três carreiras, ou ser policial é só trocar tiro com mala na rua, deveria ter prestado concurso na Policia Militar, pois a Policia Civil é judiciaria, confronto com bandidos são raros no trabalho do policial civil que exerce realmente a função de policia judiciaria, salvo aqueles que são lotados no Garra, Ger ou Goe.

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  7. Lamentável, tragédias e mais tragédias. Mais uma família em prantos, mais um Policial assassinado só porque é Policial..Até quando os nobres Deputados irão se manterem em silêncio e exigir uma postura firme do governo contra a criminalidade? Outro dia eu li uma matéria onde o entrevistado era o Presidente da ALESP Sr. Barros Munhoz do PSDB, ele dizia que os Deputados não devem fiscalizarem o poder executivo não, devem fazer o elo entre sua base eleitoral e o governo. Já imaginaram um Deputados falando um absurdo desses? Claro que os Deputados tem a função primordial de fiscalizar o poder executivo sim e bem fiscalizado para evitar que o governo tome decisões que não melhoram em nada a vida da sociedade, tem que pegar no pé do governo sim e toda hora, pois se fizessem isso a segurança pública não estaria nessa situação caótica que se encontra. Morre mais gente assassinada no Estado de São Paulo do que em em um país em guerra declarada, isso é uma afronta para os Brasileiros, isso envergonha nosso país diante do resto do mundo, mas nossos políticos dormem em berços esplêndidos, são letárgicos, ou são propositalmente letárgicos para não incomodar o governo, pois é assim que pensa o nobre Presidente da ALESP quando diz que deputados não devem fiscalizar o governo, é isso que acontece quando os Deputados não fiscalizam o governo, deixam a sociedade a própria sorte, são assassinados todos os dias no estado de São Paulo como se fossem iscas vivas para bandidos. Hoje foi o Policial Civil, amanhã é o taxista, depois o motorista de caminhão, o pedreiro, o estudante, o empresário e por ai vai.

    Enquanto o Governo do Estado de São Paulo não investir em segurança pública como deve, investir nos Policiais, vai continuar essas atrocidades contra a sociedade e nunca será seguro, caminhar, trafegar ou morar no Estado mais rico da federação, pois a morte ronda todos nós, a qualquer momento poderemos ser assassinados por aqueles que deveriam estar atrás das grades.

    É muito triste para todos Policiais receber essa noticia, mas pior ainda para os entes queridos que terão de passar o resto da vida chorando essa perda imensurável, é um luto eterno. Eu comungo dessa tristeza, sei que nada vai adiantar, mas temos certeza que nunca nos associaremos, nunca aprovaremos, nunca seremos cúmplices desse governo que nega segurança pública á sociedade, sociedade esta que paga os mais caros impostos do planeta, no entanto tem negado pelo governo o sagrado direito de ir e vir com absoluta segurança. Infelizmente, é mais um Policial assassinado, mais um pai de família assassinado, mais um cidadão trabalhador assassinado, mais uma família órfã. Lamentável.

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  8. 15/02/2013 21:00
    Acontece nesta segunda-feira, 18/2
    Da Redação

    10h – Solenidade de compromisso público dos novos corretores de imóveis inscritos no Creci ” SP, por solicitação do deputado Edson Ferrarini (PTB). No auditório Franco Montoro.

    14h – Audiência pública da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva. Em pauta, apresentação de documentos oficiais da ditadura militar. No auditório Paulo Kobayashi.

    14h- Reunião das entidades do funcionalismo paulista – União, Estados e Municípios, por solicitação do deputado Olimpio Gomes (PDT). No plenário Tiradentes.

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  9. Cacete meu , num post colocado em homenagem ‘a um linguista, entra um “arrombado”, literalmente arrombado, e outro com nick em inglês, desvirtuando do post. Parece ser orquestrado se hilário não fosse.Minhas homenagens ao professor falecido. FALA MUITO, muito feliz em seu comentário, concordo integralmente. A pobreza de nossa iimprensa é de deixar um burro abismado.

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  10. O Estado de S. Paulo

    Quadrilha que atuou em Fisco paulista diz à PF ter recebido ‘agrados’ de juízes

    Juízes do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT) da Secretaria da Fazenda de São Paulo são citados em relatório da Operação Lava Rápido, da Polícia Federal – investigação sobre esquema de desvio de processos fiscais e autos de infrações a pessoas jurídicas. A menção aos juízes é feita por servidoras administrativas do Fisco estadual que foram corrompidas pelos mentores da trama – três empresários que encomendavam o sumiço dos procedimentos. Uma servidora indiciada pela PF afirmou que recebia dinheiro, “agrados”, de juízes.
    O tribunal, composto de 16 Câmaras, é vinculado à Coordenadoria de Administração Tributária da Fazenda. Os juízes que compõem o quadro do TIT podem ser representantes da Fazenda ou dos contribuintes. Os juízes servidores públicos são indicados pela Fazenda e pela Procuradoria-Geral do Estado. Os que representam contribuintes são indicados por entidades de diversos setores envolvidos com a tributação estadual.
    A PF não imputa atos ilícitos aos juízes da Fazenda ou a outros funcionários do TIT e também não os investigou. Mas anexou ao relatório final do inquérito os depoimentos que os mencionam.

    Secretaria diz que recupera processos e investiga o caso

    O Estado solicitou manifestação dos juízes e funcionários do TIT citados pelas servidoras, mas eles não responderam. Por sua assessoria de comunicação, a Secretaria da Fazenda informou que apresentada a lista de juízes indicados é feita seleção com análise de aspectos como experiência na área tributária, formação acadêmica e especializações. A Corregedoria da Fiscalização Tributária apura o caso e medidas disciplinares cabíveis serão propostas ao final.
    Alguns juízes ouvidos pela reportagem saíram em defesa dos colegas citados.Eles ressaltam que a investigação não os envolve com a quadrilha. A secretaria informou que a PF comunicou uma lista de 36 processos “considerados como passíveis de subtração no âmbito da investigação”. Desses, 29 estavam em andamento regular, 7 não foram localizados – desses, 4 foram integralmente recuperados, 2 estão em fase final de reconstituição e um, que havia sido encaminhado para inscrição na dívida ativa, está sendo verificado.

    Servidoras escondiam os processos em mochilas no banheiro

    Volumosos processos fiscais e autuações de infrações em valores milionários impostas a pessoas jurídicas eram retirados tranquilamente da Secretaria da Fazenda de São Paulo em mochilas e sacolas, revela a investigação da Polícia Federal. Os movimentos da quadrilha no Palácio Clóvis Ribeiro, sede da Fazenda, foram reconstituídos a partir da confissão de quatro alvos da Operação Lava Rápido.
    Silvania Felippe, Denise Alves dos Santos, Maria Rodrigues dos Anjos e Cleiresmar Machado ocupavam funções administrativas na pasta.
    Elas recebiam propinas em dinheiro vivo para atender às encomendas dos empresários Wagner Renato de Oliveira, Antonio Honorato Bérgamo e Antonio Carlos Balbi, mentores da trama.

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  11. Querido professor, inteligente e espirituoso. Achei comico quando ele disse sorrindo que o carro dele ia a 200 km/h e quando ele flagrou um colega meu inaciano colando na prova e bradou “- Fraude! Fraude!”

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