O bizarro, o absurdo e o inacreditável.
João Alkimin é radialista – showtime.radio@hotmail.com – RÁDIO
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G1
Um suspeito de tráfico de drogas foi morto no início da noite desta quarta-feira durante operação de equipe das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) na região do Jardim Miriam, na Zona Sul de São Paulo.
A ação foi parabenizada pelo ex-comandante da Rota, coronel Paulo Telhada, no Facebook. Ele disse que seu filho, que é tenente da Rota, participou da ação. “Parabéns ao meu filho e toda equipe, bem como a toda Rota”, escreveu. (Veja íntegra abaixo)
De acordo com a Rota, o homem, suspeito de traficar drogas na região, recebeu os policiais com disparos após uma denúncia anônima.
Questionado na manhã desta quinta, o tenente Rafael Telhada, filho do ex-comandante da Rota, disse que ainda não tinha visto o comentário feito pelo pai no Facebook. “A gente cumpriu nossa missão. Para mim é indiferente um comentário que o coronel fez no Facebook. Estou dando graças a Deus por estar vivo, eu quase morri ontem à noite”, afirmou.
Segundo o tenente Rafael Telhada, a corporação recebeu a denúncia de que o homem mantinha dentro de casa uma grande quantidade de drogas e armamentos.
Ao chegarem ao endereço apontado, na Rua Sebastião Afonso, os policiais encontraram o homem, que atirou contra eles, segundo Telhada. Os policiais revidaram, e o suspeito foi atingido. O homem foi levado para o pronto-socorro de Diadema, no ABC, onde morreu.
Dentro da casa, foram encontrados quatro tijolos de cocaína, três de maconha, um de crack, dois quilos de cocaína em pó dentro de um saco plástico, aproximadamente mil pinos de cocaína prontos para venda e cerca de 5,5 mil ainda vazios. Os policiais também apreenderam três balanças de precisão, materiais para corte da droga e um liquidificador.
A arma usada pelo suspeito, um revólver calibre 38, também foi apreendida. Como houve morte de um suspeito por policiais militares, o caso foi encaminhado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
No Facebook O ex-comandante da Rota, coronel Paulo Telhada, pai do tenente Rafael Telhada, comentou o caso no Facebook. “Hoje por volta das 18 horas, a viatura de Rota 91402 , comandada pelo meu filho Tenente Telhada, ao averiguar Disque Denúncia que tratava de tráfico de entorpecente, pelo Jardim Miriam, acabou se deparando com um meliante que de arma em punho enfrentou a equipe de ROTA, não restando outra alternativa para meu filho e equipe a não ser revidar aos disparos. O meliante foi baleado e socorrido ao PSM Diadema onde faleceu. Felizmente nenhum PM foi ferido. Foi apreendido com o meliante um revólver cal. 38 e grande quantidade de drogas escondidas em dois cofres. A ocorrência está sendo apresentada no DHPP. Parabéns ao meu filho e toda equipe, bem como a toda ROTA.”, escreveu o coronel.
FAUSTO MACEDO
A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19/2011, que definiu como de natureza jurídica a carreira dos delegados da Polícia Civil de São Paulo, é o novo trunfo para os delegados da Polícia Federal que pleiteiam o mesmo reconhecimento no Congresso. Os delegados da PF querem conquistar prerrogativas como a inamovibilidade. Alegam dificuldades no combate ao crime organizado e denunciam interferências políticas em sua missão.
“Pelo menos sete Estados (Paraná, Goiás, Minas, Maranhão, Amapá, Pará e São Paulo) já reconheceram a carreira jurídica para os delegados civis, a PF está ficando para trás”, protesta Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo e diretor regional da Associação Nacional dos Delegados Federais.
Ele pondera que a categoria “precisa dessa garantia porque é comum a influência de outros poderes e mesmo da máquina governamental nos procedimentos conduzidos por delegados federais”.
A PEC 19/2011, enviada à Assembleia paulista pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), acrescenta quatro parágrafos na Constituição Estadual e trata da carreira jurídica dos delegados da Polícia Civil paulista. O trecho que a classe considera vital diz que “aos delegados de polícia é assegurada independência funcional pela livre convicção nos atos de polícia judiciária”.
