BANDA PODRE: A CORAGEM COMO FATOR DECISIVO PARA GANHAR MAIS DINHEIRO. 23

BANDA PODRE – A MÁFIA DAS POLÍCIAS.

 

Nós tratamos dos valores relativos das cadeiras no Brasil e as quantias que um ocupante da banda podre pode conseguir ocupando tais assentos, isso logo nos primeiros artigos, hoje voltamos ao tema para avançarmos um pouco mais.

O simples fato da função (cadeira) ser uma possível fonte de recursos para a banda podre, não garante que os recursos sejam alcançados, pois um fator decisivo para o sucesso no exercício ilegal da função para a obtenção de muito dinheiro: a coragem. Apesar da impunidade reinante no Rio de Janeiro, a coragem é um fator que contribui decisivamente para a obtenção de um rendimento maior ou menor da cadeira.
A propina do “jogo dos bichos”, por exemplo, é recebida com risco praticamente zero, sem grande exposição do destinatário, embora tal atividade ilícita seja considerada a fonte de recursos para tantas outras ações criminosas. O “jogo dos bichos” funciona livremente no Rio de Janeiro e paga para que isso ocorra, tanto no caixa eletrônico, quanto na remessa de malas. A capilaridade do ilícito, atuando em cada esquina, faz com que se depreenda que muita gente está sendo paga. Gente miúda, gente graúda, o que minimiza os riscos. Além disso, a relação é simbiótica, todos ganham.
Qualquer frouxo apanha a propina do “jogo dos bichos”.
No concernente ao tráfico de drogas, a situação se repete quanto os policiais fazem acordos de não repressão, recebendo simplesmente para nada combaterem os traficantes. Obviamente, para não “sujar”, vez por outra ocorre uma simulação de troca de tiros aqui e acolá, quando armas, munições e drogas são apreendidas, em comum acordo com os traficantes. Novamente, qualquer covarde pode receber esse dinheiro sujo. Todavia, precisa ter muita coragem para agir de uma forma muito mais rendosa, combatendo o tráfico de drogas em benefício próprio. Tem que ter peito para invadir comunidades carentes, sendo recebido por disparos de fuzis dos traficantes, para ao final ficar com os despojos dos vencidos, ou seja, armas, drogas e munições que serão vendidos. Isso sem falar na coragem para prender e negociar uma cabeça boa, vencendo toda a contenção e recebendo uma pequena fortuna pela libertação do cabeçudo.
Tem que ser muito macho para atuar nessa atividade mais rendosa, que pode também incluir a proteção de uma facção do tráfico, contra o ataque da rival. Pode parecer inverossímil a polícia ser chamada por traficantes para que enfrente os traficantes da facção adversária, mas isso ocorre, existem policiais com coragem suficiente para tamanha audácia.
Por sua vez, as cadeiras do trânsito não precisam de tanta coragem, na verdade quase nenhuma.
São as Auto Patrulhas de Trânsito (APTrans) e as Moto Patrulhas de Trânsito (MPTrans) empregadas isoladamente ou em conjunto em operações policiais, para fiscalizar veículos que circulam pelas ruas. Ambas rendem um bom dinheiro, sem risco significativo, pois a relação é novamente uma simbiose. O cidadão fica agradecido por não ter seu veículo apreendido e multado, pagando um valor muito menor para o policial. As atividades da banda podre nos serviços policiais relacionados com o trânsito possuem outras formas de atuação, como os acordos que podem ser feitos com os transportes clandestinos, gerando recursos muito consideráveis. Conta a lenda que atualmente o gerenciamento desses serviços pode ser feito diretamente pelo comandante do batalhão, em face dos rendimentos obtidos, isso se ele for integrante da banda podre.
Um rendimento também com pouco risco é o obtido com as rondas bancárias, as patrulhas que tem o objetivo de evitar roubos em estabelecimentos bancários e que nas mãos da banda podre se transforma em policiamento privilegiado, uma segurança privada, paga. É uma relação mais fina, empresarial, exigindo a participação direta do comandante ou de seu staff direto, precedida de reuniões com os gerentes.
Ratificamos que toda cadeira pode gerar um dinheiro ilícito, desde que ocupada por um integrante da banda podre, mas nenhuma delas rende um centavo ilegal, quando ocupadas pelos verdadeiros policiais.
Coronel Paulo Ricardo Paúl

Ministro do STF cassa Conselho Nacional de Justiça 27

19/12/2011-14h26

Em decisão liminar, ministro do STF esvazia poderes do CNJ

FELIPE SELIGMAN DE BRASÍLIA

Em decisão liminar nesta segunda-feira (19), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello suspendeu o poder “originário” de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra magistrados, determinando que o órgão só pode atuar após as corregedorias locais.

A liminar concedida pelo ministro deve ser levada a plenário na primeira sessão do ano que vem, no início de fevereiro, para que seus colegas avaliem o tema. Até lá, no entanto, as funções da corregedoria do CNJ estarão esvaziadas.

Ficarão prejudicadas aquelas investigações que tiveram início diretamente no conselho, antes que tenham sido analisadas nas corregedorias dos tribunais onde os juízes investigados atuam.

Como está previsto na Constituição, o CNJ pode ainda avocar [determinar a subida de] processos em curso nas corregedorias, desde que comprovadamente parados. O ministro afirmou que o conselho deve se limitar à chamada “atuação subsidiária”.

