Só 3 – Fiquem tranquilos: TRABALHEM SEM DESCANSO ATÉ A MORTE ( nunca se aposentem )…Os PMs da Reserva para esse governo de bosta deixaram de ser Polícia ! 16

10/10/201206h00

Só 3 dos 66 PMs mortos em SP no ano estavam em serviço

DE SÃO PAULO DO “AGORA”

Policiais de folga são as principais vítimas de criminosos que tentam intimidar agentes de segurança do Estado de São Paulo. Dos 66 PMs que estavam na ativa e foram mortos neste ano –até anteontem–, 63 estavam fora do horário de serviço.

O número de PMs de folga mortos é o maior dos últimos sete anos. Supera até mesmo o ano de 2006, quando, até o final de outubro, 61 foram assassinados.

Naquele ano, a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) orquestrou rebeliões nos presídios paulistas e ataques contra policiais militares.

Na relação das vítimas que estavam de folga neste ano estão dois tipos de policiais.

Um é aquele que fazia bico de segurança, como o soldado Hélio Miguel Gomes de Barros, 36, morto anteontem com 15 tiros num posto de combustíveis de Taboão da Serra, Grande São Paulo.

O outro é o do policial que estava realmente de folga. Foi o caso do sargento Marcelo Fukuhara, 45, fuzilado enquanto passeava com seu cão, no domingo, em Santos.

As informações detalhadas sobre policiais mortos neste ano foram obtidas pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.

Os dados do Comando da Polícia Militar mostram ainda que 17 policiais já aposentados foram assassinados, o que eleva o número de PMs mortos para 83.

NOVA FRENTE

O fato de os policiais inativos se tornarem alvo é uma das novas frentes de ação da facção, conforme a polícia.

Para especialistas, há dois fatores que facilitam a ação dos assassinos. Um é que, na folga, o PM costuma estar sozinho e sem colete à prova de balas. O outro é que ele fica menos atento a ataques.

Segundo a reportagem apurou com quatro comandantes de batalhões da PM da Grande São Paulo, outro fator que favorece o ataque aos policiais de folga são supostos pagamentos de recompensas por parte do PCC ou o abatimento de dívidas.

Em um dos casos investigados, o assassino de um policial obteve o perdão do débito de R$ 50 mil com a facção.

Para o analista criminal Guaracy Mingardi, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, há fortes indícios de que as mortes dos PMs tenham sido uma retaliação do crime organizado.

O comandante da PM, Roberval França, disse que essa é só uma das hipóteses investigadas. No ano, conforme França, 147 suspeitos de atacarem PMs foram identificados; destes, 102 foram presos e 17, mortos. (AFONSO BENITES, ROGÉRIO PAGNAN E JOSMAR JOZINO)

Editoria de Arte/Folhapress


A política de segurança pública em São Paulo está falida; o liquidante: Antonio F.P. 19

Se você tem dúvida de quem está mandando nas ruas de São Paulo, basta conferir mais esta reportagem da Band: os ladrões estão agindo bem ao lado do Comando da Polícia Militar e da Rota? E o que a PM faz? Nada! A pergunta que fica é: incompetência ou conivência? Afinal, não conseguem nem cuidar do próprio quintal? E a Polícia Civil também não conseguiu, até agora, identificar quem são os criminosos. A política de segurança pública em São Paulo está falida:


Em apenas dois meses, oito restaurantes foram roubados. As principais notícias do Brasil e do Mundo você acompanha de segunda a sábado no Jornal da Band, às 19h20. Este vídeo também pode ser visto no portal band.com.br ou no Canal da Band aqui no Youtube.

Reportagem de Sandro Barboza
Edição de Márcio Strumiello
Imagens de Josenildo Tavares

Atentado à democracia sob pretexto de sua defesa: Querem tungar a vitória do Telhada…( 89.053 votos ) 43

Coronel Telhada pode ter sua eleição para vereador impugnada

Escrito por Simone de Moraes 01:23:00 09/10/2012

O  Ministério Público Eleitoral de São Paulo (MPE-SP) decidiu pedir a  impugnação do registro da candidatura do vereador eleito Adriano Lopes  Lucinda Telhada, o Coronel Telhada (PSDB), ex-comandante Rota, que se  elegeu domingo pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com  89.053 votos. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São  Paulo foi uma das entidades que solicitou providências das autoridades  que determinaram o pedido de impugnação.

Entre  os motivos para pedir providências contra o vereador aos órgãos do  Judiciário e da Segurança Pública estava o fato de Telhada ter utilizado  sua página da internet, com cerca de 70 mil seguidores, para intimidar o  repórter do jornal Folha de S.Paulo, André Camarante, que não somente  se transformou em uma onda de ameaças, como também culminou com sua  saída do país junto com toda a família, com o objetivo de lhe dar  proteção.

Durante  a Campanha Salarial, em uma das rodadas de negociações de Jornais e  Revistas da Capital, a direção do SJSP solicitou diretamente ao  representante da Folha que proporcionasse todo apoio a seu repórter, o  que de fato acabou acontecendo, quando as ameaças chegaram a níveis  insuportáveis

Tudo  começou por causa de uma reportagem de Caramante intitulada “Ex-chefe  da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, o  jornalista denunciava que  Telhada usava sua página no Facebook para  “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, e que chamava de  “vagabundos” os supostos praticantes de crimes. Telhada não gostou da  matéria. A partir daquele momento, as ameaças se sucediam através das  redes sociais, blogs e o site da Folha, desde chamá-lo de “péssimo  repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. No  início de setembro, diante das ameaças, ele teve que deixar o país.

Em entrevista à repórter Eliane Brum, da revista Época,  Caramante relata a nova condição de jornalista que não está mais  fisicamente presente na redação, apesar de continuar no exercício da  profissão. Veja alguns trechos da entrevista:

Quando você deixou de trabalhar na redação?

Caramante– Desde o início de setembro. Os advogados do jornal encaminharam às  autoridades uma solicitação de investigação sobre as ameaças. Alterei  completamente minha rotina e minha localização.

Foi difícil?

Caramante– Sou trabalhador desde os 11 anos e não tenho dúvidas quanto à  profissão que escolhi. A decisão de estar fisicamente ausente da redação  não foi nada fácil. Particularmente, via este passo como um sinal de  recuo, um erro do ponto de vista do meu ideal e mesmo de estratégia em  relação a quem tenta enfraquecer o trabalho da imprensa. O que fizemos,  então, foi arquitetar uma ausência que fosse apenas física, com uma  operação que permitisse que seguíssemos em frente. Existem inúmeras  maneiras de fazer reportagem.

Qual foi a reação da sua família e como eles estão vivendo esse momento?

Caramante– Estão todos cientes e bastante atentos. Não é fácil estar ausente,  mas não creio que seria muito melhor estar presente e vivendo com  sombras. Meus filhos percebem a situação incomum que vivem atualmente,  mas ignoram essa história toda. Felizmente, eles sentem-se seguros onde  pai e mãe estão – não importa onde. Minha rede familiar está permeada  pelo estresse, mas ela é muito forte. Sempre foi, desde muito antes de  toda essa situação. Além disso, a corrente formada por colegas de  profissão e entidades daqui e de fora também deixou claro que este não é  um problema só meu. Entidades como Repórteres Sem Fronteiras, Knight  Center of Journalism (vinculado à Universidade do Texas), Sindicato dos  Jornalistas do Estado de São Paulo, Instituto Sou da Paz, movimento  independente Mães de Maio, entre outros, se manifestaram publicamente em  apoio à minha atuação e ao direito de informar”.

Ouvido pelo Portal Terra,  o ex-chefe da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) afirmou que  “desconhece totalmente” a informação do MPE. “Acabei de pesquisar o site  do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e não há nada sobre isso. Não sei  de onde estão tirando essa informação. Isso é mentiroso e tendencioso,  porque a notícia é falsa”, defendeu-se. “Como vou me manifestar a  respeito de uma coisa que não existe”, acrescentou.

Telhada  é estreante em candidaturas nas eleições deste ano. Ele obteve vaga à  vereança paulistana com o slogan de campanha “Uma nova ROTA na política  de São Paulo”. Segundo definiu no início da corrida eleitoral, sua  candidatura é “um voto de lealdade a José Serra (PSDB)”, candidato a  prefeito, que o nomeou comandante da Rota quando era governador do  Estado.