Desde 2008, está em curso na Câmara a PEC que altera o artigo 144 da Constituição, atribuindo independência funcional aos delegados de polícia. O parágrafo 10 do texto estabelece que delegado de polícia de carreira, de natureza jurídica, “exerce função indispensável à administração da Justiça, sendo-lhe assegurada independência funcional no exercício do cargo, além das garantias vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio”.
Portugal avalia que para enfrentar a corrupção os delegados da PF também precisam de independência funcional. “Fica o delegado livre de perseguições administrativas, políticas e governamentais. É muito comum que as operações de crimes passem a envolver altas autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário e é por esse motivo que a autoridade policial deve ter plena autonomia nas suas funções.”
Prerrogativas
Vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos são prerrogativas da magistratura e que os federais reivindicam. Se conquistarem estas garantias não poderão perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado e só poderão ser removidos de um setor ou delegacia salvo por motivo de interesse público justificado.
Os delegados da PF avaliam que o reconhecimento da carreira jurídica “caminha para a modernização da segurança pública do País, pois refletirá necessariamente na garantia da independência funcional do delegado, o que possibilitará a ele o exercício de suas funções com maior segurança, livre de pressões e ingerências indevidas”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Agência Estado
Ao Ministério Público cabe o controle externo da atividade policial, mas não a própria função exercida pela Polícia. A opinião é da Advocacia-Geral da União, ao encaminhar ao Supremo Tribunal Federal manifestação sobre artigo da Resolução 20/07, do Conselho Nacional do Ministério Público, que autoriza o MP Federal a fazer investigações criminais. Para a AGU, o dispositivo é inconstitucional.
O órgão cita a Lei Complementar 75/93, que garante a fiscalização da Polícia pelo MPF por meio do livre ingresso em delegacias e prisões, do acesso a quaisquer documentos relativos à atividade policial, do pedido de instauração de inquérito policial sobre a omissão ou fato ilícito ocorrido no exercício da atividade policial e da propositura de ação penal por abuso de poder.
Além disso, diz a AGU, o artigo 29 da a Constituição prevê que o MPF pode “requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicando os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais”. Já o artigo 144 da Constituição deixa claro que cabe à Polícia Federal apurar infrações penais e “exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União”. Os advogados da AGU enfatizam que, de acordo com a Constituição, cabe à Polícia fazer a investigação criminal, “sempre sob os olhares atentos do Ministério Público, para que este órgão possa avaliar — na qualidade de defensor da ordem jurídica — se é caso ou não de deflagrar a ação penal cabível”.
“A partir do momento em que o Ministério Público se utiliza de sua estrutura e de suas garantias institucionais a fim de realizar de modo direto investigações criminais, atua em sigilo e isento de fiscalização em sua estrutura administrativa”, afirma.
A AGU afirma também que, no âmbito do Congresso Nacional, já houve a Proposta de Emenda Constitucional 1971/2003, que pretendia alterar a redação do artigo 129 da Constituição, para incluir dentre as atribuições do Ministério Público a possibilidade de realizar investigação criminal. Essa proposição, para a AGU, “demonstra que a atual conformação constitucional não legitima o exercício dessa competência pelo órgão ministerial”.
A manifestação foi apresentada na Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.220, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil contra o artigo da resolução do CNMP. Para a OAB, ao regulamentar o controle externo da atividade das polícias, a resolução viola a Constituição, uma vez que não foi dada competência ao CNMP para editar tal norma. Segundo a Ordem, a Constituição, a partir da Emenda 45/04 (da Reforma do Judiciário), delimitou as competências do CNMP como sendo “de controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros (artigo 130-A, parágrafo 2º)”.
O caso agora está com a Procuradoria-Geral da República para que se manifeste sobre a ação. O relator é o ministro Luiz Fux. Com informações da Assessoria de Imprensa da AGU e da OAB.
ADI 4.220
EC 35-2012 – CARREIRA JURIDICA.pdf
Quarta-feira, 4 de abril de 2012
Diário Oficial – Poder Legislativo – página 8
Emendas Constitucionais
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 35, DE 3 DE ABRIL DE 2012
A MESA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO, nos termos do § 3º do artigo 22 da Constituição do Estado, promulga a seguinte Emenda ao texto constitucional:
Artigo 1º – Os §§ 2º a 5º do artigo 140 da Constituição do Estado passam a vigorar com a seguinte redação:
“Artigo 140 –…………………………………………………….
