Militares se aproveitam da crise política para “extorquir” privilégios em prejuízo de servidores civis e trabalhadores privados 26

RAQUEL LANDIM

Militares se aproveitam da crise política para manter privilégios

09/12/2016 10h28

Eduardo Anizelli – 7.set.2009/Folhapress

Militares foram poupados das novas regras, e ainda poderão acumular benefícios, como aposentadoria e pensão por morte

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, tentou nesta quinta-feira (8) convencer a opinião pública de que os militares —categoria excluída até agora da reforma da Previdência— estão dispostos a fazer sua parte para o ajuste das contas públicas.

Ele não detalhou o que isso significa, mas os dados que apresentou partem de uma premissa arcaica e equivocada e demonstram que a caserna não cogita abrir mão dos privilégios dos quais desfruta.

Hoje, os contribuintes são obrigados a pagar integralmente os salários dos militares por décadas depois que eles deixam o quartel, por causa dos “serviços que prestam ao país”.

É isso que Jungmann não diz claramente quando afirma que há um “equívoco” na contabilidade do deficit das Forças Armadas, porque as despesas com militares ativos e inativos são um “encargo da União”, custeado pelo orçamento do Ministério da Defesa.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA
As mudanças propostas na aposentadoria

A lógica dos militares é que eles não se aposentam, mas entram para a “inatividade”. Hoje, um militar passa para a “reserva” após 30 anos de serviço. Em teoria, fica à disposição para ser convocado em caso de guerra, o que felizmente não acontece no Brasil há muito tempo. Após completar 65 anos, é definitivamente “reformado”.

Na prática, isso quer dizer que um militar que inicia a carreira aos 18 anos chega à reserva aos 48 anos —uma idade com plena capacidade de trabalho. Se viver até os 75 anos (média da expectativa de vida do brasileiro), os contribuintes pagarão sua remuneração integral durante 27 anos de “inatividade” —praticamente o mesmo tempo que o profissional esteve na ativa.

O ministro acredita que esse sistema é justo e, por isso, defende que os R$ 18,59 bilhões gastos com militares inativos não devem ser incluídos no deficit previdenciário. Ele diz que o rombo é de “apenas” R$ 13,85 bilhões, valor das pensões deixadas para viúvas e dependentes.

Se somarmos os dois números, chegaremos aos quase R$ 35 bilhões estimados pelo Ministério da Fazenda para o deficit previdenciário das Forças Armadas. Os militares são hoje responsáveis por metade do rombo de cerca de R$ 70 bilhões da Previdência dos servidores públicos.

É verdade que os militares recebem tratamento diferenciado em vários países do mundo por causa das especificidades da carreira, como a proibição de fazer greve, participar de sindicatos ou concorrer a cargo eletivo. Mas nem de longe os privilégios são parecidos com os que ocorrem no Brasil.

Um dos méritos da reforma proposta pelo governo Temer é não só aliviar a situação fiscal do país, mas também reduzir a vergonhosa desigualdade do sistema previdenciário.

Se não for desfigurada pelo Congresso, a reforma vai levar todos os brasileiros a se aposentarem após 65 anos, depois de contribuir por quase 50 anos. Nesse novo contexto, os privilégios das Forças Armadas são inaceitáveis.

Ao sugerir nos bastidores que a reforma da Previdência pode provocar a insatisfação da tropa em um momento delicado para o país, os militares se aproveitam da fragilidade política do governo Temer e do trauma provocado pela ditadura militar para manter seus privilégios.

raquel landim

É repórter especial da Folha. Escreve sobre economia, negócios e comércio exterior. Tem especialização em negociações internacionais. Escreve às sextas-feiras.

Polícia Civil de São Paulo está falida; nem sequer possui verba para papel higiênico o que dirá a manutenção de helicópteros 30

Helicópteros da Polícia Civil de São Paulo não têm licença para voar

Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu licenças por falta de manutenção.


Os quatro helicópteros da Polícia Civil de São Paulo não têm licença para voar, informou o SPTV nesta sexta-feira (9). A manutenção não foi feita, e, sem ela, a licença é suspensa pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Essenciais em investigações e resgates, as aeronaves estão paradas. Uma delas não voa há um ano. A Anac suspendeu a licença de voo de um dos helicópteros porque a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) está vencida desde 18 de dezembro de 2015.

Outros três helicópteros são do Serviço Aerotático (SAT), administrado pelo Deic (o departamento que investiga o crime organizado). Chamados de “Pelicanos”, nenhum pode sair do chão. Os voos estão proibidos pela Anac porque não foi feita a manutenção na época correta em nenhum deles. Sem a manutenção, a licença fica bloqueada.

Os quatro estão enfileirados em um hangar particular no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. O governo paga aluguel para deixar os helicópteros guardados.

Um dos helicópteros era usado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ele doou para a polícia porque o serviço é essencial. A manutenção era feita em um hangar em Barueri, na Grande São Paulo. Todos os helicópteros foram retirados do hangar no começo do ano.

Por mais de dez anos a mesma empresa fez a manutenção dos Pelicanos da Polícia Civil. O contrato venceu em outubro de 2015. O dono da empresa, Carlos Roberto de Oliveira, disse que podia prorrogar o contrato por mais um ano, mas desistiu porque não concordava com a forma de pagamento pelos serviços. “Depois que eu comprava as peças eu teria que ser ressarcido disso num prazo contratual de mais ou manos uns 35 dias. E acontecia de eles devolverem em seis meses.”

