Arquivo da categoria: Sem-categoria
*Vírus na Radio Showtime* 10
Date: Fri, 2 Nov 2012 15:02:04 -0200
Subject: Re: *Vírus na Radio Showtime*
From: To: showtime.radio@hotmail.com
João,
Jornal O Globo quer ” cariocar ” São Paulo , mas mentir não vale 11
Milícia disputa com traficantes controle de caça-níqueis em SP
Grupo criminoso teria participação de PMs aposentados e da ativa
Cleide Carvalho
Em São Paulo, costuma-se dizer que não é preciso ter brigas porque há espaço para todos. A propina do jogo de azar é paga tradicionalmente a policiais civis corruptos. De olho em áreas rentáveis, a milícia de PMs teria tentado cobrar pelos caça-níqueis na favela de Paraisópolis, no bairro do Morumbi, considerada o principal “hipermercado” da cocaína na capital pela proximidade com os consumidores mais ricos. Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí, apontado como integrante da facção e com poder justamente em Paraisópolis, foi preso em Itajaí (SC), em agosto, acirrando os ânimos.
O jogo de azar prosperou em São Paulo nos últimos dois anos com a modernização dos equipamentos. No lugar das máquinas antigas, grandes e, portanto, visíveis, surgiu uma nova, do tamanho de um micro-ondas, feita com tela de LCD e de fácil transporte. Na maioria dos locais, geralmente pequeno comércio da periferia, ela só é colocada em operação depois das 18 horas. Estão disponíveis até em açougues, segundo o agente público ameaçado. O valor do jogo varia de R$ 1 a R$ 10. O ganho com cada máquina fica entre R$ 4 mil e R$ 15 mil por mês.
— A sociedade tem que cobrar dos políticos mudanças firmes na legislação, para garantir a investigação até o fim e a segurança de quem investiga. Tenho de punir um funcionário que não é um funcionário qualquer. Ele está com a arma na mão. Quando dou voz de prisão, peço a arma. Naquele segundo, ele pode entregar ou atirar. Não sou um chefe comum — desabafa um integrante da cúpula da polícia paulista.
Ele diz que é difícil dizer até que ponto a milícia está envolvida na onda de violência porque há muitos boatos. Em 2010, a polícia chegou perto de prender um integrante da milícia, mas como era apenas suspeito, foi solto pela Justiça.
89º – Mais uma noite, mais um PM executado a caminho do trabalho 16
Sexta-feira, 2 de novembro de 2012 – 08h45 Última atualização, 02/11/2012 – 11h11
PM é assassinado em São Bernardo do Campo
Do Primeiro Jornal
pauta@band.com.br
Um policial militar foi vítima de um ataque de bandidos na madrugada desta sexta-feira, no bairro Cooperativa, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC (São Paulo). Ele seguia para o trabalho, de moto, quando bandidos se aproximaram e atiraram contra o oficial, que morreu por conta dos disparos.
De acordo com informações da polícia, o cabo Marco Zacarias Pilate estava fardado no momento do ataque. Ele pertencia à 3ª Cia do 40º Batalhão e foi atingido por tiros no rosto e no peito.
A principio, a polícia também não descarta a hipótese de tentativa de assalto.
Como matar um herói? 25
Como matar um herói?
Alguns podem falar que heróis têm vida eterna, outros que não sentem dor, que são invencíveis ou semi deuses, mas pasmem! Isso tudo é utopia e não passa de mera ilusão. Nos dias de hoje ser herói é humanamente impossível, no mínimo cômico, afinal, a sociedade quer alguém que se dedique com afinco as causas nobres do cotidiano? Ou reformulando a pergunta, as pessoas merecem alguém que lute com todas as forças pelo bem coletivo? Já não sei mais, há alguns anos atrás acreditava fielmente que sim, vendo as atrocidades de um povo doentio, pensei que poderia brincar de super-homem, dando à cara a tapa e buscando resolver os problemas do mundo, não importando se para isso criasse para mim um rótulo de intransigente ou ríspido demais.
