Ao Doutor Itagiba Vieira Franco – Manual de defesa no Júri para os membros do PCC acusados de executar Ruy Fontes e Manual de inquérito policial para os novos delegados inteligentes e independentes 3

No tribunal do futuro próximo – aquele onde os cronistas chegam antes dos julgadores – já se comenta, em surdina, a grande profecia: para absolver os acusados, bastará arrolar como testemunhas de defesa a própria cúpula da investigação.

A delegada do DHPP ( departamento de homicídios e de proteção à pessoa ) , o titular do DEIC ( departamento de investigações gerais e organizações criminosas ) , o chefe  do DENARC ( departamento antinarcóticos ) e o onipresente Secretário de Segurança , Dr. Nico , entrarão no plenário não como arautos da culpa, mas como personagens de um roteiro que se auto desmonta, frase por frase, coletiva por coletiva.

O inquérito que se incrimina

O caso nasce embalado em narrativa perfeita para manchete: PCC vingativo, promessa de morte desde 2005, ladrões de banco magoados com o delegado “linha-dura” e, coroando, uma execução digna de Michael Mann, com direito a referência tácita a “Fogo Contra Fogo”.

A história é boa demais para ser estragada por detalhes como prova, coerência lógica ou parcimônia comunicacional.

Para pior: a linguagem de alguns é tosca!

A delegada do DHPP menciona explicitamente um Logan “NP”…

A sociedade sabe o que é um veículo NP , ou seja , objeto de busca e apreensão administrativa ou judicial por falta de pagamento : NÃO PAGADO?

Na ânsia de mostrar serviço, a investigação se apresenta ao país numa vitrine de certeza moral: os investigados são velhos conhecidos, “faccionados antigos”, “topo” do comando local, gente de “sintonia restrita” – portanto, não precisam apenas ser investigados; precisam encaixar no papel de mandantes que a opinião pública exige, sob pena de parecer que o Estado perdeu o fio da narrativa.

A presunção de inocência não existe ; em seu lugar o “princípios do direcionamento e da confirmação” .

A bala que volta pela boca

É aí que entra a Teoria da Perspectiva, de Daniel Kahneman e Amos Tversky, sem que ninguém a convide: valorizamos mais evitar perdas do que obter ganhos equivalentes.

No cálculo institucional, a perda de um ex-delegado-geral é gigantesca, mas a perda do cargo ou do favor político é mais imediata e aterradora.

A aversão a esta perda – a pessoal, a burocrática – atua como combustível definitivo para decisões apressadas, declarações categóricas e o enquadramento da narrativa aos ventos do poder.

A investigação se alinha não à lógica dos fatos, mas à da autopreservação.

O crime é moldado como “promessa antiga” de vingança; o passado de 2005 vira atalho mental para explicar tudo o que não se sabe em 2025–2026.

Mas quanto mais a delegada do DHPP fala, mais munição entrega à futura defesa: admite investigação em curso, perícias pendentes, “última pecinha” não encontrada, incerteza sobre a existência de mandante superior – e, ainda assim, sustenta, em tom de convicção, um enredo fechado de vingança pura, sem “rolagem de grana”, quase um acerto de contas romântico entre o “roubo a banco raiz” e o PCC senil

Em linguagem de júri, isso significa algo simples: o próprio Estado reconhece, em público, que falou mais do que sabia. E tudo gravado, editado, compartilhado, indexado – na era digital, a verborragia não prescreve.

A contradição do crime “fácil” em modo blockbuster

Um dos momentos antológicos vem quando a autoridade insiste que a rotina da vítima tornava tudo muito fácil: andar de moto, circular à beira-mar, por vezes desarmado, vulnerável, acessível, quase um alvo didático.

Se era assim, perguntará a defesa, por que diabos o crime foi executado com coreografia de filme, em avenida, com colisão, rajadas, feridos colaterais, câmeras captando metade da sequência?

A narrativa oficial constrói o cenário da facilidade e, com isso, destrói a lógica do modus operandi escolhido.

Se havia mil chances discretas, o espetáculo armado em via pública passa a exigir outra explicação: recado público?

Disputa interna?

Outro interesse eclipsado pelo mantra “vingança de 2005”?

