DOIS POLICIAIS MILITARES E UM EX-POLICIAL SEQUESTRAM , MATAM E CARBONIZAM 12

sexta-feira, 14 de agosto de 2009, 21:23

 

Polícia prende quadrilha que sequestrou e matou comerciante de Ribeirão Pires

Fabiana Chiachiri
Do Diário do Grande ABC

A polícia identificou e prendeu parte da quadrilha que sequestrou e matou o comerciante Roberto Baldi, 57 anos, de Ribeirão Pires. Ele foi rendido no dia 24 de junho quando saía de casa com destino a um de seus postos de combustíveis.

Entre os acusados do crime estão os policiais militares Fábio Luiz Barbosa Gaudêncio, 29 anos, e Josyvane Santos Silva, 24. Também foram identificados Anderson Moreira, 31, Janete Barros da Silva, 37, e Luiz Tadeu dos Santos, 32, o Neguinho, que estão presos e aguardam julgamento. Além deles, são procurados Erisnaldo Souza Reis, 27, o Naldo, e Vitor Antonio Duarte, 22, que já tiveram a prisão decretada.

O primeiro contato com a família de Baldi foi feito às 11h do mesmo dia em que ele foi sequestrado. Enquanto estava na delegacia para registrar o boletim de ocorrência de desaparecimento, o irmão do comerciante, N.B., 59 anos, atendeu uma ligação que partiu do celular da própria vítima. O interlocutor disse que se tratava de um sequestro e exigiu R$ 1,5 milhão para que libertasse Baldi.

Ainda no dia 24 de junho, a família recebeu mais três ligações. As equipes de investigadores das DAS (Delegacias Antissequestro) de Santo André e São Bernardo começaram a trabalhar em conjunto nas investigações. “A princípio, imaginava-se que a vítima havia sido arrebatada em São Caetano. Três dias depois, entramos na investigação. Descobrimos que o comerciante havia sido pego na garagem de casa, pois encontramos vestígios como cordas e fitas isolantes”, explicou o delegado da Antissequestro de Santo André, Alberto José Mesquita.

No dia 25, os sequestradores fizeram mais três ligações para o irmão da vítima. Em todos os contatos, uma voz masculina negociava o valor do resgate. Nos dias seguintes, outras cinco ligações foram feitas e o valor do resgate diminuiu para R$ 1 milhão.

Desesperado com a situação, o irmão do comerciante pediu uma prova de vida para começar a levantar o valor. A confirmação de que Baldi estava vivo veio no domingo, dia 28. Por volta das 11h, uma voz feminina passou a negociar com a família e deixou a vítima falar com seu irmão.

Resgate – Na segunda-feira, dia 29, os sequestradores aceitaram o valor de R$ 280 mil para que o comerciante fosse libertado. O irmão de Baldi deveria deixar uma mochila com o dinheiro próximo ao Shopping Santa Cruz, no bairro Jabaquara, em São Paulo, pela madrugada.

Seguindo orientações dos criminosos, o irmão da vítima foi até o local combinado. Os sequestradores, no entanto, mudaram de idéia e orientaram que ele seguisse pela Avenida Armando Arruda Pereira, divisa com Diadema, próximo à rodovia dos Imigrantes.

No percurso, havia um bloqueio da Polícia Militar. “O irmão da vítima ficou 40 minutos com o sequestrador passando orientações. Avisou que havia um bloqueio, mas o criminoso mandou seguir. Ele foi parado, mas o policial somente perguntou se estava tudo bem. Não pediu documento do carro, nem mandou descer”, contou Mesquita.

Depois de jogar a mochila com o dinheiro dentro do Parque do Estado – local combinado com os criminosos – o irmão de Baldi atravessou a passarela e aguardou que o comerciante fosse libertado. Os sequestradores disseram que dentro de cinco horas a vítima estaria livre, o que não aconteceu.

Corpo – Na manhã do dia 30, policiais militares de São Paulo localizaram um corpo carbonizado em um terreno baldio da Avenida Presidente Wilson, no bairro Ipiranga, próximo de onde as ligações partiram. O corpo seguiu para o IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo, mas não foi constado que era do comerciante.