Não me arrependo de nada, minha luta foi por uma causa justa, armas foram retiradas das mãos de marginais, condutores embriagados foram colocados aos montes no local onde não podem matar inocentes, madrugadas de sono foram perdidas para vigiar o patrimônio de alguém que trabalhou para construir uma vida, muito suor foi derramado as margens de estradas em abordagens a traficantes que insistem em destruir vidas humanas, saliva foi gasta tentando convencer vizinhos a chegar a um denominador comum e viver em comunhão fraterna, e quantas mulheres foram salvas das mãos de companheiros enfurecidos, sem contar as inúmeras vezes em que arrisquei a minha própria vida em beneficio de outrem, algo que se faz não por dinheiro ou status, mas sim pela vocação de alguém que acreditava no poder do bem, alguém que não via a hora de colocar o uniforme de super herói e combater o crime e com orgulho de dizer: sou policial!
Mas os dias vão passando, e você cada vez mais começa a perceber que por mais que faça o impossível, não é o suficiente, um sentimento de impotência inevitavelmente brota do peito e a vida começa a ensinar da maneira mais difícil que para um policial ser herói, ele precisa lutar contra forças ocultas de tamanha magnitude que jamais imaginaria quando iniciava na academia policial, poderes estes emanados das fontes mais variadas, seja interna ou externa, política ou burocrática, sem fronteiras quando o assunto é poder!
Caros colegas é triste, mas me sinto na obrigação de externar meus sentimentos, afinal, o que fiz até hoje na minha profissão foi tentando acertar, conheci pessoas incríveis, mas também tive o dissabor de conviver com hipócritas que vêem o mundo como um terreno de oportunidades, onde o esperto se sobressai ao cidadão honesto, e o que mais me frustrou foi perceber que nosso meio esta contaminado com uma praga muito mais devastadora do que qualquer doença terminal, chamada política.
Isso me matou! Não há possibilidade de sobreviver, quando se perde a esperança, perde-se tudo, podem me chamar de covarde, até de mercenário, por receber um ordenado no final do mês sem ao menos merecer um décimo daquilo, por que vou embora, aqui não é meu lugar, e não vai ser o lugar de ninguém que queira trabalhar honestamente a serviço das pessoas de bem.
Sabe de uma coisa, cansei de ouvir piadinhas por atos corruptivos de colegas, de ser odiado por fazer o certo, de ir às minhas folgas no Tribunal dar depoimentos intermináveis, de cumprir cargas horárias abusivas só porque falam que sou Militar e tenho que me submeter ao Regulamento, de ser punido por fazer o certo, de ser visto como uma ameaça a tropa por contestar as barbaridades cometidas, de deixar de lado a coisa mais importante que é a família para lutar pela causa dos outros. Não quero exigir aqui prêmios, medalhas, recompensas financeiras, ou reconhecimento midiático, apenas gostaria de aplicar a lei a todos sem distinção de classe social, pois afinal, o que diz nossa Constituição mesmo?
Deus, ajude-nos!
Heróis estão morrendo a cada instante…
Tristeza: caixão simples , roupas de civil e sem homenagens oficiais 47
01/11/2012 21h24– Atualizado em 01/11/2012 21h46
‘Era meu herói’, diz filha de PM morto a tiros em Heliópolis
Corpo era velado sem homenagens oficiais na noite desta quinta (1º). Polícia investiga duplo homicídio de PMs ocorrido durante a madrugada.