A  direção do Sindicato repudia a atitude do ex-comandante e continua  exigindo providências do governador Geraldo Alckmin e do secretário de  Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto e colocando-se à disposição do  jornalista para qualquer ação civil ou penal.

Na  oportunidade, o Sindicato anunciou que “atitudes como a do coronel  Telhada, que foi comandante da Rota, não fortalecem a democracia no  país, além de intimidar aqueles que estão a serviço da informação. A  atitude do coronel bem lembra um passado recente em que os jornalistas  eram acuados por emitirem suas opiniões”.

Esta é a íntegra do documento encaminhado às autoridades pela direção do Sindicato:

“O  Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo tem,  reiteradamente, encaminhado a Vossa Excelência e a outras autoridades  públicas denúncias e encaminhamentos no sentido de resguardar a  liberdade de imprensa e a integridade física dos profissionais da área  jornalística.

Consideramos  extremamente grave a atitude do ex-comandante da Rota, coronel Paulo  Telhada, candidato a vereador pelo PSDB, de incitar a violência física e  moral contra o repórter André Caramante, do jornal Folha de S. Paulo,  através das redes sociais.

O  jornalista, em matéria veiculada na edição de sábado, 14 de julho de  2012, apenas registrou, em nota para o caderno Cotidiano, fatos  explanados pelo próprio coronel em sua rede social (facebook) tendo,  inclusive, o cuidado de procurar o candidato que, conforme registra o  texto, não atendeu as ligações feitas para seu celular.

O  texto, em momento algum, foi ofensivo ou atacou a honra ou denegriu a  imagem do candidato, não cabendo de forma alguma resposta tão violenta e  absurda por sua parte. Desta forma, esta entidade sindical pede  especial atenção de Vossa Excelência no sentido de acompanhar o  desdobramento do episódio, resguardando a integridade e o direito a  liberdade de imprensa e de expressão do jornalista.

Solicitamos  ainda que a atitude do candidato seja repreendida por não se coadunar  com os princípios da democracia e das instituições políticas a qual  pretende integrar na qualidade de representante do povo”.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo

Um repórter ameaçado de morte 23

André Caramante, um dos mais respeitados jornalistas brasileiros na área da segurança pública, foi obrigado a mudar de país e esconder-se. Em entrevista, ele conta o que a situação de exceção vivida por ele e por sua família revela sobre a intrincada relação entre poder e violência

ELIANE BRUM

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance – Uma Duas (LeYa) – e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elianebrum@uol.com.br @brumelianebrum (Foto: ÉPOCA)

Em 14 de julho, André Caramante, repórter da Folha de S.Paulo, assinou uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, de apenas quatro parágrafos, o jornalista denunciava que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, candidato a vereador em São Paulo pelo PSDB nas eleições do último domingo, usava sua página no Facebook para “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, sempre chamando-os de “vagabundos”. Em reação à matéria, Telhada conclamou seus seguidores no Facebook a enviar mensagens ao jornal contra o repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir daquele momento, redes sociais, blogs e o site da Folha foram infestados por comentários contra Caramante, desde chamá-lo de “péssimo repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. Caramante seguiu trabalhando. No início de setembro, o tom subiu: as ameaças de morte ultrapassaram o território da internet e foram estendidas também à sua família.

O que aconteceu com o repórter e com o coronel é revelador – e nos obriga a refletir. Hoje, um dos mais respeitados jornalistas do país na área de segurança pública, funcionário de um dos maiores e mais influentes jornais do Brasil, no estado mais rico da nação, está escondido em outro país com sua família desde 12 de setembro para não morrer. Hoje, Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, comemora a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado, com 89.053 votos e o slogan “Uma nova Rota na política de São Paulo”.

O que isso significa?

Os 13 anos em que André Caramante cobre a área de segurança pública são marcados pela denúncia séria, resultado de apuração rigorosa, dos abusos cometidos por parte da polícia no estado de São Paulo. A relevância do seu trabalho foi reconhecida duas vezes pelo Prêmio Folha de Jornalismo. Caramante já denunciou sete grupos de extermínio formados por policiais militares e civis, assim como por ex-policiais. Mantém sua própria planilha na qual registra os mortos pela polícia. E faz a denúncia sistemática da figura amplamente difundida da “resistência à prisão” como justificativa para execução, em geral dos suspeitos mais pobres. Por sua competência, Caramante ganhou o respeito da sociedade interessada em uma polícia eficiente, com atuação pautada pelo cumprimento da lei – e o ódio de uma minoria truculenta, os maus policiais, tanto militares quanto civis, e daqueles cujos interesses e projeto de poder estão ligados a eles.

Antes de ser jornalista, Caramante quis ser jogador de futebol. Morador da periferia de São Paulo, comprou a primeira chuteira vendendo papelão. Era “um meia-direita dedicado”, na sua própria avaliação, e usou a chuteira com brio nas peladas de várzea e nas peneiras na Portuguesa, no Novorizontino e no Palmeiras, clubes nos quais chegou a treinar nas categorias de base. A necessidade de ajudar com as despesas da casa o despachou para a arquibancada. Em especial a da Vila Belmiro, por um amor incondicional pelo Santos herdado do pai.

Aos 11 anos, Caramante começou a trabalhar como camelô, vendendo chocolates e sacolas no Brás, em São Paulo. Mais tarde, aos 17, o estudante de escola pública pagou a faculdade de jornalismo da Uniban com o salário de office-boy e com os vales-transporte que economizava fazendo o serviço a pé. “Não sabia se a faculdade era boa ou ruim, não entendia dessas coisas, apenas sabia o que queria fazer”, conta. “O livro Rota 66, de Caco Barcellos, tinha me mostrado o que era jornalismo.”

Em seu livro Rota 66 – a história da polícia que mata (Record), Caco Barcellos, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, hoje na TV Globo, investigou o trabalho da Rota entre as décadas de 1970 e 1990. E provou que ela atuava como um aparelho estatal de extermínio, responsável pela execução de milhares de pessoas. A reação às denúncias obrigou o repórter a passar um período fora do Brasil, devido a ameaças de morte. Duas décadas depois do lançamento do livro que o inspirou, Caramante vive uma situação semelhante.

A notícia de que ele estava vivendo escondido, com a família, vazou na semana passada, em matéria da Revista Imprensa. Até então, Caramante pretendia manter o fato em sigilo. A decisão de esconder-se com a família foi difícil para o repórter que nunca quis virar notícia – e que sempre evitou ser fotografado. Enquanto era alvo único das ameaças de morte, Caramante manteve uma rotina normal. O jornalista só aceitou se mudar para um destino secreto quando sua família passou a ser ameaçada. Mesmo assim, para ele é ponto de honra seguir com seu trabalho de reportagem. Pela internet, envia informações ao jornal com frequência. E segue assinando matérias na área da segurança pública.

Quando um repórter é obrigado a mudar de país e se esconder com a família por fazer bem o seu trabalho e prestar um serviço à população, ao fiscalizar os órgãos de segurança pública, este não é um problema só dele – mas da imprensa, que tem o dever de informar, e da sociedade, que tem o direito de ser informada. É disso que se trata.

Na entrevista a seguir, feita por email entre sexta-feira e domingo, André Caramante, 34 anos, fala sobre a situação de exceção que ele e sua família estão vivendo, mas principalmente sobre as complexas relaçõesentre violência e poder que a tornaram possível.