§ 1º – ………………………………………………………………
§ 2º – No desempenho da atividade de polícia judiciária, instrumental à propositura de ações penais, a Polícia Civil exerce atribuição essencial à função jurisdicional do Estado e à defesa da ordem jurídica.
§ 3º – Aos Delegados de Polícia é assegurada independência funcional pela livre convicção nos atos de polícia judiciária.
§ 4º – O ingresso na carreira de Delegado de Polícia dependerá de concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, dois anos de atividades jurídicas, observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.
§ 5º – A exigência de tempo de atividade jurídica será dispensada para os que contarem com, no mínimo, dois anos de efetivo exercício em cargo de natureza policial-civil, anteriormente à publicação do edital de concurso.” (NR)
Artigo 2º – Os atuais §§ 3º, 4º e 5º do artigo 140 da Constituição do Estado ficam renumerados para §§ 6º, 7º e 8º, respectivamente.
Artigo 3º – Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, aos 3 de abril de 2012.
a) BARROS MUNHOZ – Presidente
a) RUI FALCÃO – 1º Secretário
a) ALDO DEMARCHI – 2º Secretário
Band teve acesso com exclusividade a relatório feito a pedido da Febraban. De cada dez casos usando explosivo, seis acontecem em São Paulo. As principais notícias do Brasil e do Mundo você acompanha de segunda a sábado às 19h20, no Jornal da Band. Este vídeo também pode ser visto no portal band.com.br ou no canal da Band aqui no Youtube.
Reportagem de Sandro Barboza
Edição de Márcio Strumielo
Imagens de Josenildo Tavares e Arquivo Band
VENHO REPRODUZIR O CONVITE A TODOS OS COLEGAS QUE DIA 09/04/2012 SEGUNDA -FEIRA QUE VEM, ÁS 10:00 DA MANHÃ, HAVERÁ REUNIÃO COM TODOS OS INVESTIGADORES E ESCRIVÃES DE POLICIA NA SEDE DA AIPESP, PARA DEBATERMOS ASSUNTO RELACIONADO AO NOSSO NÍVEL UNIVERSITÁRIO. QUEM PRESIDIRÁ O DEBATE SERÁ O DEPUTADO CAMPOS MACHADO.
DEVEMOS NOS UNIR E EXPOR IDÉIAS A SEREM APRESENTADAS PARA COMISSÃO QUE SE FORMARÁ, BEM COMO, PROPOSTAS AO GOVERNADOR. NÃO PERCA ESTA OPORTUNIDADE!
Av. Cásper Líbero, 535 – Luz – São Paulo – PABX: (011) 3228-7489 / 3229-1535 / 3313-5630 / 3313-5634
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D.O. Oficial Legislativo de hoje, pág.1 Delegado exonerado é ouvido na Comissão de Direitos Humanos
Servidor estava em estágio probatório e foi exonerado depois de dar voz de prisão a juiz
Monica Ferrero – Foto : Vera Massaro Os deputados da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais ouviram nesta terça-feira, 3/4, Frederico Costa Miguel, ex-delegado de polícia, sobre sua exoneração do quadro da Polícia Civil do Estado de São Paulo, três meses após dar voz de prisão ao juiz Francisco Orlando de Souza. O caso foi alvo de diversas matérias na imprensa. Na opinião do presidente da comissão, Adriano Diogo (PT), “o caso é um dos maiores desrespeitos praticados contra um servidor público e cidadão íntegro.” Ele sugeriu ainda a realização de um ato de desagravo ao ex-delegado na Assembleia. Frederico Costa Miguel, que respondia pelo 1º DP de São Bernardo do Campo, foi exonerado do cargo de delegado em dezembro de 2011. Em outubro daquele ano, o juiz Francisco Orlando de Souza foi por ele autuado por dirigir embriagado e desacato à autoridade. Dez dias após o ocorrido, o juiz foi promovido a desembargador. Faltavam 30 dias para que Miguel, em estágio probatório, fosse confirmado no cargo de delegado. A exoneração foi feita sem que houvesse chance de defesa e nem acesso aos autos, pois o procedimento foi secreto, apesar de parecer favorável à confirmação no cargo da Corregedoria da Polícia Civil. Frederico Miguel pede ao governador que reconsidere sua exoneração. Solidariedade O ex-delegado recebeu s o l ida r i e da d e d o s deputados presentes na