Quando o Ministério Público tiver de responder a isso, a defesa já terá em mãos a melhor peça de marketing a seu favor: a gravação da própria delegada descrevendo um alvo fácil e um crime desnecessariamente barulhento.

O milagre dos “Azuis” multiplicados

A cereja do bolo está na confusão das alcunhas: Azul colorido, Azul careca, Azul de um inquérito, Azul de outro.

O erro é admitido, relativizado, quase tratado como acidente de digitação, quando, na verdade, revela falhas estruturais de checagem em um caso de enorme repercussão.

No plenário, a pergunta será irresistível: se a polícia errou no “Azul”, quantos outros detalhes foram sacrificados na corrida pela coletiva perfeita?

E mais: se as autoridades não conseguem distinguir homônimos de apelido, como garantir que a imputação de mando não é produto de viés, pressão e “narrativa pronta” em busca de personagens?

A resposta, qualquer que seja, interessará muito mais à defesa do que à acusação.

Testemunhas da defesa, em traje de acusação

É nesse ponto que a profecia se escreve sozinha.

O advogado se levanta, terninho surrado, olhar cansado de quem conhece mais as sombras do que sol, e anuncia: 

Excelência, a defesa requer, com especial deferência, a oitiva das seguintes testemunhas: diretora do DHPP, delegado do DEIC, delegado do DENARC e o Secretário de Segurança… 

O promotor arregala os olhos. O juiz consulta o relógio.

O júri não entende nada. Mas o processo entende.

Porque, ao deporem, essas autoridades terão de explicar cada contradição, cada excesso retórico, cada certeza antecipada; terão de repetir, sob contraditório, que “a investigação não estava concluída”, que “não se sabia se havia mandante acima”, que “foi possível confundir Azul com Azul” e que “a vítima oferecia facilidade, mas foi morta em modo “sucesso de bilheteria” .

A linha de defesa estará pronta: não se trata de negar a gravidade do crime, mas de demonstrar que a narrativa estatal é psicologicamente enviesada, juridicamente imprudente e logicamente inconsistente.

Em linhas gerais , a própria cúpula Polícia Civil sob pressão do governo do Estado se encarregou de plantar dúvidas mais do que  razoáveis : aquelas que absolvem.

Flit, por enquanto, paralisante

No palco do Flit Paralisante, essa história já se desenrola como crônica de costumes de uma segurança pública guiada mais por roteiros de Netflix  eleitoral do que por método; muito  mais por aversão à perda de prestígio do que por rigor probatório.

A tragédia é real, o morto é real, o PCC é real ;  mas a narrativa que se pretende definitiva nasce contaminada por pressa, vaidade coletiva e a velha crença de que falar com ares de autoridade em coletiva é sinônimo de “resposta do Estado”.

A ironia final é simples e cruel: quando o processo chegar à sua hora decisiva, talvez não sejam os acusados que precisem se explicar.

Bastará chamar à tribuna as autoridades do “nós temos certeza”, agora sob juramento, e deixar que, em silêncio entre uma resposta e outra, elas revelem o que sempre tentei ensinar : o inquérito, mal feito e mal contado, na maioria das vezes , é o melhor álibi.

Este texto é, ao fim e ao cabo, uma homenagem póstuma ao delegado Itagiba Vieira Franco, falecido no último dia 8, cuja trajetória firme e silenciosa contrasta dolorosamente com a verborragia insegura de certos protagonistas de hoje.

Nele se celebra a figura do policial que não precisava de holofotes para exercer autoridade, que conhecia o peso das palavras em investigação sensível e que, justamente por isso, faz ainda mais falta quando se vê a cúpula da Polícia Civil deste Estado tropeçar na própria narrativa por incultura , por incompetência e por medo de desagradar o governo!

Quando o amor pela Cadeira é Fatal 14

A recente execução de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral de São Paulo, não choca apenas pela brutalidade, mas pela exposição surpreendente deliberada de alguém que conhecia como poucos o submundo do crime organizado brasileiro.

Com efeito , Fontes, jurado de morte ao menos desde 2019 , por ordem expressa da alta cúpula do PCC, tinha ciência concreta das ameaças: relatórios sigilosos, cartas interceptadas e informações de inteligência reiteravam que seu nome era alvo prioritário da facção; confirmando em depoimentos próprios que havia “uma ordem para matar autoridades, e meu nome estava entre elas”.