Em 14 de julho, você publicou na Folha de S.Paulo uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. Você se referia ao coronel reformado Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, que comandou a Rota, em São Paulo, até novembro de 2011, e, nestas eleições, disputou uma vaga para vereador pelo PSDB. O que aconteceu a partir desta matéria que o levou a, dois meses depois, ter de esconder-se com a família? André Caramante – Cubro segurança pública há 13 anos, então, muito dessa situação não é exatamente novidade. Nestes 13 anos, sempre mantive minha lupa sobre os abusos cometidos por policiais, especialmente no que diz respeito à letalidade. Considero legítimo que a sociedade possa fiscalizar o Estado, especialmente seu braço armado. Não podemos considerar eficiente uma polícia que mata tanto quanto a do estado de São Paulo. Entre 2006 e 2010, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas. A cultura da nossa polícia militarizada permite que se mate sem que se conheça sequer a identidade do “oponente”. É tão normal e aceitável quanto utilizar uma figura jurídica inexistente para preencher o boletim de ocorrência – a “resistência (à prisão) seguida de morte”. A morte do empresário Ricardo de Aquino por policiais militares no bairro Alto de Pinheiros (em São Paulo) colocou a questão na agenda da mídia e das autoridades alguns meses atrás. Como ele, vários outros foram vítimas dessa cultura e do mau treinamento. É óbvio que alguns policiais agem na ilegalidade e a maioria age dentro da lei. Também faço um trabalho consistente de denúncia de grupos de extermínio formados por policiais militares e civis e ex-policiais civis e militares, tendo revelado ao menos sete deles. São grupos que, ao exemplo das milícias do Rio, tentam controlar as atividades ilícitas na cidade – máquinas caça-níquel e tráfico de drogas, às vezes cruzando o caminho do PCC – e geram mortes. Há grupos bem estruturados e com braços de inteligência. Um deles, inclusive, planejou a morte de um integrante do alto escalão do governo paulista, sem que tenha conseguido levar a cabo a ação.Meu trabalho de denúncia também abrange a corrupção na Polícia Civil. Hoje, as coisas se dividem mais ou menos assim no Estado de São Paulo: alguns integrantes da PM cometem violência e alguns da Civil escorregam na corrupção. São questões totalmente relacionadas a poder e dinheiro. Em dezembro do ano passado, publicamos uma investigação da Polícia Federal que mostrava policiais civis cobrando grandes valores para liberar da prisão suspeitos de tráfico de drogas. Somadas, as propinas chegavam a R$ 3 milhões. É uma conduta isolada? Esquemas assim não surgem do nada. É da cultura da instituição, e são as pessoas que constroem a cultura organizacional. Mudar não é uma questão de ser fácil ou difícil, mas de não ser interessante para as pessoas que estão lá.

Você vem denunciando essa situação há bastante tempo, mas só agora teve de esconder-secom sua família por causa de ameaças de morte. O que aconteceu? Caramante – O que houve foi não digo o surgimento, mas a publicidade e o crescimento exponencial de um clima favorável à intimidação, no qual pessoas sentiram-se à vontade, ou mesmo incitadas, a disseminar “avisos”. A partir da matéria sobre o que estava acontecendo no Facebook houve um acirramento dos ânimos de quem antes já me via como inimigo, além do crescimento quantitativo dos que mantêm os olhos em mim e no meu trabalho de uma forma negativa.Houve uma onda de comentários no Facebook, no Twitter, em blogs e no site da Folha que foram desde “péssimo repórter” até “bala nele”. Era só “ativismo de sofá”, de gente que só despeja frases no teclado do computador? Provavelmente.Depois, alertas de caráter dúbio – “Quando acontecer algo com alguém da sua família…”, “Quando você for sequestrado…” – surgiam nos espaços de comentários do site da Folha em qualquer reportagem que eu escrevesse e até naquelas em que não tive participação, mas que traziam denúncias contra membros das polícias. Também orquestraram o envio de diversas cartas contra mim, enquanto profissional, para a Folha.Após pouco mais de um mês de bombardeio digital, as ameaças tornaram-se mais concretas, com fatos atualmente sob investigação das autoridades competentes.

Que fatos são estes? Caramante – Não falo de um fato, mas de uma série, que se iniciou dias após aquela onda nas redes sociais. Foram ligações, comprovações por fontes altamente confiáveis,de que estavam levantando informações de familiares, motos em trajetos curiosamente iguais aos meus. Não acho possível dimensionar a gravidade do risco, e também chegou-se a um ponto em que não valia mais a pena ficar avaliando. Decidi ouvir gente mais experiente do que eu e, em conjunto com o jornal, foi tomada uma decisão: trabalho à distância. Não estou fisicamente na redação desde o início de setembro, sem que tenha saído da ativa. Esta é uma situação em que o risco físico toma a cena, mas certamente ele não é o único. Venham de onde vierem, a ameaça e a intimidação têm o objetivo de desestabilizar, tirar de cena. Jogam com o risco psicológico também, testam quão boa é a sua cabeça e quão forte é a sua corrente.

Qual é o papel do Coronel Telhada, ex-comandante da Rota, nesta série de ameaças? Caramante – Em sua página, o coronel reformado começou a divulgar relatos de confrontos entre PMs da Rota e civis – estes sempre chamados de “vagabundos” –, além de divulgar fotos de pessoas que, segundo ele, eram suspeitos de crimes. Fiz um texto objetivo, relativamente curto, sobre isso. No dia da publicação no jornal, 14 de julho, ele postou no Facebook uma mensagem na qual me acusava de “defender abertamente o crime” e pedia uma mobilização contra mim. A conduta desse senhor deflagrou uma onda de tentativas de intimidação, de incitação à violência contra um jornalista – um profissional que apenas retratou o que o próprio coronel reformado registrou publicamente na rede social. Não estou dizendo que ele quis ou que ele não quis incitar atos violentos. Estou dizendo que acabou incitando.

Quem efetivamente está ameaçando você? E quais foram as ameaças? Caramante – De onde vejo, apontar um ou outro possível autor pode dar grande margem a erro. Tenho minhas suspeitas, mas não cometeria o equívoco de acusar sem provas. Creio que haja dois tipos de ameaça. A primeira se aproxima do “ativismo de sofá”, de quem escreve no computador algo que jamais cumprirá. Os autores deste tipo de ameaça não são tão desconhecidos assim, e não é tão difícil encontrá-los nos canais digitais. A segunda, esta sim grave, é a ameaça de quem considera a possibilidade de agir. Aqui estão desde admiradores de policiais alvos de reportagens, pessoas que pouco têm a perder e vivem com parâmetros de raciocínio e moral diferentes dos nossos, até outros que há tempos me têm como um inimigo e podem aproveitar justamente esta visibilidade do caso do Facebook para tentar algo e “colocar na conta” de outro. O caso do Facebook, além de ser apenas uma parte da história, pode ser usado por outros para acobertar eventuais retaliações. Mas, veja, isto é o que eu deduzo com base na minha experiência, não há qualquer base de pesquisa ou de investigação científica.

O que você está dizendo é que pessoas que se ressentem há muito tempo com suas denúncias de abusos cometidos pela polícia estariam se aproveitando do caso do Facebook para se vingar e desviar a responsabilidade para o Coronel Telhada? Caramante – Sim, é uma possibilidade.

Quando as primeiras ameaças se tornaram públicas, você disse que continuaria a fazer o seu trabalho. Imagino que deve ter sido difícil tomar a decisão de se afastar da redação. Como esta decisão foi tomada? Caramante – É importante esclarecer que o termo “afastamento” não é apropriado para o meu caso. Continuo exercendo minhas atividades profissionais, onde quer que eu esteja. Não estar fisicamente na redação me causa impedimentos que são irrisórios frente à necessidade atual de garantia da integridade, minha e da minha família.

Quando você deixou de trabalhar na redação? Caramante – Desde o início de setembro. Os advogados do jornal encaminharam às autoridades uma solicitação de investigação sobre as ameaças. Alterei completamente minha rotina e minha localização.

Foi difícil? Caramante – Sou trabalhador desde os 11 anos e não tenho dúvidas quanto à profissão que escolhi. A decisão de estar fisicamente ausente da redação não foi nada fácil. Particularmente, via este passo como um sinal de recuo, um erro do ponto de vista do meu ideal e mesmo de estratégia em relação a quem tenta enfraquecer o trabalho da imprensa. O que fizemos, então, foi arquitetar uma ausência que fosse apenas física, com uma operação que permitisse que seguíssemos em frente. Existem inúmeras maneiras de fazer reportagem.

Qual foi a reação da sua família e como eles estão vivendo esse momento? Caramante – Estão todos cientes e bastante atentos. Não é fácil estar ausente, mas não creio que seria muito melhor estar presente e vivendo com sombras. Meus filhos percebem a situação incomum que vivem atualmente, mas ignoram essa história toda. Felizmente, eles sentem-se seguros onde pai e mãe estão – não importa onde. Minha rede familiar está permeada pelo estresse, mas ela é muito forte. Sempre foi, desde muito antes de toda essa situação. Além disso, a corrente formada por colegas de profissão e entidades daqui e de fora também deixou claro que este não é um problema só meu. Entidades como Repórteres Sem Fronteiras, Knight Center of Journalism (vinculado à Universidade do Texas), Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Instituto Sou da Paz, coletivo Sindicato É Pra Lutar e movimento independente Mães de Maio se manifestaram publicamente em apoio à minha atuação e ao direito de informar.