Roney DomingosDo G1 São Paulo

Com roupas de civil e sem homenagens oficiais, o corpo do soldado Antonio Paulo da Rocha foi velado na noite de quinta-feira (1) no Cemitério da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo. Ao lado do caixão simples que a família ajudou a comprar, coroas de flores compradas por policiais de sua companhia, familiares e amigos. Em uma delas, a mensagem: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”
SÓ MORRE VACILÃO – Coronel afirma que mortes não são atentados contra a Instituição: “É em relação a alguns policiais que possam estar desatentos” ….( Fala bosta ! ) 50
É “falácia” SP ser dominada por um único grupo criminoso, diz chefe do Denarc
Para ele, retaliação de bandidos é resposta à ação da polícia
Publicado em 1/11/2012 às 04h40
Ana Cláudia Barros, do R7
O diretor do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos), Wagner Giudici, afirmou, na quarta-feira (31), que não é possível estabelecer, com precisão, um vínculo entre os recentes ataques promovidos por criminoso em São Paulo e o aumento efetivo de apreensão de drogas neste ano, no Estado. Mas ele destacou que esta é uma hipótese plausível, já que os “golpes têm sido reiterados e muito fortes em cima do crime organizado”.
— Quando falo em crime organizado, não falo de uma organização criminosa. É uma falácia a gente imaginar que São Paulo é dominada por uma única unidade. Nem todas são batizadas e nem todas têm nomes. Nem todas usam uma grife para produzir o tráfico. Mas é fato que prisões, mortes em confronto (com a polícia) e um expressivo aumento na apreensão de drogas causam, sim, um desconforto no crime organizado. Em qualquer unidade do crime organizado. Isso, de fato, pode levar alguma reação por parte dos criminosos.
Giudici enfatizou que não há conexão entre as 23 mortes esclarecidas de PMs ocorridas, neste ano, na capital e na Grande São Paulo.
— Seria impossível, até para nós, policiais, esconder isso. Não há esse vínculo. É aleatório. Cada um vai para um lado e tira sua desforra do jeito que bem entende. Cada um vai cobrar sua bronca do jeito que acha que tem que cobrar. Não é organizado como se imagina. Não existe uma mesa de reuniões em que se decidem mortes. É um negócio muito mais pontual e pulverizado do que a gente imagina.
Para o comandante do Policiamento de Choque da Polícia Militar, César Augusto Franco Morelli, houve retaliações a policiais porque o “crime está sendo subjugado pela lei”.
— Ele está perdendo dinheiro, muita droga. Estão sendo presas lideranças, envolvidos com as facções. Este crime é organizado entre aspas. Não é nenhuma máfia italiana. É na gíria comum mesmo, às vezes, não sabe nem falar. Quadrilhas, de qualquer tamanho que sejam, vão ser combatidas como quadrilhas. Não vamos ficar glamourizando pessoas que não merecem.
Na análise de Morelli, os sucessivos assassinatos de PMs não podem ser encarados como atentados contra a corporação.
— Na verdade, não é um atentado contra a polícia. É em relação a alguns policiais que possam estar desatentos, devido à retaliação que o crime possa estar fazendo em virtude de sua perda.
De acordo com ele, a principal recomendação dada à tropa é que fique atenta, em qualquer situação.
— A principal recomendação é que, o policial, pôs uma arma na cinta, que fique esperto, ligeiro. Ele pode ser surpreendido, mesmo em situação que não seja de ataque.
“Balaio de louco”
O diretor do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Jorge Carrasco, avaliou que está ocorrendo um “balaio louco”, ao se referir à recente onda de violência em São Paulo. Ele frisou que somente depois de estabelecida a autoria dos assassinatos é que a polícia analisa a motivação do crime.
— O que está acontecendo é que virou um balaio louco. Muitas pessoas estão cobrando desafetos. Muitas estão se aproveitando da situação, cobrando dívidas de tráfico. Quem não pode pagar está pagando na vida.
Sobre a suspeita de envolvimento de policiais e ex-policiais em homicídios de civis, Carrasco afirmou que “tudo é investigado”.
— Tenho um caso em Osasco em que há a evidência de envolvimento de um policial militar que foi expulso em 2008. O DHPP não vai passar a mão na cabeça de ninguém. Só que tudo tem que ter prova. Não podemos fazer conjecturas.