O Serviço Aerotático é considerado essencial em operações de combate a roubos, tráfico de drogas e resgates. Os Pelicanos também deixaram de transportar órgãos para transplante.

O secretário adjunto da Segurança Pública, Sérgio Turra Sobrane, disse que a manutenção no solo é feita e que os voos devem voltar ano que vem. “Creio que no primeiro trimestre do ano que vem já devemos ter essa situação definida”, disse. “Mas nós temos também os helicópteros da Polícia Militar que conseguem suprir de certa forma esses serviços que estavam sendo operados pela Polícia Civil.”

O secretário adjunto disse ainda que o contrato para este tipo de serviço é bastante complexo e envolve muitas análises jurídicas.

Ministro da Justiça recebe Presidente da ADPESP para debater reforma previdenciária 14

comunicado

A Presidente da ADPESP, Marilda Pansonato Pinheiro, na segunda sexta-feira de dezembro, 9, reuniu-se com o Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para discutir a reforma previdenciária e a adequação do projeto à realidade da Polícia Civil.

Representantes de entidades de classe da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil também estiverem presentes, além do próprio Delegado Geral de Polícia do estado de São Paulo, Youssef Abou Chahin.

O Ministro concordou que o projeto precisa ser alterado e solicitou que as lideranças se reunissem para propostas sobre a adequação da PEC. Uma nova reunião foi agendada para o dia 14 de dezembro, quando o tema voltará a ser discutido com o Ministro.

Reforma da Previdência: funcionários públicos e trabalhadores privados sofrerão para sustentar privilégios das Forças Armadas e PMs 75

Reforma da Previdência: sem bombeiros e PMs, estados terão desafio maior

Governadores contavam com inclusão dessas categorias na reforma

POR MARCELLO CORRÊA

Simulação do Corpo de Bombeiros – Márcio Alves / Agência O Globo

RIO – A ausência de policiais militares e bombeiros da proposta de emenda constitucional (PEC) que altera as regras da Previdência tornará mais difícil o reequilíbrio das contas estaduais. A inclusão era uma medida esperada pelos governadores, segundo documento sobre o assunto formulado após a última reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), ao qual OGLOBO teve acesso.

O texto conclui que as regras de transição para alterar as aposentadorias especiais são necessárias e recomenda “mudança na Constituição Federal e nas Constituições Estaduais”.

METADE DO ROMBO ESTADUAL

Segundo os dados mais recentes, bombeiros e policiais militares responderam por metade do déficit financeiro das previdências dos estados em 2015. O rombo na categoria chegou a R$ 28,8 bilhões, para um saldo negativo de R$ 60,9 bilhões. Ao todo, os chamados regimes próprios, que pagam aposentadorias e pensões de servidores públicos, tiveram déficit de R$ 126,7 bilhões no ano passado.

O documento do Confaz alertou para esse desequilíbrio. O estudo foi produzido após reunião na sede da Firjan, no Rio, com a presença do governador Luiz Fernando Pezão, 12 secretários de Fazenda e do secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano. Para justificar a necessidade de reforma, o levantamento destaca que o déficit bilionário dos regimes próprios (que incluem, além de bombeiros, PMs e militares, todos os servidores civis das três esferas de poder) é para financiar um grupo de apenas 3,5 milhões de beneficiários. Para efeito de comparação, o INSS, que atende trabalhadores privados, tem cerca de 30 milhões de beneficiários e fechou 2015 com déficit de R$ 86 bilhões.

Rombo nas contas

Peso dos inativos dificulta equilíbrio

Fonte: Confaz

No Rio, o peso de bombeiros e PMs sobre a folha mensal de inativos e pensionistas chega a 30%. Segundo o Rioprevidência, os pagamentos somam R$ 327,4 milhões, de um total de R$ 1,1 bilhão. A inclusão dos PMs na reforma estava nas contas do fundo, que gerencia aposentadorias e pensões no estado.

“A expectativa dos regimes próprios era que as alterações relacionadas aos militares estariam contempladas nesta PEC. Iremos aguardar o próximo passo do governo federal em relação à reforma previdenciária no que tange os militares”, afirmou Reges Moisés, presidente do Rioprevidência, por e-mail.

REGRAS SUAVES TÊM IMPACTO

As regras mais suaves de transição para servidores públicos também devem pesar sobre as contas estaduais. A necessidade de, por exemplo, eliminar a chamada paridade entre ativos e inativos era uma das questões no radar do Confaz, sendo formalizada na proposta de reforma da Previdência estadual formulada no mês passado. Os governadores explicitaram que o ponto precisaria entrar na PEC.

O Confaz contava ainda com uma mudança constitucional para permitir que a contribuição de servidores inativos, que hoje incide apenas no valor que excede o teto do INSS, fosse calculada com base no benefício integral. O texto destaca que essa mudança possibilitaria a “ampliação imediata da arrecadação previdenciária”.