É isso que está em jogo, o direito de informar? Caramante – É uma questão ligada ao direito de informar e de ser informado, e meus companheiros de profissão sabem do que falo. Há, atualmente, no estado de São Paulo, uma grande preocupação por parte de autoridades da segurança pública de tentar evitar que muitos fatos sejam tornados públicos pela imprensa. Por conta disso, funcionários públicos que as autoridades acreditam manter contato com jornalistas passam a ser alvo de perseguição nas instituições às quais pertencem. Muitas vezes, essas perseguições são feitas com base apenas no “achismo”.

Que fatos são estes, que as autoridades da segurança pública não querem que se tornem públicos? Caramante – Qualquer dado que não conste do relatório oficial publicado mensalmente no site da secretaria. Não é exagero. Falo de qualquer dado mesmo. Basta perguntar a quem cobre a área. Não é de hoje. Sempre foi assim. No estado de São Paulo, jornalistas são impedidos de consultar boletins de ocorrência, um documento público. Tudo – absolutamente tudo – tem de passar pelas canetas das assessorias de imprensa da Secretaria e da Polícia Militar. É uma operação extremamente centralizada e que visa impedir o repórter de ir a uma delegacia e obter informações sobre uma ocorrência.

Por quê? Caramante – Vejo como uma tentativa de construir uma realidade que não existe aqui, como se vivêssemos na Suécia. A proibição do acesso a boletins de ocorrência integra uma estratégia de forte controle de informações. “Só sai o que eu quero.” Não importa a relevância do dado, esta é a diretriz. Delegados só dão entrevistas mediante autorização de assessores de imprensa. É meio estranho que uma autoridade seja submetida a esse tipo de imposição para tentar controlar a informação.

Esta foi a primeira vez que você foi ameaçado de morte? Caramante – Não. Como vários outros colegas, já passei por situações semelhantes. Ouvi pelo telefone frases como “Cuidado, muita gente morre em assalto por aí”, seguida por meu endereço completo. Tempos atrás, policiais à paisana fotografaram minha família durante um passeio.

Você costuma denunciar os abusos cometidos pela polícia, especialmente contra os moradores das periferias de São Paulo e da Grande São Paulo. Você se considera, hoje, nesta situação, uma vítima da polícia? Caramante – Não me considero vítima de nada. Tenho plena consciência de que não posso e não quero ser notícia. Sou contratado por um jornal para contar as histórias das outras pessoas, para fiscalizar um determinado segmento do poder público. E a minha preocupação é sempre esta: contar a história do próximo, registrar os fatos, levar a notícia para quem lê a Folha de S.Paulo. As páginas de um jornal marcam a história de um país. Eu sou uma peça dessa engrenagem que imprime a história no papel do jornal. A exposição desses últimos fatos me trouxe tristeza porque não é o que busco como repórter. Aí vão perguntar: “E por que você está dando entrevista?”. Estou dando entrevista porque, do muito que foi dito sobre a minha pessoa, pouco foi dito por mim. Porque quero esclarecer que não estou “afastado”. Afastamento dá a ideia de punição, de suspensão, e nunca houve nada nesse sentido da parte do jornal. Pelo contrário: sanamos a demanda urgente relativa à garantia da integridade e ao mesmo tempo planejamos a continuidade do trabalho. E mais: não existe isso de perseguir a Polícia Militar ou a Polícia Civil com meu trabalho. O que penso é que ninguém quer ter nessas instituições pessoas que não façam jus à condição de representantes do Estado.

Já entrevistei muitas pessoas ameaçadas de morte, algumas delas ameaçadas de morte por policiais, de diferentes estados. Minha percepçãoé de que estas últimas sentem um nível de desamparo maior, na medida em que, se aqueles que deveriam protegê-las, em vez disso ameaçam a sua vida, para quem então pedem ajuda? Sem contar que membros da polícia, por disporem do aparato do Estado, têm meios para comprometer a credibilidade da vítima, “plantando” falsas provas. Como você percebe isso? Caramante – Quando você tem indicativos de que alguns dos representantes armados do Estado querem te desestabilizar, com certeza, a reflexão é sempre essa: para quem recorrer, como agir? Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam desmoralizar seu trabalho e sua conduta fora do campo profissional, mas tenho tentado me manter centrado. Converso com repórteres amigos para dividir alguns pensamentos e pensar em maneiras de me manter firme na caminhada.

Por que o estão ameaçando? Que “ameaça” você representa para que ameacem a sua vida? E por que agora, neste momento? Caramante – Como te falei, não é de agora. É uma coisa que ficou mais acentuada. Pode ser que tenha alguma relação com o período eleitoral ou com outros interesses que ainda não consigo afirmar quais são. Um deles, por exemplo, pode ser a necessidade que muitos têm de manter o poder ou de chegar até o poder.

Quem? Pode explicar melhor? Caramante – Não posso nomeá-los, pois aí já entraremos em informações referentes aos bastidores das polícias, e esses meandros estão muito ligados às minhas fontes e às minhas apurações. Hoje, em São Paulo, a questão da polícia vai além dos muros dessas instituições. A cidade nunca esteve, em período democrático, tão militarizada. Trinta das 31 subprefeituras ganharam comando de PMs da reserva na gestão Kassab. Com a criação da operação delegada, os policiais militares hoje atuam oficialmente não apenas para a corporação, mas também para a prefeitura – é o bico legalizado. Vemos então que as frentes de poder estão crescendo, e há muita gente na disputa. Sem contar os cargos na Câmara Municipal.

Por que isso está acontecendo? Por que, por exemplo, 30 das 31 subprefeituras de São Paulo ganharam comando de PMs da reserva nesta gestão?Como você caracterizaria esse projeto de poder? Caramante – Esse processo ganhou corpo quando o coronel (agora reformado) da PM Álvaro Batista Camilo, também candidato a vereador, pelo PSD, se aproximou do prefeito Kassab, na época em que era comandante-geral da PM. Como é sabido, Kassab vem marcando sua gestão com uma postura de cerceamento. Já são notórias as tentativas de proibição de sopões a moradores de rua, de saraus na periferia, da feira da praça Roosevelt, no centro de São Paulo, e outras mais.

O que o fato de um repórter de um dos maiores jornais do país ser ameaçado de morte revela sobre a violência no estado de São Paulo? Caramante – É uma questão que não diz respeito somente à violência. Esta é a parte tangível de todo o contexto que citei anteriormente. A relação polícia X poder é atualmente um ponto muito importante. Desde a abertura política, talvez seja este o momento em que São Paulo mais tenha a influência de policiais militares. Com poder em jogo, os ânimos se acirram, em qualquer área.
Por que agora? E o que está em jogo? Caramante – Estamos em um momento propício por conta da já citada aproximação sem precedentes (da polícia) com outras esferas do poder público. Muitos oficiais da PM notaram, e agora tentam dar vazão a isso, que há outras e importantes áreas para onde estender seu campo de atuação – e de poder.

Você cobre a área policial há 13 anos. Documentou, como repórter, a ascensão do PCC. Você costuma dizer que vivemos numa guerra. Por quê? Como é essa guerra e em que momento dessa guerra estamos hoje? Caramante – É uma guerra entre o grupo criminoso PCC e as forças de segurança do Estado. O PCC é forte porque controla o tráfico de drogas no estado de São Paulo. É inegável o fato de o estado de São Paulo, desde 1999, ter conseguido baixar suas taxas de homicídios dolosos (intencionais). Essa queda, porém, é fruto de controle duplo: se deve tanto a progressos na Segurança Pública quanto ao comando do PCC. Em muitas situações, é o PCC quem decide quem morre em São Paulo, nos chamados tribunais do crime. Hoje, outubro de 2012, a guerra está mais acirrada entre o PCC e os policiais militares da Rota, considerada uma tropa de elite da PM paulista e que conta com 820 integrantes. Investigações contra o PCC antes feitas pela Polícia Civil, que tem essa atribuição pela lei, foram remetidas à Rota, que tem função de policiamento preventivo, ou seja, trabalhar para evitar que o crime ocorra.Estou dizendo isso porque defendo criminosos e quero dar uma chance a eles? Não. Falo porque é ilegal. Quem investiga é a Polícia Civil. Há aí uma nítida tentativa de empoderar ainda mais os integrantes da Rota. É o Estado agindo ilegalmente.