Rodrigo Capote/Marcelo Camargo/Folhapress
Ministro Cezar Peluso e a corregedora do CNJ, Eliana Calmon, desentenderam-se sobre as atribuições do conselho
Ministro Cezar Peluso e a corregedora do CNJ, Eliana Calmon, desentenderam-se sobre as atribuições do conselho

Em outras palavras, o que não pode é iniciar uma investigação do zero, fato permitido em resolução do CNJ, editada em julho deste ano, padronizando a forma como o conselho investiga, mas que foi questionada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros).

“A solução de eventual controvérsia entre as atribuições do Conselho e as dos tribunais não ocorre com a simples prevalência do primeiro, na medida em que a competência do segundo também é prevista na Constituição da República”, diz o ministro em sua decisão. “A atuação legítima, contudo, exige a observância da autonomia político-administrativa dos tribunais, enquanto instituições dotadas de capacidade autoadministrativa e disciplinar.”

Foi exatamente este assunto que colocou em lados opostos o presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, e sua corregedora, Eliana Calmon. O primeiro defendia exatamente a função subsidiária do conselho, enquanto a última afirmava ser fundamental a atuação “concorrente” e “originária”.

Calmon chegou a dizer que o esvaziamento dos poderes do CNJ abriria espaço para os chamados “bandidos de toga”.

A ação da AMB está na pauta do STF desde o início de setembro, mas os ministros preferiram não analisar o tema, exatamente por conta desta polêmica.

Como a última sessão do ano aconteceu durante a manhã e os ministros só voltam a se reunir em fevereiro, Marco Aurélio decidiu analisar sozinho uma série de pedidos feitos pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros).

Além desta questão, o ministro também suspendeu mais de dez outras normas presentes na resolução do CNJ em questão. Entre elas, uma que permite a utilização de outra lei, mais dura que a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), para punir magistrados acusados de abuso de autoridade.

Outra regra, que também foi suspensa, dava direito a voto ao presidente e ao corregedor do CNJ.

Comandante da PM é preso no Rio acusado de receber propina; grupo lucrava R$ 160 mil por mês 9

19/12/2011-09h39

Suspeito de receber propina, comandante de batalhão é preso no Rio

MARCO ANTÔNIO MARTINS DO RIO

Atualizado às 10h11.

O comandante do 7º Batalhão da PM de São Gonçalo, tenente-coronel Djalma Beltrami, foi preso na manhã desta segunda-feira por homens da CGU (Corregedoria Geral Unificada) quando chegava ao trabalho na unidade, na região metropolitana do Rio. Segundo investigações da Polícia Civil, ele recebia através de equipes do GAT (Grupo de Ações Táticas) propina de criminosos para não reprimir o tráfico de drogas.

Beltrami foi levado para a Delegacia de Homicídios de Niterói, também na região metropolitana. A Folha entrou em contato com a PM, mas ainda não obteve retorno.

A Polícia Civil ainda tenta prender outros policiais militares suspeitos de receber propina de traficantes. Ao todo, devem ser cumpridos 26 mandados de prisão, sendo 13 contra PMs.

A operação chamada Dezembro Negro começou após investigações sobre homicídios praticados por traficantes em São Gonçalo. Durante as investigações, foi descoberto o esquema de corrupção de PMs.

JUIZ

Beltrami assumiu o comando do 7º Batalhão após a saída do tenente-coronel Cláudio Oliveira, acusado há cerca de dois meses de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli.

O comandante também estava entre as equipe acionadas após o massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste do Rio), em abril deste ano, quando um rapaz entrou na unidade e atirou contra diversas crianças e depois se matou. Doze pessoas morreram na ocasião.

Além da carreira na PM, Beltrami também exerceu a profissão de árbitro durante 20 anos. Conhecido nos gramados como “juiz linha dura”, ele se despediu do cargo no primeiro semestre deste ano na decisão do Troféu Carlos Alberto Torres entre Madureira e Boavista.

Juiz da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro desde 1989 e da CBF desde 1995, o tenente-coronel Beltrami também participou da retomada do Complexo do Alemão em novembro do ano passado.19/12/201108h14

Polícia do RJ faz operação contra PMs suspeitos de receber propina

MARCO ANTONIO MARTINS DO RIO

A Polícia Civil do Rio realiza uma operação na manhã desta segunda-feira para prender policiais militares suspeitos de receber propina de traficantes. Ao todo, devem ser cumpridos 26 mandados de prisão, sendo 13 contra PMs.

A operação chamada Dezembro Negro começou após investigações sobre homicídios praticados por traficantes em São Gonçalo. Durante as investigações, foi descoberto o esquema de corrupção de PMs. Por volta das 8h, algumas prisões já tinham sido efetuadas, mas não foi informado quantas ou o nome dos presos.

Entre os policiais suspeitos está o tenente-coronel Djalma Beltrami, comandante do 7º Batalhão da PM (São Gonçalo). Homens da Corregedoria-geral e da Delegacia de Homicídios de Niterói estão no batalhão desde as 6h de hoje, e aguardam o PM.

Beltrami assumiu o comando da unidade após a saída do tenente-coronel Cláudio Oliveira, acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli.