Polícia Federal faz cagada e humilha inocentes 25

29/04/2012-18h40

“Virei bandido”, diz empresário abordado por engano pela PF no Pará

MARIANA VERSOLATO DE SÃO PAULO

Um empresário de 40 anos de Santarém (PA) afirma ter sido humilhado por agentes da Polícia Federal ao ser confundido com um vizinho investigado por exploração de máquinas caça-níqueis.

Dono de um restaurante na cidade, Junior Chaves diz ter sido acordado em casa por cerca de 30 policiais federais às 8h de quarta-feira (25). Os agentes tinham um mandado de busca e apreensão. Na casa estavam ainda a mulher e os sogros do empresário.

“Ouvi o interfone tocando de forma até estúpida, achei que fosse alguém brincando, um bêbado. Quando abri a janela vi 30 policiais do lado de fora, enfileirados no muro da minha casa, com armas na mão.

 Quando perguntei sobre o que se tratava, gritaram:

`Polícia Federal, abre a porta, bandido! A casa caiu!’.”

Chaves conta que mora em uma avenida movimentada e uma multidão assistia à cena. “Me senti muito humilhado e envergonhado.”

Segundo o relato do empresário, após abrir o portão com as mãos na cabeça, os policiais lhe deram uma chave de braço e o empurraram em direção à casa. Pediram então para ele chamar quem mais estivesse ali. Sua mulher apareceu escoltada por um policial e, logo em seguida, viu seus sogros.

“Minha esposa disse que eu não era bandido. Perguntaram então se ela não sabia que era casada com um marginal, com um vagabundo.”

Chaves disse que só se deu conta do que estava acontecendo quando os policiais o chamaram pelo nome de seu vizinho. “Quando eu disse que não era ele, perguntaram:‘Você quer pagar uma de otário pra gente?

Faz um mês que estamos te seguindo.

O delegado disse ainda que não importava que eu não fosse, que era para calar a boca ou seria preso por desacato.”

O número da casa que estava no mandado era do imóvel de Chaves, mas o nome era de seu vizinho.

Alguns policiais, porém, foram à casa de seu vizinho e confirmaram o engano. O delegado ainda pediu o contrato de aluguel do empresário para conferir as informações e levou o documento.

Divulgação Polícia Civil do Pará
Polícia apreende 65 máquinas

Segundo Chaves, um policial cochichou no ouvido do outro e todos “murcharam”. “Saíram sem pedir desculpas. Só disseram que esperavam que eu entendesse, porque estavam cumprindo ordens.”

O empresário disse que não pretende, por enquanto, acionar a Justiça para pedir indenização.

“Gostaria apenas que se retratassem publicamente. Não consigo dormir, a família toda ficou muito abalada com essa humilhação. Depois a PF disse na imprensa que a operação havia ocorrido dentro da normalidade, mas não podem achar isso normal. Para quem assistiu à cena na rua, virei bandido.”

O empresário ficou com uma cópia do mandado de busca. Ele conta que um delegado da Polícia Civil e seu vizinho, que já foi libertado, lhe pediram desculpas.

“Eu sou branco e tenho 1,81 metro. Meu vizinho é mais moreno, careca. Não temos nada a ver. Não sei que investigação foi essa que eles fizeram.”

A operação Caça e Caçador, de combate ao jogo ilegal na região de Santarém, envolve as polícias Federal e Civil do Pará, e já dura dez meses.

Procurada, a Polícia Federal disse que só poderia comentar as afirmações do empresário nesta segunda-feira (30).

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O empresário foi preso na operação Caça e Caçador, deflagrada em conjunto pelas polícias Federal e Civil,  dia 25,  em Santarém.

Preso nas primeiras horas da manhã, residência invadida por agentes federais, ele sofreu agressões verbais, humilhações à frente da esposa e muito mais.

Mais: consta que a Polícia Federal trata a população  pobre daquele Estado com extremado desrespeito…

São arrogantes, constrangedores, tratando todos como se fossem traficantes, ladrões e assassinos.

A maioria desses policiais – oriundos de outras regiões – odeia trabalhar no Pará.

Os delegados da PF sofrem espécie de patológico autoritarismo; demonstram publicamente complexo de superioridade, distribuindo a  agentes e autoridades de órgãos locais manifestações de arrogância e prepotência . 

Delegado revela detalhes da reengenharia da Polícia Civil 71

 

Delegado Seccional, Luis Fernando Quinteiro de Souza, fala sobre o combate à criminalidade   – Foto: Ricardo Prado

O Diário Entrevista desta semana fala com o delegado da Seccional de Marília, Luis Fernando Quinteiro de Souza, 53. Ele é formado em direito com mestrado pelo Univem-Centro Universitário Eurípides de Marília. Quinteiro ocupa o cargo há oito meses. Natural de Assis exerceu a mesma função na cidade natal e na sequência em Ourinhos. Ele está há 32 anos na Polícia Civil e há 11 como delegado. É casado com Isabel Cristina Quinteiro com quem teve dois filhos, Nucci Quinteiro e outro já é falecido.