Ainda assim , depois de aposentado  e afastado do aparato protetivo da linha de frente, instalou-se em funções públicas de relevante poder como secretário municipal da Prefeitura de Praia Grande .

Na região sensível da Baixada Santista :  “território inimigo”, para quem carrega esse histórico de enfrentamento.

Conforme as suas palavras: “estou sozinho no meio deles” !

Que me desculpem quem afirmar o contrário  , mas a Baixada Santista  não é ninho ou reduto do PCC…

Mas Praia Grande virou território de policiais corruptos com carreira na Capital; a exemplo dos que foram capturados pela Polícia Federal.   

Ora , mas já que assim considerava esta região e sabendo que “estava no meio deles” sua imprudência com a própria  proteção causa perplexidade.

Não são raros os exemplos de policiais  –  mesmo menos vistos – que redobram estratégias de autoproteção, alteram trajetórias, limitam aparições públicas e cultivam o anonimato quase obsessivamente após aposentadoria.

O caso de Fontes, no entanto, revela uma mistura de autodeclarado amor pelo trabalho , um pessoal senso de dever institucional e autoconfiança inapropriada para quem esteve durante décadas na linha de combate.

Tal postura pode ter subestimado a  existência de outros desafetos além do PCC , com capacidade logística e conhecimento institucional da segurança pública na Praia Grande.

Pelo que pode se perceber : muita vigilância eletrônica e quase nenhuma vigilância humana nas ruas.

Vale dizer: muito investimento em tecnologia e quase nenhum investimento em policiais.   

Outros, porém, podem enxergar  laços ainda mais profundos: a dificuldade de romper com a vida pública, com o prestígio e o sentimento de pertencimento ao ofício para o qual se foi moldado, quase sempre à custa do próprio anonimato e segurança.

Além de ser um homem tido como muito rico , dificilmente faltariam a alguém com o currículo de Fontes alternativas de trabalho  e subsistência mais seguras: CEO em empresas de segurança, consultor jurídico, conferencista, docente ; funções em que tantos policiais brasileiros de escalonamento máximo optam quando da aposentadoria planejada , em muitos casos , com robusto aparato de proteção pessoal e familiar.

A escolha por permanecer em terreno hostil, exposta à mira de uma facção que já provou sua capacidade de  planejamento e vingança  – servidos a frio – é de causar espanto.

Questionamos  : era amor pelo trabalho ou amor por uma cadeira  ainda mais poderosa e rentável ?

Ora , se amava tanto trabalhar poderia permanecer no cargo de delegado até completar 75 anos ; como muitos dos delegados de classe especial fazem ; alguns ex-delegado gerais  , inclusive!

A ação que o vitimou foi marcada por armamento pesado, carros queimados e estratégia de combate típico de operações paramilitares ; padrão que revela o grau de organização e a frieza dos executores.

Não foi morte inesperada: foi a execução de quem, à sua maneira, optou por desafiar ou desprezar o risco, mantendo funções e visibilidade típicas do “velho policial vocacionado do comigo não acontece”, cuja identidade, muitas vezes, se confunde trágica e inseparavelmente com o próprio ofício.

Este crime serve, assim, de alerta dramático para milhares em situações semelhantes : no Brasil, a linha entre o  desejo de dever e o sentimento de onipotência , decorrente de natural  bravura e  inteligência ,  podem ser fatais quando o adversário é uma organização  criminosa ; ainda mais se se confirmar a autoria como sendo do PCC.

O caso Fontes reitera – além do desapego –  necessidade imperiosa de planejamento defensivo, anonimato e estratégias de proteção permanente para todos aqueles que, um dia, ousaram combater não um crime comum ; mas um poder que se arvora em Estado paralelo, dotado de memória, alcance e até prazer de vingança.

Enfim, se aposentar da polícia para ir viver no meio de bandidos não foi morte anunciada , foi estupidez confessada…Ou a “vis atractiva” era inenarrável e irrecusável?  

Seja como for , não foi uma “buena ideia” merecedora de peninha!