Por quê? Caramante – Isso é um reflexo da atual cúpula da Secretaria da Segurança Pública, que tem um histórico de relacionamento intrínseco com a Rota. Nos primeiros escalões da segurança pública paulista, também, impera uma certa desconfiança quanto à atuação de parte da Polícia Civil nas investigações sobre o PCC. Fala-se em corrupção.

Na semana passada, a Folha publicou que arquivos da facção PCC revelam atuação em 123 cidades de São Paulo, com 1.343 homens em todas as regiões do estado. O governo de São Paulo tentou minimizaro impacto das informações e o poder do PCC. O governador, Geraldo Alckmin, afirmou que “há muita lenda” sobre facções criminosas no estado de São Paulo. O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, declarou: “A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões”. O coronel da Polícia Militar Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante do policiamento da capital, disse que existe “folclore” nas informações sobre o PCC. Qual é a verdade? Caramante – Curioso como esse folclore é alinhado à realidade. No mês passado, por exemplo, a Rota matou nove pessoas envolvidas em um “tribunal do crime”, um julgamento no qual um homem suspeito de estuprar uma menina teria sua vida decidida pelos criminosos do PCC. Um dos nove mortos pela Rota era o “réu” do partido do crime, como os policiais chamam o PCC. Para justificar a ação, o governo disse que todos eram muito perigosos, que integravam o PCC. Passado o calor do acontecimento, o governo voltou à postura habitual de minimizar a importância, o tamanho e o poder do grupo. Se são apenas 30 ou 40 indivíduos, as oito mortes no mês passado reduziram significativamente o PCC. É isso o que vemos quando policiais militares são mortos quando estão de folga, como tem ocorrido constantemente em São Paulo? Será que o PCC deixou de decidir quem vive ou quem morre durante um “tribunal do crime”, quase sempre via telefones celulares usados por criminosos que estão presos e, na teoria, deveriam estar sem comunicação com as ruas? Quem vive na periferia de São Paulo sabe bem como as coisas são.

E como as coisas são? Como é o cotidiano de quem vive na periferia com relação ao PCC e à Rota? Caramante – O PCC domina os pontos de tráfico de drogas em São Paulo. Para evitar a presença das polícias, tenta corromper alguns de seus integrantes e também busca evitar crimes nas redondezas dos pontos de tráfico, principalmente homicídios. No meio disso, quem não é nem do PCC, nem da polícia, assiste a tudo em silêncio, esperando que não “sobre” para si.

O governador Geraldo Alckmin trocou o comando da Rota, no final de setembro. Entre as razões, estaria a divulgação de que o número de pessoas assassinadas pela tropa aumentou 45% nos primeiros cinco meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Qual é a sua opinião sobre a Rota? Ela deveria acabar? Caramante – Não só a Rota, mas toda a Polícia Militar. A PM tem uma estrutura que desconhece meritocracia e privilegia uma variação do nepotismo. Policiais dos escalões mais baixos são usados como degrau para filhos de oficiais que estão no topo da pirâmide. É como se o filho do coronel fosse, desde sempre, o coronel de amanhã, e o filho do praça já nascesse sabendo que jamais será oficial. Há exceções que o governo pode vir a bradar, claro, mas a regra é mais ou menos essa.Quantos oficiais foram mortos pelo PCC?Nenhum. É óbvio que não tem de morrer nem o official, nem o praça. Mas, hoje, só morre aquele trabalhador que está na linha de frente e também vive na periferia de São Paulo.Quem cobre segurança pública em São Paulo também sabe que os policiais da Rota saem às ruas com um ímpeto diferenciado e, às vezes, alguns deles cometem excessos. É o caso da morte do representante comercial Paulo Alberto Santana Oliveira de Jesus em Osasco, na Grande São Paulo, em setembro de 2011. Ele foi morto em casa, desarmado e com as mãos para trás. Em maio deste ano, das mortes de seis suspeitos de integrar o PCC na zona leste de São Paulo, um deles foi levado a uma rodovia e executado. Em ambas as situações, foi forjado um confronto armado, segundo dados apresentados por promotores. As seis mortes na zona leste são tidas como estopim para o atual acirramento da violência entre PCC e Rota.

Me parece curioso, para dizer o mínimo, que um repórter tenha de se esconder para proteger sua vida após ter denunciado que um candidato a vereador pelo PSDB e ex-comandante da Rota disseminava a violência no Facebook e ninguém, de nenhum partido, tenha falado disso durantea campanha. Você tem alguma hipótese para esse silêncio? Caramante – No fim de setembro, um candidato a vereador em São Paulo, assim como esse ex-chefe da Rota, pediu a impugnação da candidatura dele e alegou que esse senhor aparecia em sua propaganda política fardado, o que não é permitido pela lei eleitoral. Esse mesmo candidato também foi alvo da ira dos simpatizantes do ex-chefe da Rota e recebeu ameaças. A promotoria eleitoral também pediu, na semana passada, a impugnação da candidatura desse PM reformado e alegou que ele utilizou sua página no Facebook para incitar a violência.

Por que você se tornou repórter de polícia? Caramante – Porque quem tem a obrigação de nos defender não pode, sob hipótese alguma, atentar contra nós. Também queria que meu pai tivesse o orgulho de ver seu sobrenome no jornal por uma causa justa.Sempre admirei o trabalho de repórteres como ( Caco) Barcellos. Há histórias e situações que precisam ser contadas. Admiro muito, também, José Hamilton Ribeiro, mestre na arte de contar histórias. Ouvi palavras de apoio dos dois recentemente. As de Barcellos recebi com reverência. O tenho como meu maior exemplo. As de seu Zé Hamilton, com emoção. Me pegou desprevenido. Me marcou.Quero agradecer cada mão estendida e cada palavra de apoio que foi dita em nome da garantia do direito de informar e ser informado.

“Repórter de polícia” ainda é uma boa definição para jornalistas como você? Caramante – Acredito que o termo “repórter de polícia” deixou de existir. Hoje, cobrimos segurança pública e, por conta de uma evolução da cobertura nessa área, que deixou de ser tão vinculada às autoridades, como era no passado, somos repórteres de segurança pública.
E qual é a importância de se cobrir a área de segurança pública num país como o Brasil? Caramante – É um tema intimamente ligado ao cotidiano das pessoas, e ainda temos muito a evoluir tanto no combate à criminalidade comum quanto à de parte das forças de segurança.

Você monitora o número de pessoas mortas pela polícia. Quantos foram mortos até hoje no estado de São Paulo? Caramante – Sim, monitoro porque o jornal para o qual trabalho dá atenção especial para a questão da letalidade policial. Tenho meu próprio sistema de dados, no qual registro todas as mortes cometidas por policiais militares. Estes números não batem com os oficiais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulga em sua página na internet apenas as chamadas “resistências seguidas de morte”, mas há outros casos que entram na vala comum dos homicídios dolosos cometidos por qualquer cidadão. Minha contabilidade mostra que, entre 2005 e agosto deste ano, policiais militares mataram 4.358 pessoas no estado. Destas, 3.401 foram em “resistência(à prisão) seguida de morte” – figura jurídica inexistente, repito – e 957 em homicídios dolosos, que vão desde brigas em bar, no trânsito, casos conjugais, até mortes como a do empresário Ricardo de Aquino. São 47,3 mortos por PMs a cada mês. Ou seja: 1,5 a cada dia. Este é o retrato de uma Polícia Militar extremamente letal e que precisa passar por reformas o quanto antes.

Em que medida as relações entre o aparato de repressão do Estado e a população explicitam a desigualdade e as fissuras da sociedade brasileira num estado como São Paulo? Caramante – A Polícia Militar que atua dentro do perímetro do rodízio de veículos (de São Paulo), o chamado centro expandido, não é a mesma que atua na periferia. Temos duas polícias militares para cuidar da mesma cidade, e cada uma delas trata os cidadãos de maneira diferenciada, isso de acordo com o CEP da pessoa. Muitas vezes, policiais são mandados à periferia como forma de punição dentro do jogo de poder que não está nos manuais da corporação. Então, já vai para lá com um sentimento diferenciado. Recentemente, pesquisadores mostraram, com base em dados da Secretaria Municipal da Saúde, que 93% dos mortos pela Polícia Militar moravam na periferia de São Paulo. O estudo teve como base os anos entre 2001 e 2010. No período, dos mortos por PMs, 54% eram pardos ou negros.

