- 28 de setembro de 2012
- 23h31
CAMILLA HADDAD
A onda de assassinatos a policiais militares, principalmente durante as folgas, fez o comando da corporação espalhar cartazes nos quartéis de São Paulo para alertar a tropa sobre os riscos de ataque e recomendar cautela nos bicos. O aviso tem circulado há três dias e exibe dados sobre PMs mortos à paisana e em serviço. A reportagem esteve em quatro batalhões da capital e encontrou cartazes fixados bem na entrada dos prédios.
No panfleto consta que 54 policiais foram executados fora do trabalho. O número já subiu para 55 desde anteontem, quando o soldado André Perez de Carvalho, de 40 anos, levou vários tiros de fuzil na frente de casa, na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, no Butantã, zona oeste. A vítima estava indo para o trabalho no quartel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Perez morreu a caminho do hospital.
“O clima não está nada bom. A gente está apreensivo porque virou alvo. A sensação é de que está piorando”, revela um soldado que trabalha na região de Perdizes, na zona oeste. O PM conta que desde junho eles já estariam sendo orientados por seus comandantes a não andar desprevenido nas ruas. Uma policial feminina da zona norte comenta que ela e os colegas têm permanecido dentro da recepção e as conversas na porta do batalhão são evitadas. “A situação está parecida com a dos ataques de 2006. Mas só esses informes não me deixam tranquila”, lamenta. “Eu tenho filha pequena. Quero voltar para a casa.”
No Comando de Policiamento Metropolitano 3, localizado na Avenida Ataliba Leonel, em Santana, na zona norte, uma das pistas da via foi isolada por quatro cones. De acordo com policiais dali, a medida visa proteger quem trabalha no local e é aplicada mais ao anoitecer.
Em nota, o Centro de Comunicação da corporação confirmou o alerta e disse que “as orientações são parte da rotina de instrução do policial. São abordados assuntos que dizem respeito ao profissional em sua atuação. Também podem abordar aspectos de sua conduta fora do horário de serviço”. A PM não autorizou que o comandante da tropa, Roberval Franca, fosse entrevistado.