O delegado fala sobre o trabalho desenvolvido durante oito meses à frente da Seccional. Durante a entrevista ele revela a reengenharia da Polícia Civil que possibilitará a unificação das unidades e maior agilidade na investigação. Quinteiro destaca ainda a queda nos índices de criminalidade e classifica o tráfico como um dos crimes que têm causado maior preocupação às autoridades. O delegado responde ainda sobre o relacionamento com a Polícia Militar.

Como é o trabalho desenvolvido pelo delegado Seccional?

O papel do delegado de polícia é de controlar a criminalidade na sua área de atuação, verificando as infrações penais que eventualmente ocorram, instaurar os inquéritos policiais e investigar a autoria dos mesmos e também as circunstâncias em que aquele crime aconteceu. As provas são encaminhadas para o inquérito policial que na sequência é enviado para o poder judiciário. O conjunto probatório para que consigamos fazer com o que o autor de um crime seja responsabilizado é feito através de um inquérito.

Já a função do delegado seccional é mais na parte administrativa. Temos que oferecer as condições mínimas e necessárias para que as demais delegacias e policiais trabalhem com certo conforto e com instalações dignas, justamente para que eles possam acolher o usuário do serviço público. Então, o nosso papel, além de controlar a criminalidade de uma região maior, que no nosso caso envolve 14 cidades, também supervisionamos o trabalho dos delegados de polícia. Ao mesmo tempo cuidamos da parte administrativa para bem servir todas as unidades. Desta forma promovemos licitação, compramos materiais, pneus, combustível e cuidamos da manutenção das viaturas. Fazemos ainda o pagamento da energia elétrica, água, luz, telefone e equipamento de informática. Enfim, temos que promover a melhor gestão possível para que o usuário do serviço público fique bem servido com o trabalho da Polícia Civil.

Para isso temos um setor de finanças para organizar todo este serviço. Em Marília são cinco distritos policiais e três delegacias especializadas. A maior parte das cidades menores conta apenas com uma delegacia.

O que considera a principal dificuldade no dia a dia?

O problema maior que nós enfrentamos hoje é controlar a criminalidade, isso exige muito trabalho de investigação contínua, atividade de polícia judiciária que nós fazemos e de inteligência policial. Isto é feito justamente para controlar diariamente a criminalidade, nós só podemos proporcionar tranqüilidade a sociedade se controlarmos diariamente o crime.

Nós não temos pretensão de acabar com o crime porque ele faz parte do ser humano, mas temos o dever de controlá-lo e  evitar que ele aumente.

Isto é uma luta incessante, por mais que as prisões ocorram, o crime também tem sua força por fatores socioeconômicos, desajustes e desintegração da família, tudo isto leva ao cometimento de infrações. O maior desafio é monitorar e controlar este quadro. Isto na cidade e região de Marília nós estamos conseguindo com apresentação de bons índices.

Atualmente qual o relacionamento da Polícia Civil com a Militar?

O relacionamento é muito bom. Nós temos que trabalhar de forma integrada, já que pertencemos a mesma Secretaria de Segurança Pública. Eu, durante os 30 anos de trabalho no serviço público nunca me desentendi com a Polícia Militar, mesmo porque o nosso objetivo é comum, ou seja, promover a paz e tranquilidade da sociedade. A Polícia Militar fazendo o papel importantíssimo dela que é o policiamento ostensivo e preventivo, trabalhando para que o crime não aconteça. E a Polícia Civil trabalhando na parte repressiva e investigativa, ou seja, aqueles crimes que não foram evitados temos que apurar as circunstâncias e autoria, condensar tudo isso num conjunto de provas que é levado para o inquérito policial e encaminhado para que a justiça instaure ou não o respectivo processo. Então, nosso relacionamento não só com a Polícia Militar, como também com os demais órgãos voltados à segurança pública e justiça é excelente, mesmo porque todos nós temos objetivo comum e perseguimos o interesse do bem comum da comunidade.

A nossa satisfação maior é quando nossos índices caminham bem. As prisões são praticamente diárias, portanto, a resposta que a sociedade precisa nós estamos ofertando. O trabalho também não depende somente da Civil e Militar, consequentemente toda nossa atuação vai terminar perante o representante do Ministério Público e Poder Judiciário.

Falta comunicação entre as polícias ou existe alguma espécie de competição. Isto, às vezes, atrapalha?