Hoje há programas de TV que cobrem a área policial, nos quais suspeitos são tratados por jornalistas como condenados – e condenados sem direito algum –, marcas de tortura em detidos e presos são ignoradas e apresentadores incitam a violência da sociedade contra “vagabundos”. Você acha que esse tipo de imprensa colabora para que jornalistas como você, que trabalham com seriedade e denunciam também os abusos cometidos pela polícia, sofram ameaças? Caramante – São profissionais da imprensa que recebem altos salários para fazer o que fazem. Eles são experientes e, creio, no fundo sabem que somente a Justiça pode condenar ou inocentar algum suspeito de determinado crime. Estão ali por cifras altas. É a mesma situação de um profissional de jornalismo que abandona a carreira numa redação para ser assessor e ganhar R$ 1 milhão por seis meses de trabalho numa campanha política. São opções e temos de respeitar quem as toma. Mas essas pessoas também têm de respeitar quem não pensa como elas.

Como é estar no lugar de vítima para você, que tanto denunciou a violação de direitos humanos dos mais pobres e indefesos? Caramante – Vítima é a dona Maria da Conceição, mãe do Antonio Carlos da Silva, o Carlinhos, portador de deficiência mental que foi morto por policiais militares que integram o grupo de extermínio “Highlanders”, segundo a Polícia Civil e a Promotoria. Ele teve a cabeça e as mãos arrancadas após ter sido morto porque andava na rua e tinha dificuldades de comunicação.

Você pode contar melhor esta história? Caramante – Carlinhos foi morto em outubro de 2008, na periferia da zona sul de São Paulo. Estava perto de casa quando foi obrigado a entrar em uma viatura da Polícia Militar que fazia ronda no local. Vizinhos assistiram à cena e relataram à família. Imediatamente, a mãe, dona Maria da Conceição dos Santos, a irmã, Vânia Lúcia, e o pai começaram a procurá-lo. Poucas horas depois foram até o 37º Batalhão, onde ouviram da boca dos PMs – que, segundo a Polícia Civil e a Promotoria, mataram seu filho – que não o tinham visto. Encontraram o corpo de Carlinhos, decapitado e com as mãos arrancadas, em uma cidade vizinha. Ele, que era portador de necessidades especiais, tinha dificuldades para se comunicar.

Uma das maiores dificuldades da situação que você está vivendo parece ser o fato de ter virado notícia. Por quê? Caramante – Para começar, nunca me vi numa situação assim. Não é para isso que decidi ser repórter. A questão da exposição parece parte de uma realidade paralela, não se encaixa na minha trajetória. Optei por sempre passar despercebido.Quero poder continuar sentando numa delegacia sem que ninguém saiba quem eu sou.

Imagino que você tenha medo em alguns momentos ou o tempo todo. Como lida com isso? Caramante – O medo pode ser uma ótima ferramenta para aguçar os instintos. Sim, pode ser devastador também. Tento utilizá-lo como um agente minimizador de riscos. Nos momentos mais difíceis de administrá-lo, busco lembrar por que estou nesta caminhada. Me vêm à mente pessoas das quais contei histórias. O foco são elas, não eu.

Há perspectiva de sair dessa situação em breve? Caramante – Minha situação atual passa por constante avaliação da direção do jornal. Por enquanto, manteremos como está.

Como essa experiência está transformando você? Já é possível perceber alguns impactos e mudanças? Caramante – Situações dessa intensidade são oportunidades para reafirmar algumas ideias e descartar outras. Houve impacto, e mudanças certamente virão. Mas estão em curso, e por isso prefiro guardá-las aqui comigo.

Que ideias você reafirmou e quais descartou? Caramante – Reafirmei, por exemplo, a ideia de que tenho de permanecer alguém que conta as histórias dos outros, e também meu intuito de contribuir, minimamente que seja, para a melhoria dos setores que cubro. Deixei de lado a ideia de que riscos podem ser mensurados com algum grau de exatidão. Ninguém faz nada, até que alguém faça.

Como tem sido seu cotidiano nessa situação de ameaçado de morte? Caramante – Realmente acho difícil falar sobre isso. Há preocupação referente não apenas à situação atual, mas a como será no futuro. Esta não é uma situação que tenha prazo de validade.Agora à noite, um dos meus filhos disse que preferia estar na nossa casa de verdade. Perguntei o motivo. “Lá é mais colorido.”

Eliane Brum escreve às segundas-feiras.

Antonio F.P. revela que há muitas quadrilhas no Estado e que são bem mais organizadas do que o PCC… ( Ah, agora a verdade tá aparecendo!…A coisa é mais feia do que se pensava! ) 13

Em menos de 72h

Onda de violência traz Secretário de Segurança à região

Sandro Thadeu

Com informações de A Tribuna On-line

Apesar de o titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Antônio Ferreira Pinto, atribuir a “situações locais” a onda recente de homicídios na Baixada Santista, ele esteve mais uma vez em Santos para discutir o assunto com as autoridades policiais em menos de 72 horas.
A presença do representante da pasta somente revela a gravidade da situação, embora considere “um absurdo” o fato de facções criminosas serem as responsáveis pelas execuções registradas nos últimos dias.

Créditos: Bruno Miani

Secretário considera ´absurda´ a possibilidade de facções criminosas serem responsáveis pelos crimes

Por outro lado, o responsável pelo Deinter-6, Waldomiro Bueno Filho, admite que o momento é delicado, devido à grande quantidade de mortes na última semana. “Isso é preocupante para todos. (…) Queria que o público entendesse que essa é uma exceção. Moramos em uma comunidade tranquila e de paz”, diz ele, que estava de férias, em Portugal, e retornou nesta terça-feira de viagem.
Ainda nesta terça-feira, o secretário Ferreira Pinto esteve reunido com Bueno Filho e outros delegados da região, no Palácio da Polícia, para definir as ações de investigação.
Conforme o representante da SSP, “existem várias quadrilhas aqui. É fácil colocar toda a responsabilidade em uma facção e ela ser exaltada pela imprensa. Temos informações seguras (…) que as ações não têm nenhuma vinculação com essa facção. Se ela fosse tão competente, as pessoas não estariam dentro dos presídios”.
E completa: “Aqui fora o crime é bem organizado. O tráfico aqui na Baixada Santista – não é segredo para ninguém – é muito forte e estamos combatendo. Isso está causando a revolta para eles (membros da facção), que aproveitam esse momento para fazer acertos de contas”.
Ferreira Pinto não descarta nenhuma hipótese de linha de investigação, inclusive a que trata de uma suposta participação de PMs nesses crimes, como ocorreu em 2010, em Guarujá.
O secretário nega a existência de uma lista de cinco PMs que estariam marcados para morrer. Revela que isso é “fruto de sensacionalismo” e nenhum homem foi transferido para outra região por tal motivo.

Créditos: Carlos Nogueira

Sargento da PM foi assassinado no último domingo, em frente a um buffet, na Ponta da Praia

Reforço
Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar confirmou o reforço do policiamento na Baixada Santista com alteração na escala de serviço de todo o efetivo administrativo, empregado em ações policiais como Operação Bloqueio, Patrulhamento, Pontos de Estacionamento e Saturação. A corporação revela ainda que houve alteração no horário de emprego das equipes de Força Tática, Canil, ROCAM, Ronda Escolar, direcionando as abordagens e buscas policiais conforme o levantamento de informações de locais, horários e maneira de agir dos criminosos, de acordo com a característica de cada município.
“A região conta ainda com o apoio dos Batalhões de Choque da Capital (ROTA, ROCAM, COE e Corregedoria PM), que terão suas ações pautadas nas informações reunidas pelo Setor de Inteligência e Divisão Operacional do Comando de Policiamento do Interior -6. Nossa atuação continuará firme, e de maneira legalista, técnica e equilibrada, buscará sempre salvar vidas, proteger pessoas, cumprir e fazer cumprir as leis, combatendo o crime e preservar a ordem pública”.

ATENÇÃO POLICIAIS DE SÃO PAULO!…81º policial morto 104

Enviado em 09/10/2012 as 21:14 – JUNIOR

ATENÇÃO POLICIAIS DE SÃO PAULO! Acaba de ser assassinado nas imediações da Kizaemon Takeuti,Pirajussara em Taboão da Serra, o SD. Miguel do 37BPM-M-.ELE TINHA ACABADO DE CHEGAR EM CASA APÓS CUMPRIR ESCALA DURANTE O DIA E ESTAVA EM FRENTE AO PORTÃO DE SUA CASA, quando foi abordado por 04 motos,sendo alvejado..A Força Tática e a ROCAM do 36BPM-M,trombaram os malas e dois deles, QRT..Deus nos guarde!

fonte: Samogin’s

MANIFESTO DE OUTUBRO 28

Caro Dr. guerra, se for possível peço a gentilieza de publicar este manifesto.