Lista
Em relação aos papéis com anotações sobre a rotina de policiais, encontrados em uma mala com dois adolescentes durante a Operação Saturação na favela de Paraisópolis, na zona sul, o comandante do Policiamento de Choque informou que não é possível afirmar que os nomes encontrados são de PMs.
— Não vou ser leviano e confirmar que são nomes de policiais. Estes papéis estão sendo analisados. Não queremos criar uma situação de neurose gratuita, internamente, na polícia, ou na sociedade. Estou aguardando a análise.
——————————————————————————————
EXEMPLO DE DESATENTO SEGUNDO O MANUAL DO CORONEL
João Alkimin: O SECRETÁRIO DESTA VEZ ESTÁ CERTO 26
João Alkimin é radialista – http://www.showtimeradio.com.br/
Ferreira Pinto poderia exibir a gravação da conversa telefônica mantida com o Ministro Cardozo quando da confissão de que mentia sob pressão do PT …( O Secretário grava tudo ) 13
Para secretário, proposta do governo federal é ‘oportunismo barato’
Antonio Ferreira Pinto afirmou que só alguém que não conhece Paraisópolis e SP pode fazer uma proposta de ocupação aos moldes da feita no Complexo do Alemão
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, afirmou que a proposta do governo federal é “oportunismo barato” e “provocação”. “São Paulo não merece isso”, disse. “É hora de a gente olhar para frente, falar em alto nível, parar com ironias. E de nós nos concentrarmos no interesse público. A proposta é risível e sem sentido”, disse.
Segundo o secretário de Segurança, as provocações do governo federal começaram na véspera da eleição municipal, quando uma nota de jornal afirmava que o Ministério da Justiça havia oferecido ajuda ao governo de São Paulo.
“Eu liguei para o ministro da Justiça (José Eduardo Martins Cardozo) na véspera de eleição e disse que o ministro não podia mentir e dizer que ofereceu algo que não tinha oferecido. Ele (o ministro) disse que era muito pressionado pelo grupo político dele e, se não fizesse isso, estaria morto”, afirmou.
Ferreira Pinto ainda afirmou que só alguém que não conhece Paraisópolis e São Paulo pode fazer uma proposta de ocupação aos moldes da feita no Complexo do Alemão. “É uma comunidade de 70 mil habitantes. Temos base da PM funcionando lá dentro, guardas-civis metropolitanos, escolas, postos de saúde e diversos equipamentos.”
O secretário ainda acredita que o governo federal quer superdimensionar a crise em São Paulo para “desconstruir a segurança pública” no Estado. Ferreira afirmou que em março já tinha feito o pedido de renovação de convênios que São Paulo faz com o governo federal, voltados, por exemplo, a softwares, e equipamentos de Polícia Técnica e Científica. “Essa ajuda eles podem nos dar. Mas é preciso uma discussão mais séria”, disse.
Já a presidente do Conselho de Segurança do Morumbi, Julia Titz, disse que acha a proposta boa, desde que venha somar com a segurança do bairro. “Não é fácil prever o que vai ocorrer. Mas concordamos com tudo o que for para somar”. / BRUNO PAES MANSO
FARSA PARA ENGANAR A TROPA – Diretor do DHPP diz que 23 casos de mortes contra policiais foram elucidados 47
São Paulo
Quase metade dos assassinatos contra PMs foi elucidada
A Secretaria de Segurança Pública anunciou nesta quarta-feira que dos 57 casos de homicídios de PMs ocorridos na Capital e na Grande São Paulo, 23 já foram solucionados e tiveram os autores presos pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Entre os crimes elucidados está o assassinato de um PM morto com tiros de fuzil no dia 27 de setembro deste ano. ( Quem matou , cadê as armas , queremos ver a reconstituição do crime )
Desde janeiro, 86 PMs já foram assassinados. Trinta e sete deles foram mortos com características de execução. Na maioria dos casos, os criminosos usaram motos para praticar os homicídios e fugir em seguida. Na noite de terça-feira, uma lista com o nome de 40 policiais marcados para morrer também foi apreendida pela PM.