De forma alguma, não existe falta de comunicação, mesmo porque a Militar precisa fazer um trabalho totalmente diferenciado do nosso. Claro que em algumas circunstâncias realizamos ações em conjunto, o que é natural numa operação, isto sempre almejando o bem comum da população. Para isso não podemos ter melindres de espécie alguma. Existe um folclore sobre a competição, o que não ocorre. Na realidade existe o prosseguimento de um trabalho. Já que o preventivo é um e o investigativo é outro. É claro que como o objetivo é o mesmo, a segurança pública, as informações que temos são interessantes para eles e vice-versa. Nós fazemos reuniões periódicas, não só na Seccional como também na sede do Batalhão para verificarmos e aprimorarmos dia a dia este trabalho. Por isso, atuamos de forma integrada para aprimorar e otimizar este serviço que deve ser prestado para a sociedade. Na maioria dos casos alcançamos sucesso.

Qual o atual efetivo da Seccional de Marília? São feitas reposições? Há algum plano?

Hoje em Marília contamos com 41 delegados de polícia, 35 escrivães e 48 investigadores, além de outras carreiras como carcereiros, agentes policiais e oficiais administrativos. Na próxima semana vamos receber novos policiais, resultado do último concurso público. Os concursos ocorrem e as aposentadorias e saídas também, portanto há um dinamismo neste sentido. Então sempre há reposições é claro que nós temos vazios no organograma porque nem sempre é tão rápida a substituição. O quadro não é perfeito, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento dos serviços.

Este número que temos é o ideal para sede de Marília. Todas as delegacias têm uma média de três delegados, dois ou três escrivães de polícia e o mesmo número de investigadores. Já a sub região é a que sofre mais com a falta de pessoal, mas que também é suprida com a designação de alguns policiais para ocasiões especiais. Os concursos já estão autorizados existem alguns em andamento. Depois disso depende do organograma da própria academia para a formação dos profissionais.

Como está a investigação em relação ao envolvimento de um policial civil com uma quadrilha de traficantes?

Já foi concluída e encaminhada ao Fórum. A investigação ocorreu pela corregedoria, por isso não tenho informações.

Qual a reação ao ser informado sobre o suposto envolvimento?

Não tem reação porque na realidade os policiais são capacitados e treinados para promover o melhor serviço público policial civil possível. E as vezes alguns podem por um motivo ou outro desvirtuar deste papel ai entra em cena nossa corregedoria para apurar o que de fato ocorreu ou se foi apenas boato. Então as investigações sempre correm pelas corregedorias respectivas.

Há algo que possa ser feito para evitar que casos como este aconteçam?

A formação do policial é completa. Eles recebem treinamento, capacitação e trabalham com teorias e prática sempre no sentido de sair dali perfeito para as causas e defender a sociedade na região para onde é designado. Agora se um ou outro desvirtua, nós temos que levar em consideração que o ser humano é falível, portanto ele pode cometer erros que devem ser apurados da melhor maneira possível.

Para as pessoas que desejam denunciar alguma irregularidade existem telefones como 197 e endereços das delegacias, enfim, meios de comunicação não faltam para quem quiser fazer uma reclamação ou até mesmo crítica construtiva ao trabalho da polícia.

E o projeto do novo plantão policial? E da super delegacia, vai sair do papel? Qual a previsão de conclusão das obras?

Para prestar o melhor serviço possível nós estamos trabalhando no projeto de reengenharia da Polícia Civil de Marília. Isto consiste na unificação de todas as delegacias de polícia da cidade num único espaço físico. Hoje as informações são imprescindíveis para o trabalho da polícia e as vezes elas ficam dissociadas. A mesma pessoa que tem uma informação importante vai ao distrito da zona norte depois no distrito da zona sul. Então nós ganharíamos tempo na informação, o que é essencial para esclarecermos com maior rapidez possível o crime. Se colocarmos todas as unidades num prédio, a qualidade do serviço prestado será bem melhor. Este modelo já foi utilizado há 30 anos e demonstrou bastante resultado, depois o próprio governo quis experimentar um sistema distribuído. E agora nós estamos reconhecendo que o melhor modelo de Polícia Judiciária de investigação é ter todos os envolvidos em um único complexo. Estamos fazendo tentativas para readequar todas as unidades e colocá-las somente em um prédio, uma central única de Polícia Judiciária. Em várias cidades do estado de São Paulo já foi iniciado o projeto com a demonstração de bons resultados. Com esse agrupamento de policiais nós vamos ganhar em tempo para atender esta ocorrência de uma maneira mais rápida. Acolhemos a pessoa, descobrimos o problema e imediatamente já haverá uma equipe para trabalhar em busca do esclarecimento do crime. As pessoas não vão perder mais tempo perambulando pelas unidades policiais.