Para especialistas, a situação dos estados é a mais preocupante dentro dos regimes próprios. Os sistemas estaduais representam quase metade do total do déficit da Previdência do setor público e reúnem a maior parte dos servidores atendidos, com 1,9 milhão de aposentados e pensionistas, segundo dados de 2015. Na União, o déficit ficou em R$ 72,5 bilhões no ano passado, sendo 44,8% dos militares das Forças Armadas — que ficaram fora da reforma.

— A questão dos estados é mais preocupante, porque é muito desequilibrada. Tem várias categorias com direito a regras especiais. Então, a pressão nos estados fica muito grande — avalia o economista Pedro Nery, consultor legislativo do Senado.

Para Leonardo Rolim, consultor da comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados, a menção a bombeiros e policiais militares deveria ter sido mantida no texto da PEC:

— A proposta vai ter um bom impacto, principalmente a médio e longo prazos. A grande ausência foram os militares.

 

Em relação ao aumento da contribuição, resta aos estados aguardarem um projeto de lei que eleve a alíquota, hoje em 11%. Uma lei federal, no entanto, teria repercussão para todos os estados, sem ônus político para governadores.

— É uma carta na manga para reequilibrar os regimes próprios — avalia Pedro Nery.

  •   Foto: Camilla Maia / Agência O Globo

    Por que a reforma é necessária?

    A Previdência registra rombo crescente: gastos saltaram de 0,3% do PIB, em 1997, para projetados 2,7%, em 2017. Em 2016, o déficit do INSS chega aos R$ 149,2 bilhões (2,3% do PIB) e em 2017, está estimado em R$ 181,2 bilhões. Os brasileiros estão vivendo mais, a população tende a ter mais idosos, e os jovens, que sustentam o regime, diminuirão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/reforma-da-previdencia-sem-bombeiros-pms-estados-terao-desafio-maior-20615147#ixzz4SN9X8NZr
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Decisão de tirar PMs e bombeiros da reforma foi política, diz secretário 68

Do UOL, em São Paulo

08/12/201616h45

A exclusão recente de policiais militares e bombeiros da proposta de reforma da Previdência ocorreu por razões políticas, afirmou nesta quinta-feira (8) o secretário da Previdência, Marcelo Caetano.

Em coletiva com correspondentes estrangeiros, Caetano afirmou que a decisão de retirar as categorias da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi tomada por autoridades de escalão mais alto.

Numa alteração feita na véspera, o governo do presidente Michel Temer também voltou a dar aval para que militares continuem acumulando aposentadorias e pensões, o que, pelo texto da reforma, não será possível para o restante da população.

Ele reiterou que governo vai apresentar posteriormente uma lei à parte para reformular a aposentadoria dos militares.

Proposta

O governo apresentou seu projeto de reforma da Previdência nesta semana. Pela proposta de emenda constitucional, a idade mínima para se aposentar será de 65 anos, com pelo menos 25 anos de contribuição à Previdência. Mas, na prática, para receber 100% do valor, será preciso contribuir por 49 anos, mesmo que tenha atingido os 65 de idade.

O projeto ainda vai ser analisado pela Câmara e pelo Senado e só deve entrar em vigor em 2017.

A regra passa a ser a mesma para homens e mulheres. As mudanças valem para trabalhadores de empresas privadas, servidores públicos e políticos. Militares ficam de fora –mudanças para as Forças Armadas devem ser propostas depois, em um projeto de lei, segundo o governo.

Quem já tiver tempo de aposentadoria pelas regras atuais não é prejudicado, mesmo que não tenha dado entrada nos papéis.

Trabalhadores mais velhos vão ter uma regra de transição: homens com 50 anos ou mais e mulheres com 45 anos ou mais terão de trabalhar 50% a mais do que falta hoje para sua aposentadoria. Se faltarem dois anos, trabalhariam três, por exemplo.

Profissionais penalizados?

Questionado se o modelo não penalizaria em excesso quem exerce profissões braçais e a população mais pobre, Caetano ressaltou que há a possibilidade de se aposentar mais cedo desde que se abra mão de ganhar todo o benefício.

“Além disso, quem contribui mais ganha mais”, disse.

Parecer favorável

Nesta quinta-feira, o relator da reforma na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) da Câmara dos Deputados, Alceu Moreira (PMDB-RS), protocolou parecer favorável à constitucionalidade da PEC.

A expectativa é que o relatório seja lido na segunda-feira (12) e votado na quarta-feira (14). Depois do aval da CCJ, a PEC da Previdência precisa ser aprovada em comissão especial da Câmara, para depois ser votada em dois turnos na Casa. Em seguida, deve passar por processo semelhante no Senado.

(Com Reuters)

Presidente da ADPESP participa de mobilização sobre reforma previdenciária 30

07/12/2016 – Presidente da ADPESP participa de mobilização sobre reforma previdenciária

comunicado

A Presidente da ADPESP, Marilda Pansonato Pinheiro, esteve presente, nesta quarta-feira, 7, da mobilização da qual participaram policiais de todas as carreiras, para manifestar a insatisfação com o texto da reforma previdenciária, que já teve parecer favorável do relator, Deputado Alceu Moreira (PMDB-RS).

O entrave são as regras de transição além da retirada da Polícia Civil do rol das carreiras de risco.