De acordo com o diretor do DHPP, Jorge Carlos Carrasco, durante as investigações no caso de setembro, a Polícia Civil descobriu que os envolvidos estariam na favela de São Remo, no bairro do Butantã, e pediu os mandados de busca.
“Alinhados que estamos com a PM, o batalhão de choque e a ROTA, fomos cumprir os mandados de busca e apreensão”.
A polícia já identificou outros seis homens envolvidos.
Durante a operação foram apreendidos quatro rádios portáteis, um equipamento de segurança, sete balanças de precisão, dois coletes à prova de balas, 23 sacos cheios de embalagens para drogas, um projétil de fuzil, um par de placas, 18 Vidros vazios com cola sintética, um vidro de cola fluída para acrílico, 75 tijolos de maconha, 403 trouxinhas de plástico com maconha 146 pinos de cocaína, uma sacola plástica com cocaína, 11 cartelas de LSD e 92 invólucros plásticos com lança perfume. Operação Saturação Na coletiva também foi divulgado o balanço da Operação Saturação, que acontece desde as 4h30 da madrugada de segunda-feira, tem até agora 13 pessoas presas em flagrante por crime de contravenção. Além das prisões, a polícia conseguiu apreender 14 armas, 223 munições, 21kg de cocaína, 140,7 kg de maconha e 50 unidades de drogas sintéticas.
O comandante do batalhão de choque aproveitou para anunciar que a ROTA apreendeu 720kg de maconha e 2kg de cocaína em uma oficina no Parque Novo Mundo. A ação também resultou na desarticulação de uma quadrilha, com quatro suspeitos presos.
A casa caiu, Secretário! 46
01/11/2012 – 03h09
Dois PMs à paisana são mortos a tiros na zona sul de SP
MARTHA ALVES DE SÃO PAULO
Atualizado às 03h51.
Dois policiais militares à paisana foram mortos a tiros, na região de Cidade Nova Heliópolis, zona sul de São Paulo, por volta da 0h desta quinta-feira.
Os PMs andavam de moto pela rua Paraíba, na região da Favela de Heliópolis, quando foram baleados. Uma pessoa viu os dois homens feridos e ligou para o 190.
Quando a PM chegou ao local descobriu que as duas vítimas eram militares. Eles foram levados ao pronto-socorro Heliópolis, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.
Segundo a polícia, não foram encontradas armas com os policiais.
O caso foi registrado no 26º Distrito Policial, no Sacomã, e será investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
No local do crime, foi encontrada uma moto sem placa abandonada e ao menos cinco cápsulas deflagradas de pistola. Segundo a polícia, a moto do policial foi abandonada na rua Guido Aliberti, em São Caetano do Sul (Grande São Paulo). As armas dos PMs não foram encontradas.
Já vi Governador demitir Secretário, mas Secretário derrubar Governador é a primeira vez. 47
Fica Ferreirinha, meu voto é teu.
Toque de recolher: Situação na periferia de SP é de calamidade, dizem movimentos sociais 23
Moradores relatam assassinatos, toques de recolher e fim de atividades culturais
Leonardo Guandeline
Tanto moradores da periferia paulistana quanto entidades sociais dizem que o clima de insegurança não parte apenas dos toques de recolher supostamente decretados pelo crime organizado. Falam da ação de grupos de extermínio e milícias comandadas principalmente por policiais militares que estariam disputando pontos do tráfico de drogas com a facção que age dentro e fora dos presídios paulistas.
– Eles (alguns PMs e policiais civis) estão formando e fortalecendo a milícia. Antes agiam, por exemplo, em desmanches, comércios e casas de prostituição nas periferias, além do controle de locais de venda de contrabando, na região central. Agora disputam pontos de tráfico com a facção. Temos as mortes de pelo menos dois integrantes da facção de 2010 para cá e o desaparecimento de droga e uma grande quantia em dinheiro deles. E, depois disso, o início de uma nova onda de violência. O dinheiro subtraído da facção estaria ajudando na formação de milícias – diz um jovem, morador da Zona Norte, que preferiu não ser identificado.