                                                                                 MANIFESTO DE OUTUBRO

Busquemos as vozes dos que não temeram e não se curvaram e, mesmo sufocadas pela ignorância e despreparo, ainda assim gritaram contra as oligarquias políticas e a mídia comprometida e contratada.

A democracia deve ser o sistema onde muitos escolhem, dentre todos, os melhores, aqueles cujo compromisso é com o todo e não com a parte, pois se assim não for, teremos apenas a ditadura das maiorias.

Deve-se antes de tudo, preparar o povo para a escolha e, a ele, dar as ferramentas necessárias para a prática da cidadania, calar a voz do embusteiro e acorrentar as vaidades e, no cárcere alicerçar suas convicções condenando-a á perpétua prisão de seus ideais.

Nenhuma revolução nasceu antes que em seu nascedouro existisse o verbo, este mesmo, que eleva a altivez de cada um, este mesmo que cimenta no peito o amor a Pátria e a solidariedade.

Aqueles que corrompem os sonhos e o futuro de uma nação, não corrompem apenas a sua figura, esta se estende por todos os rincões deste país continental e alcança do abastado ao mais humilde.

Uma nação só se sustenta com a revolta dos humildes que, gorjeiam, como pássaros, um canto único, nas cidades nos campos em cada parte deste País, a uma só voz a felicidade e o bem estar, pois se a autorização, ainda que velada e muda, for dada aos que de seus gabinetes suntuosos usam sua escrivaninha como o timão livre e despreocupado para dirigir os nossos destinos, por certo o navio não irá a pique, mas, sim, a geração de hoje e a futura.

Os bons não podem ser alcançados pelo cansaço e nem pela fadiga, estas que pouco a pouco vão transformando o homem em apenas uma peça da engrenagem pré-concebida na prancheta dos maus.

Estes, os maus, que exercem sua soberania aplaudida e consentida pelos despreparados, exercem uma tirania maior que o tirano sanguinário, pois, nutrem suas vaidades e desejos pessoais, não com o sangue das suas vítimas, mas, sim, com seu suor e com sua morte lenta.

É preciso reagir, nas cidades nos campos em qualquer lugar, e deixar fluir o grito contido e o desalento adormecido, levantar o punho cerrado, não para agredir, mas, para ferir o silêncio que contamina o povo com uma letargia quase insuperável.

É preciso conclamar o povo e a ele inferir que o governo Socialista é o único governo do povo para o povo e, aqueles que comungam com a igualdade, liberdade e solidariedade devem ser convocados a se unir em uma única trincheira, a trincheira do bem.

Não podemos votar em Jose Serra, nem em representantes do PSDB cuja visão de Brasil é de um feudo, à disposição de seus senhores, para dele se despojarem e usarem ao Léo. A política Neo Liberal Tucana é de entrega do patrimônio público a investidores internacionais é a política extrativista que, retira a riqueza e devolve a pobreza, tal qual na época colonial do Brasil.

Devemos nos insurgir, o exército esta pronto e os fuzis são seus direitos de voto, embatamo-nos então com o inimigo até sua rendição incondicional e, após este julgamento, que a sentença seja o seu isolamento.

                                                               São Paulo, 09 de outubro de 2012

                                                                          Walcir Felix – um cidadão

Dias melhores virão: 80 policiais mortos! 30

Oito são mortos após assassinato de PM na Grande SP

MARTHA ALVES DE SÃO PAULO

Atualizado às 05h55.

Oito pessoas foram mortas a tiros entre a noite de ontem (8) e a madrugada desta terça-feira nas cidades de Taboão da Serra e Embu das Artes, na Grande São Paulo, após o assassinato de um policial militar. A PM não confirma se há relação entre os crimes e o assassinato do militar.

O policial foi morto a tiros em um posto de gasolina na estrada Kizaemon Takeuti, na região do Jardim Clementino, em Taboão da Serra, por volta das 22h de segunda-feira (8).

Dois homens em uma moto se aproximaram do militar, que estava em um carro, e dispararam vários tiros. Segundo a PM, ao menos cinco tiros atingiram o policial, que morreu a caminho do hospital.

Na madrugada desta terça-feira, seis pessoas foram mortas e ao menos duas feridas a tiros em três bairros diferentes de Taboão da Serra.

Duas das vítimas foram mortas na rua João Antônio da Fonseca, no Parque Pinheiros. A terceira vítima foi encontrada morta com um tiro e pendurada em uma grade de um portão na rua Tereza Montez Sanches, no Jardim Mituzi, em Taboão da Serra.

No Jardim Clementino, homens em um carro atiraram contra três pessoas na rua Nicolau Gentili. Uma morreu no local e outras duas feridas foram levadas a um pronto-socorro da região.

Outras duas pessoas foram encontradas mortas a tiros na rua Sati Nakamura, Jardim São Judas Tadeu, por volta das 3h30, de acordo com a Guarda Municipal de Taboão da Serra.

Na cidade de Embu das Artes, dois suspeitos morreram em troca de tiros com policiais militares na rua Babilônia, na região da Vila Olinda, na noite de ontem (8).

Segundo a PM, os suspeitos em uma moto não obedeceram à ordem de parar e teve início a perseguição, que terminou na troca de tiros e morte dos suspeitos.

TENTATIVA

Por volta das 23h30, criminosos tentaram matar um policial militar que chegava em casa de moto na rua Alves Feitosa, no Jardim Regina, zona norte de São Paulo.

Segundo a PM, dois suspeitos e uma moto dispararam um tiro contra o militar e fugiram. Ele saiu ileso do ataque.

O caso foi registrado no 33º Distrito Policial de Pirituba.

CASOS RECENTES

Dez pessoas foram mortas a tiros e ao menos dez ficaram feridas na zona sul de São Paulo, Cotia e Guarulhos (na Grande São Paulo) e no litoral, na madrugada de ontem (8). Nenhum suspeito foi preso, de acordo com a PM.

No último domingo (7), sete pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas, em Santos (85 km de São Paulo), em uma série de assassinatos na região.

Polícia Militar sabia que sargento iria ser assassinado; há mais cinco policiais marcados para morrer em Santos 46

Terça-feira, 9 de outubro de 2012 – 07h13

Papo com Editores

Polícia revela que denúncia anônima ‘avisou’ sobre morte de sargento

Eduardo Velozo Fuccia

O fuzilamento do sargento Marcelo Fukuhara, no início da madrugada de domingo, na Ponta da Praia, em Santos, não pode ser apontado como algo inesperado. E fez aumentar ainda mais entre os policiais o clima de medo e tensão diante de informações de uma lista de outros PMs marcados para morrer.
>>> Comente esta matéria no Blog Papo com Editores com o subeditor de Baixada, Rafael Motta
Denúncia anônima no sábado à tarde à Polícia Militar já dava conta de que criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC), motivados por uma significativa recompensa em dinheiro, haviam descido a Serra para fazer (eliminar) um membro da corporação em Santos, cujo nome não foi especificado. Para checar a informação e adotar as medidas preventivas ao suposto ataque, policiais militares realizaram patrulhamento no Morro da Penha.
Nesse local, estariam reunidos os integrantes da facção criminosa para acertar os últimos detalhes da emboscada e, lá, os PMs se depararam com o marginal apelidado por Nhenheco pilotando uma moto. Um sargento e um soldado reconheceram o suspeito e tentaram interceptar com a viatura a moto que ele pilotava. Nhenheco, porém, atirou mais de cinco vezes na direção dos patrulheiros e fugiu correndo em direção a um matagal, na Rua Quatro, abandonando uma Honda CB 300R amarela.
Os policiais escaparam ilesos e não revidaram os tiros, porque logo perderam de vista o acusado. Na sequência, apuraram que a moto pertence à cunhada de Nhenheco, que o acusou de tê-la furtado de sua casa. Na Central de Polícia Judiciária (CPJ) foi registrado boletim de ocorrência, contra Nhenheco, por furto e tentativa de homicídio.