A confirmação de que a vítima ainda poderia estar viva veio no dia seguinte. “A mãe de uma jovem foi até o IML e disse que sua filha havia morrido naquela região. Como o corpo estava muito queimado, o legista pensou que era de uma mulher. Depois, descobriu-se que na realidade o corpo era do sexo masculino. Não temos dúvidas de que se trata do comerciante, mas o laudo definitivo só sairá na próxima semana”, afirmou o delegado.

Investigação – O crime começou a ser esclarecido após a polícia descobrir que algumas das ligações para os sequestradores partiram do celular do policial militar Fábio Luiz Barbosa Gaudêncio e de sua esposa, Josyvane. Uma testemunha confirmou que o número era do soldado e a equipe de investigadores de São Bernardo resolveu prender o casal.

Lotado em um batalhão do Jabaquara, o casal foi preso na noite do dia 29 de junho no apartamento onde moravam na Rua Silva Bueno, próximo a um dos postos de combustíveis do comerciante. Com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, a equipe de São Bernardo seguiu para o endereço.

No local, o tenente bateu na porta, mas Gaudêncio se negou a abrir. Os policiais, com mandado de busca e apreensão, arrombaram a porta do apartamento e prenderam Josyvane e Gaudêncio. Na seccional de São Bernardo, o casal disse que não tinha envolvimento com o sequestro e se negou a dar declarações.

Mesmo depois da prisão do casal, a polícia continuou as investigações e descobriu que o ex-policial militar Anderson Moreira, que fazia segurança no posto de combustível de Baldi, tinha envolvimento com receptação de carga. Os policiais foram até o estabelecimento, na última sexta-feira, e prenderam Moreira. Ele confessou que havia comprado algumas mercadorias roubadas e estavam em sua casa, no Jardim Guarará, em Santo André.

No mesmo dia, a polícia localizou Janete Barros da Silva, ex-gerente do posto de Baldi, que havia sido demitida do estabelecimento em 2008 após sair em licença-maternidade. O marido de Janete, que também compareceu à delegacia, confirmou que sua mulher estava envolvida no sequestro do comerciante. “Ele disse que ouviu as conversas sobre o sequestro entre ela e Moreira. Sabia que Baldi havia sido sequestrado, que a família tinha pago o resgate e que a vítima estava morta. Também confirmou que o assassino era Moreira”, falou o delegado.

Em seu depoimento, Janete confirmou parcialmente a versão do marido. Disse que conhecia Moreira e que ele estaria lhe aliciando para saber sobre a vida de Baldi, já que ela trabalhou com o comerciante por dois anos. “Ela confessou que passou todos os dados, soube do crime, mas não recebeu parte do resgate”, explicou Mesquita.

Planejamento – Moreira forneceu todos os detalhes do sequestro para a polícia. Disse que o crime começou a ser pensado no início deste ano e que o principal motivo seria vingança, já que Baldi teria costume de maltratar seus funcionários.

De acordo com o depoimento de Moreira, no dia 23 de junho, ele e Erisnaldo Souza Reis, o Naldo, foram até Ribeirão Pires para render o comerciante. Como ainda não tinham um local para servir de cativeiro, desistiram de sequestrá-lo naquele dia.

Moreira, então, ligou para Gaudêncio, ex-colega de farda, e pediu que ele arrumasse um cativeiro, pois estariam com uma vítima de sequestro. Na mesma noite, se encontraram com Luiz Tadeu dos Santos, o Neguinho, e marcaram para conhecer sua casa. No entanto, o local não era apropriado para servir de cativeiro e os criminosos entraram em contato com Vitor Antonio Duarte.

Naldo, Neguinho e Moreira, então, decidiram que a casa de Duarte serviria como cativeiro. “O problema que eles encontraram é que o sequestro deveria ser resolvido em cinco dias, pois a mãe de Duarte chegaria de viajem”, afirmou o delegado.

Durante os sete dias que ficou em poder dos sequestradores, o comerciante ficou em dois cativeiros diferentes. O primeiro foi a casa de Duarte na Rua Julia Gachido, no Jabaquara. Na madrugada do dia 28 de junho, Baldi foi levado para a casa de Neguinho, na Rua Carmine Di Gênio, próximo ao primeiro cativeiro.