reunião. Para Rafael Silva (PDT), “o fato pode tolher a ação de delegados, o que não é bom para a instituição e a sociedade.” Leci Brandão (PCdoB) lamentou que “uma autoridade, flagrada em ato comprometedor, tente se livrar usando de seu cargo.” Para João Paulo Rillo (PT) é grave o impedimento à ampla defesa de Frederico Miguel. Antonio Mentor (PT) ressaltou ainda que a reunião ocorria no mesmo dia em que a Assembleia promulga uma PEC que aumenta as prerrogativas dos delegados. “Esse foi o primeiro passo, falta agora democratizar a escolha do delegado-geral e a melhoria salarial”. Também estiveram na reunião os deputados Carlos Giannazi (PSOL), Enio Tatto, Marcos Martins e Simão Pedro, todos do PT. O advogado Abrahão José Kfouri Filho, que foi também presidente da Associação dos Delegados de Polícia do
Estado de São Paulo, disse que a exoneração de Frederico Costa Miguel foi injusta, e preocupou-se com a legalidade processualística do caso. O delegado licenciado Mário Aidar Franco disse que o caso foi um ato político dentro da instituição, pois Miguel expressa o descontentamento de boa parcela dos delegados com a falta de condições de trabalho e baixos salários. O professor Paulo Lew somou-se às manifestações anteriores e disse que São Paulo não valoriza os delegados, que sofrem com a falta de estrutura para trabalhar: “O governo do Estado esconde as carências administrativas com uma burocracia semimilitar e permite que a polícia seja sucateada, principalmente no atendimento à população carente. Quem aponta as falhas acaba sendo perseguido”, finalizou.
Jenis de Andrade http://jenisandrade.blogspot.com/
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Relatório afirma que empresário alertou assessora do governador Perillo de uma operação; funcionária nega acusação
Polícia Federal diz que Eliane Pinheiro recebeu ligações de Cachoeira e avisou prefeito que ele era alvo de investigação
FERNANDO MELLO FILIPE COUTINHO LEANDRO COLON DE BRASÍLIA
Relatório da Polícia Federal diz que a chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recebeu do empresário Carlinhos Cachoeira informações sigilosas de operações policiais, que foram repassadas para envolvidos, o que prejudicou as investigações, segundo o Ministério Público Federal.
Eliane Pinheiro, que continua a ocupar o cargo de confiança no governo de Perillo, recebeu informações de Cachoeira sobre os alvos da Operação Apate, que investigou, em 2011, supostas fraudes tributárias em prefeituras do interior goiano.
O relatório da PF afirma que Cachoeira trocou uma série de telefonemas e mensagens de texto com Eliane, que seria, segundo conclusão da PF, a responsável por informar o prefeito Geraldo Messias (PP), de Águas Lindas de Goiás, que é aliado de Perillo.
O empresário de jogos ilegais e a chefe de gabinete do governador foram citados em dois relatórios produzidos em 2011 de outra operação da PF, a Monte Carlo, que levou à prisão de Cachoeira e integrantes de seu grupo. Foi nessa operação que Demóstenes Torres (ex-DEM) também foi gravado atuando para os interesses do empresário.
Nos relatório, a PF incluiu foto de Eliane com suas informações pessoais, como seu CPF, e telefones (inclusive o funcional) usados para falar com a Cachoeira e integrantes do grupo do empresário.
Segundo a PF, Eliane também usou um rádio Nextel com uma linha habilitada nos EUA. A polícia afirma na investigação que o grupo de Cachoeira acreditava que esses aparelhos eram imunes aos grampos da PF, que, no entanto, conseguiu gravá-los com autorização judicial.
A partir das investigações, o Ministério Público Federal afirma que, em maio do ano passado, Cachoeira causou “prejuízo à administração pública, ao passar informação de que haveria [operação de] busca na casa do prefeito de Águas Lindas para Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete do governador do Estado de Goiás, por meio de mensagens de texto”.
