Primeiro quero parabenizar o Delegado Melão, Presidente do Sindicato pelo desagravo feito ao Delegado Frederico, mas existe uma pergunta e, o desagravo para o Delegado Conde Guerra que foi demitido por haver repercutido uma noticia que foi dada pelo Jornal Nacional, espero que o Doutor Melão tome essa providência de imediato, ou então que a Dra. Marilda o faça, o que não podem é se omitir e, a partir de hoje cobrarei sistematicamente essa providência.
Agora a pergunta: Onde está o Ministério Público?
Chocado vi uma declaração que as autoridades no episódio cracolândia querem causar dor e medo, é simplesmente estarrecedor que qualquer autoridade diga uma barbaridade dessas.
E estou absolutamente à vontade para criticar, pois sempre defendi a tese de que o viciado deve cumprir a mesma pena que o traficante, que o receptador deve ser condenado à mesma pena que o ladrão, agora não posso aceitar a tese de dor e medo, talvez seja o caso de que o Governo do Estado providencie a reabertura do DOI-CODI lá na Rua Tutóia, esquina com Thomaz Carvalhal.
Relembrando que o caminho para o paraíso nem sempre passa pela Avenida Liberdade.
Até agora não vi nenhuma manifestação do Ministério Público, aquele que tem a função precípua de ser o fiscal da lei, para pôr um paradeiro na barbárie que está se instalando na cracolândia e, por isso indago daqueles que conhecem muito mais que eu de Segurança Pública, é necessário bombas de gás, balas de borracha, para afastar farrapos humanos?
É assim que a Polícia Militar recebeu ordens para agir?
Talvez a maioria não saiba, mas o Desembargador do TJ – São Paulo Antônio Carlos Malheiros tinha um belíssimo projeto para tentar pelo menos minimizar o problema da cracolândia, que entre outras coisas colocaria Juízes de Direito, Promotores, Assistentes Sociais, Policiais Civis para de uma maneira mais digna resolver os problemas ou pelo menos tentar. Inclusive com a participação da Defensoria Pública para que fosse decidido na hora se os menores encontrados vagando pela cracolândia seriam internados compulsoriamente.
Hoje me encontrei com o Desembargador que desalentado me disse “João, acabaram com tudo!”, causa-me também estranheza as noticias de que a operação foi deflagrada pelo 2º Escalão da PM, sem conhecimento do Governador ou do Secretário de Segurança e, sequer do Comandante Geral da PM.
Se isso for verdade está provado que para perigo da população temos uma Tropa sem comando.
Uma pergunta se faz necessária, e se uma operação desse porte fosse deflagrada não pelo 2º Escalão da Polícia Civil, mas sim por um Diretor de Departamento, o que aconteceria?
Com certeza já teria sido afastado, estaria respondendo sindicância ou talvez processo administrativo, além do competente inquérito policial, o Secretário já teria vindo a público, vociferar contra a Polícia Civil, já estaria falando em banda podre, espionagem, falta de lealdade com a Administração e outras coisas mais.
Mas ocorre que foi a Policia Militar, portanto haverá simplesmente uma singela admoestação e, onde está o Ministério Público? Talvez o Ministério Público não tenha se livrado totalmente dos anos de chumbo, quando existia a famigerada CGI- Comissão Geral de Inquérito, sempre sob o comando de um oficial das forças armadas, mas com a participação de Promotores Públicos, pois era essa sua denominação a época. Órgão esse que perseguiu a inúmeros brasileiros e aonde pontificava o promotor Ítalo Bustamante, entre outros.
Qual o resultado da operação cracolândia?
Parece que única e exclusivamente espalhar os viciados por toda a cidade, a mim particularmente parece uma operação sem nenhum estudo mais aprofundado, sem nenhuma relevância, em que está fadada ao mais retumbante fracasso.
Quando começarem a aumentar os índices de crime em toda cidade com certeza a fatura será cobrada dessa infeliz instituição, a Policia Civil, que não tem absolutamente nada a ver com essa desastrada operação.
Como cidadão gostaria que o Ministério Público e a Ordem dos Advogados viessem a público para se manifestar principalmente sob a legalidade de tais fatos, principalmente quando se fala em dor e medo.
Acorde senhor Governador!
O senhor é médico, tenha um pouco de humanidade com seus semelhantes, Vossa Excelência não foi eleito para causar dor e medo, mas a mim isso não causa espanto, pois na época mais dura do regime militar Vossa Excelência então prefeito de Pindamonhangaba enviou uma carta tecendo elogios ao torturador mor deste pais o Presidente Médici, portanto sua letargia em tomar providências não me causa espanto, tendo em vista que Vossa Excelência permite que se faça com Policiais Civis, são inúmeros os injustiçados aos quais apresento minha solidariedade, minha voz e minha caneta e, que são representados aqui pelos Delegados Conde Guerra e Frederico, vitimas de uma injustiça inominável.
E espero sinceramente que a espada da justiça caia sobre a cabeça de todos aqueles que por ação ou omissão permitiram tais fatos. Minha solidariedade portanto e meu apoio a todos os Policiais Civis, pois não vejo diferença entre Investigadores, Carcereiros, Agente Policiais, Papiloscopistas, Escrivães e Delegados de Policia, pois independente da função todos merecem o mesmo respeito e admiração, pois todos são Policiais Civis.
João Alkimin
João Alkimin é radialista – showtime.radio@hotmail.com – RÁDIO
http://www.vejosaojose.com.br/joaoalkimin.htm