Morte – Na mesma noite em que os sequestradores pegaram o resgate, decidiram matar o comerciante. Os criminosos seguiram para o cativeiro e começaram a discutir quem seria o responsável em atirar em Baldi. De acordo com o depoimento de Moreira, a vítima teria reconhecido sua voz e implorado para não morrer. “Moreira confirmou que atirou duas vezes no peito do comerciante. Depois, com a ajuda de Naldo, o colocou no porta-malas de um Palio azul, compraram gasolina e o levaram até um terreno baldio. No local, colocaram o corpo da vítima dentre de seis pneus e atearam fogo”, explicou o delegado.

FONTE: SETE CIDADES 

Um Comentário

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  2. Lamentável esse tipo de incidente… monstruosidade dos acusados, esse tipo de episódio somente denigre ainda mais a reputação da polícia.

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  3. É tudo bandido de farda especialistas em deturpar fatos desde pelo menos 1932, traidores, trocam de nome e continuam pequeno exercito a serviço de qualquer louco. Favela naval, Adriana Caringe, l6 de Outubro de2008, Eloá, Rota 66, Santo Dias, os quarenta da Prefeitura de São Paulo, Otinha que maldade, Ultimo Bastião da Ditadura, que pena e tem mais muito mais, maior indice de suicidio do mundo, seis vão ver se não derem o adicional de 100 e 70 % que a prefeitura planeja, joga no RDO ou infocrim Suicidio, da até pena, pena mesmo não é sarro não, os discarados disfarçao bem. A policia de verdade tem que se desligar do atendimento, vamos a investigação essa sim não cria o cranco que é o policial do plantão chorão, cachaceiro, biqueiro, de tanto ficar na porta de doleiro fabriqueta, padaria e cheirando escapamento de bacana, esquece e nunca faz policia.

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  4. Palhaçada…….Tem pessoas no meio que garanto que só se envolveu porque estava passando por uma situação do cacete…..Tenho plena convicção disso…..Reparem que são dois policiais que com certeza deve ter entrado na mente desse coitado Vitor Antonio Duarte……Só espero que a justiça vergonhosa do Brasil faça a sua parte !!! … Só lamentos

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  5. Resposta ao canadura,

    Caro colega, discordo de vc denigre os cocha nos é que prendemos esclarecemos, caso vc não seja Policial Civil da valoroza Policia Bandeirante, seja da uniformizada, desconsidere o que escrevi pois a eles nem a palavra dirijo.
    Saudações caso Policial Civil vc for!!!!

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  6. Pergunto a BF – Mas qual Policia?

    A Policia Civil foi a que prendeu, ou seja so foi esclarecido por isso, “faça-se justiça mesmo que o mundo pereça”, QUEM FEZ ISSO SÂO PM’s como no caso Otinha.

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  7. Parabens a Policia Civil, especialmente aos honrrados policiais de São Bernardo, que nos orgulham, hoje flagrei meu filho lendo esta noticia ele me olhou e sabiamente com a inteligencia da inocencia de seus 15 anos.
    “Caramba pa!!!i seis são foda mesmo, não tem medo mesmo, vão pra cima, legal né, uma pena o homem ter sido traido e morto”
    Não criticou nem ofendeu a PM (ECA!!!!), culpa da mãe.
    Terminou assim – “com eles so na ideia porque na violência são insuperaveis”

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  8. Pois é,
    a polícia civil abraçou este mister, investigou, descobriu e prendeu dois policiais militares e um ex-policial também militar comprovadamente envolvidos no barbaro crime. Um desses, inclusive já com o dinheiro do resgate em mãos, ceifou a vida da vitima e com ajuda dos comparsas carbonizou o corpo. Isso tudo foi comprovado, entretanto, os nobres combatentes estão sendo execrados por colegas dos assassinos que trabalham na corregedoria da policia militar. A corregedoria deles está deturpando o norte do caso, querendo evidenciar que os bandidos fardados tem direitos constitucionais de permanecerem calados e terem assistencia de defensores antes mesmo de ter sido localizada a vitima que poderia estar sendo barbaramente torturada e ter a vida ceifada… aliás, como veio a ocorrer. Lamentável!

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