Créditos: Bruno Miani

Sargento Marcelo Fukuhara foi morto no último sábado em frente ao buffet de sua mulher, na Ponta da Praia

Precisão Cirúrgica
Outras informações que também chegaram de forma anônima à PM garantem que há mais cinco policiais marcados para morrer. A diferença é que os nomes foram mencionados. Os novos potenciais alvos, a exemplo de Fukuhara, são do 6º BPM/I e apontados por colegas como policiais “linha de frente”.
Um policial da Força Tática de Santos conversou com A Tribuna e manifestou a tensão e o medo generalizados da tropa. Ele também se queixou da“ falta de respaldo do comando” e reconheceu o poder de fogo demonstrado pelo PCC.“Ele age com precisão cirúrgica, definindo antes o alvo para abatê-lo no horário de folga”.
Segundo o patrulheiro, a maior preocupação do comando é “segurar a tropa” para evitar possíveis ações justiceiras, popularmente conhecidas como ataques ninjas. “A cúpula não quer aumentar na população a sensação de insegurança e de uma guerra entre o PCC e os órgãos de segurança”. O policial ainda revelou que todas as equipes de Força Tática da Baixada Santista foram escaladas para trabalhar até o dia 15, sem folgas,12 horas diariamente.
Ex-oficial da PM e procurador de justiça, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, esteve domingo à tarde em Santos. Ele veio acompanhado do comandante geral da PM, coronel Roberval Ferreira França, e ambos se reuniram com o comandante da corporação na região, coronel Marcelo Prado. O encontro foi no quartel do Comando de Policiamento do Interior/6 (CPI/6), na Ponta da Praia, e dele também participaram comandantes dos batalhões da região.
Ninguém da Polícia Civil, cuja atribuição constitucional é investigar crimes, apurando as suas circunstâncias e autoria, foi convidado a acompanhar a reunião. A Tribuna quis entrevistar o coronel Prado para abordar as declarações do membro da Força Tática do 6º BPM/I. Porém, em nota, o Setor de ComunicaçãoSocial da corporação informou que não está autorizada entrevista do comandante do CPI/6 e divulgou um comunicado institucional à Imprensa.

Investigação, cacete e bala, antes que continuem a “buscar” Policiais em casa! 40

Enviado em 08/10/2012 as 22:16 – DELTA UNO – ORIGINAL

Isto não é mais crime! É terrorismo! É guerra revolucionária com ataque a representantes do Estado.

Cuidado, porém. Daqui há algum tempo, os autores destes atentados poderão ser chamados de “revolucionários”, poderão ser anistiados, tornando-se altos dignitários. Daí, “ai” de quem participar ou houver participado da “repressão” contra eles…

Blá-blá-blá à parte, governo à parte, qualquer coisa à parte, a verdade é uma só: Bandido só se enfrenta com investigação, cacete e bala, nesta ordem. O resto é papo furado. Conversa rebuscada sobre “garantismo X ‘pro societate’ ” é no fórum!

O trinômio é INVESTIGAÇÃO, CACETE E BALA! Dentro da lei, mas dentro também deste trinômio!

Polícia que tem “polícia” no sangue não deve depender de cúpula.

A Polícia, a verdadeira Polícia, que não é caricatura de Exército, nem esboço estético de Escotismo, deve depender é da organização interna de cada equipe, mormente das operacionais.

Investigação, cacete e bala, antes que continuem a “buscar” Policiais em casa!

João Alkimin: o Esselentíssimo Secretário da Segurança continua inerte 55

O SAQUINHO ESTÁ COMENDO A PIPOCA
Sou velho o suficiente para me lembrar de uma época em que quem fazia campana para prender bandidos era a polícia, tanto a civil quanto a militar, hoje os vagabundos degenerados é que campaneiam os policiais para mata-los.
E o Esselentíssimo Secretário da Segurança continua inerte e o Esselentíssimo Governador continua silente, não se preocupem pois  não se trata de erro de digitação, o Esselentíssimo não é de Excelência é de lento mesmo. O Governador lento para sair de sua inércia, lento para parar de falar besteiras, como: Que o PCC não existe e outras besteiras. E o Secretário lento para pedir exoneração do cargo e deveria pedir pois já esta provada sua mais absoluta incompetência para estar a frente da pasta.
Policiais Militares morrem diariamente, famílias são enlutadas pela incompetência governamental.
Enquanto policiais morrem como moscas o Secretário só se preocupa em turbinar as Corregedorias, gerando pavor em todos. Não vou citar nomes de policiais que estão na ativa e encontram-se na NASA, pois sei que sofreriam retaliações.
Mas nada impede que eu cite aqueles que já foram devidamente e criminosamente punidos sem nada terem feito, para merecerem tal vitupério, Conde Guerra, Bibiano, Frederico e agora por último, Pórrio, que sequer tiveram uma simples, uma única, uma singela condenação mesmo que fosse em 1ª Instância, mas já estão na rua e o Secretário, bem…Esse continua.
E os Delegados que torturam a escrivã? Porque não foram ainda demitidos? Provavelmente porque se demitidos poderiam dizer que outras pessoas da Administração Superior tinham conhecimento daquela vergonha e inclusive deram risadas.
É simplesmente estarrecedor e nem em meus piores pesadelos poderia conceber as cenas mostradas pela televisão da execução canalha, covarde contra um sargento da PM no litoral. Até quando isso irá continuar?? Acredito que enquanto Geraldinho for Governador e Ferreira Pinto Secretário. O cinismo desses dois senhores, bem como de oficiais superiores da Policia Militar que diga-se de passagem não vão para a linha de frente e usam carros descaracterizados e roupa a paisano, continuarem a negar a existência de uma Guerra Civil, de Policia contra bandidos, ou seja, do bem contra o mal e nós no meio dessa carnificina.
Quando marginais morrem imediatamente a chamada sociedade civil, a comissão de direitos humanos imediatamente se levantam criticando a policia, mas infelizmente estamos vivendo a época de se eu não matar, certamente irei morrer. E provavelmente a vida de um policial vale mais que a de qualquer marginal.
Portanto, o morticínio que assola o estado de São Paulo é culpa única e exclusiva do Governador e de seu Secretário. Os policiais sejam eles civis ou militares quando vão para rua não sabem se voltam. Existe sempre a possibilidade de um integrante dessa Organização Criminosa, o PCC estar a espreita para matá-los a sorrelfa, pois não tem sequer a coragem suficiente de matar pela frente, é sempre de tocaia, de emboscada e pelas costas. Até quando isso irá continuar? Até quando veremos policiais morrerem e nada ser feito?
Algo tem de mudar. Talvez a legislação,mas não adianta se punir com mais rigor aqueles que matam policiais, provavelmente devêssemos mudar a Constituição e instituirmos a prisão perpétua para esses marginais, mas em presídios onde não houvesse acesso a celulares, visitas intimas e que seus contatos com carcereiros ou mesmo advogados fosse feito sem contato pessoal. Isso não viola as garantias constitucionais e também está na hora de garantirmos nossos direitos constitucionais, de ir e vir sem medo.
Hoje existe inclusive, o perigo de alguém ser morto simplesmente por estar em companhia de um policial, ou de tentar socorrê-lo como fez o segurança em Santos ao tentar socorrer o Sargento e também ser assassinado.
Eu como cidadão não suporto mais autoridades virem a público como o Governador, o Secretário desmentindo a existência do PCC. Pois se só existem 30 ou 40 integrantes presos e mais ninguém, infelizmente chego a conclusão de que esses gatos pingados dominam o estado, gerando insegurança, temor no seio da sociedade civil e matando policiais civis e militares.
Assim, entendo que é hora de que exijamos do Governador a troca de seu Secretário e aproveito para perguntar: Onde está a Ordem dos Advogados do Brasil? Por sua comissão de Direitos Humanos e de Segurança Pública, pois até o momento não vi nenhuma palavra dessa instituição que se notabilizou no combate a ditadura militar. Triste sinal dos tempos que vivemos, onde morrem policiais que diuturnamente defendem a sociedade e hoje estão jogados a própria sorte, portanto, volto a repetir, o saquinho está comendo a pipoca, a grama está comendo a bola e no reino da segurança publica Ferreira Pinto continua a imperar, não se dignando sequer a comparecer ao enterro de um policial que tomba deixando amigos e família, como o Sargento morto na baixada Santista e mais setenta e poucos que já tombaram.
Profundamente lamentável sua inércia senhor Governador…

João Alkimin

João Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/