Segundo a Procuradoria, a “baixa efetividade da operação em questão, sendo que o prefeito de Águas Lindas seguramente foi avisado e sequer foi visto nos locais objeto de busca”. Essa conclusão foi antecipada pelo jornal “O Popular”, de Goiânia.
A PF fez um fluxograma dos telefonemas e diz que Eliane é “amiga próxima” do prefeito: “Existem fortes indícios da prática de violação do sigilo funcional, uma vez que informações sigilosas sobre a Operação Apate foram difundidas nesses diálogos”.
Cachoeira recebia as informações sigilosas de informantes, inclusive na própria PF. Uma mensagem de texto interceptada pela polícia diz “op pref amanhã” (operação na prefeitura amanhã). A busca e apreensão na casa de Messias de fato ocorreu em 2011, mas ele não estava lá.
Outro lado
DE BRASÍLIA
A chefe de gabinete do governador Marconi Perillo, Eliane Pinheiro, negou envolvimento no vazamentos de informações para beneficiar um aliado do tucano.
Ela disse que não avisou o prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias, da Operação Apate, e que os telefonemas grampeados pela Polícia Federal e o envolvimento dela na investigação estão errados: “Trata-se de outra pessoa”, disse.
Eliane negou ainda que tenha recebido um celular Nextel que, segundo a investigação, era utilizado para tentar escapar de grampos.
Perillo disse que não foi informado sobre o caso. “Não tenho conhecimento de qualquer relação entre ambos [Eliane e o empresário Carlinhos Cachoeira]”, disse.
O prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias, disse que de fato conhece Eliane, Perillo e Cachoeira, mas nega que tenha sido informado da operação. Ele afirma que estava fora da cidade durante a operação por conta da formatura da filha, mas que os policiais foram a sua casa e recolheram documentos.
“Não fui avisado e não houve nenhum prejuízo à investigação, inclusive porque foi realizado o mandado de busca e apreensão e eu acabei indiciado por irregularidades ocorridas na prefeitura antes de eu assumir.”
“Foi uma irregularidade cometida por um contador e eu nem era prefeito”, disse.
A defesa do empresário Carlinhos Cachoeira afirmou que ainda não analisou o inquérito por inteiro. “Hoje fizemos um pedido de acesso integral ao que existe nos áudios”, informou a advogada Dora Albuquerque.
Ela disse, no entanto, que a prisão de Cachoeira é ilegal. “O Carlos Augusto nunca havia sido preso. O argumento para que ele fique preso no sistema não corresponde aos requisitos impostos pela lei. O acesso ao nosso cliente está muito difícil”, afirmou.
O delegado Fernando Byron não foi localizado ontem pela Folha.
Momento histórico para a Polícia Civil de São Paulo: Foi promulgada, no dia 03 de abril de 2012 a emenda Constitucional n. 35, que reestabelece o status de carreira jurídica aos Delegados de Polícia. A Conquista é fruto de um trabalho intenso, realizado pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Parabéns à Classe por essa vitória!
Rio cita UPPs e bônus para policiais; já São Paulo não comenta números
DE SÃO PAULO
Desde que assumiu a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em março de 2009, o procurador de Justiça Antonio Ferreira Pinto afirma que a meta da polícia paulista é diminuir a quantidade de crimes patrimoniais.
A avaliação da cúpula da secretaria é a de que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes está chegando a um nível próximo à estagnação.
Por esse motivo, o investimento maior teria de ser no combate a roubos e furtos.
Procurada ontem pela Folha, a Secretaria da Segurança não se pronunciou.
No início do ano, quando a secretaria divulgou ter havido um aumento nos crimes patrimoniais, o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima, afirmou que as delegacias de São Paulo estariam empenhadas em investigar roubos a veículos, residência, comércio e furtos de carros.
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do Rio de Janeiro atribuiu a redução de seus índices de crimes à implantação de 19 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em comunidades tomadas por traficantes de drogas e milicianos.
A secretaria afirmou ainda que a premiação em dinheiro para policiais que conseguem reduzir os índices criminais de seus batalhões e delegacias também tem surtido efeito positivo.
