Há alguns anos atrás o Delegado Calandra foi indicado para um posto nem tão importante assim na Policia Civil, imediatamente iniciou-se uma grita dizendo que o mesmo não poderia assumir nenhum cargo mesmo que não fosse de tanta relevância, pois teria supostamente pertencido ao DOI- CODI e teria sido torturador.
Haviam provas?
Não.
Existiam apenas informações, poderia ser verdade, poderia ser mentira.
Foi então o mesmo defenestrado imediatamente do cargo e escondido em alguma divisão sem expressão, no dia de sua aposentadoria ao completar 70 anos, o Ilustre senhor foi “convidado” a comparecer ao gabinete do Secretário de Segurança Pública e, para lá se dirigiu o provecto senhor certo de que receberia pelo menos um aperto de mão, um agradecimento por todos os anos de trabalho e dedicação doados a Policia Civil, santa ingenuidade!
Enquanto aguardava na ante-sala uma equipe da Corregedoria da Policia Civil, a nossa querida STASI dirigia-se a seu gabinete para vasculhá-lo e ver se encontrava algum documento esquecido da época da Ditadura Militar.
Talvez ai alguma culpa me caiba, pois foi logo depois que eu denunciei arquivos da Ditadura guardados, ou jogados no DEINTER de Santos, comenta-se que inclusive uma equipe queria ter ido a casa do Delegado, mesmo sem ordem judicial.
O Delegado Conde Guerra repercutiu uma noticia que foi dada pela Rede Globo de Televisão, imediatamente com um processo executado a toque de caixa foi demitido, levando dor e sofrimento não somente a ele mas também a sua família, pois na melhor das hipóteses tiraram criminosamente seu sustento e, volto a dizer, o Delegado Conde Guerra pode ser destemperado, talvez como eu, mas não é ladrão.
Continuando: Nos anos de chumbo um jovem tenente de sobrenome Chiari prestava serviços no DOPS São Paulo e, certa noite procurou em sua cela o suposto terrorista Bacuri e disse-lhe, apresentando-lhe um jornal “Bacuri você morreu!Olhe a noticia no jornal!”, nessa noite Bacuri foi retirado do DOPS e até hoje seu corpo não foi encontrado.
Passam-se os anos, esse jovem tenente chega a Major, ha uma rebelião na casa de detenção e esse já não tão jovem Major comanda uma unidade que invade o presidio e massacra os presos, é por esse motivo processado.
Como dizia o jovem cantor Cazuza “o tempo não pára!”.
Passa-se mais algum tempo, o Major é promovido a Coronel e assume a assessoria Policial Militar do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, sendo o homem responsável pela segurança dos prédios, dos juízes e em ultima instância dos Desembargadores que iriam julgá-lo pelos múltiplos homicídios, pois não podemos nos esquecer que o réu principal era o então Deputado Coronel Ubiratan que tinha foro privilegiado por conta de ter sido eleito.
O Deputado Ubiratan foi condenado junto com os co-réus em primeira instância e, absolvido pelo Pleno do Tribunal de Justiça que tinha como seu chefe de Segurança o então coronel Chiari.
Agora, leio que o Secretário de Segurança Pública obviamente com o aval do Governador do Estado, designa para Comandante da ROTA o Coronel Salvador Madia, também envolvido no massacre do Carandiru, que não podemos nos esquecer levou nosso país a barra dos Tribunais Internacionais de Direitos Humanos.
Onde está a coerência?
O Delegado Calandra é execrado, o Delegado Guerra é demitido em um processo administrativo que beira ao ridículo e, um Oficial da PM processado criminalmente por um massacre que ficou em nossa história é brindado com o comando da ROTA, unidade que é conhecida por sua truculência.
O que querem, aonde querem chegar o Governador do Estado e o Secretário de Segurança Pública?
Não fui, nem sou defensor de bandidos, mas essa atitude é uma bofetada na face de todos aqueles que querem que os marginais sejam tratados com dureza, mas dentro dos ditames constitucionais.
As tão propaladas entidades de direitos humanos, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Comissão de Justiça e Paz cabe a palavra.
Relembro aos leitores que no episódio “castelinho” e Carandiru, nenhum Policial Civil foi envolvido.
Estou absolutamente chocado com a maneira com que se trata a segurança pública nesse estado, parece que estamos chegando ao fundo do poço, a única luz no fim do túnel que vejo seria uma mudança radical.
Está provado e não sou eu que digo,mas a história que mostra que Promotores de Justiça não são talhados para o cargo de Secretário de Segurança.
Vejamos: Pedro Franco de Campos, Promotor de Justiça – massacre da detenção; Saulo de Castro- massacre da castelinho; Ferreira Pinto- massacre praticado pela ROTA em um supermercado em São Paulo.
E mais, a meu juízo existe hoje uma vontade política de destruir o amor próprio dos Policiais Civis e de desmonte da Policia Civil.
Sei de Policiais que ao irem a Corregedoria são alvo de zombaria e achincalhe.
Bem, essa é uma história que fica para uma próxima vez.
Espero que o Governador tome com o Coronel Madia, sem nenhum juízo de valor de minha parte, a mesma atitude que tomou com o Delegado Calandra, pois do contrário, mais uma vez verei a política de “dois pesos e duas medidas”.
João Alkimin