Os SIPOLs de Bauru, Presidente Prudente e SINPOLSAN de Santos, entre demais entidades, igualmente organizadores da manifestação, falaram aos presentes através de seus respectivos presidentes. As lideranças condenaram os processos de transição previstos na reforma e destacaram que o caso do policial não pode ser visto sob a ótica do servidor público comum, em virtude dos riscos e peculiaridades oriundos do dever.
O Delegado Geral de Polícia, através de nota oficial do Conselho da Polícia Civil, também manifestou apoio ao manifesto (Leia a íntegra da carta aqui).

A Presidente da Associação deu prosseguimento a compromissos da agenda política e deve seguir, na próxima semana, trabalhando para que os questionamentos sobre a reforma continuem vocalizados junto ao Poder Público.

 

Manifesto do Delegado Geral contra a reforma previdenciária proposta e defendida por corruptos golpistas 36

O Egrégio Conselho da Polícia Civil, pela unanimidade de seus membros, leva ao conhecimento dos Policiais Civis e da sociedade em geral que a Polícia Civil do Estado de São Paulo acompanha com bastante atenção as alterações do sistema de seguridade social, decorrentes da Proposta de Emenda Constitucional nº 287.

                O objetivo maior da Polícia Civil é garantir a segurança de todos, preservando a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, por meio do exercício de suas funções de polícia judiciária e da apuração das infrações penais. Para tanto, mister contar com um corpo de servidores dedicados à causa de servir à população, seja no trabalho diário nos plantões policiais, seja nas unidades especializadas de polícia judiciária, seja no desempenho de atividade meio, imprescindível para que sua missão constitucional seja consumada.

                A ação policial civil, inquestionavelmente perigosa, sabidamente tensa e incontestavelmente difícil, impõe a todos que a executam a necessidade de dedicação ímpar, uma vez que é dessa dedicação que decorrerá a prestação do atendimento eficiente àqueles que tiveram um direito violado. Para que a população conte com uma polícia que lhe garanta o direito à segurança pública, o Estado há de reconhecer as especificidades do trabalho policial.

                Por tais motivos é que a Polícia Civil do Estado de São Paulo, por seu Conselho, manifesta-se pela imprescindibilidade de um tratamento com maior atenção às peculiaridades do serviço policial, a exigir a adoção de critérios específicos para a aposentadoria de seus membros. A Polícia Civil tem acompanhado as medidas propostas e está empenhada na defesa das condições que melhor assegurem a qualidade do trabalho desempenhado visando ao bem estar da população, o que também representa garantir a eficácia de sua missão constitucional.

Sala de Reuniões do Conselho da Polícia Civil, aos 07 dias do mês de dezembro de 2016.

Morre o ex-prefeito de São Vicente Tercio Garcia…( Nossos sentimentos aos familiares e amigos ) 2

O político lutava contra um câncer há mais de um ano

DE A TRIBUNA ON-LINE
06/12/2016 – 19:20 – Atualizado em 06/12/2016 – 22:40

Morreu às 18h10 desta terça-feira (6), aos 54 anos, o ex-prefeito de São Vicente Tercio Garcia. Engenheiro agrônomo de formação, ele comandou o município entre 2005 e 2012. O político lutava contra um mesotelioma peritoneal (câncer em uma camada que recobre os órgãos no abdômen). Ele deixa mulher e um filho.

Tercio estava internado no Hospital e Maternidade Vitória, na Vila Belmiro, em Santos. O corpo será velado a partir da 1 hora desta quarta-feira (7), na Loja Maçônica Duque de Caxias, na Avenida Capitão-Mor Aguiar, 520, no Centro. Já o sepultamento está marcado para as 15 horas, no Cemitério Metropolitano, na Rua Lima Machado, 543, no Parque Bitaru.

Segundo Márcio Papa, sogro do político, Tercio fazia quimioterapia e na última semana passou a sofrer com um quadro muito complicado, com algumas infecções e a detecção de falência múltipla dos órgãos.

O laudo médico confirma a informação do familiar e aponta como causa da morte: insuficiência de múltiplos órgãos e infecção generalizada.

O atual prefeito de São Vicente, Luis Claudio Bili (PP), decretou luto oficial de três dias.

Tércio já tinha vencido um câncer quando tinha 22 anos (Foto: Reprodução)

Carreira política

Tércio ingressou no serviço público municipal na cidade de São Vicente 1989, quando ocupou o cargo de Diretor de Parques e Jardins até 1996. Entre 1993 e 1995 também assumiu a presidência da Comissão municipal de Defesa Civil.

O ex-prefeito era filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) desde 1990. Antes de assumir a Prefeitura comandou a Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), o Conselho Municipal de Habitação e a Secretaria Municipal da Fazenda.

Em 2004 se afastou do cargo para concorrer à Prefeitura. Eleito, comandou a Cidade por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012.

Durante seu governo, Tercio presidiu o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), entre 2008 e 2009. No mesmo época em que assumiu o Condesb, também foi eleito presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista, onde permaneceu no cargo até 2012.

Após deixar a Prefeitura de São Vicente, por designação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), assumiu a presidência do Conselho de Orientação e Controle do Departamento de Desenvolvimento e Apoio às Estâncias Paulistas (Dade).