Tanto no Rio quanto em São Paulo os governos não se dispuseram a destacar representantes para dar entrevistas à Folha sobre o tema.
População fluminense, no entanto, sofre mais com crimes contra a vida, como homicídios, mostram dados de 2011
AFONSO BENITES DE SÃO PAULO
JOSMAR JOZINO DO “AGORA”
Depende.
Se o índice criminal analisado for o homicídio, a resposta é Rio. A surpresa está quando se analisa os principais crimes patrimoniais.
Pela primeira vez desde o ano de 2006, São Paulo passou o Estado vizinho no número de registros de roubos.
A Folha analisou dados da Segurança Pública dos dois Estados entre 2006 e 2011.
Todas as comparações levam em conta taxas de crimes por 100 mil habitantes. A conclusão é que, proporcionalmente, os ladrões agem mais em São Paulo do que no Rio -estão contabilizados todos os tipos de roubos e furtos, como de carros, de bancos, de residências, de pedestres etc.
Foram registrados 755 roubos em território paulista para cada grupo de 100 mil habitantes no ano passado. Em território fluminense, foram 660, no mesmo período. Para efeito de comparação, os EUA registraram 533 roubos por 100 mil habitantes em 2009 -último dado disponível.
O coordenador do Centro de Pesquisas em Segurança Pública da PUC Minas, Luis Flávio Sapori, afirmou estar surpreso com a mudança.
“Isso nos faz pensar que a redução dos homicídios em São Paulo não se deve só a uma boa política. Se fosse assim, também teria reduzido os crimes patrimoniais.”
Para Sapori, a redução dos homicídios em território paulista também pode estar vinculada à existência de várias facções criminosas no Rio, como Comando Vermelho, Primeiro Comando e Amigos dos Amigos, e de apenas uma em São Paulo, o PCC (Primeiro Comando da Capital).
“Eles [o PCC] monopolizaram a distribuição das drogas e estão resolvendo conflitos de outra forma que não seja pelos assassinatos. Isso influenciou nos índices de homicídios, mas não nos de roubo.”
Para o pesquisador Guaracy Mingardi, da Fundação Getulio Vargas, a polícia paulista tem sido omissa no combate aos crimes patrimoniais.
“A polícia ainda está dormindo sobre a glória de ter reduzido os homicídios, mas isso não basta”, afirmou.
Professor da Universidade Estadual do Rio, Ignacio Cano desconfia da redução da criminalidade fluminense.
“Desde 2009, o governo criou um prêmio para as polícias reduzirem seus índices. Qual é a garantia de que alguns policiais não desestimulam as pessoas a registrarem os crimes de roubo? Sem esse registro, a estatística fica favorável ao policial, e a premiação aumenta”, disse.
O consenso entre esses especialistas é que não basta reduzir os crimes de homicídios. Afinal, um dos fatores que elevam a sensação de insegurança é saber que a qualquer momento você pode ser roubado, afirmam eles.
Depoimento
GIULIANA MIRANDA DE SÃO PAULO
Depois de trocar o Rio por São Paulo, demorei mais de dois anos para me sentir confortável no trânsito e trazer meu carro. Bastaram 35 dias para que ele fosse levado.
Meu carrinho -motor 1.0 e lataria ligeiramente amassada- foi furtado na Vila Madalena no ano passado.
A ação foi silenciosa. O alarme não disparou e não houve nenhum ruído anormal. Só me dei conta quando, pela janela, vi um desesperador espaço vazio na rua.
Ao chegar à delegacia para fazer o boletim de ocorrência do furto, ainda tive de aguentar uma piadinha.
Ao notar meu sotaque, um policial perguntou se o carro era do Rio. Respondi que sim, e ele emendou: “Você sabe que tem um bairrismo entre os ladrões, né? Entre uma placa do Rio e uma de São Paulo, quem você acha que eles escolheriam para levar?”.
Tenho amigos paulistanos que dizem que não visitam o Rio por conta da violência. Mas aqui ela não está tão distante. Já tive uma bolsa arrancada com violência na região da Paulista em plena luz do dia.
O chato é ter de aguentar as gracinhas dos amigos, que insistem em me chamar de azarada por ter saído do Rio para ser assaltada em São Paulo.
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