Dr. Roberto de Almeida Vinhas , Delegado de Polícia que dá nome à avenida de Praia Grande Resposta

Quis o destino que Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil, fosse executado por criminosos na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, a via mais importante da Praia Grande e símbolo da própria segurança da cidade.

Importante lembrar que o delegado Roberto de Almeida Vinhas, cuja trajetória inspirou a homenagem da avenida, encontrou a morte pilotando uma motocicleta Honda 360 cc, em acidente fatal ocorrido na Avenida Manoel da Nóbrega, na praia do Itararé, em São Vicente, em perigosa curva do chamado “Tapetão”.

Vinhas era titular do munícipio e foi acionado para intervir em ocorrência envolvendo “recos ” que prestavam serviço militar no então 2º Batalhão de Caçadores com integrantes da Polícia Militar.

O plantonista era um delegado substituto egresso do Exercito, Dr. Rivalino de Lima Borges , tenente da reserva remunerada. Com quem o Flit chegou a trabalhar um pouco antes dele ser aposentado ao completar 70 anos. O delegado Rivalino também atuava como radialista em emissoras da região . Era uma figura muito querida …Embora um delegado “meio enrolado e chutador de ocorrência” …(risos )

A avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas perpetua o legado de um grande delegado de polícia que não tombou fisicamente ali, mas vive para sempre no nome daquele via fundamental da Baixada Santista.

Roberto de Almeida Vinhas nasceu em 18 de setembro de 1930, na capital paulista, filho de Zacharias Lobo Vinhas e Pureza Almeida Vinhas.

Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco (USP), iniciando sua carreira policial como estagiário em 1954 e após concurso em 1957, ocupou cargos em diversas delegacias do interior e da Baixada Santista, incluindo Bofete, Cajobi, Miguelópolis, Taiúva, Itatiba, Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Vicente de Carvalho, Cubatão e Ribeirão Pires.

Foi nomeado interinamente delegado de 5ª classe em dezembro de 1959, sendo promovido por mérito até atingir a 1ª classe .

Teve atuação marcante no DEIC – RUDI .

Sua vida pessoal também foi marcada por talentos artísticos e esportivos: desde os 16 anos foi violonista clássico, integrando o Grupo Santista de Violões e sendo presença constante em audiências de violão clássico.

Aficionado pelo tênis , recebeu prêmios pelo Tênis Clube de Santos e pelo Clube de Regatas Saldanha da Gama.

Faleceu tragicamente em 1º de agosto de 1977, vítima de acidente de motocicleta ocorrido na Avenida Manoel da Nóbrega , ao se deslocar para a Delegacia de São Vicente para atender uma ocorrência urgente. Foi casado com Marilena Aparecida Serra de Almeida Vinhas e deixou três filhas adolescentes : Luciana Célia, Ana Lúcia e Heloisa.

Sua trajetória se destacou como modelo de dedicação, integridade , inteligência e cultura.

Era irmão do “cardeal ” da Polícia Civil – Dr. Paulo de Almeida Vinhas.

O legado profissional e pessoal de Roberto Vinhas permanece como importante referência para a história da Polícia Civil paulista e da segurança pública na Baixada Santista.

    Intimidade com o Abismo – Viver e Morrer Cinematograficamente 28

    Praia Grande, uma nova Vegas tropical, com seus coronéis ,  xerifes ,  camarilha improvável , negociatas, traficantes de luxo e velhos caçadores de editais .

    Ali, a morte nunca chega sozinha, vem com show pirotécnico e nota de rodapé filosófica.

    Até quando se mata em família por conta de uma surubada entre cunhados !

    Ruy?

    Não fez por menos: morreu em grande cena, depois de viver no eterno papel de protagonista desconfiado, sempre entre um whisky com gelo,  uma mão no acelerador de uma Harley ou Ducati e um 38 no coldre de canela .

    Canonizá-lo?

    Jamais.

    Mas quem não sentir inveja de um enterro com direito a capítulo final escrito em formato de blockbuster policial simplesmente nunca entendeu nada do submundo brasileiro.

    Não, não se trata de escarnecer da morte de ninguém , pelo menos se o objetivo é manter o CPF ativo e o nome fora da boca de pistolagem anônima, mas muito profissional.

    Lembrem da encrenca de quem ousou menosprezar o assassinato de Charlie Kirk: o destino não perdoa quem ri da desgraça alheia.