Seus últimos cargos políticos foram na Prefeitura de Limeira, onde assumiu a Secretaria de Administração e foi membro do Conselho de Desenvolvimento. entre janeiro de 2013 a abril de 2015. Depois disso chefiou a Diretoria de Pessoas e Sistemas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Tercio Garcia sucedeu Marcio França na Prefeitura de São Vicente (Foto: Reprodução)

Políticos lamentam a morte

A morte do ex-prefeito de São Vicente Tercio Garcia deixou o mundo político da região de luto. Assim que soube do ocorrido, o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), lamentou a perda.

“Perdemos um amigo leal, um homem honesto, um guerreiro, que travou uma luta contínua pela vida e conseguiu se superar para realizar seus sonhos de criar um filho, manter uma família e contribuir para toda uma Cidade desde os primeiros tempos no Horto, passando pela Codesavi até governar São Vicente como prefeito por dois mandatos consecutivos. Deixa um exemplo de resistência e amor que ainda vai acompanhar muitas gerações”.

Segundo França, o município perde um grande homem. “Eu perco um irmão que a vida me presenteou. Obrigado amigo. Valeu guerreiro”

Em nota, o deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP) também lamentou a morte de Tercio Garcia. “Perdemos hoje o querido amigo.  Homem simples e trabalhador, que dedicou a maior parte de sua juventude e energia à cidade de São Vicente. Tive o privilégio de conviver com e criar uma forte amizade e grande admiração”.

Papa ressalta que a forma como o amigo encarou as dificuldades . “Sempre com equilíbrio e leveza, deixando muitos ensinamentos para todos nós. Neste momento difícil, o meu abraço fraterno a sua companheira Marcia, seu filho Daniel, familiares e amigos. Que o exemplo de Tercio Garcia fique para todos nós como uma bela lição de vida”.

As Forças Armadas e PMs ficarão de fora da reforma previdenciária continuando a dar sustentação a políticos e governos corruptos lesivos aos direitos e garantias de pobres civis desarmados…( E dá-lhe mentiras sobre a natureza jurídica do que seja reserva, reforma e aposentadoria ) 69

Por que os militares ficaram de fora da Reforma da Previdência?

© Marcos Correa/Presidência da República Temer e os comandantes das Forças Armadas

Os integrantes das Forças Armadas ficaram de fora da proposta de Reforma da Previdência apresentada nesta terça-feira por Marcelo Caetano, secretário do Ministério da Fazenda – segundo ele, as alterações serão feitas posteriormente, por meio de um projeto de lei específico que contemple as especificidades da carreira.

Essas particularidades são o argumento principal usado pelo governo para não incluir os militares na proposta. Apesar disso, o secretário não estipulou um prazo para que a medida entre na pauta.

A exclusão dos militares é considerada por analistas uma das distorções da reforma, já que o deficit previdenciário atribuído às Forças Armadas é estimado em 44,8% do rombo, embora seus integrantes representem apenas 30% dos servidores públicos.

Além deles, policiais civis e bombeiros também ficaram de fora.

Apesar de o governo citar questões técnicas para explicar o fato de ter mantido os militares de fora da reforma e em regime diferenciado, especialistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que há razões políticas para não se “mexer” na previdência militar.

Reforma x aposentadoria – ( MENTIRAS E MAIS MENTIRAS )

O governo afirma que os militares ficaram de fora da proposta porque não são regidos pelas diretrizes comuns da Previdência, uma vez que não se “aposentam”, mas entram para a reserva, e podem, em tese, ser chamados para as atividades a qualquer momento.

Ou seja: o benefício não é considerado uma aposentadoria, mas uma continuidade do pagamento do salário já que eles continuariam disponíveis para servir às Forças Armadas em situações de conflito – o que é considerado pelos militares como uma dedicação exclusiva ao país.

Marcelo Caetano© Agência Brasil Marcelo Caetano

O vice-almirante reformado Paulo Frederico Soriano Dobbin, presidente do Clube Naval, um dos três principais clubes militares do país, afirma que essa dedicação é muito diferente da que os trabalhadores comuns apresentam em suas carreiras.

“Os militares são diferentes dos funcionários públicos. Nós e os diplomatas somos funcionários de Estado. Trabalhamos exclusivamente para as Forças Armadas, não temos hora extra, podemos ficar semanas sem aparecer em casa sem ganhar nada a mais por isso”, diz ele.

“Não podemos nos sindicalizar nem nos vincular a partidos políticos. É diferente de um funcionário público. Seria injusto. Isso (a Reforma da Previdência) tem que ser trabalhada de forma diferente (em relação aos militares).”

Pelas regras atuais, ao contrário dos trabalhadores e servidores públicos civis, os militares não têm parte do salário recolhido, e é a União quem paga integralmente o benefício quando o militar entra para a reserva.

Esse momento se dá depois de 30 anos de serviço militar para homens e 25 para mulheres. Há uma contribuição, de 7,5% sobre os ganhos, que cobriria apenas o pagamento de pensões a que os familiares têm direito em caso de morte.

Segundo Dobbin, “não há privilégio nenhum” nisso.

“Eu, por exemplo, contribuo com o fundo de pensão dos militares desde 1960, estou reformado desde 2005, mas continuo contribuindo para o fundo. Não estão tirando esse dinheiro do erário público, esse dinheiro foi pago. Mas é um fundo que foi usado (pelo governo) para outras coisas, mas ele saiu do nosso bolso”, argumenta.