– Quando houve os ataques a restaurantes em bairros nobres da capital, por exemplo, a primeira coisa que policiais fizeram foi oferecer a donos dos estabelecimentos proteção, através de empresas de segurança deles mesmos. Aí acabaram os ataques. E é assim que a milícia age – complementa.
Milícias e grupos de extermínio também estariam por trás de mortes de alguns policiais militares na região metropolitana, segundo relatos de movimentos sociais e moradores da periferia. O motivo seria a disputa de poder. Somente este ano, ao menos 88 PMs foram assassinados no estado.
– Moro no Campo Limpo e lá a coisa anda bem complicada. Recentemente tivemos a morte de um amigo meu e do (Daniel) Gabu, rapper do Rosana Bronks, conjunto formado no Jardim Rosana, na mesma região. Foi num domingo e inventaram uma história de que era acerto de contas com o dono do bar, que não saiu nem ferido. Desde então há um toque de recolher no Campo Limpo, todos os dias. Há um carro, um Santana, circulando na região e matando. Outro dia ouvi um relato de um suposto alvo de que de dentro desse veículo partiu uma conversa do tipo: ‘esse não, tá de mochila’ – diz um rapaz, que também pediu para não ser identificado.
A morte de Daniel Gabu e outras semelhantes na periferia paulistana foram citadas pelo rapper Mano Brown, dos Racionais MC’s, durante um encontro na última semana com o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ainda candidato naquela ocasião. “O pano de fundo é a guerra contra o crime organizado, mas eles (o poder público) estão matando por parecer ser”, disse Brown.
– A população e os trabalhadores empobrecidos estão no meio do fogo cruzado. Estudantes perdem o direito de ir e vir. Esses ataques que novamente acontecem são os crimes de maio de 2006 que não foram resolvidos. Você coroa a impunidade e generaliza a violência – diz Débora Maria da Silva, coordenadora do Movimento Mães de Maio e mãe do gari Edson Rogério Silva dos Santos, morto a tiros em 15 de maio daquele ano, em Santos, litoral paulista.
O corpo de Edson, que teria sido morto por policiais, foi exumado em 13 de junho, seis anos após o assassinato. De acordo com o movimento, foi o primeiro corpo de vítimas daquele período submetido a esse procedimento “para melhor investigação”. Desde então, Santos vive uma situação de calamidade, uma onda de violência, segundo Débora.
Entre outras reivindicações, as Mães de Maio e outros coletivos e movimentos sociais defendem a federalização das investigações dos crimes de maio de 2006 e a criação de uma comissão especial nos moldes da Comissão da Verdade para apurar excessos, além do fim de ocorrências registradas nas delegacias como “resistência seguida de morte”, o que, de acordo com o movimento, “dá carta branca para policiais continuarem matando”.
– Diante de casos de crimes de lesa-humanidade, principalmente contra a população pobre, negra e periférica, os governos não podem se omitir, tanto na esfera estadual quanto na federal. Se houvesse sido investigada e levada adiante a questão dos crimes de maio de 2006, desmontadas as estruturas que levaram àquela violência, certamente a gente teria evitado várias mortes nesse período. Os assassinatos seguem de tempos em tempos e agora temos essa situação de calamidade – diz Danilo Dara, integrante do Mães de Maio e da Rede 2 de Outubro – pelo fim dos massacres.
O movimento Mães de Maio, a Rede 2 de Outubro e outras organizações sociais preparam manifestações para este mês de novembro para tentar barrar a escalada da violência no estado de São Paulo. Os atos começarão nesta sexta-feira, Dia de Finados, e devem ser intensificados no dia 20, feriado da Consciência Negra, segundo reunião dos coletivos realizada na noite desta terça-feira na capital.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/situacao-na-periferia-de-sp-de-calamidade-dizem-movimentos-sociais-6601984#ixzz2AvoTlubk
© 1996 – 2012.
Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.




