FOLHA DE SÃO PAULO
São Paulo, sexta-feira, 08 de outubro de 2010
SP antecipa feriado após pressão de tucanos
Serristas temem faltas no 2º turno; mudança é “praxe”, diz Casa Civil
Dia do Servidor Público, transferido para 11 de outubro, seria dia 28, às
vésperas de Finados e da data da nova votação
DANIELA LIMA
FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
O governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), decidiu antecipar o
feriado do Dia do Servidor Público, de 28 de outubro, para o próximo dia 11.
A medida coincide com apelos de tucanos preocupados com a possibilidade de
que a data original do feriado estimulasse a evasão de eleitores no segundo
turno das eleições presidenciais, que acontecerá no próximo dia 31, com
Dilma Rousseff (PT) contra José Serra (PSDB).
Procurada pela Folha, a Casa Civil disse que a transferência da data do
feriado é “praxe” e citou anos anteriores em que a data também foi ajustada
para cair em uma segunda, ou sexta-feira.
A assessoria da secretaria disse que, em 2002, por exemplo, o Dia do
Servidor Público passou para 1º de novembro. Em 2003, para o dia 27. Já no
ano passado, foi no dia 26. Em nenhum dos casos, porém, a data é antecipada
a ponto de casar com o feriado do dia 12 de outubro.
ABSTENÇÃO
A Folha apurou que houve movimentação de líderes do PSDB em defesa da
modificação do calendário oficial.
Aliados de José Serra demonstraram preocupação principalmente porque o Dia
de Finados será comemorado logo após o segundo turno, em 1º de novembro.
Assim, com um feriado no dia 28 (uma quinta-feira), um fim de semana e o Dia
de Finados (que cairá em uma segunda-feira), os 650 mil funcionários
públicos do Estado teriam até cinco dias de folga, o que poderia aumentar a
abstenção no dia 31.
Um dos argumentos apresentados contra o feriadão foi a vitória apertada de
Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pelo governo no primeiro turno por uma
diferença de 0,3 ponto percentual -cerca de 100 mil votos.
O líder do governo na Assembleia, deputado Vaz de Lima, disse que a medida é
“administrativamente correta”. Já o líder do PT, Antonio Mentor, chamou
alteração de “casuísmo eleitoral”.