Militares em patrulhamento no Rio© Reuters Militares em patrulhamento no Rio

‘Não é aposentadoria’

O professor da USP Luis Eduardo Afonso explica que esse é o argumento mais comum usado pelos militares para justificar a diferenciação dos benefícios e recolhimentos.

“Há um entendimento da parte dos militares de que eles não se aposentam, passam para reserva – podem ser chamados a qualquer momento para defender o país. Se não se aposentam, não é necessário um plano de custeio. Se não tem contribuição, não tem deficit, não é aposentadoria”.

Além dessa diferença, o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP José Roberto Savoia afirma que há outra distinção importante: o valor dos salários.

Para ele, seria necessário ajustar algumas condições antes de incluir os militares na reforma previdenciária.

“Existe uma diferença salarial muito grande entre militares e funcionários do Executivo. Você quer fazer uma regra equitativa, mas está partindo de premissas diferentes – salário muito menor do que de funções do Executivo, do Legislativo, do Judiciário para funções correspondentes.”

O peso da política

Apesar dos argumentos técnicos, o cientista social especialista em economia da longevidade Jorge Félix cita questões políticas por trás da decisão do governo de não incluir a categoria na reforma previdenciária.

“Os argumentos destacam a desigualdade da visão que estão tendo sobre os servidores. Não está mexendo com os militares, porque se mexer ele (Temer) cai, perde o apoio dos militares”, diz.

“O lobby dos militares é muito grande dentro do Congresso. O deputado (Jair) Bolsonaro sobe na tribuna e fala. E legitimamente, porque está defendendo os eleitores dele. É uma reforma que mantém privilégios patrocinados por aqueles que dominam o Estado.”

O professor da USP Luis Eduardo Afonso concorda que a decisão do governo de excluir os militares da reforma se deu para evitar um mal-estar com a categoria, o que poderia ser potencialmente prejudicial ao presidente Michel Temer.

“Muito provavelmente a estratégia do governo se pautou para evitar um confronto com o setor. Se o sentido é uniformizar regras, deveria ter uma aproximação das regras dos militares das regras do INSS. É um tratamento diferente demais, e o deficit é muito grande para não ser incluído nesse pacote.”

A URGÊNCIA DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL DO DIA 07/12 FRENTE À PEC 287/2016 34

A URGÊNCIA DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL DO DIA 07/12 FRENTE À PEC 287/2016

Estimados colegas,

O texto da Reforma da Previdência encaminhado hoje à Câmara dos Deputados, formalizado sob a rubrica PEC 287/2016, produz efeitos os mais perversos aos direitos previdenciários de todos policiais do Brasil.

Ao contrário do que fora veiculado na noite de ontem, segundo o qual estariam os policiais civis e militares de fora da referida proposição de reforma constitucional, todos policiais do Brasil, incluindo os militares estaduais, estão englobados e abarcados pelas novas disposições constitucionais, as quais definem os seguintes novos parâmetros:

Para todos os servidores públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, serão aposentados:
I – no caso de incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em que estiver investido, quando insuscetível de readaptação;
II – compulsoriamente, aos setenta e cinco anos de idade;
III – voluntariamente, aos sessenta e cinco anos de idade e vinte e cinco anos de contribuição, desde que cumprido o tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria. (nova redação do artigo 40, parágrafo 1º, da CF).

Acaba , pois, aposentadoria unicamente por tempo de contribuição. A única ressalva definida em regra transitória atém-se àqueles que possuam mais de 50 anos de idade (homem) e 45 anos de idade (mulher), poderão se aposentar quando cumulativamente (ou seja, sucedidos e cumpridos todos os requisitos) atenderem aos seguintes critérios:
I – sessenta anos de idade, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade, se mulher;
II – trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher;
III – vinte anos de efetivo exercício no serviço público;
IV – cinco anos de efetivo exercício no cargo em que se der a aposentadoria; e
V – período adicional de contribuição equivalente a 50% (cinquenta por cento) do tempo que, na data de promulgação desta Emenda, faltaria para atingir os limites previstos no inciso II do artigo 2º da referida proposta;

Ou seja, mesmo quem tenha mais de 50 anos de idade (homem) ou 45 anos de idade (mulher) só poderá se aposentar aos 60 anos de idade e 55 anos de idade, respectivamente, desde que tenham 35 anos de contribuição (homem) e 30 anos para mulheres, com 20 anos de serviço efetivo público, 5 anos no cargo em que ocorrerá a aposentadoria e cumprimento adicional de 50% do tempo de contribuição que faltar para a aposentadoria atual, devendo todos estas regras de transição serem cumpridas conjuntamente, algo na prática de difícil ou quase impossível verificação para muitos servidores.

Conforme estabelecido no parágrafo 2º do artigo 2º da PEC em comento, para policiais em geral que possuam mais de 50 anos de idade, caso homens e 45 anos de idade, caso mulheres, apenas terão míseros 5 anos de redução no critério da idade mínima e de contribuição, ou seja, apenas para aqueles que tiverem tal idade mínima haverá tal redutor. Uma ressalva é que mesmo que o policial homem tenha 50 anos de idade na data da promulgação da Emenda Constitucional e tenha preenchido todos os requisitos para sua aposentadoria deverá trabalhar até 55 anos e comprovar 30 anos de contribuição, algo altamente prejudicial até para aqueles que possuam tal idade. Portanto, não há qualquer vitória ou ganho tal como propalado afoitamente em redes sociais ou em portais, sendo sequer uma regra transitória minimamente consonante com os direitos adquiridos.