    Mas não é preciso lançar lágrimas de crocodilo como muitos estão chorando!

    Só que o caso do Ruy Ferraz Fontes é coisa de outro nível.

    Aqui, não teve covardia: foi cinema puro, digno de roteiro do Scorsese, com De Niro, Pacino e um SUV preta entrando em cena com “requintes de tecnicidade” e sangue frio digno dos grandes clássicos do banditismo tropical.

    Ao contrário do que o governador carioca apressou em berrar para as câmeras, Ferraz não foi só vítima …Foi protagonista, morreu com direito a perseguição, capotamento, desembarque tático e execução sincronizada.  

    O  Ferraz não foi morto covardemente!

    Ele foi morto cinematograficamente…

    E com direito o requinte de uma aula de “fogo contra fogo em um dia de treinamento” digna das melhores academias policiais ou dos melhores clubes táticos desse pessoal americanista e extremista.

    Quem nunca sonhou em um fim mais digno, aqueles “do bom e do melhor” que a vida oferece só para quem também sabe bater cartão nas esquinas do poder e nos meandros do erário?

    E antes que algum moralista da FEBRABAM ou do DEIC  enfie o dedo na tela: não é deboche ou demonização !

    Sim, Ruy continuava  xerife na PMPG , patrão da cidade mais próspera do litoral paulista, e circulava entre políticos , empresários, banqueiros  de fintech, traficantes e construtoras com a desenvoltura de quem entende que, nesse país, o crime às vezes é só questão de perspectiva .

    Grampeava até Secretário de Segurança , investigava ladrão, fechava acordos de não persecução policial, servia aos banqueiros  e ainda faturava o salário do mês ; genialidade que não se aprende na Academia de Polícia, só nos bastidores da vida urbana.

    E no DEIC  se um larápio se fizesse difícil, bastava um telefonema de alguém da repartição : “Sua mãe, esposa ou irmão estão esperando  por um advogado para uma troca de ideias!”

    E não chamem a isso de sequestro!

    É apenas um dos métodos pouco ortodoxos de investigação policial!

    E que não constam de nenhum manual de teoria e prática investigativa dos professores Coriolano Cobra , Luiz Carlos Rocha e Dr. Marchi de Queiroz …

    Aos quais rendo homenagens!

    Inteligência pura; só quem tem uma boa quantidade de neurônios delinquentes no cérebro sabe que para ser  policial, homem do poder, ou bandido legítimo, é preciso pensar como o inimigo.

    Eu invejo e elogio!

    Investigar essa morte?

    Mais fácil achar quem consegue cruzar a orla da Praia Grande sem tropeçar em uma licitação suspeita, um cargo comissionado “de confiança”  ou meia dúzia de gangsters  vitaminados por contratos públicos de saúde, transporte e obras públicas .

    Sem esquecer de obras civis ao preço de R$ 20.000,00 o metro quadrado , lavadas à perfeição.

    No fim das contas, Ruy morreu como viveu protagonizando o papel principal .

    Tenho empatia sim !

    Não levem flores ; deixem admiração, talvez inveja.

    Afinal, morrer bem é privilégio de poucos nessa selva, e não cabe a mim rir , chorar , santificar ou satanizar.

    Romantizo !

    Me coloco no lugar dele e sinto uma ligeira inveja . 

    Para despachar  o Gonzo Flit Paralisante basta contratar uma trombadinha de 1m50 armada de canivete.

    E não deixo pensão para viúva rica  ; nem patrimônio para filhos.

    Portanto há que se celebrar a gente que morre bem na fita…

    Até no assassinato!


    PS – E ainda lembro da famosa frase do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas” : Ou você morre como herói, ou vive o suficiente para se tornar o vilão!

    Ninguém quer comemorar morte, nem canonizar corrupto: mas que inveja daquele que conseguiu pular do trem antes de o roteiro o transformar no inimigo número um da sua própria moralidade.

    Prove que estou errado, ou torça para morrer herói porque quem sobrevive demais vira lenda de podcast ou caso de polícia.

    Flit Paralisante, amigo: a única bomba capaz de tocar o terror na mosca e no justiceiro ao mesmo tempo!