UMA RESPOSTA AO EDITORIAL DO ESTADÃO 5

Prezados Editores,Como assinante do Jornal O Estado de São Paulo há alguns anos e como Delegado de Polícia fiquei impressionado com o editorial ‘A Greve da Polícia Civil’, na edição de 19 de setembro. Pergunto-me se os senhores realmente acreditam que com os graves problemas estruturais da Polícia Civil de São Paulo e com o péssimo padrão salarial a sociedade paulista vinha recebendo o serviço que merece. Sabem os senhores que as promoções estão absolutamente emperradas porque ninguém mais aposenta antes dos setenta anos de idade para que seu salário, já minguado, não seja reduzido em cerca de um terço por conta da perda de gratificações? Sabem os senhores que os critérios de promoção são absolutamente subjetivos, desestimulando os bons profissionais? Sabem os senhores que os Delegados da Polícia Civil de São Paulo em final de carreira têm um salário bem menor do que o salário inicial dos Delegados da Polícia Federal e de alguns outros Estados brasileiros? Onde fica o sagrado direito à remuneração igual por trabalho igual, postulado básico de Direito do Trabalho dos povos civilizados? Sabem os senhores que os Delegados da Polícia Civil de São Paulo têm um salário médio menor do que o salário inicial dos patrulheiros rodoviários federais, cargo que não necessita de formação superior? Sabem os senhores que, apesar de inconveniente, o segundo emprego é a regra dentre os policais civis paulistas, dado o péssimo padrão salarial, com reflexos perniciosos para a sociedade paulista? Sabem os senhores que o Governo do Estado de São Paulo, ao contrário do que ocorre em outros Estados, se auto-impôs uma incompreensível paridade salarial entre policiais civis e militares, equiparando funções diferentes com escolaridades diferentes e, em razão disso, vive argumentando que não pode corrigir distorções salarias porque o impacto na folha seria gigantesco? Basta deixar de lado essa incompreensível paridade e tratar separadamente as questões da Polícia Civil e da Polícia Militar que o impacto na folha será muito menor. Gostaria que esse importante jornal refletisse melhor e procurasse se informar mais adequadamente antes de repetir frases de efeito que são lançadas na mídia pelo governo do Estado de São Paulo. Estamos em greve porque a instituição está em grave dificuldade e porque profissionais sérios e responsáveis não concordam em assistir o caos em silêncio. Impressionaram-me as posturas autoritárias do editorial…O democrático direito de greve foi jogado às traças ali, como se grevistas fossem monstros irresponsáveis. Porque a eleição do Delegado Geral é absurda e não o é a eleição do Procurador Geral de Justiça? A eleição do Delegado Geral é um desejo de todo policial sério que não deseja que as influências políticas ilegítimas minem a ação da instituição. Porque os senhores não dizem no editorial que o governo do Estado descumpre o mandamento constitucional que garante aos servidores a revisão anual de salários? Porque os senhores não dizem ali que a população paulista é atendida pelos mais mal pagos Delegados de todo o país? Porque os senhores não dizem ali que o êxodo de bons profissionais deixando a Polícia Civil de São Paulo e se encaminhando para Polícias Civis de outros Estados, para a PF ou para outras carreiras jurídicas está minando a instituição? Os senhores acreditam realmente que Delegados da Polícia Civil de São Paulo possam receber salário inicial de cerca de 3000 reais, enquanto seus colegas de faculdade ingressam em outras carreiras jurídicas com sálários iniciais da órbita de quinze ou vinte mil reais? Posso garantir aos senhores que essa greve é um gesto de responsabilidade e seriedade de profissionais que pretendem trabalhar em uma instituição que tenha perspectivas de uma ação eficiente e séria. A postura do editorial foi parcial, insensível, superficial e tendenciosa. Lamentavelmente….Por fim, gostaria de dizer aos senhores que tenho quase vinte anos na Instituição, sou bacharel em Direito, mestre em Direito, doutorando em Direito, ex-professor universitário e recebo salário líquido de pouco mais de quatro mil reais….Um desastre….para mim, para a Instituição e para toda a sociedade.
André Rovegno
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FERNANDO BEATO.

Um Comentário

  1. UM SUPER PARABÉNS AO DR ANDRÉ ROVEGNO!!!

    APESAR DO ENORME TENSÃO QUE ATINGE A TODAS AS PESSOAS QUE SE ENCONTRAM ENGAJADAS EM UMA GREVE (PELO MENOS AS QUE ESTÃO COMPROMETIDAS DE FATO), APESAR DO GRANDE CANSAÇO E PREOCUPAÇÃO, MEU CORAÇÃO ESTÁ ESTRANHAMENTE LEVE. LEVE COMO A MUITOS ANOS NÃO FICAVA. DIRIA, ATÉ, QUE MAIS QUE LEVE, FELIZ…

    A TENSÃO DO INÍCIO NÃO ME PERMITIU IDENTIFICAR, DE IMEDIATO, ESSA AGRADÁVEL SENSAÇÃO.

    MAS AGORA, NÃO SÓ A IDENTIFIQUEI, COMO DEPOIS DE ALGUMA REFLEXÃO, SEI DE ONDE ELA VEM…

    VEM DO ORGULHO, DO PROFUNDO ORGULHO DE PERTENCER A ESSA HONRADA INSTITUIÇÃO, QUE DEPOIS DE DORMITAR POR MAIS DE 20 ANOS, PERMITINDO QUE UMA MINORIA DE CORRUPTOS A CONDUZISSE, ACORDOU EMPUNHANDO A BANDEIRA DE DECÊNCIA, DA LUCIDEZ, DA HONRADEZ E DISSE “”BASTA””.

    MEU CORAÇÃO VIBROU FELIZ, MAIS UMA VEZ, CONDUZIDO POR ESSE ORGULHO, AO LER SUA MARAVILHOSA RESPOSTA DR ANDRÉ!!!

    OBRIGADA!!! MUITO OBRIGADA AO SR. AO DR. GUERRA E A TANTOS OUTROS QUE VEM GANHANDO VISIBILIDADE E TAMBÉM AOS CENTENAS OU MILHARES DE ANÔNIMOS QUE VEM TRABALHANDO ARDUAMENTE, PARA QUE CONQUISTEMOS, TODOS NÓS, A DIGNIDADE QUE EU, ATÉ POUCOS DIAS ATRÁS, JULGUEI PERDIDA!!!

    ATENÇÃO CORRUPTOS, TREMEI!!!!

    UMA INSTITUIÇÃO QUE CONTA COM MEMBROS DESSE QUILATE, DEPOIS DE DESPERTA, NÃO SE VERGARÁ A DESMANDOS E AMEAÇAS!!!!

    NÃO MAIS!!!!

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  2. Parabéns Doutor André!!Vamos nos livrar dessa mordaça!! Tenho me orgulhado de tantos policiais que nem conheço…Sou Escrivã de Polícia há 23 anos. Sabia que não estava errada!! Não somos covardes!! Juntos, unidos, faremos que os 35.000 policiais civis transformem-se em 70.000. E ao governo restará somente a desolação. BASTA!! Exigimos RESPEITO!!

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  3. SOMOS 35.000, SE 2.000 NÃO ADERIREM À GREVE, OS 32.000 QUE SOBRAM AINDA SÃO MAIORIA.
    OS 2.000 QUE ESTÃO DE FORA DEVEM SER INVESTIGADOS PORQUE “AQUELE QUE NÃO BRIGA PELO SALÁRIO É PORQUE NÃO PRECISA DELE”
    SE NÃO PRECISA É SINAL QUE TEM OUTRA FONTE”S” DE RENDA

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