Os nobres militares estaduais, conforme nova redação trazida no artigo 42, sofrerão todos os efeitos colacionados nas regras dispostas no artigo 40, ou seja, terão aposentadoria compulsória aos 75 anos de idade e 65 anos voluntariamente, sujeitando-se também às mesmas draconianas regras de transição.

Para gravar, até mesmo para aqueles que estiverem na ativa até a promulgação da Emenda, haverá incidência de teto remuneratório único, atrelado àquele adotado ao regime geral de previdência social (em torno de 6 mil reais, teto do INSS), conforme define o § 2º do artigo 40 da PEC 287, que estatui a seguinte previsão: “Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores ao limite mínimo ou superiores ao limite máximo estabelecidos para o regime geral de previdência social.”

Em suma: em nenhum país do mundo, mesmo naqueles que possuam limites de idade mínima altos, como nas democracias ocidentais avançadas, policiais terão regime previdenciário tão incompatível com suas atividades e atribuições, desconsiderando-se o risco de vida, a obrigação legal de enfrentar o perigo, a menor expectativa de vida comparado às demais categorias sociais e econômicas, a alta mortalidade anual de policiais, a exposição constante a agentes nocivos que acarretam doenças severas de toda ordem, dentre outras adversidades próprias.

Deve ser ressaltado que policiais compõem o braço armado estatal, sendo o reflexo imediato e concreto do monopólio da violência legítima outorgada ao Estado, ssendo, pois, um fator de grave temeridade não definir regimes específicos de aposentadoria para tal categoria de servidores.

No caso peculiar do Brasil, somos o país do Hemisfério Ocidental com maior número de mortes de policiais, seja em situação de confronto com criminosos, seja por causas de ordem psicossomática e ocupacional. Em nosso país, atualmente, temos o estarrecedor número seis vezes maior de mortes de policiais do que nos Estados Unidos, que comumente é utilizado como exemplo. Em 2012 foram assassinados no Brasil 229 policiais (militares, civis, federais e rodoviários federais); no ano de 2014, 398 policiais foram mortos em razão do cargo. A título de comparação, nos Estados Unidos, apenas 51 policiais foram assassinados no ano de 2014.

Nos Estados Unidos, o qual a idade mínima para aposentadoria exigida é de 65 anos, não há limite de idade para aposentadoria do policial. O policial norte-americano, em que pese a autonomia de cada Estado para definir sua situação jurídico-institucional, em média pode se aposentar ao completar vinte anos de serviço. Na França, é exigido tempo de contribuição de 27 anos de serviço ativo policial; em nosso país, com a PEC 287/2016, iremos na contramão de uma lógica adotada até nas nações desenvolvidas com aposentadorias com regras rigorosas.

Este deplorável indicador demonstra a especificidade da atividade policial, a qual demanda um tratamento estatutário e previdenciário singular, pois detém o exercício da violência legitimada do Estado em suas atividades soberanas de preservação da ordem pública e garantia da incolumidade da coletividade.

Diante de tudo que foi exposto, se faz essencial que todos policiais estejam unidos na mobilização nacional programada para o dia 07/12/2016, mediante a realização de protestos com máxima visibilidade midiática e à sociedade civil, englobando de preferência todas as lideranças classistas de policiais civis em locais estrategicamente bem definidos quanto ao impacto, além de darem máxima divulgação ao comunicado de convocação elaborado pelas entidades nacionais, as quais farão a difusão o mais breve possível.

Mobilizar não se tornou mais uma questão de conveniência , mas um dever de todos policiais, os quais não podem ser penalizados pela corrupção generalizada, incompetência das políticas públicas e pela falta de observância de critérios adequados à realidade policial em sua essência e existência.

O esmorecimento causará a inviabilidade total de ser policial no Brasil, com reflexos inenarráveis à paz social e à ordem pública, em um possível cenário de instabilidade coletiva que poderá vir a ser tão severa que tornará impossível às forças policiais servirem de controle social , devendo talvez o Governo recorrer às Forças Armadas.

Atenciosamente,

Carlos Eduardo Benito Jorge

Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil

Rodolfo Queiroz Laterza

Presidente da FENDEPOL

João Doria (PSDB), estuda contratar policiais civis para que usem seus dias de folga para trabalhar no combate ao tráfico de drogas na região da cracolândia…( Pelo menos lembrou da Polícia Civil ) 15

Doria quer financiar bico de policial civil na região da cracolândia

ARTUR RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO

EDUARDO SCOLESE
EDITOR DE “COTIDIANO”

06/12/2016 02h00

A equipe do prefeito eleito, João Doria (PSDB), estuda pagar agentes da Polícia Civil para que usem seus dias de folga para trabalhar no combate ao tráfico de drogas na região da cracolândia.

A Polícia Civil, subordinada ao governo do Estado, já é responsável por esse trabalho de inteligência na região. Mas a nova gestão municipal quer fixar e ampliar essa presença para ao menos amenizar a entrada de drogas em ruas do centro de São Paulo hoje ocupadas por usuários de crack.