Nós já começamos a juntar toda a documentação e esperamos concluir o projeto no mais tardar até o final deste ano. Nós estamos especulando vários imóveis, mesmo porque não é qualquer espaço físico que acomoda tanta gente, como os profissionais e a população.

Após acertarmos os detalhes da reengenharia e o imóvel pretendido será simplesmente uma questão de adaptações, compra de mais materiais necessários e promover a mudança. No início de 2013 já devemos ter uma situação mais definida.

A Polícia Civil utiliza basicamente os grampos telefônicos em suas investigações ou há outros aparatos tecnológicos?

A polícia usa hoje os recursos da tecnologia que são os mais variados possíveis, aliás, que estão aí para nos atender. Nós temos um princípio na administração pública que chama-se adaptabilidade, ou seja, o serviço para ser bem prestado deve acompanhar e perseguir a modernidade, nós não podemos ficar no retrocesso e sim acompanhar a modernidade. O que há de novo e pode contribuir com o trabalho da Polícia Civil nós adquirimos e colocamos à disposição dos policiais. Por exemplo, equipamentos de informática, como os tablets.

A tática de infiltrar agentes ainda é utilizada?

A Polícia Civil utiliza todos os meios de comunicação permitidos por lei. O caso das infiltrações de especialistas tem amparo legal. Então, o que for meio legal de investigação, nós capacitamos os policiais para que façam, não só este, como tantos outros meios de trabalho. Os investigadores são submetidos a cursos de atualização e aprimoramento de forma continuada. O crime se evolui e nós também temos que aperfeiçoar o modo de repressão.

Qual a avaliação do seu trabalho durante oito meses no cargo?

Melhor termômetro para avaliar o trabalho do delegado é a própria população. Acredito que em equipe cada um capacitado na sua área está realizando todas as atividades necessárias para o bem da sociedade. Outro meio de observação são os índices que caíram muito. O número de homicídios, por exemplo, até agora são seis, o que para uma cidade do porte de Marília é pouco. Outro crime que reduziu é o roubo de veículos, no ano temos apenas seis.

Para que a redução dos índices prossiga, nós temos que manter o acompanhamento das estatísticas. Por isso recebo todos os dias planilhas dos distritos com a relação de crimes e locais onde foram registrados. Hoje, não podemos dizer que exista uma região mais perigosa, mas se diagnosticada uma localidade com maior incidência os trabalhos são direcionados. A população também é imprescindível com as denúncias.

Qual o crime tem causado maior preocupação?

O tráfico com certeza, para mim é considerado um câncer da sociedade. A justiça e a polícia combatem isto diariamente, temos prisões todos os dias. Das 38 prisões até agora no mês de abril, 21 são referentes ao tráfico que não escolhe se são adultos, jovens ou adolescentes. Podemos afirmar que no mês, 95% das prisões são referentes ao tráfico. Por mês retiramos milhões deste mercado, mas é claro que há outras pessoas envolvidas. Por isso o trabalho é incessante.

Mas é claro que as operações também surtem efeito. É o caso das prisões de duas quadrilhas que tinham uma rivalidade entre os grupos e causavam insegurança à população dos bairros. Com as prisões diminuiu o número de ocorrências na região.

O que pensa sobre a nova lei de prisões sancionada no ano passado?

Foi interessante, pois aumentou a pena que pode ser arbitrada fiança pelo delegado. Isto facilita bastante o trabalho no caso dos réus primários. De um modo geral o Poder Judiciário tem colaborado com o nosso trabalho. Afinal, nossa parceria é importante para o processo.

Como está a questão dos salários dos servidores? E os recursos enviados pelo estado são suficientes?

A luta sempre continua, afinal, o funcionário público com todo o direito quer receber mais. De maneira geral tem sido concedido os reajustes como em agosto do ano passado. Mas as associações têm cumprido seu papel de reivindicação.

No quesito recursos o governo do Estado de São Paulo tem uma das polícias mais equipadas, nossas viaturas são novas e não faltam equipamentos.

O que acredita ser necessário para diminuir a criminalidade?

Como já citei não é possível acabar com o crime, mas controlá-lo. Porém, o governo poderia ajudar com o retorno de disciplinas nas salas de aula que ensinem a criança a ter mais amor ao patrimônio, princípio e valores, além de demonstrar maior civismo.

Outra solução está na estabilidade e estrutura da família. Já ouvi criança dizer que ao crescer pretende ser ladrão igual ao seu pai. Então os exemplos que se têm dentro de casa são extremamente importantes para a conduta no mundo.

fonte: Jornal Diário de Marília