A iniciativa ocorreria por meio da chamada Operação Delegada, criada na gestão de Gilberto Kassab (PSD) e depois expandida pelo Estado.

Joel Silva – 9.jun.2016/Folhapress

Tráfico de drogas na região da cracolândia movimenta até R$ 1 milhão por mês

Atualmente restrito a PMs, esse programa da prefeitura tem 964 vagas e paga até R$ 25,50 por hora a policiais. Em dias de folga, eles trabalham no combate ao comércio de produtos irregulares, entre outras atividades.
Agora, a ideia é utilizar também o dia de folga de agentes da Polícia Civil para ajudar a sufocar o abastecimento de drogas na região.

A GCM (Guarda Civil Metropolitana) atua na área, mas o prefeito Fernando Haddad (PT) reclama que só ações sociais e de saúde não são suficientes para enfrentar o problema da cracolândia, menos ainda combater o tráfico.

Os responsáveis pela transição de Doria apostam na colaboração da área de segurança da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político do prefeito eleito. Ainda está sendo avaliado, porém, como seria efetivada essa parceria e se haveria algum empecilho para a ação.

SOBRECARGA

Segundo o presidente do Sindicado dos Investigadores de Polícia do Estado, João Batista Rebouças, por lei, os policiais civis poderiam fazer um bico oficial, apesar de isso nunca ter acontecido.

A sobrecarga de trabalho da categoria e seu regime especial, porém, com horários irregulares, dificultaria a ação na folga. “O certo seria o policial trabalhar no esquema 12 [horas de trabalho] por 36 [de folga], mas isso não acontece porque há defasagem de mais de 5.000 policiais no Estado [são cerca de 30 mil na ativa]. Eles trabalham muito mais.”

Consultor em segurança, o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva afirma achar a proposta interessante, mas diz que é preciso um estudo aprofundado, que inclui a definição de um valor que atraia os policiais.
“A cracolândia precisa de um trabalho intensivo sim. Mas é um trabalho que a gente supõe que a Polícia Civil deveria estar fazendo”, diz.

*

Operação Delegada

O que é
Um convênio entre as prefeituras e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de SP que permite que policiais militares e civis trabalhem nas folgas, recebendo salário adicional pago pelo município

Origem
A prática foi implantada inicialmente na capital, no fim de 2009, e é usada na fiscalização de camelôs ilegais. A atividade se espalhou para outras cidades do Estado

Como funciona
Os policiais usam uniforme e armamento da PM. Os praças, como soldados e sargentos, recebem R$ 21,25 por hora.

AÇÕES NA CRACOLÂNDIA

Jan.2012
PMs fazem operações nas ruas e desocupam imóveis abandonados que eram usados por usuários, usando bombas de gás. Dependentes que se concentravam na rua Helvétia se dispersam para outras ruas

15.jan.2014
Assistentes sociais e funcionários de limpeza da prefeitura retiram usuários e limpam a rua. Segundo a prefeitura, após a ação, 300 pessoas foram cadastradas no programa De Braços Abertos

29.abr.2015
Uma operação desarticulada entre prefeitura e governo estadual transforma o centro em praça de guerra, com bombas de gás, barricadas, furtos a pedestres e depredação de ônibus. Dois dias depois, fluxo retorna à quadra ao lado

5.ago.2016
Sem conhecimento da prefeitura, as polícias civil e militar realizam uma grande operação com cerca de 500 homens. A Tropa de Choque dispersa usuários com jatos d’água, balas de borracha e bombas de gás, e policiais civis arrombam hotéis da região e prendem 32 suspeitos de tráfico.

Presidente da ADPESP comenta inclusão da Polícia Civil na reforma previdenciária 19

  • 06/12/2016 – Presidente da ADPESP comenta inclusão da Polícia Civil na reforma previdenciária

comunicado

A presidente da ADPESP, Marilda Pansonato Pinheiro, comentou nesta terça-feira, 6, os desdobramentos da repercussão da inclusão da Polícia Civil na reforma previdenciária, prevista para ser implementada em breve pela gestão Temer. “A reforma ainda não está totalmente definida, mas é fato que acontecerá de uma forma ou de outra”, disse. Ela também comentou que esse é o momento para que novas tratativas sejam levadas ao Poder Público, uma vez que o projeto está em plena fase de estruturação.

“A notícia de ontem foi recebida com entusiasmo porque fomos ouvidos. Não do jeito ideal e longe da maneira que melhor beneficiaria a classe e a Polícia Civil como um todo. Mas, ainda assim, foi uma prova de que o trabalho que realizamos até aqui nos rendeu voz e reconhecimento para levar adiante nossas pautas num dos momentos mais significativos do país”, comentou.

Ela ainda destacou que o trabalho está apenas começando e que a ADPESP continuará trabalhando para que a reforma previdenciária recaia com menos austeridade nas carreiras da Polícia Civil. A presidente também reiterou que a participação de todos é imprescindível para que uma proposta mais ideal seja alcançada. “Esse é um trabalho que diz respeito ao futuro de todos nós. Ao meu, ao seu, ao dele. Precisamos acompanhar todos os trâmites com cautela, bom senso e firmeza, com manifestações ordeiras e pacíficas, portanto legítimas”, concluiu.

A agenda política da presidente deve seguir, nas próximas semanas, focada na busca de novas tratativas para a reforma previdenciária.